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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Fim da escala 6x1 em 51 dias (16/12): 2 folgas e 42h sem corte de salário — o que o governo ainda vai regulamentar depois da eleição, salário-hora com divisor 200, hora extra, 12x36, pequenas empresas, boatos, golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (20h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – datas da transição (16/10); O Globo – projetos que o governo deve enviar após a eleição (26/10); Extra/O Globo – decreto e divisor de 200 horas (22/10); Agência Câmara – EC 141 (16/10). Lista completa no fim do texto.

Painel eletrônico do Plenário do Senado mostrando o resultado da votação da Proposta de Emenda à Constituição 221 de 2019, com 75 votos sim e 1 não, com texto sobre o fim da escala 6x1 a partir de 16 de dezembro

O placar de 75 a 1 no Senado, em 14/10: a primeira etapa do fim da escala 6x1 vale a partir de 16/12/2026. Foto: Ton Molina/Agência Senado, via Wikimedia Commons (uso livre com atribuição), adaptada com texto.

Faltam 51 dias. A partir de quarta-feira, 16 de dezembro de 2026, quem trabalha com carteira assinada passa a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana e a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, sem redução de salário. Um ano depois, em 16 de dezembro de 2027, o limite chega a 40 horas. As datas são as que o g1 calculou a partir da publicação da Emenda Constitucional 141 no Diário Oficial, em 16 de outubro.

Nesta segunda-feira (26/10), um dia depois do segundo turno, o assunto voltou às buscas no Google: a expressão “governo Lula recua na escala 6x1” apareceu entre os termos em alta no Brasil. Até a publicação deste texto, não encontramos nenhum ato oficial que mude, adie ou cancele o fim da escala 6x1. O que existe, segundo O Globo e o Extra, é que a regulamentação (um decreto e um projeto de lei complementar para detalhar pontos em aberto) ficou para depois da eleição, e agora está na lista de prioridades do governo para as próximas semanas, ao lado de uma linha de crédito do BNDES para pequenas empresas.

Como a mudança está na Constituição, ela não depende desse decreto para valer. Mas o decreto e a lei complementar vão responder perguntas que mexem diretamente no seu bolso: como se calcula o valor da hora (o famoso divisor), como ficam as escalas especiais como a 12x36, o que muda para quem trabalha em micro e pequenas empresas e como sindicatos e patrões vão ajustar os acordos coletivos. Este texto não é sobre política: é um guia prático do que já está garantido, do que ainda depende de regra, de como conferir o seu contracheque e o seu horário em dezembro e de como não cair em boato nem em golpe.

No fim, você encontra um calendário, exemplos de cálculo, um checklist para fazer antes de 16/12, as perguntas mais comuns e a lista completa de fontes.

Resumo rápido

  • O que já é lei: a Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso em 16/10, acaba com a escala 6x1 como modelo regular e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, em duas etapas, sem corte de salário.
  • 16/12/2026: começam os dois dias de descanso remunerado por semana (um deles, de preferência, no domingo) e o teto cai para 42 horas.
  • 16/12/2027: o teto cai para 40 horas semanais.
  • “Recuo”? Não há ato oficial nesse sentido. O que ficou para depois da eleição foi a regulamentação: decreto sobre negociações coletivas e valor da hora e projeto de lei complementar para escalas especiais e pequenos negócios.
  • Valor da hora: o decreto deve fixar um divisor. Com 40 horas, o salário mensal seria dividido por 200 (hoje é 220). Com o mínimo de R$ 1.621, a hora não poderia ser menor que R$ 8,10, e a hora extra comum ficaria em R$ 12,15, segundo O Globo.
  • Folgas: não precisam ser seguidas nem no fim de semana. Podem ser, por exemplo, terça e quinta, desde que sejam dois períodos de 24 horas de descanso.
  • Hora extra e banco de horas continuam existindo, dentro dos novos limites.
  • Pequenas empresas: a regra de transição especial prevista na emenda ainda não existe. O governo deve anunciar uma linha de crédito do BNDES e criar um grupo de trabalho.
  • Boato desmentido: é falso que o fim da 6x1 aumente o desconto por falta injustificada, segundo o serviço de checagem da Câmara.

O que já está valendo e o que ainda vai mudar

A primeira coisa a entender é a diferença entre promulgação e vigência. A emenda foi promulgada pelo Congresso em 16 de outubro, em sessão solene no Senado, e publicada no Diário Oficial. Emendas à Constituição não passam por sanção do presidente: é a própria Mesa do Congresso que as promulga. A partir da publicação, começaram a correr os prazos de transição previstos no texto.

Segundo a Agência Câmara, a emenda estabelece até oito horas de trabalho por dia, com possibilidade de compensação de horários e de redução da jornada por acordo ou convenção coletiva. Em dois meses após a publicação, passam a valer os dois dias de descanso e o teto de 42 horas. Um ano depois disso, ou seja, 14 meses após a publicação, a jornada máxima passa a ser de 40 horas.

Durante esse ano de transição, convenções e acordos coletivos podem ampliar a jornada diária para além de oito horas para organizar as 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. A emenda também diz que cláusulas de acordos coletivos incompatíveis com as novas regras perdem a validade dois meses após a publicação, o que coincide com o 16 de dezembro.

Segundo o g1 e o Planalto, a emenda alcança empregados da CLT e de leis especiais, incluindo trabalhadores domésticos, comerciários, atletas, aeronautas e radialistas. De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego divulgado pelo Planalto, cerca de 14,9 milhões de pessoas trabalham hoje na escala 6x1. O g1 cita 14,8 milhões. A diferença vem de arredondamentos nas fontes.

Calendário do fim da escala 6x1

DataO que aconteceFonte
16/10/2026 (sexta)Congresso promulga a EC 141/2026; texto é publicado no Diário Oficial e os prazos começam a contarAgência Câmara, g1
22/10/2026Governo indica que decreto e projeto de lei complementar ficam para depois do 2º turnoO Globo/Extra
26/10/2026 (hoje)Regulamentação da 6x1 aparece entre as prioridades de curto prazo do governo; linha do BNDES para pequenas empresas deve ser anunciadaO Globo
Próximas semanas (sem data oficial)Decreto da Casa Civil com o Ministério do Trabalho (negociações coletivas, divisor do valor da hora) e projeto de lei complementar (escalas especiais, MEI, micro e pequenas empresas)O Globo, CBN
16/12/2026 (quarta)Dois dias de descanso remunerado por semana; teto de 42 horas semanais; cláusulas coletivas incompatíveis perdem validadeg1, Planalto
Até o 5º dia útil de janeiro de 2027Pagamento do salário de dezembro, o primeiro contracheque com dias trabalhados já na regra nova (regra geral da CLT para salário mensal)CLT
Até um ano após a publicaçãoPrazo para órgãos públicos ajustarem, por termo aditivo, os contratos de terceirizados. Sem acordo, a redução vale automaticamenteg1
16/12/2027 (quinta)Teto de 40 horas semanais, fim da transiçãog1

As datas de 16/12 foram calculadas pelo g1 com base na publicação em 16/10/2026. Se a regulamentação trouxer outra forma de contagem, o Cantinho atualiza este texto.

Afinal, o governo recuou?

A busca por “governo Lula recua na escala 6x1” cresceu nesta segunda-feira, mas o Google Trends não mostrou nenhuma notícia associada ao termo. Fomos atrás das reportagens dos últimos dias e do que foi publicado nos canais oficiais. Até as 20h de 26/10, o quadro era este:

  • O Planalto e a Agência Câmara continuam descrevendo a transição em duas etapas, com 42 horas e duas folgas em dois meses e 40 horas em 14 meses.
  • Em 22/10, O Globo e o Extra informaram que o governo deixou a regulamentação para depois do segundo turno. Isso é diferente de recuar: a emenda já está na Constituição e não depende de decreto para valer.
  • Em 26/10, O Globo listou a regulamentação da 6x1 entre os projetos que o governo deve enviar ao Congresso no curto prazo, junto com uma linha de crédito do BNDES para pequenas empresas na transição para a escala 5x2.
  • Segundo o g1, para mudar o que foi aprovado seria preciso outra emenda à Constituição, com apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos na Câmara e no Senado. Há uma proposta alternativa no Senado, a PEC 12/2026, chamada de “jornada flexível”, que, segundo o g1, deve voltar ao debate em 2027. Por enquanto, ela não muda nada.

Na prática: até que surja um ato oficial em sentido contrário, o 16 de dezembro continua de pé. Desconfie de vídeos e correntes que digam o contrário sem citar o Diário Oficial, o Planalto, o Ministério do Trabalho ou o Congresso.

Funcionária de supermercado de blusa rosa arrumando frutas no alto de uma grande banca de hortifrúti com melões, maçãs e laranjas, com prateleiras de frutas e verduras ao fundo

Comércio, supermercados e serviços concentram boa parte de quem ainda trabalha seis dias por semana. Foto de arquivo, para ilustrar: seção de hortifrúti de um supermercado em Planaltina (DF), em 2014. Edilson Rodrigues/Agência Senado, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0.

O que muda na sua semana a partir de 16/12

A mudança mais visível é a folga. Hoje, quem está na 6x1 trabalha seis dias e descansa um. A partir de 16/12, a regra passa a garantir dois dias de descanso remunerado por semana. Segundo o g1, esses dias não precisam ser seguidos nem cair no fim de semana: podem ser dois períodos de 24 horas em dias intercalados, como terça e quinta. Um deles deve ser, preferencialmente, no domingo.

A segunda mudança é o limite de horas. Veja como fica a conta para quem trabalha cinco dias por semana:

PeríodoTeto semanalEm 6 dias (como era na 6x1)Em 5 dias (5x2)
Até 15/12/202644 horas7h20 por dia8h48 por dia
De 16/12/2026 a 15/12/202742 horas— (não pode mais ser a escala regular)8h24 por dia
A partir de 16/12/202740 horas—8h por dia

Divisões feitas pelo Cantinho a partir do teto semanal. Na transição, acordo ou convenção coletiva pode ampliar a jornada diária acima de 8 horas, mantidas as duas folgas. Intervalos de almoço não entram na conta.

Repare que a mudança também alcança quem já trabalha de segunda a sexta. Muita gente cumpre hoje 8h48 por dia para completar 44 horas e folgar no sábado. Com o novo teto, essa jornada diária deve diminuir, sem redução de salário, como explicou o g1.

E quem já trabalha 40 horas ou menos, como bancários e operadores de telemarketing, não ganha uma nova redução nem um terceiro dia de folga, segundo o g1. O direito aos dois dias de descanso, porém, vale para todos.

O valor da sua hora: o divisor 200 e a hora extra

Aqui está a parte que mais pesa no bolso, e é justamente um dos pontos que o decreto do governo deve esclarecer. Se o salário mensal fica igual e você trabalha menos horas, cada hora vale mais. Isso importa para calcular hora extra, adicional noturno, faltas e o pagamento de quem recebe por hora, como o trabalhador intermitente.

Segundo o Extra e O Globo, o decreto vai fixar um divisor para o cálculo do valor da hora. No regime atual, de 44 horas, o salário é dividido por 220. Com as novas regras de 40 horas, a divisão passaria a ser por 200. Considerando o salário mínimo atual de R$ 1.621, a hora não poderá ser inferior a R$ 8,10 para o intermitente. A hora extra comum, com adicional de 50%, ficaria em R$ 12,15, e a hora extra aos domingos, com adicional de 100%, em R$ 16,20.

Salário mínimo de R$ 1.621DivisorValor da horaHora extra (+50%)Hora extra (+100%)
Regra atual (44h)220R$ 7,37R$ 11,05R$ 14,74
Transição (42h) — estimativa210*R$ 7,72R$ 11,58R$ 15,44
Regra final (40h)200R$ 8,10R$ 12,15R$ 16,20

Linha de 40h com os valores publicados por O Globo/Extra (22/10). Linhas de 44h e 42h calculadas pelo Cantinho. *O divisor 210 para a fase de 42 horas é só uma estimativa pela mesma lógica (horas semanais × 5) e não foi confirmado: quem define é o decreto.

Uma observação importante: o adicional de 100% aos domingos usado na reportagem é um exemplo. O percentual exato da hora extra em domingos e feriados depende da lei e da convenção coletiva da sua categoria. Confira a sua.

Quem tem regra diferente

A emenda vale para a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada, mas há situações específicas. Segundo o g1:

  • Serviços contínuos e essenciais (hospitais, emergência, segurança, transporte coletivo, limpeza urbana): podem manter escalas diferenciadas, como a 12x36, por acordo ou convenção coletiva, com regime de compensação que garanta, na média, dois dias de descanso por semana no mês, com pelo menos um dentro de cada semana de trabalho. A forma exata vai depender da lei complementar e das negociações de cada setor.
  • “Hipersuficientes”: quem tem diploma de curso superior e ganha mais de 2,5 vezes o teto do INSS (acima de cerca de R$ 21,1 mil por mês, segundo o g1) não fica obrigatoriamente sujeito ao limite de 40 horas nem ao controle formal de jornada. Os dois dias de descanso continuam garantidos.
  • PJ e autônomos: sem vínculo de emprego, não são alcançados diretamente. Vale o que estiver no contrato.
  • MEI: a rotina do próprio microempreendedor não muda. Mas se o MEI tem um empregado com carteira assinada, precisa cumprir as novas regras para esse empregado.
  • Terceirizados de órgãos públicos: dependem de um termo aditivo entre a empresa e o órgão, com prazo de até um ano. Se não houver acordo, a redução passa a valer automaticamente.
  • Petroleiros embarcados e aeroviários: foram citados pela líder do governo no Senado como exemplos de categorias com escalas próprias que o projeto de lei complementar deve tratar, segundo o Extra.

Pequenas empresas: a regra especial ainda não existe

Se você trabalha em uma padaria, um mercadinho de bairro, um salão ou uma loja pequena, ou se é dono de um desses negócios, preste atenção. Segundo O Globo, com dados do Ministério do Trabalho baseados na Rais de 2025, as micro e pequenas empresas empregam 15,7 milhões de trabalhadores, dos quais 5,5 milhões estão na escala 6x1. Nelas, 35% dos empregados cumprem 6x1, contra 32,9% nas empresas maiores.

A emenda prevê que uma lei complementar crie regras de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos empregos. Essa lei ainda não existe. Até ela sair, a regra geral de 16/12 vale para todos os portes, como apontou O Globo em 19/10.

O que o governo sinalizou até agora:

  • Uma linha de crédito do BNDES para apoiar pequenas empresas na transição para a 5x2, que deve ser anunciada no curto prazo (O Globo, 26/10). Valores e condições ainda não foram divulgados.
  • Um grupo de trabalho, com Sebrae, associações comerciais e sindicatos, para avaliar adaptações para empresas menores, segundo o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em 16/10 que o governo estuda linhas de crédito e programas de capacitação, sem detalhar valores.
  • Medidas já aprovadas para o MEI, como o teto de faturamento maior a partir de 2027 e a possibilidade de contratar até dois empregados, foram citadas pelo ministro como parte da ajuda. O Cantinho explicou essas mudanças em um guia próprio (link no fim).

Do lado das empresas, há estimativas de aumento de custo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a redução para 40 horas sem corte salarial pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e os preços ao consumidor em 6,2% em média. A Abrasel, de bares e restaurantes, fala em aumento próximo de 20% nos custos operacionais de quem abre seis dias por semana. Defensores da medida apontam ganhos de produtividade e de qualidade de vida. São estimativas de entidades e não previsões oficiais; o efeito real vai depender de como cada setor se organizar.

Passo a passo: o que fazer até 16 de dezembro

Se você é empregado CLT

  1. Descubra qual é a sua jornada no papel. Olhe o contrato de trabalho e a carteira digital. Anote quantas horas por semana estão registradas e qual é a escala.
  2. Pegue o seu último contracheque e veja como a hora extra é calculada (se aparece o valor da hora ou o divisor). Guarde esse holerite para comparar com o de dezembro.
  3. Procure o seu sindicato e pergunte se a convenção coletiva da categoria vai ser ajustada e quando. Cláusulas incompatíveis com a emenda perdem a validade em 16/12.
  4. Converse com o RH sobre como vai ficar a sua escala: quais serão os dois dias de folga, se um deles cai no domingo e como ficam os horários de entrada e saída.
  5. Peça a mudança por escrito (e-mail, comunicado, aditivo ou escala publicada). Isso ajuda a evitar mal-entendidos.
  6. Acompanhe o seu ponto. Tire foto do espelho de ponto todo mês. É a sua prova se houver diferença de horas.
  7. Confira o salário de dezembro, pago até o 5º dia útil de janeiro: o valor mensal não pode cair por causa da redução de jornada.
  8. Se algo estiver errado, fale primeiro com o RH e o sindicato. Persistindo, procure a Superintendência Regional do Trabalho, a Defensoria Pública ou um advogado trabalhista.

Se você tem uma pequena empresa ou é MEI com empregado

  1. Mapeie as escalas atuais: quem trabalha seis dias, quantas horas por semana, em que horários a loja precisa de gente.
  2. Monte duas ou três opções de escala 5x2 que cubram o horário de funcionamento com até 42 horas semanais por empregado.
  3. Converse com o contador sobre o custo de hora extra, de uma contratação ou de mudança de horário, com o divisor que o decreto vier a fixar.
  4. Consulte o sindicato patronal sobre a convenção coletiva e as possibilidades de compensação durante a transição.
  5. Acompanhe o anúncio da linha do BNDES e do grupo de trabalho para pequenos negócios. Só contrate crédito depois de comparar o Custo Efetivo Total (CET).
  6. Comunique a nova escala por escrito aos empregados, com antecedência.
Quadro com três partes: linha do tempo de 16 de outubro de 2026 a 16 de dezembro de 2027 com a contagem de 51 dias para a primeira etapa; barras com o valor da hora do salário mínimo de R$ 1.621 pelos divisores 220, 210 e 200; e cartões com as horas por dia em uma semana de cinco dias com 44, 42 e 40 horas

Calendário da transição, valor da hora do salário mínimo e horas por dia na semana de cinco dias. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados do g1, da Agência Câmara e de O Globo/Extra (16 a 26/10/2026); divisor 210 é estimativa não confirmada.

Exemplos (hipotéticos) para entender a conta

Os casos abaixo são inventados, servem só para ilustrar as regras e não substituem a análise do seu contrato e da sua convenção coletiva.

Ana, operadora de caixa em supermercado, escala 6x1

Ana ganha R$ 1.900 por mês e trabalha seis dias por semana, 7h20 por dia, total de 44 horas. Hoje, pelo divisor 220, a hora dela vale cerca de R$ 8,64, e a hora extra com 50%, R$ 12,95. A partir de 16/12, ela passa a ter duas folgas por semana e no máximo 42 horas. Se a empresa adotar cinco dias de 8h24, o salário continua R$ 1.900. Quando o teto chegar a 40 horas e se o divisor 200 for confirmado, a hora de Ana vai a R$ 9,50 e a hora extra com 50% a R$ 14,25. Se ela fizer 10 horas extras no mês, receberia R$ 142,50, contra R$ 129,50 na regra atual.

João, auxiliar administrativo, de segunda a sexta

João já folga sábado e domingo, mas trabalha 8h48 por dia para completar 44 horas. Ele não ganha folga extra, mas a jornada diária deve cair: para até 8h24 a partir de 16/12/2026 e 8h a partir de 16/12/2027, sem mudar o salário. Se a empresa mantiver o horário antigo depois de 16/12, as horas acima do novo limite precisam ser pagas como extras ou compensadas, conforme as regras do banco de horas.

Carla, técnica de enfermagem em hospital, escala 12x36

Carla trabalha em escala 12x36. O hospital é um serviço contínuo, e a emenda permite que acordo ou convenção coletiva mantenha escalas diferenciadas, desde que se garanta, na média, dois dias de descanso por semana dentro do mês. Para saber se a escala dela muda, Carla precisa acompanhar a negociação do sindicato da saúde e a lei complementar. Até lá, ela não deve aceitar redução de salário por causa da mudança, porque a emenda a proíbe.

Seu Pedro, dono de padaria com três funcionários

Seu Pedro abre de segunda a sábado, das 6h às 20h, e hoje cada funcionário trabalha 44 horas em seis dias. Em 16/12, todos passam a ter duas folgas e até 42 horas. Ele monta, com o contador, uma escala em que cada funcionário trabalha cinco dias e os dias de folga se revezam, e calcula quanto custaria cobrir o buraco com horas extras ou com um quarto contratado. Enquanto a lei complementar para pequenas empresas não sai, ele acompanha o anúncio da linha do BNDES, mas só pretende pegar crédito se a parcela couber no caixa.

Boatos e golpes: cuidado

Mudanças grandes atraem desinformação e golpistas. Veja o que já foi desmentido e o que vale como precaução:

  • Boato da falta injustificada: o serviço Comprove, da Câmara dos Deputados, checou em 20/10 e concluiu que é falso que o fim da escala 6x1 aumenta o desconto no salário de quem falta sem justificativa. A emenda trata só do limite de horas e dos dias de descanso.
  • “Recuo” sem fonte: até 26/10, nenhum ato oficial mudou a data de 16/12. Se receber um vídeo ou print dizendo o contrário, procure a notícia em veículos conhecidos e nos sites do Planalto, da Câmara, do Senado ou do Ministério do Trabalho.
  • “Cadastro para receber a folga” ou “indenização da 6x1”: não existe cadastro nem pagamento do governo para ter direito às duas folgas. A mudança vale direto no contrato de trabalho. Mensagens com link pedindo CPF, senha do gov.br, foto de documento ou Pix são golpe.
  • Falso advogado ou falso processo: desconfie de quem promete “ação coletiva” para cobrar valores atrasados da 6x1 mediante pagamento antecipado. As regras novas só começam em 16/12; não há atrasado a cobrar antes disso.
  • Clicou em link suspeito? Troque a senha do gov.br e do banco, ative a verificação em duas etapas e registre boletim de ocorrência. O Ministério da Justiça tem um roteiro para quem clicou em link de golpe.

Checklist antes de 16/12

  • ☐ Confirmei no contrato e na carteira digital qual é a minha jornada semanal e a minha escala.
  • ☐ Guardei o último contracheque (de outubro ou novembro) para comparar com o de dezembro.
  • ☐ Perguntei ao sindicato se a convenção coletiva da minha categoria vai mudar e quando.
  • ☐ Perguntei ao RH quais serão os meus dois dias de folga a partir de 16/12.
  • ☐ Recebi a nova escala por escrito.
  • ☐ Comecei a guardar foto do espelho de ponto todo mês.
  • ☐ Sei calcular o valor da minha hora (salário ÷ divisor) e vou conferir o divisor quando o decreto sair.
  • ☐ Se faço 12x36 ou outra escala especial, estou acompanhando a negociação da minha categoria.
  • ☐ Se tenho pequena empresa: mapeei as escalas, falei com o contador e acompanho a linha do BNDES.
  • ☐ Não cliquei em link de “cadastro da folga” nem passei senha do gov.br para ninguém.
  • ☐ Em janeiro, conferi se o salário de dezembro veio cheio, sem desconto por causa da redução de jornada.

Perguntas frequentes

O fim da escala 6x1 foi adiado?

Não há ato oficial adiando. O que ficou para depois da eleição foi a regulamentação (decreto e projeto de lei complementar). As datas de 16/12/2026 (42 horas e duas folgas) e 16/12/2027 (40 horas) seguem as divulgadas pelo g1 com base na publicação da emenda.

Preciso esperar o decreto para ter as duas folgas?

Não. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a regra constitucional tem aplicação direta e não depende de convenção ou acordo coletivo para valer. O decreto vai esclarecer pontos como as negociações coletivas e o divisor do valor da hora.

Meu salário pode diminuir?

Não por causa da redução de jornada. A emenda proíbe redução salarial, inclusive dos pisos das categorias.

As duas folgas têm que ser sábado e domingo?

Não. Podem ser em dias intercalados, desde que sejam dois períodos de 24 horas. Um deles deve ser, de preferência, no domingo.

A hora extra acaba?

Não. Hora extra e banco de horas continuam existindo, dentro dos novos limites e das regras da lei e dos acordos coletivos.

Quem trabalha em comércio aos domingos e feriados?

A emenda não proíbe o trabalho aos domingos. Ela diz que um dos dois dias de descanso deve ser preferencialmente no domingo. As regras de trabalho em feriados no comércio seguem a legislação e as convenções de cada categoria.

Sou doméstica. Vale para mim?

Sim. Segundo o Planalto, a emenda inclui trabalhadores domésticos.

Sou MEI e trabalho sozinho. Muda alguma coisa?

Para a sua própria rotina, não. Se você tem empregado com carteira assinada, as regras valem para ele. Uma lei complementar ainda vai tratar da transição para MEIs, micro e pequenas empresas.

Ganho mais de R$ 21 mil e tenho diploma. Tenho direito às folgas?

Sim. Para os chamados hipersuficientes, o limite de 40 horas e o controle de jornada podem ter tratamento diferente, mas os dois dias de descanso continuam garantidos, segundo o g1.

A empresa pode me demitir por causa da mudança?

A emenda não cria estabilidade. As regras de demissão continuam as mesmas da CLT. A regra de transição especial para pequenas empresas, quando sair, deve estar condicionada à manutenção dos empregos, segundo o texto da emenda descrito pelo Planalto.

Onde reclamar se a empresa não cumprir?

Primeiro, RH e sindicato. Depois, a Superintendência Regional do Trabalho (canais do Ministério do Trabalho), a Defensoria Pública ou um advogado trabalhista. Guarde escalas, holerites e espelhos de ponto.

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Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica. As datas de 16/12/2026 e 16/12/2027 seguem o cálculo do g1 a partir da publicação da emenda; o decreto e a lei complementar ainda não foram publicados e podem detalhar regras, como o divisor do valor da hora. Os exemplos com nomes são hipotéticos. Convenções coletivas e decisões da Justiça do Trabalho podem trazer regras específicas para a sua categoria.

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Atualizado em 26/10/2026 (18h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – dólar e Ibovespa (26/10); InfoMoney – Tesouro Direto (26/10); Extra/O Globo (26/10); O Globo – Tesouro Direto suspenso. Lista completa no fim do texto.

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Se você abriu o aplicativo do banco nesta segunda-feira (26/10) e levou um susto, não foi impressão. No primeiro dia de negócios depois do segundo turno, o dólar fechou a R$ 5,4027, uma alta de 8,21% em um único dia, depois de chegar a R$ 5,6048 na máxima, segundo o g1. Na sexta-feira (23), antes da votação, a moeda tinha fechado a R$ 4,99. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e a B3 precisou acionar o circuit breaker, a pausa automática das negociações, pela primeira vez desde a pandemia, em 2020.

No Tesouro Direto, o programa do governo onde muita gente guarda a reserva e o dinheiro da aposentadoria, a plataforma abriu com quase três horas de atraso, os títulos prefixados tiveram a maior alta de taxas da série histórica, iniciada em 2005, e às 16h25 as negociações de prefixados e títulos atrelados à inflação foram suspensas, informou o InfoMoney. O Tesouro Selic seguiu disponível.

A reação veio depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo a apuração citada pelo g1, teve 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a maioria das pesquisas das últimas semanas apontava vantagem do adversário, parte dos investidores foi pega de surpresa e passou a recalcular o que espera para juros, câmbio e contas públicas. Este texto não é sobre política. É sobre o seu bolso: o que muda de verdade hoje para quem tem viagem marcada, compra em site estrangeiro, paga assinatura em dólar, tem dinheiro no Tesouro Direto ou em ações, vai ao supermercado e ao posto, e o que não muda, para você não tomar nenhuma decisão no susto.

No fim, você encontra um checklist para fazer ainda esta semana, as perguntas mais comuns e a lista completa de fontes.

Resumo rápido

  • Dólar: fechou a R$ 5,4027 (+8,21%), com máxima de R$ 5,6048. Na sexta, estava a R$ 4,99. O Banco Central injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de câmbio por meio de leilões de swap, segundo o Extra.
  • Bolsa: Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos. Ações ligadas ao consumo e ao mercado doméstico caíram mais; exportadoras como Suzano e Vale subiram (g1).
  • Tesouro Direto: abriu às 12h13, teve alta recorde de taxas e suspendeu prefixados e IPCA+ às 16h25. Tesouro Selic seguiu à venda e o Tesouro Reserva funcionou normalmente.
  • Cartão no exterior: a compra internacional é convertida pela cotação do dia da compra e paga IOF de 3,5%, a mesma alíquota do débito, do pré-pago, da conta global e do dinheiro em espécie.
  • Preços no Brasil: eletrônicos, combustíveis, trigo (pão, macarrão, biscoito), remédios e assinaturas em dólar são os mais sensíveis, mas o repasse não é automático e depende de quanto tempo o dólar ficar alto.
  • Juros: a Selic continua em 13,75% ao ano. A próxima decisão do Copom está prevista para 4 de novembro. Os juros futuros dispararam, o que pode encarecer crédito mais adiante se o movimento persistir.
  • Poupança, FGTS e benefícios: nada muda hoje. INSS, Bolsa Família e salário em reais seguem as datas normais.

O que aconteceu nesta segunda-feira, em números

Para entender o tamanho do movimento, vale olhar os números que os próprios veículos de economia registraram ao longo do dia:

IndicadorAntes (sexta, 23/10)Segunda (26/10)Fonte
Dólar comercialR$ 4,99R$ 5,4027 no fechamento (+8,21%); máxima de R$ 5,6048g1, Extra
Ibovespa—−13,88%, aos 176.608 pontos; chegou a cair 17% na reaberturag1
Tesouro Prefixado 203212,89% ao ano15,78% na abertura; 15,50% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro Prefixado 202912,76% ao ano15,40% na abertura; perto de 15% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,42%IPCA + 7,64% na aberturaInfoMoney
Juro futuro para janeiro de 202912,595%15,03% (por volta das 10h)g1
Selic (taxa básica)13,75% ao ano13,75% ao ano (sem mudança)g1 / Boletim Focus

Cotações registradas em horários diferentes do pregão; o fechamento de cada mercado pode variar conforme a fonte.

Segundo o Extra, no auge da manhã a alta do dólar chegou a 12%, superando até a variação do dia 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou as bandas cambiais e o dólar médio (Ptax) subiu 11,10%. As negociações de câmbio também foram interrompidas, e a B3 ampliou o limite do circuit breaker do dólar para 12%.

Para tentar acalmar o mercado, o governo agiu em duas frentes. O Tesouro Nacional recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) e cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana, mantendo só a oferta de títulos ligados à Selic (LFT). O Banco Central fez leilões de swap cambial que, na prática, injetaram US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólar.

Analistas ouvidos pelos jornais dizem que, passado o choque dos primeiros dias, o rumo do dólar e da Bolsa deve depender dos anúncios sobre política fiscal e da escolha da equipe econômica. Ninguém sabe onde o dólar fecha esta semana. E é exatamente por isso que o melhor que você pode fazer é organizar as próprias contas, sem apostar num único dia.

1. Tem viagem marcada para o exterior? O que fazer agora

Quem vai viajar no fim do ano ou no começo de 2027 é quem sente primeiro. Hospedagem, passeios, comida e compras lá fora são cobrados em moeda estrangeira, e cada real a mais na cotação vira gasto extra. O euro e a libra também são cotados contra o real e costumam sentir o mesmo movimento.

Não decida no susto: compre em partes

A dica mais repetida pelos especialistas de viagem nesta segunda foi a mesma: em vez de tentar acertar o "dia certo", divida a compra da moeda em várias vezes até o embarque. Assim você paga um preço médio. O colunista Estevam pelo Mundo, do Estado de Minas, fez a conta com números redondos: quem gasta US$ 2.000 comprando tudo de uma vez a R$ 5,40 paga R$ 10.800, mais 3,5% de IOF, ou R$ 11.178. Dividindo em quatro compras de US$ 500 que saíssem a R$ 5,00, R$ 5,40, R$ 5,20 e R$ 5,10, o total cairia para R$ 10.712. Uma diferença de R$ 466, sem adivinhar nada. As cotações do exemplo são ilustrativas: o dólar pode subir ou cair nas próximas semanas.

Cartão, conta global ou dinheiro vivo: o imposto é o mesmo

Desde o decreto de junho de 2025, validado pelo STF em julho daquele ano, o IOF é de 3,5% no cartão de crédito, no débito, no cartão pré-pago, na conta global usada lá fora e também na compra de dinheiro em espécie. A redução gradual que estava prevista deixou de valer. Com a alíquota igual, o que muda de uma opção para outra é o spread (a margem que cada instituição coloca sobre o dólar) e o momento em que a cotação é travada.

  • Cartão pré-pago e conta em moeda estrangeira: você converte no dia em que carrega o saldo. Bom para quem quer comprar aos poucos e saber exatamente quanto pagou.
  • Cartão de crédito: a compra é convertida pela cotação do dia em que você passou o cartão, e não do dia em que a fatura vence. Útil para caução de hotel, aluguel de carro e emergências.
  • Dinheiro vivo: paga o mesmo IOF; leve pouco, por segurança.

Lá fora, recuse pagar "em reais"

Se a maquininha no exterior perguntar se você quer pagar em reais, recuse e escolha a moeda local. A conversão feita pela loja costuma sair mais cara do que a do seu banco.

Passagem ainda não comprada

Olhe o preço final em reais e não deixe a emissão para a última hora. Quem tem milhas acumuladas pode usá-las para o trecho internacional e reservar o dinheiro para os gastos lá fora, que são os que sentem o câmbio diretamente.

Passageiros puxando malas de rodinha pelo saguão de embarque do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, com placas amarelas indicando os portões 305 a 332 e pessoas aguardando sentadas perto das janelas

Para quem embarca no fim do ano, comprar a moeda em partes até a viagem ajuda a não pagar só o pior dia. Foto de arquivo, para ilustrar: área de embarque do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos (SP), em fevereiro de 2025. TomasVial, via Wikimedia Commons — CC0 (domínio público).

2. Compras em sites estrangeiros, apps e assinaturas em dólar

Não é só quem viaja que sente. Roupas e acessórios em lojas internacionais, jogos, aplicativos, programas de computador e serviços cobrados diretamente em dólar acompanham a cotação do momento da compra.

  • A cotação fica travada no dia da compra. Desde 2020, pela regra do Banco Central, o banco converte cada compra internacional no cartão pela cotação daquele dia. Quem compra num dia de dólar alto fica com o valor daquele dia.
  • Parcelar não protege. Numa compra internacional parcelada, a conversão é feita no dia da compra, e as parcelas seguem aquele valor em reais.
  • A fatura mostra tudo. Cada gasto aparece em dólar, com a taxa de conversão usada e o valor em reais. Confira.
  • Revise as assinaturas em dólar. Serviços que cobram em moeda estrangeira ficam mais caros automaticamente; os que têm preço fixado em reais não mudam sem aviso da empresa.
  • Black Friday chegando: com a data em 27/11, compare o preço final em reais, com frete e impostos, antes de fechar compra em site estrangeiro. Veja também as regras de tributação de compras internacionais que explicamos aqui no Cantinho.

Pela nossa conta: quanto o dólar pesa (exemplos hipotéticos)

Os exemplos abaixo são hipotéticos, servem só para ilustrar e não incluem o spread do banco, que deixa a conta um pouco mais alta. Usamos o dólar de sexta (R$ 4,99), o fechamento desta segunda (R$ 5,4027) e a máxima do dia (R$ 5,6048), com IOF de 3,5%:

CompraDólar a R$ 4,99Dólar a R$ 5,40Dólar a R$ 5,60
Assinatura de US$ 20 por mêsR$ 103,29R$ 111,84R$ 116,02
Compra online de US$ 100R$ 516,46R$ 559,18R$ 580,10
Tênis ou fone de US$ 300R$ 1.549,39R$ 1.677,54R$ 1.740,29
Viagem com gasto de US$ 1.500R$ 7.746,97R$ 8.387,69R$ 8.701,45

Exemplo 1 (hipotético): a Carla paga uma assinatura de US$ 20 por mês. Com o dólar de sexta, gastava cerca de R$ 103,29 por mês. Se o dólar ficasse no fechamento desta segunda, passaria a R$ 111,84, cerca de R$ 8,55 a mais por mês, ou uns R$ 102 em um ano. Se ela usa pouco o serviço, este é um bom momento para pausar ou cancelar.

Exemplo 2 (hipotético): o João e a esposa vão aos Estados Unidos em dezembro e calcularam gastar US$ 1.500 por lá. Se tivessem comprado tudo na sexta, pagariam cerca de R$ 7.747 com IOF; tudo nesta segunda, cerca de R$ 8.388. Em vez de correr para comprar ou de esperar parados, eles decidem comprar em quatro partes até o embarque, carregando um cartão pré-pago a cada semana. Não dá para saber se vão pagar mais ou menos que na sexta, mas evitam concentrar tudo num dia só.

3. Tem dinheiro no Tesouro Direto? Entenda antes de vender

Este foi um dos pontos que mais assustou quem investe pouco e entrou no Tesouro para fugir da poupança. O aplicativo mostrou queda no valor de vários títulos, e a plataforma ficou fora do ar por parte do dia. Calma: há uma diferença enorme entre o que aparece na tela e o que você recebe no fim.

Por que o Tesouro Direto suspendeu as negociações?

Segundo o Tesouro Nacional, ouvido pelo O Globo, a pausa é um procedimento previsto nas regras do programa para atualizar preços e taxas quando os juros mudam muito rápido. A ideia é evitar que o investidor compre um título mais caro ou venda mais barato do que o justo naquele momento. Nesta segunda, a plataforma só abriu às 12h13 e, às 16h25, suspendeu os títulos prefixados e os atrelados à inflação. O Tesouro Selic continuou disponível, e o Tesouro Reserva, que não tem marcação a mercado, funcionou normalmente.

Mesmo durante a suspensão, as regras permitem registrar pedidos de investimento e resgate na área do investidor. Eles são processados na reabertura, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro.

O que é a "marcação a mercado" e por que o saldo caiu

Nos títulos prefixados e nos IPCA+, quando as taxas de juros do mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos cai. É isso que o aplicativo mostra. Pelo cálculo do InfoMoney, na abertura desta segunda o preço do Tesouro IPCA+ 2050 caiu 23,6% em relação à sexta, o do Prefixado 2032 caiu 12,2% e o do IPCA+ 2032, 7,1%.

Mas a queda de preço só vira prejuízo para quem vende antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade que contratou no dia da compra. "Quem tem esse investimento visando o retorno até o vencimento, não muda muita coisa. Muda mais para quem se programou para vender antes do vencimento", disse ao O Globo o estrategista Gustavo Spinola, da Sincra Investimentos.

Exemplo 3 (hipotético): a Dona Lúcia tem R$ 10.000 aplicados no Tesouro IPCA+ 2050 para a aposentadoria. Se ela vendesse tudo no preço de abertura desta segunda, a queda de 23,6% na marcação significaria receber algo perto de R$ 7.640 sobre aquele valor de referência (conta simplificada, sem impostos e sem considerar quanto ela já tinha rendido). Se ela mantiver o título até 2050, como planejou, continua valendo a taxa que ela contratou. Vender no pior dia é transformar uma oscilação em perda real.

E quem quer investir agora?

As taxas mais altas deixam os títulos novos mais "baratos" e com rentabilidade contratada maior, mas também mostram que o risco aumentou. Antes de qualquer coisa, a ordem é a de sempre: reserva de emergência primeiro, em aplicação com liquidez diária (como o Tesouro Selic ou o Tesouro Reserva, que nesta segunda seguiram funcionando). Títulos longos só fazem sentido para dinheiro que você realmente pode deixar parado até o vencimento. Este texto não é recomendação de investimento: se tiver dúvida, converse com o seu banco ou com um profissional certificado, e desconfie de quem promete ganho garantido.

4. Ações, fundos e previdência: o que olhar

O Ibovespa caiu 13,88% no dia. Entre as maiores perdas, segundo o g1, estiveram Magazine Luiza (−58,23%), Vamos (−56,79%) e Hapvida (−54,93%), empresas ligadas ao consumo e ao mercado interno. Exportadoras como Suzano e Vale subiram, porque recebem em dólar. Ações brasileiras negociadas no exterior também caíram.

  • Tem ações ou fundos de ações? O valor da carteira cai no aplicativo, mas o prejuízo só se concretiza se você vender. Quedas fortes em um dia já aconteceram antes, em 1997, 1999, 2008 e 2020, lembra o g1; o que vem depois depende de cada empresa e do cenário.
  • Previdência privada (PGBL/VGBL) e fundos multimercado: podem oscilar conforme a parte aplicada em ações, câmbio e títulos longos. Veja o extrato e o perfil do seu plano antes de pensar em portabilidade ou resgate, que pode ter imposto e taxa.
  • Poupança: segue a regra de sempre. A fórmula de rendimento só muda quando a Selic chega a 8,5% ao ano ou menos, e hoje ela está em 13,75%.
  • FGTS: não é afetado pelo pregão. Saldos, saques e datas seguem as regras da Caixa.

5. Supermercado, posto e farmácia: os preços vão subir?

A resposta honesta é: pode acontecer, mas não é automático, nem imediato, nem na mesma proporção do dólar. O repasse depende de estoques, contratos, concorrência, margens das empresas e, principalmente, de quanto tempo o dólar ficar alto. Uma alta pontual de um dia não garante reajuste; uma alta que dure semanas aumenta o risco.

Os itens mais sensíveis, segundo as reportagens do dia, são:

  • Combustíveis: o petróleo é cotado em dólar. Nesta segunda, o Brent era negociado a US$ 117,12, segundo o g1, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Mas o preço na bomba também depende de tributos, da mistura de etanol e biodiesel, da política da Petrobras e das margens de distribuição e revenda. Para comparação, a Petrobras indicava preço médio nacional de R$ 6,53 o litro da gasolina comum na semana de 11 a 17 de outubro, ainda antes da disparada do câmbio (dado citado pelo CenárioMT).
  • Diesel e frete: se o diesel subir, o custo do transporte de mercadorias sobe junto e pode chegar, aos poucos, a vários produtos.
  • Trigo: o Brasil importa parte do trigo usado em farinha, pão, macarrão e biscoitos. Se o câmbio continuar alto, moinhos e indústrias podem ter custos maiores para repor estoques.
  • Eletrônicos: celulares, notebooks, videogames e peças usam componentes importados, mesmo quando montados no Brasil.
  • Carros, pneus e peças: veículos importados e componentes eletrônicos são cotados em dólar.
  • Remédios e fertilizantes: muitos princípios ativos e insumos agrícolas vêm de fora. O efeito sobre a farmácia e o preço da comida depende de estoques, contratos e regras de preço.

Dica prática: não saia estocando tudo por medo. Compras por impulso num dia de pânico costumam sair caras. Se você já ia trocar de celular ou de notebook nas próximas semanas, compare preços em várias lojas, guarde prints e acompanhe por alguns dias. No supermercado, a pesquisa de preço vale mais do que nunca, e marcas próprias costumam ser uma saída. Lembre que a prévia da inflação de outubro já mostrava alimentos como tomate, cebola e batata em alta, enquanto a conta de luz caiu.

Gráfico com três painéis: o dólar de 4,99 reais na sexta para máxima de 5,60 e fechamento de 5,40 na segunda; as taxas dos títulos Prefixado 2029, Prefixado 2032 e IPCA+ 2050 antes e depois da abertura; e o custo em reais de uma compra de 100 dólares com IOF de 3,5% em cada cotação

O dia em três números: dólar, taxas do Tesouro Direto e quanto custa uma compra de US$ 100 com IOF. Gráfico: Cantinho Verde Lar, com dados do g1, do Extra e do InfoMoney (26/10/2026); custo da compra calculado sem o spread do banco.

6. Juros, empréstimos e cartão: o que pode mudar

A Selic, a taxa básica que serve de referência para os juros do país, continua em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes em 2026. Ela só muda em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e a próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o Boletim Focus desta segunda (com projeções coletadas até sexta) apontava Selic de 13,25% no fim de 2026 e inflação de 5,19% neste ano. Parte dos analistas já revê esse cenário: a equipe da ASA, citada pelo InfoMoney, projeta só mais um corte em novembro, com a Selic terminando 2026 em 13,5%.

Já os juros futuros, que mostram o que o mercado espera para os próximos anos, dispararam. O contrato para janeiro de 2029 passou de 12,595% para 15,03% ao ano por volta das 10h, segundo o g1. Isso não aumenta imediatamente as taxas que o banco cobra de você, mas, se o movimento persistir, pode encarecer financiamentos, empréstimos e o crédito das empresas.

  • Vai pegar empréstimo ou financiamento? Se puder, compare o Custo Efetivo Total (CET) em mais de uma instituição antes de assinar e não feche no impulso. Contratos com taxa fixa já assinados não mudam.
  • Cartão de crédito: com o dólar alto, a fatura de quem fez compras internacionais pode vir maior. Não pague só o mínimo. O que sobra vai para o rotativo, um dos créditos mais caros do país.
  • Endividado? Priorize renegociar as dívidas mais caras (rotativo e cheque especial) e fuja de crédito novo que só empurra o problema. As novas regras do Banco Central contra o superendividamento, aprovadas na sexta (23), só entram em vigor em 2027.

7. O que NÃO muda no seu bolso hoje

Num dia de manchetes assustadoras, vale lembrar o que segue igual:

  • Salário em reais: o valor do seu salário não muda por causa do dólar.
  • INSS: o pagamento de outubro começou nesta segunda (26) para quem ganha até um salário mínimo com cartão de final 1 e vai até 9 de novembro, conforme o calendário oficial.
  • Bolsa Família: o pagamento de outubro segue até 30/10 pelo final do NIS.
  • Poupança e FGTS: seguem as regras de sempre.
  • Contratos com juros fixos: financiamento imobiliário, consignado e empréstimos já assinados com taxa prefixada não mudam.
  • Preços já pagos: o que você comprou no cartão antes desta segunda segue com a cotação do dia da compra.

8. Cuidado com golpes: momento de pânico é prato cheio para fraudador

Dias de notícia forte no mercado costumam vir acompanhados de mensagens falsas e "oportunidades" milagrosas. Fique atento a:

  • "Proteja seu dinheiro antes que o governo confisque": mensagens assim costumam aparecer em momentos de tensão para criar medo e induzir transferências. Não há qualquer anúncio oficial nesse sentido. Desconfie e não repasse.
  • Falso gerente ou falsa central do banco: ligam dizendo que é preciso "mover a aplicação" ou "proteger o saldo" por causa da crise e pedem senha, código ou Pix. Banco não pede senha nem transferência por telefone. Desligue e ligue você mesmo para o número do cartão.
  • Dólar barato demais: perfis em redes sociais e no WhatsApp oferecendo dólar abaixo da cotação para "aproveitar antes que suba". Compre moeda só em instituição autorizada pelo Banco Central.
  • Promessa de lucro garantido com a queda da Bolsa: robôs, grupos de "sinais" e "consultores" que garantem retorno rápido são sinal clássico de fraude. Investimento sério não tem ganho garantido.
  • Links falsos do Tesouro Direto: com a plataforma fora do ar por parte do dia, podem surgir sites e mensagens imitando o Tesouro. Acesse só pelo endereço oficial tesourodireto.com.br ou pelo aplicativo oficial, e nunca por link recebido.
  • Vídeos e áudios com rostos conhecidos: golpistas usam inteligência artificial para imitar economistas, apresentadores e autoridades recomendando aplicações. Confira sempre na fonte oficial.

Checklist: o que fazer esta semana

  1. Respire. Não venda investimento nem compre dólar no susto. Anote o que você tem e para quando precisa de cada dinheiro.
  2. Viagem marcada? Some quanto vai gastar lá fora e divida a compra da moeda em 3 ou 4 partes até o embarque.
  3. Escolha como pagar: o IOF é de 3,5% em todas as formas; compare o spread (a cotação final) entre seu cartão, conta global e pré-pago.
  4. Lá fora, pague na moeda local, nunca "em reais" na maquininha.
  5. Revise assinaturas em dólar e cancele as que você não usa.
  6. Compras internacionais e Black Friday: calcule o preço final em reais com IOF, frete e impostos antes de comprar.
  7. Tesouro Direto: lembre o vencimento de cada título. Se não precisa do dinheiro antes, a marcação a mercado não muda o que você vai receber no fim.
  8. Reserva de emergência: confirme que ela está em aplicação de liquidez diária (Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDB com liquidez).
  9. Fatura do cartão: pague o valor total. Nada de rotativo.
  10. Empréstimo novo: compare o CET em pelo menos três instituições antes de assinar.
  11. Mercado e posto: pesquise preço, evite estocar por medo e acompanhe os valores por alguns dias.
  12. Golpes: não clique em link de "proteção do saldo", não passe senha por telefone e compre moeda só em instituição autorizada.
  13. Datas fixas: anote a decisão do Copom (prevista para 4/11) e acompanhe as notícias sobre a equipe econômica, que devem guiar o dólar nas próximas semanas.

Perguntas frequentes

Por que o dólar subiu tanto nesta segunda?

Porque o resultado do segundo turno surpreendeu parte dos investidores, que esperavam outro vencedor, e eles passaram a recalcular as expectativas para juros, câmbio e contas públicas, segundo os analistas ouvidos pelo g1 e pelo Extra. Segundo analista ouvido pelo InfoMoney, a reeleição levou investidores, sobretudo estrangeiros, a retirar capital do país e a cobrar mais juros para financiar o Brasil.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe. Parte dos analistas espera recuperação gradual depois do estresse inicial, citando os juros altos do Brasil; outros esperam volatilidade até que haja anúncios sobre a política fiscal e a equipe econômica. Por isso, a recomendação é comprar moeda em partes, e não apostar num único dia.

Qual o IOF da compra internacional no cartão em 2026?

3,5%. A mesma alíquota vale para cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global e compra de dinheiro em espécie.

Comprei no exterior na sexta. Vou pagar com o dólar de hoje?

Não. Desde 2020, a compra internacional no cartão é convertida pela cotação do dia em que foi feita. O que você comprou antes desta segunda segue com a cotação daquele dia (mais o spread do seu banco e o IOF).

Perdi dinheiro no Tesouro Direto?

Só se vender antes do vencimento. A queda que aparece no aplicativo é a marcação a mercado. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva sofrem pouca ou nenhuma oscilação desse tipo.

Posso resgatar enquanto o Tesouro Direto está suspenso?

Você pode registrar o pedido, mas ele só é processado quando a negociação reabre, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro, segundo as regras do programa explicadas ao O Globo.

A gasolina vai aumentar amanhã?

Não há anúncio de reajuste ligado à alta desta segunda nas fontes consultadas. O preço depende também do petróleo, dos tributos, da política da Petrobras e das margens de distribuidoras e postos. Uma alta duradoura do dólar aumenta a pressão, mas o repasse não é automático.

A Selic vai subir?

A Selic só muda nas reuniões do Copom. A próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o mercado esperava novos cortes; depois desta segunda, parte dos analistas passou a prever menos cortes. Acompanhe a decisão oficial do Banco Central.

Meu benefício do INSS ou o Bolsa Família vão mudar?

Não. Os pagamentos de outubro seguem o calendário normal: INSS de 26/10 a 9/11, conforme o final do cartão, e Bolsa Família até 30/10, conforme o final do NIS.

É hora de comprar dólar para guardar?

Para quem tem gasto em dólar programado (viagem, curso, compra), comprar em partes reduz o risco. Comprar dólar "para investir" no meio de um dia de pânico é uma aposta. Se pensa em proteger parte do patrimônio, converse com um profissional certificado e use apenas instituições autorizadas.

Leia também no Cantinho

Fontes

Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento. As cotações citadas foram registradas em horários diferentes do pregão de 26/10/2026 e mudam a todo momento: confira a do momento no app do seu banco antes de comprar. Os exemplos com nomes são hipotéticos e servem só para ilustrar as contas, sem o spread cobrado por cada instituição. Regras do Tesouro Direto, do Banco Central e da Receita Federal prevalecem em caso de dúvida.

Temporal histórico em Minas (25/10): 231 mil ainda sem luz — como avisar a Cemig pelo WhatsApp, ressarcimento de geladeira e TV com vistoria em 1 dia útil, crédito na conta pelas horas no escuro, comida perdida, água da Copasa, FGTS e golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (15h, horário de Brasília). Fontes principais: O Tempo (26/10); Itatiaia (26/10); g1 Minas (26/10); Cemig – Estou sem luz; Aneel – qualidade do fornecimento. Lista completa no fim do texto.

Raios cortando o céu roxo sobre prédios iluminados de Belo Horizonte à noite, com texto sobre o temporal de 25 de outubro de 2026 que deixou milhares de imóveis sem luz em Minas Gerais e os direitos do consumidor da Cemig

O temporal de domingo (25/10) deixou cerca de 640 mil clientes sem luz em Minas no pico, segundo a Cemig. Foto de arquivo, para ilustrar: raios sobre Belo Horizonte em dezembro de 2010. Marcin Wichary, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

Quem mora em Minas Gerais passou a noite de domingo para segunda no escuro, ou conhece alguém que passou. O temporal que caiu no domingo (25/10), dia do segundo turno, foi classificado pela própria Cemig como o evento climático de maior impacto sobre a sua rede de distribuição em 74 anos de história. No pico, por volta das 13h30 de domingo, cerca de 640 mil clientes ficaram sem energia no estado. Na tarde desta segunda-feira (26/10), ainda eram cerca de 231 mil, sendo 98 mil na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 45 mil na capital, segundo os balanços divulgados pela companhia a O Tempo, à Itatiaia e à Rede 98.

"Belo Horizonte" está entre os assuntos em alta no Google Trends Brasil nesta segunda, e as perguntas que mais aparecem são práticas: como avisar a Cemig que estou sem luz? A geladeira queimou quando a energia voltou, quem paga? Perdi a comida do freezer, tenho direito a alguma coisa? Vou ganhar desconto na conta pelas horas sem energia?

Este guia do Cantinho Verde Lar responde a cada uma delas, com as regras da Aneel e os canais oficiais da Cemig, os prazos que a distribuidora tem de cumprir, o que fazer se a água da Copasa também faltou, quando o FGTS pode entrar na história, os golpes mais comuns depois de um temporal e um checklist para você fazer ainda hoje. No fim, tem perguntas frequentes e a lista de fontes.

Resumo rápido

  • O que houve: temporal com rajadas de 150 km/h em Patos de Minas, 105 km/h em Lavras e cerca de 90 km/h em Belo Horizonte, segundo a Cemig. A companhia contou cerca de 60 mil descargas atmosféricas, cerca de seis vezes o esperado para uma tempestade desse porte (g1 Minas).
  • Quantos ainda sem luz: cerca de 231 mil clientes em Minas na tarde de 26/10 (98 mil na Grande BH, 45 mil em BH). A Cemig disse prever restabelecer "grande parte" até a noite de segunda, mas sem prazo fechado para todos, porque muitos reparos dependem da retirada de árvores caídas sobre a rede.
  • Como avisar a Cemig: WhatsApp (31) 3506-1160 (digite "estou sem luz"), app Cemig Atende, Cemig Atende Web, Telegram @cemigbot, SMS 29810 ou telefone 116 (gratuito).
  • Aparelho queimou: peça o ressarcimento à Cemig. Vistoria em até 1 dia útil se for geladeira, freezer ou aparelho que guarda remédio; até 10 dias para os demais. Pedido feito em até 90 dias tem resposta em até 15 dias. Prazo máximo para pedir: 5 anos.
  • Horas no escuro: se a sua casa passou dos limites de interrupção da Aneel, a compensação é crédito na conta de luz em até dois meses após o período de apuração. Guarde o protocolo.
  • Comida estragada: não entra no ressarcimento padrão de aparelhos, mas o Procon orienta pedir à distribuidora com provas e, se negar, reclamar no Procon ou no Juizado Especial.
  • Água: a Copasa informou que a falta de energia afetou estações de tratamento e bombeamento na Grande BH; o abastecimento volta aos poucos depois que a luz é religada.
  • Golpe: a Cemig não cobra para religar energia cortada por temporal nem para analisar ressarcimento. Desconfie de quem pedir Pix.

O que aconteceu: o balanço do temporal em Minas

A tempestade começou no Sul de Minas na madrugada e manhã de domingo, avançou para o Triângulo, o Oeste e a região da Mantiqueira e chegou com mais força à Região Metropolitana de Belo Horizonte no começo da tarde, contou o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Ernando Braga, em entrevista registrada por O Tempo. "Ontem, nós tivemos um evento climático severo, algo histórico na companhia. Os impactos para o sistema elétrico foram grandes", disse.

Os números divulgados pela companhia ao longo de segunda-feira (26/10):

ÁreaNo pico (domingo, 25/10)Segunda à tarde (26/10)
Minas Gerais (toda a área da Cemig)cerca de 640 mil clientescerca de 231 mil
Região Metropolitana de BHcerca de 380 milcerca de 98 mil
Belo Horizontecerca de 221 milcerca de 45 mil

Fonte: balanços da Cemig divulgados a O Tempo, Itatiaia, Estado de Minas e Rede 98 em 26/10/2026. Os números mudam ao longo do dia.

Segundo a Itatiaia, a Cemig recebeu cerca de 7,5 mil chamados no estado (a Rede 98 falou em 7,8 mil), 1,8 mil deles na Região Metropolitana. A empresa ampliou as equipes de 3 mil para cerca de 4 mil profissionais ainda no domingo e falou em 4,6 mil mobilizados na segunda, além de geradores para cargas mais importantes. O Tribunal Regional Eleitoral contou 349 locais de votação sem luz em Minas durante o domingo (g1).

Em Belo Horizonte, a Defesa Civil registrou 17 chamados de risco até as 8h de segunda: 8 destelhamentos, 4 desabamentos de muro, 3 danos a edificações e 2 desabamentos parciais, com mais casos nas regionais Oeste, Centro-Sul e Barreiro (Itatiaia). No Sul de Minas, o g1 relatou desabamento de casa e imóveis interditados em Jacutinga, lama dentro de casas em Poços de Caldas, muros caídos em Andradas e duas famílias retiradas de casa em Campestre.

E a chuva volta? O Inmet previa, para Belo Horizonte, pancadas de chuva e trovoadas isoladas na própria segunda-feira, com temperaturas entre 16°C e 26°C (Estado de Minas). Para o resto da semana, a previsão é de tempo instável. Em resumo: vale resolver hoje o que der para resolver, antes de um novo temporal.

Ficou sem luz? Primeiro, descarte o problema dentro de casa

A Cemig pede um teste simples antes de abrir o chamado, porque parte das faltas de energia está na instalação interna do imóvel:

  1. Desligue e religue os disjuntores do quadro interno (se tiver) e o disjuntor da caixa de medição (o "relógio").
  2. Se ouvir um ruído forte ou sentir cheiro de queimado, pare: o indicado é chamar um eletricista particular antes de acionar a Cemig.
  3. Se os vizinhos também estão sem luz, ou se você vê fio caído, poste quebrado ou árvore sobre a rede, o problema é da rede, e é aí que entra o chamado.

Fio caído na rua: não chegue perto, não tente afastar com galho ou vassoura e mantenha crianças e animais longe. Avise a Cemig (116) e, se houver risco imediato, o Corpo de Bombeiros (193). A Defesa Civil atende no 199.

Como avisar a Cemig (e por que vale avisar mesmo com o bairro todo apagado)

Abrir o chamado é o que coloca o seu endereço na fila de atendimento, e o número de protocolo é a sua prova de que ficou sem energia, de quando avisou e de quanto tempo esperou. É esse protocolo que você vai usar depois se precisar pedir ressarcimento, reclamar da compensação na conta ou levar o caso ao Procon. Os canais oficiais, segundo a página "Estou sem luz" da Cemig:

CanalComo usar
WhatsAppSalve o número (31) 3506-1160, digite "estou sem luz" e siga as instruções. Tenha o CPF (ou CNPJ) e o número da instalação.
App Cemig AtendeFaça login e escolha "Estou sem luz" (Android e iOS).
Cemig Atende WebNo site da Cemig, login e opção "Estou sem luz".
TelegramProcure @cemigbot e digite "estou sem luz".
SMSEnvie "estou sem luz" para 29810.
Telefone116, ligação gratuita, com atendente virtual. Pessoas com deficiência auditiva: 0800 723 8007.
Ouvidoria0800 728 3838 (quando o atendimento comum não resolveu).

Em todos os canais, a Cemig pede que você confirme um celular válido, porque a equipe de campo pode ligar para fazer o atendimento. O número da instalação fica na conta de luz; se você não tem a conta impressa, ele aparece no app. Dica prática: tire hoje uma foto da última conta e deixe no celular.

Se a sua rua continua apagada depois de o resto do bairro voltar, abra um novo chamado: às vezes o defeito que derrubou a sua casa é outro (um ramal, um transformador) e não aparece no chamado coletivo.

Galhos e folhas de uma árvore caída sobre os fios elétricos que atravessam uma avenida molhada de chuva, vista do alto, em Belo Horizonte

Árvore sobre a fiação é o tipo de ocorrência que segura o religamento em muitos bairros: primeiro sai a árvore, depois a Cemig refaz a rede. Foto de arquivo, para ilustrar: avenida Francisco Deslandes, em Belo Horizonte, em 2009. Andrevruas, via Wikimedia Commons — CC BY 3.0.

Geladeira, TV ou computador queimou? O passo a passo do ressarcimento

É comum que aparelhos queimem não durante a queda, mas quando a energia volta, com o pico de tensão. A regra é da Resolução Normativa nº 1.000/2021 da Aneel: se houver relação entre o problema na rede e o dano, a distribuidora tem de ressarcir. Na Cemig, o direito vale para quem está no grupo B, que é a baixa tensão: residências, pequenos comércios e atividades rurais. Você pode pedir:

  • o conserto do aparelho;
  • a troca por outro igual ou equivalente; ou
  • o valor em dinheiro para você mesmo consertar ou comprar outro.

Segundo a orientação do Procon da Assembleia Legislativa de Minas, a forma final do ressarcimento (dinheiro, conserto ou troca) fica a critério da empresa.

Passo a passo

  1. Não jogue o aparelho fora e não mande consertar antes da vistoria. A Cemig pode querer ver o equipamento; se você descartar, perde a prova.
  2. Faça o pedido pelo Cemig Atende Web, pelo telefone 116 ou numa agência ou posto de atendimento. Anote o protocolo.
  3. Junte o que tiver: nota fiscal ou qualquer comprovante de compra, fotos do aparelho e da etiqueta com modelo e número de série, e o protocolo da falta de energia.
  4. Aguarde a vistoria: até 1 dia útil para aparelho que conserva alimento ou remédio (geladeira, freezer); até 10 dias para os demais, conforme a Cemig.
  5. Resposta: pedido feito em até 90 dias do dano tem resposta em até 15 dias; depois de 90 dias, em até 30 dias. Os prazos contam da vistoria ou, se não houver vistoria, da data do pedido.
  6. Pagamento: aprovado o pedido, o ressarcimento deve sair em até 20 dias corridos após o laudo conclusivo, segundo o Procon da ALMG.
  7. Negaram ou atrasaram? Recorra à ouvidoria da Cemig (0800 728 3838), à Aneel (telefone 167) e ao Procon da sua cidade. Se preferir, o caso pode ir ao Juizado Especial Cível.

Prazo máximo para pedir: 5 anos a partir da data do dano. Mas não espere: quanto mais cedo, mais fácil provar que o defeito veio do temporal, e mais rápido sai a resposta.

Horas no escuro: tenho direito a desconto na conta de luz?

Existe, sim, uma compensação em dinheiro, mas ela tem regras que pouca gente conhece. A Aneel acompanha, para cada imóvel, indicadores individuais de continuidade do fornecimento:

  • DIC: quanto tempo, no total, a sua unidade ficou sem energia no período;
  • FIC: quantas vezes a energia caiu;
  • DMIC: a maior interrupção contínua;
  • DICRI: a duração de cada interrupção em dia crítico, que é o dia em que o número de ocorrências emergenciais fica muito acima da média, exatamente o que acontece num temporal como o de domingo.

Só entram na conta as interrupções de 3 minutos ou mais. Quando a sua casa passa do limite fixado pela Aneel, a distribuidora tem de pagar uma compensação automática, como crédito na fatura, em até dois meses após o período de apuração. Se o crédito for maior que a conta, ele pode ser dividido nas faturas seguintes ou pago em dinheiro. Os limites variam conforme o conjunto elétrico do seu bairro e aparecem na própria conta de luz, junto com os valores apurados.

O Procon da Assembleia Legislativa de Minas traz uma orientação mais conservadora: diz que quem ficar mais de 12 horas sem energia em dia crítico deve ser compensado e recomenda ligar de novo para a distribuidora depois das 12 horas para formalizar o pedido, "uma vez que não há informação precisa de que a compensação será feita automaticamente". Fazer isso não custa nada e deixa mais um protocolo registrado.

Um detalhe importante: a Aneel também tem um indicador para interrupções ocorridas em situação de emergência (o DISE), usado para acompanhar esses casos em contexto extraordinário. Se a Cemig enquadrar parte das ocorrências dessa forma, a conta da compensação pode ser diferente. Por isso, a recomendação é a mesma: guarde os protocolos e confira as contas de novembro e dezembro. Se o crédito não aparecer e você tiver ficado muitas horas sem luz, questione a Cemig e, depois, a Aneel (167).

Perdi a comida do freezer: e agora?

Alimento estragado não entra no ressarcimento padrão de aparelhos, que trata de equipamentos danificados. Mas isso não quer dizer que você não tenha nenhum caminho. O Código de Defesa do Consumidor prevê reparação de danos causados pela falha no serviço, e Procons de vários estados orientam o consumidor a:

  1. Fotografar o conteúdo da geladeira e do freezer antes de jogar fora;
  2. Fazer uma lista dos itens com quantidade e, se tiver, notas fiscais ou comprovantes do mercado;
  3. Pedir à Cemig, com o protocolo da falta de energia, e anotar o novo protocolo;
  4. Se a empresa negar, reclamar no Procon e, se não resolver, no Juizado Especial Cível (causas de até 20 salários mínimos podem ser apresentadas sem advogado).

Seja realista: a empresa costuma alegar caso fortuito em eventos climáticos extremos, e cada caso é analisado com as provas que você tiver. Para quem tem comércio (bar, açougue, sorveteria, padaria), as provas fazem ainda mais diferença: estoque com nota fiscal, controle de temperatura, fotos com data.

Falta de água: o que a Copasa disse

A queda de energia também atingiu o abastecimento. Segundo O Tempo, a Copasa informou ainda no domingo que a falta de eletricidade afetou o funcionamento de estações de tratamento e unidades de bombeamento, com problemas nas estações de Serra Azul (Juatuba), Rio das Velhas (Nova Lima) e Morro Redondo (BH). Bairros de Belo Horizonte, Contagem, Betim, Juatuba, Mateus Leme, Sabará, Ibirité, Santa Luzia, Vespasiano, Raposos, Ribeirão das Neves e Brumadinho podiam ser afetados. Na segunda, a Rede 98 informou uma manutenção emergencial com dezenas de bairros de BH, Contagem e Ibirité sem água e normalização prevista, de forma gradual, para a madrugada de terça-feira (27/10).

O que fazer: use a água da caixa com economia, não deixe torneiras abertas (quando a água volta, a casa pode alagar) e, se a falta passar do previsto, registre protocolo nos canais de atendimento da Copasa. Imóveis com caixa-d'água dimensionada para o consumo diário costumam sentir menos, segundo a companhia.

FGTS: o saque-calamidade vale para este temporal?

Ainda não, e talvez nunca, depende da sua cidade. O saque-calamidade do FGTS existe para desastres naturais como vendavais, tempestades, granizo, alagamentos e enxurradas, e libera até R$ 6.220 por conta, limitado ao saldo. Mas ele só abre quando quatro coisas acontecem, nesta ordem:

  1. A prefeitura decreta situação de emergência ou calamidade pública;
  2. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconhece o decreto em portaria publicada no Diário Oficial da União;
  3. A prefeitura envia à Caixa a lista das áreas atingidas (municípios de até 50 mil habitantes são dispensados dessa documentação);
  4. A Caixa habilita o município, e só então o trabalhador pede pelo app FGTS ou numa agência.

Até a tarde desta segunda, não encontramos decreto de emergência por causa deste temporal nas cidades mais atingidas. (O decreto estadual divulgado em 23/10 trata da seca no Norte de Minas, não da tempestade.) Se a sua cidade for habilitada, o pedido pode ser feito até 90 dias depois da publicação da portaria, e você vai precisar de documento de identidade, comprovante de residência emitido nos 120 dias anteriores ao decreto (ou declaração da prefeitura, ou declaração própria) e uma selfie segurando o documento. Há um intervalo mínimo de 12 meses entre saques por calamidade. A lista oficial de municípios habilitados fica na página do Saque Calamidade, no site do FGTS. Explicamos o passo a passo completo neste guia do saque-calamidade.

Tem seguro? Acione agora

  • Seguro residencial: muitas apólices têm cobertura para danos elétricos e para vendaval (telhado, vidros, muro). Ligue para a seguradora ou o corretor, informe a data do evento (25/10/2026) e peça a lista de documentos. Se a Cemig também for ressarcir o mesmo aparelho, avise a seguradora: não dá para receber duas vezes pelo mesmo prejuízo.
  • Seguro do carro: árvore ou galho sobre o veículo costuma estar na cobertura compreensiva, mas confira a sua apólice. Fotografe antes de mexer.
  • Condomínio: portão eletrônico, bombas e elevadores queimados são pedidos do síndico, em nome do condomínio, à Cemig e ao seguro do prédio.

Golpes que aparecem depois de um temporal

Situações de urgência são o ambiente preferido de golpista. Fique atento a estes padrões:

  • Falso atendente da Cemig no WhatsApp pedindo Pix para "agilizar o religamento" ou pagar "taxa de vistoria". O número oficial de WhatsApp é (31) 3506-1160, e o ressarcimento não tem taxa.
  • Link para "cadastro de indenização" por SMS. Ressarcimento se pede nos canais oficiais (Cemig Atende Web, app, 116 ou agência), nunca por link recebido.
  • "Eletricista da Cemig" batendo na porta para consertar algo dentro da sua casa e cobrar na hora. Os funcionários da Cemig trabalham na rede, não na instalação interna do imóvel. Peça identificação e confirme no 116.
  • Falso "saque calamidade" ou "auxílio do temporal" pedindo senha do gov.br ou do app FGTS. Nenhum órgão pede senha por telefone ou mensagem.
  • Prestador que some com o sinal: telhadista, vidraceiro ou pequena construtora que pede metade adiantada e desaparece.

Antes de contratar o conserto: confira quem vai entrar na sua casa

Depois de um temporal, a procura por eletricista, telhadista e vidraceiro explode, e aparece todo tipo de oferta. Uma conferência rápida protege o seu dinheiro: se o prestador diz que tem empresa, peça o CNPJ e consulte no Consultor CNPJ, de graça, se o cadastro está ativo, desde quando a empresa existe e qual atividade está registrada. Isso também facilita a nota fiscal, que a seguradora costuma exigir para reembolsar. E se o prejuízo foi no seu comércio, o pedido de ressarcimento à Cemig é feito em nome da empresa, com o CNPJ e o número da instalação comercial.

Pela nossa conta: três situações do dia a dia

As situações abaixo são hipotéticas, com valores inventados só para ilustrar como as regras funcionam.

1. A geladeira que não ligou mais (hipotético). Dona Lúcia, de Contagem, ficou sem luz das 14h de domingo até a manhã de segunda. Quando a energia voltou, a geladeira não ligou. Ela abriu o pedido de ressarcimento na segunda-feira, guardou a geladeira e anexou a nota fiscal. Como é aparelho que conserva alimento, a vistoria tem de acontecer em até 1 dia útil. Pedido feito dentro de 90 dias: resposta em até 15 dias. Se aprovado, a Cemig escolhe entre consertar, trocar ou pagar, e o dinheiro sai em até 20 dias do laudo.

2. O freezer da lanchonete (hipotético). Seu Carlos tem uma lanchonete em BH e perdeu, pelas notas do fornecedor, R$ 1.800 em carne e laticínios. O freezer não queimou, então não há ressarcimento de aparelho. Ele fotografou o estoque, separou as notas, fez o pedido à Cemig com o protocolo da falta de luz e, se receber um "não", leva as provas ao Procon e, se for o caso, ao Juizado Especial. Sem as notas e as fotos, o pedido fica muito mais fraco.

3. Trinta horas no escuro (hipotético). Uma família da Região Metropolitana ficou cerca de 30 horas sem luz. Ela não precisa calcular nada: se o tempo passou do limite do seu conjunto elétrico, a compensação deve vir como crédito nas próximas contas, em até dois meses após a apuração. O que ela fez: anotou o protocolo do domingo, ligou de novo depois de 12 horas (como orienta o Procon da ALMG) e marcou na agenda para conferir as contas de novembro e dezembro.

Erros comuns que fazem perder dinheiro

  • Jogar fora o aparelho queimado antes da vistoria.
  • Mandar consertar por conta própria e só depois pedir ressarcimento, sem laudo e sem o aparelho para a Cemig ver.
  • Não anotar o protocolo da falta de energia.
  • Religar tudo de uma vez quando a luz volta: o ideal é deixar aparelhos sensíveis fora da tomada durante a falta e religar aos poucos.
  • Esperar o temporal passar para pedir: o prazo de 5 anos existe, mas a resposta é mais rápida (15 dias) se o pedido sair em até 90 dias.
  • Pagar "taxa" para qualquer pessoa que diga ser da Cemig.
  • Não conferir a conta de luz nos próximos dois meses para ver se a compensação apareceu.
Gráfico com barras comparando clientes sem luz no pico do temporal e na tarde de 26 de outubro em Minas, na Grande BH e em Belo Horizonte, e uma linha do tempo com os prazos da Cemig para vistoria, resposta, pagamento do ressarcimento e crédito na conta

Quantos ficaram sem luz e os prazos que a Cemig tem de cumprir. Gráfico: Cantinho Verde Lar, com dados da Cemig, da Aneel e do Procon da ALMG (26/10/2026).

Calendário: as datas e os prazos que importam

QuandoO quê
Dom. 25/10Temporal; pico de cerca de 640 mil clientes sem luz por volta das 13h30.
Seg. 26/10Cerca de 231 mil ainda sem luz à tarde; Cemig prevê religar "grande parte" até a noite.
Ter. 27/10 (madrugada)Normalização gradual da água prevista pela Copasa em bairros de BH, Contagem e Ibirité (manutenção emergencial).
Até 1 dia útil após o pedidoVistoria de geladeira, freezer ou aparelho que guarda remédio.
Até 10 dias após o pedidoVistoria dos demais aparelhos.
Até 15 diasResposta da Cemig para pedido feito em até 90 dias do dano (30 dias se pedir depois).
Até 20 dias após o laudoPagamento, conserto ou troca do aparelho, se aprovado (Procon da ALMG).
Até 23/1/2027 (pela nossa conta)Fim dos 90 dias para pedir com resposta em até 15 dias.
Até dois meses após a apuraçãoCrédito da compensação por interrupção na conta de luz, se o limite foi ultrapassado. Confira as contas de novembro e dezembro.
Até 25/10/2031Prazo máximo de 5 anos para pedir ressarcimento por dano deste temporal.

Checklist: o que fazer hoje e nesta semana

  • ☐ Testei os disjuntores internos e da caixa de medição.
  • ☐ Avisei a Cemig (WhatsApp (31) 3506-1160, app, 116 ou SMS 29810) e anotei o protocolo.
  • ☐ Se passou de 12 horas, liguei de novo e registrei mais um protocolo.
  • ☐ Tirei os aparelhos sensíveis da tomada enquanto a energia não estabiliza.
  • ☐ Testei geladeira, TV, computador, roteador, micro-ondas, portão e bomba d'água quando a luz voltou.
  • ☐ Aparelho queimado? Pedi ressarcimento, guardei o aparelho e separei nota e fotos.
  • ☐ Fotografei e listei alimentos perdidos, com notas fiscais se tiver.
  • ☐ Acionei o seguro residencial ou do carro, se tiver.
  • ☐ Conferi se a minha cidade decretou emergência (para o FGTS) e, se for habilitada, separei os documentos.
  • ☐ Antes de contratar conserto, conferi o CNPJ do prestador e combinei nota fiscal.
  • ☐ Marquei na agenda: conferir a compensação nas contas de novembro e dezembro.

Perguntas frequentes

A Cemig cobra alguma coisa para religar a energia depois do temporal?
Restabelecer a energia derrubada por problema na rede é obrigação da distribuidora, e o chamado é gratuito. A religação que tem pedido próprio é a de corte por falta de pagamento, que é outra situação. Se alguém pedir dinheiro em nome da Cemig, desconfie.

Moro de aluguel. Quem pede o ressarcimento?
O pedido costuma ser feito pelo titular da conta de luz. Se a conta está no nome do proprietário, combine com ele ou com a imobiliária, e junte comprovantes de que o aparelho é seu.

Não tenho a nota fiscal da TV. Perco o direito?
Não necessariamente. Fotos do aparelho, da etiqueta com modelo e número de série e qualquer comprovante (fatura do cartão, manual, caixa) ajudam. A vistoria serve justamente para verificar o equipamento.

O aparelho estava na garantia da loja. Uso a garantia ou peço à Cemig?
Dano por surto elétrico costuma ficar fora da garantia do fabricante, que cobre defeito de fabricação. Leia o termo de garantia; na dúvida, o caminho mais seguro é o pedido à Cemig ou o seguro.

A compensação por horas sem luz cai sozinha?
Pela regra da Aneel, sim, como crédito na fatura em até dois meses após o período de apuração, quando o limite da sua unidade é ultrapassado. O Procon da ALMG recomenda formalizar o pedido depois de 12 horas sem energia em dia crítico. Faça as duas coisas: registre e confira as próximas contas.

Minha empresa ficou fechada sem luz. Tenho direito a lucro cessante?
O ressarcimento padrão da Aneel cobre danos em equipamentos. Perdas como faturamento que deixou de entrar são discutidas caso a caso, no Procon ou na Justiça, com provas. Vale conversar com um advogado ou com o seu contador.

Para onde ligo se a Cemig não resolver?
Ouvidoria da Cemig (0800 728 3838), Aneel (167), Procon do seu município e, se quiser, o Juizado Especial Cível.

O INSS e o Bolsa Família atrasam por causa da falta de luz?
Não há anúncio de mudança. O INSS começou a pagar os benefícios de outubro nesta segunda (26/10); se a agência ou a lotérica do seu bairro estiver sem energia, o dinheiro continua na conta e pode ser sacado depois. Veja o calendário completo neste guia.

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Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui as orientações oficiais da Cemig, da Aneel, da Copasa, da Defesa Civil e da Caixa, que prevalecem em caso de dúvida. Os números do temporal são os balanços divulgados até a tarde de 26/10/2026 e mudam ao longo do dia. As situações da seção "pela nossa conta" são hipotéticas e servem só para ilustrar as regras. Coberturas de seguro dependem de cada apólice: confira a sua com a seguradora ou o corretor.

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