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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lula vai cortar gastos? O que está na mesa do ajuste depois da eleição e o que muda (ou não) no seu bolso — Bolsa Família, abono, salário mínimo de R$ 1.741, LCI/LCA com IR, Copom em 4/11, calendário até a posse, golpes + checklist

Atualizado em 27/10/2026 (8h, horário de Brasília). Fontes principais: CNN Brasil – o tripé de medidas em estudo (26/10); Folha – PEC do centro da meta e menos crédito subsidiado (25–26/10); Estadão – entrevista de Dario Durigan (26/10); O Globo – a “caixa de ferramentas” da Fazenda (27/10); Ministério do Planejamento – Orçamento de 2027.

Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com os prédios dos ministérios enfileirados ao lado do Eixo Monumental, com texto sobre o que está na mesa do ajuste fiscal e o efeito no bolso

É na Esplanada dos Ministérios que o “cardápio” do ajuste está sendo montado — mas nada foi publicado ainda. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (2018), via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

“Lula vai cortar gastos?” virou uma das buscas mais feitas do Brasil nesta terça-feira (27/10), segundo o Google Trends. A pergunta faz sentido: dois dias depois da reeleição, o dólar subiu mais de 8% e a Bolsa caiu mais de 13% em um único pregão, o Tesouro precisou intervir no mercado de títulos e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, passou a segunda-feira dizendo que o governo vai “buscar o centro da meta”, rever despesas obrigatórias e cortar parte dos incentivos. Para quem depende de Bolsa Família, INSS, abono salarial, salário mínimo ou tem dinheiro aplicado em LCI e LCA, a dúvida é direta: o meu dinheiro está em risco?

A resposta curta, hoje, é: nenhuma medida de corte foi publicada, votada ou anunciada oficialmente. O que existe é um cardápio em estudo, relatado por CNN Brasil, Folha, Estadão e O Globo, que ainda precisa passar pelo presidente — e, em boa parte, pelo Congresso. Neste guia, o Cantinho separa com calma o que já está decidido, o que está só em estudo, o que não muda agora, o calendário das próximas semanas (Copom em 4/11, IPCA em 12/11, Bolsa Família em 16 a 18/11, posse em 5/1/2027), exemplos de quem pode sentir o quê, os golpes que costumam aparecer nesses momentos e um checklist prático.

Resumo em 30 segundos

  • Nada mudou no seu benefício hoje. Bolsa Família, INSS, BPC, abono e seguro-desemprego seguem com as regras e calendários atuais. Qualquer mudança precisa de lei, medida provisória, decreto ou emenda publicada no Diário Oficial.
  • O que está em estudo (segundo a imprensa): uma PEC ou lei para perseguir o centro da meta fiscal; revisão de gastos obrigatórios; “racionalização” de benefícios sociais para evitar sobreposição (o exemplo citado é o abono salarial para quem está saindo do Bolsa Família); nova tentativa de cobrar IR sobre LCI, LCA, CRI e CRA; mudança no cálculo dos pisos de saúde e educação; menos crédito subsidiado; limite a supersalários e “penduricalhos”.
  • O que já está decidido desde 2024 e segue valendo: o ganho real do salário mínimo fica entre 0,6% e 2,5% ao ano, e o teto de renda do abono vai encolhendo até 1,5 salário mínimo.
  • Salário mínimo de 2027: o Orçamento enviado em agosto prevê R$ 1.741 (hoje é R$ 1.621). O valor final sai por decreto no fim do ano, depois do INPC de novembro.
  • Juros: a Selic está em 13,75%. O Copom decide em 4/11, depois das 18h30. O estresse do mercado pode mexer com as apostas de corte.
  • Golpe à vista: mensagens de “recadastramento para não perder o benefício” vão circular. Governo não pede dados por SMS ou WhatsApp com link.

Por que “Lula vai cortar gastos” virou a busca do dia

A eleição de domingo (25/10) foi decidida a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a reação do mercado na segunda-feira (26/10) foi dura. Segundo O Globo, o dólar teve alta de mais de 8%, a Bolsa caiu mais de 13% — o maior recuo diário desde 2020 — e os juros dos títulos de médio e longo prazo subiram mais de dois pontos. O Estadão registrou que a B3 acionou o circuit breaker (a pausa automática nas negociações) pela primeira vez desde a pandemia. O Tesouro Nacional interveio duas vezes recomprando títulos; numa delas, foram R$ 7,1 bilhões, segundo entrevista de Durigan ao O Globo.

O que o mercado diz querer é um sinal claro de como as contas públicas vão fechar a partir de 2027. Antes da eleição, a Exame reportou que instituições financeiras estimavam a necessidade de um esforço fiscal de 3% a 4% do PIB (cerca de R$ 400 bilhões) para estabilizar a dívida — número que é estimativa desses analistas, não do governo, e que pode combinar corte de despesas, aumento de receita e revisão de benefícios tributários. Na mesma reportagem, Lula, em sabatina na TV Globo em 15/10, disse: “Eu estou propondo não cortar dinheiro do pobre”.

Depois do resultado, Durigan falou à imprensa. Ao Estadão/Broadcast, afirmou: “Nós vamos mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta”, e citou a revisão de “emenda parlamentar ou super salário, ou aposentadorias especiais” para abrir espaço fiscal. Na noite de segunda, segundo O Globo, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para começar a tratar do tema. Até a manhã desta terça, nenhum pacote havia sido anunciado.

O que está na mesa: medida por medida

A tabela abaixo reúne o que foi relatado pela imprensa entre 25 e 27/10. A coluna “status” é a parte mais importante: “em estudo” significa que não vale nada ainda.

MedidaO que éQuem pode sentirStatus (27/10)Fonte
Buscar o centro da meta fiscalMudar lei ou Constituição para permitir congelar mais despesas quando a arrecadação vier abaixo do previsto. A meta de 2027 é superávit de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB)Indiretamente, quem depende de gastos “não obrigatórios” (obras, programas, custeio). Benefícios obrigatórios não são congelados por contingenciamentoEm estudo; Durigan diz que quer mudar “ainda este ano”Folha, Estadão, O Globo
Revisão de gastos obrigatóriosRever regras de despesas que o governo é obrigado a pagarDepende do que for escolhido — ainda não detalhadoEm estudo, sem lista oficialFolha, O Globo
“Racionalizar” benefícios sociaisEvitar que a mesma pessoa receba dois benefícios sobrepostos. Exemplo citado: quem sai do Bolsa Família ao conseguir carteira assinada deixaria de receber o abono salarial durante o período de transiçãoFamílias em transição do Bolsa Família para o emprego formalEm estudoCNN Brasil
IR sobre LCI, LCA, CRI e CRANova tentativa de acabar com a isenção de Imposto de Renda dessas aplicaçõesQuem investe nesses títulos (pessoa física)Em estudo; em 2025 a MP 1.303 previa 5% e perdeu a validade sem votaçãoCNN Brasil, Agência Câmara
Pisos de saúde e educaçãoDuas ideias relatadas: contar dentro do piso gastos que hoje ficam fora (merenda, saneamento, algumas emendas) e/ou limitar a correção ao ritmo do arcabouço (inflação + até 2,5%)Indiretamente, usuários do SUS e da rede pública, conforme o desenhoEm estudo; não está claro se Lula vai encamparCNN Brasil, Folha
Menos crédito subsidiadoNão renovar linhas como a Move Brasil (veículos para motoristas de aplicativo e taxistas, motos para entregadores)Motoristas e entregadores que pretendiam usar a linhaEm estudoFolha
Supersalários e “penduricalhos”Projeto para limitar adicionais acima do teto, sobretudo no JudiciárioServidores que recebem acima do tetoEm estudoFolha, Estadão
Alíquotas da CBS e do Imposto SeletivoEnvio das alíquotas dos novos tributos da reforma tributáriaTodos os consumidores, a partir da transiçãoPrevisto no cardápio, sem dataFolha

Durante a campanha, também foram prometidas medidas que aumentam gastos ou renúncias, segundo a Folha: perdão de dívidas de microempreendedores, o “Pix de R$ 5.000” para MEIs, a ampliação do teto do MEI, o reajuste do Bolsa Família, tarifa zero no transporte urbano e a compra de dívidas antigas de pessoas físicas. O Ministério do Planejamento calculou em cerca de R$ 20 bilhões o remanejamento necessário no Orçamento de 2027 para acomodar parte delas, segundo a CNN Brasil; o Estadão calcula ao menos R$ 39,8 bilhões. A diferença entre os dois números vem de critérios diferentes — e mostra por que o debate do “onde cortar” vai esquentar.

O que NÃO mudou (e o que já estava decidido antes)

Muita gente confunde “o governo estuda” com “o governo cortou”. Veja o que segue valendo hoje:

  • Bolsa Família: o piso por família passou de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777, reajuste anunciado em setembro (dados citados pela CNN Brasil). O pagamento de novembro está marcado para 16, 17 e 18/11 (veja o calendário completo).
  • INSS: o pagamento de outubro começou em 26/10 e vai até 9/11, por final do cartão (calendário aqui). Nada no cardápio relatado mexe no valor das aposentadorias já concedidas.
  • Salário mínimo: a regra aprovada em dezembro de 2024 (Lei 15.077) limita o ganho real entre 0,6% e 2,5% ao ano até 2030, segundo a Agência Câmara e a Agência Senado. Para 2027, o projeto de Orçamento estima R$ 1.741 (INPC previsto de 4,93% + 2,3% de aumento real).
  • Abono salarial (PIS/Pasep): já está ficando mais restrito por lei. Pelas projeções do Ministério do Trabalho publicadas pelo g1, o teto de renda cai de 2 salários mínimos para cerca de 1,96 (2026), 1,89 (2027), 1,83 (2028), 1,79 (2029) e 1,77 (2030), até chegar a 1,5. Em 2027, 1,58 milhão de trabalhadores devem ficar de fora por essa regra.
  • BPC e CadÚnico: desde o pacote de 2024, o cadastro precisa ser atualizado a cada 24 meses e há exigência de biometria. Em dezembro de 2025, o Congresso manteve vetos a critérios mais duros para o BPC e para o reingresso no Bolsa Família, segundo a Agência Senado.
  • LCI e LCA: seguem isentas de IR para pessoa física. A MP 1.303/2025, que previa 5%, foi retirada de pauta e perdeu a validade em outubro de 2025, segundo a Agência Câmara.
Mulher sorridente de camiseta azul sentada em sua banca de artesanato, cercada de panos de crochê coloridos e uma boneca de pano, em feira de Novo Cruzeiro, Minas Gerais

Beneficiária do Bolsa Família em sua banca de artesanato em Novo Cruzeiro (MG). Foto de arquivo (2010), para ilustrar: quem depende de programas sociais deve acompanhar só os canais oficiais. Leonardo Lara/Aldeia (publicada no Flickr por Helio Costa15), via Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0, recortada.

Já vimos esse filme: o que aconteceu no pacote de 2024

Para entender o que pode vir, ajuda lembrar o último pacote. Em outubro de 2024, a equipe econômica também passou semanas “esperando o aval” do presidente; o anúncio só veio em 27 de novembro de 2024, com economia estimada em R$ 70 bilhões em dois anos, segundo o g1. O Congresso aprovou a versão final em dezembro. O que mudou na vida das pessoas:

  • o aumento real do salário mínimo passou a ter teto (2,5%) e piso (0,6%);
  • o abono salarial começou a encolher gradualmente;
  • o CadÚnico ficou mais exigente (atualização a cada 24 meses, biometria);
  • parte das propostas mais duras para o BPC foi vetada ou alterada.

A lição prática: entre o “estudo” e o efeito no bolso costuma haver semanas ou meses, com anúncio, texto publicado, votação no Congresso e regras de transição. Não há motivo para pânico hoje, mas há motivo para ficar atento às próximas datas.

Calendário: as datas que importam até a posse

DataO que acontecePor que importa para o seu bolso
27/10 (hoje)Mercado segue sob monitoramento; Fazenda diz que pode voltar a intervir com leilões do TesouroDólar e juros mais altos chegam ao cartão em moeda estrangeira, a viagens e, com o tempo, a preços
30/10 (sexta)Lote residual da restituição do IR cai na conta (detalhes)Dinheiro já garantido; não depende do ajuste
31/10 a 2/11Feriadão de Finados (o que abre e fecha)Bancos fechados na segunda (2/11); contas que vencem no dia podem ser pagas em 3/11
3 e 4/11Reunião do Copom; decisão sobre a Selic sai em 4/11, depois das 18h30Define o rumo dos juros do crédito, do CDB, do Tesouro Selic e da poupança
10/11Ata do Copom (8h)Mostra como o BC leu o estresse pós-eleição e o risco fiscal
12/11IBGE divulga o IPCA e o INPC de outubro (9h)O INPC acumulado entra na conta do salário mínimo de 2027
16, 17 e 18/11Bolsa Família de novembroCalendário mantido; nada do cardápio do ajuste muda este pagamento
Até 30/111ª parcela do 13º salário dos trabalhadores CLTDireito garantido em lei
8 e 9/12Última reunião do Copom de 2026Novo ajuste possível na Selic
DezembroIBGE divulga o INPC de novembro (data a confirmar no calendário do IBGE); governo publica o decreto do salário mínimo de 2027Fecha o valor do mínimo, das aposentadorias de um salário e do BPC
Novembro–dezembroPossível envio de PEC ou projeto de lei sobre a meta fiscal; votação do Orçamento de 2027 no CongressoQuando o “cardápio” vira texto oficial — ou não. Datas não confirmadas
5/1/2027Posse do presidente eleito (nova data fixada pela Emenda Constitucional 111)Início formal do novo mandato e da nova equipe econômica

Fontes do calendário: Banco Central (calendário do Copom de 2026), IBGE (calendário de divulgações), Agência Senado (posse em 5/1) e posts do Cantinho com os calendários de pagamento. As datas de envio de PEC e votação do Orçamento são expectativas, não compromissos oficiais.

Dólar, juros e Copom: o efeito que já chegou

Mesmo sem nenhuma medida publicada, a reação do mercado já tem efeito sobre o bolso — e é aqui que a maioria das famílias vai sentir primeiro:

  • Compras em dólar: fatura de cartão com compras internacionais, assinaturas cobradas em dólar e passagens ficam mais caras. Lembre que o IOF de compras no exterior no cartão é de 3,5%. Detalhamos isso no post Dólar dispara 8% e Bolsa cai 13,9%.
  • Preços: dólar alto, se durar, encarece combustíveis, trigo, eletrônicos e insumos — mas esse repasse leva semanas ou meses e não é automático.
  • Juros: a Selic está em 13,75% desde 17/9, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto. Antes da eleição, a mediana do boletim Focus apontava 13,25% no fim de 2026 (dado de 19/10). Esse número foi coletado antes do estresse de 26/10 e pode mudar nos próximos boletins (saem às segundas-feiras). Se o Copom pausar os cortes, crédito pessoal, cartão rotativo e financiamentos ficam caros por mais tempo; se cortar, CDB e Tesouro Selic rendem um pouco menos.
  • Aplicações: Tesouro Direto e fundos podem ter oscilação forte em dias de estresse. Quem não precisa do dinheiro agora não deve vender no susto; quem precisa deve verificar prazo de resgate e eventual marcação a mercado antes de mexer.
Quadro em três partes: o que já está decidido, com salário mínimo de 1.621 reais em 2026 e 1.741 previstos para 2027; barras com o teto de renda do abono salarial caindo de 2 para 1,77 salário mínimo entre 2025 e 2030; e uma linha do tempo com Copom em 4 de novembro, IPCA em 12 de novembro, Bolsa Família de 16 a 18 de novembro e posse em 5 de janeiro de 2027

O que já está decidido, o que encolhe por lei e as datas até a posse. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados do Ministério do Planejamento (PLOA 2027), do Ministério do Trabalho via g1 (abono) e do Banco Central/IBGE (calendários). R$ 1.741 é estimativa oficial, sujeita ao INPC de novembro.

Exemplos (hipotéticos) para entender a conta

Os nomes abaixo são fictícios. Os cálculos usam números oficiais quando existem e estimativas, quando indicado.

1) Dona Lúcia, aposentada do INSS com um salário mínimo

Hoje recebe R$ 1.621. Se o decreto confirmar os R$ 1.741 previstos no Orçamento, a aposentadoria sobe R$ 120 por mês a partir do pagamento de janeiro de 2027 (que cai entre o fim de janeiro e o início de fevereiro). Em 13 pagamentos (12 meses + 13º), seriam cerca de R$ 1.560 a mais no ano — estimativa: o valor final depende do INPC de novembro. Nada do cardápio relatado até agora mexe na regra de reajuste dela; mudar isso exigiria nova lei.

2) Família da Joana, no Bolsa Família, com o filho começando de carteira assinada

O filho de Joana conseguiu o primeiro emprego formal. Pela regra atual, a família pode ficar um período em transição no programa (a chamada regra de proteção), e o filho, se cumprir os requisitos, poderá receber o abono salarial no futuro. A ideia relatada pela CNN Brasil é justamente impedir essa sobreposição: quem está no “desmame” do Bolsa Família não teria direito ao abono ao mesmo tempo. Nada disso vale hoje. O que Joana deve fazer agora: manter o CadÚnico atualizado (inclusive informando o novo salário, o que é obrigatório) e acompanhar só os canais oficiais.

3) Marcos, que guarda R$ 20 mil numa LCI que paga 90% do CDI

Com a Selic em 13,75%, o CDI fica perto de 13,65% ao ano (aproximação). A 90% do CDI, o rendimento bruto é de cerca de 12,3% ao ano, ou R$ 2.457 em 12 meses. Hoje esse rendimento é isento. Se uma nova proposta repetisse os 5% da MP de 2025 — cenário hipotético, sem texto oficial —, o IR seria de cerca de R$ 123 por ano. Pela MP de 2025, títulos já emitidos manteriam a isenção; uma nova proposta pode ter outra regra. Conclusão: não faz sentido resgatar com pressa e perder rendimento por uma medida que nem existe; vale ler o texto se ele for publicado.

4) Rafael, entregador que planejava trocar a moto pela linha Move Brasil

Segundo a Folha, a equipe econômica não pretende renovar linhas de crédito subsidiado como a Move Brasil. Se Rafael já tem a operação aprovada, deve conferir com o banco os prazos e condições. Se ainda está pesquisando, vale comparar o CET (custo efetivo total) da linha com o de um financiamento comum e não assinar com pressa por medo de “a linha acabar amanhã” — confirme a data de encerramento no site oficial ou no banco.

5) Cláudia, com dívida no cartão e no cheque especial

Para ela, o ajuste fiscal pesa sobretudo pelos juros. Se o Copom interromper os cortes da Selic em 4/11, o crédito continua caro. A prioridade é trocar a dívida mais cara (rotativo e cheque especial) por uma mais barata, negociar pelos canais oficiais do banco e não aceitar ofertas de “limpa nome” por WhatsApp. Lembre que o Banco Central mudou regras de oferta de empréstimo (veja aqui).

Quem deve prestar mais atenção nas próximas semanas

  • Quem recebe abono salarial ou vai receber em 2027: é o benefício citado nominalmente como alvo de “racionalização”. Além disso, o teto de renda já está encolhendo por lei.
  • Famílias do Bolsa Família em transição para o emprego formal: pelo mesmo motivo.
  • Investidores de LCI, LCA, CRI e CRA: a isenção de IR é alvo de nova tentativa.
  • Motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores que contam com crédito subsidiado.
  • Servidores com adicionais acima do teto (os chamados penduricalhos).
  • Quem tem dívidas ou compras em dólar: pelo efeito de juros e câmbio, que independe de qualquer medida.

Também vale acompanhar o tema das aposentadorias especiais, citado por Durigan como um dos pontos de revisão. A fala não detalhou de quais regimes se trata. Se você trabalha exposto a agentes nocivos, veja nosso guia sobre a decisão do STF sobre aposentadoria especial — e não tome decisões com base em boatos.

Como saber se uma mudança é real (e não boato)

  1. Procure o ato oficial. Mudança em benefício precisa de lei, medida provisória, decreto, portaria ou emenda publicada no Diário Oficial da União.
  2. Confira nos sites do governo: gov.br/planalto, gov.br/fazenda, gov.br/mds (Bolsa Família) e gov.br/inss.
  3. Veja se foi votado. PEC precisa de dois turnos na Câmara e no Senado; projeto de lei precisa passar pelas duas Casas e pela sanção. As agências Câmara e Senado publicam cada etapa.
  4. Desconfie de datas “imediatas”. Mudanças em benefícios quase sempre têm regra de transição. Mensagem dizendo que “a partir de amanhã você perde” é sinal de golpe ou desinformação.
  5. Diferencie “estudo” de “anúncio”. Reportagens com “a equipe avalia”, “está no radar” ou “em estudo” descrevem possibilidades, não regras.

Atenção aos golpes

Momentos de incerteza sobre benefícios são os preferidos dos golpistas. Fique atento a:

  • “Recadastramento urgente para não perder o Bolsa Família/INSS” por SMS, WhatsApp ou e-mail com link. O governo não pede senha, código ou foto de documento por link.
  • “Taxa para garantir o benefício” ou “taxa de liberação”. Benefício social não cobra taxa.
  • Falsos atendentes que ligam dizendo ser do INSS, da Caixa ou do MDS e pedem para instalar aplicativo ou fazer Pix.
  • Páginas falsas imitando gov.br, com endereço parecido. Confira se o site termina em .gov.br.
  • Ofertas de investimento “à prova de crise” prometendo rendimento alto e garantido por causa do dólar. Desconfie de retorno garantido muito acima do CDI.

Canais oficiais: app Bolsa Família e Caixa Tem; Disque Social 121 (MDS); Meu INSS (app/site) e telefone 135; atendimento da Caixa 111 (opção para benefícios sociais). Se clicou em link suspeito, siga o passo a passo do Ministério da Justiça, troque senhas e avise seu banco.

Checklist: o que fazer agora

  • ☐ Não cancele, não resgate e não peça empréstimo com base em boato — espere o texto oficial.
  • ☐ Confira se seu CadÚnico está atualizado (menos de 24 meses) e com a renda correta.
  • ☐ Anote as datas: Copom em 4/11, IPCA em 12/11, Bolsa Família em 16 a 18/11, 1ª parcela do 13º até 30/11, posse em 5/1/2027.
  • ☐ Se recebe salário mínimo ou benefício de um salário, conte com a estimativa de R$ 1.741 em 2027 só depois do decreto de dezembro.
  • ☐ Se tem compras em dólar no cartão, reveja o orçamento da próxima fatura.
  • ☐ Se tem dívida cara, priorize quitar ou trocar o rotativo e o cheque especial.
  • ☐ Se investe em LCI/LCA, não resgate por medo: hoje a isenção continua. Acompanhe se surgir proposta.
  • ☐ Se vai usar crédito subsidiado (como a Move Brasil), confirme com o banco o prazo da linha.
  • ☐ Salve os canais oficiais (121, 135, 111) e ignore links recebidos por mensagem.
  • ☐ Acompanhe as agências Câmara e Senado para saber se alguma PEC ou projeto foi apresentado.

Perguntas frequentes

O Bolsa Família vai ser cortado?

Não há nenhuma medida publicada que corte o Bolsa Família. O que foi relatado é um estudo para evitar sobreposição entre benefícios — o exemplo citado é o abono salarial para quem está saindo do programa. O valor mínimo segue em R$ 691 e o pagamento de novembro está mantido para 16 a 18/11.

Minha aposentadoria do INSS vai diminuir?

Não há proposta conhecida para reduzir aposentadorias já concedidas. O reajuste de 2027 segue a regra atual: quem ganha um salário mínimo deve ir a cerca de R$ 1.741 (estimativa); quem ganha acima do mínimo é corrigido pelo INPC.

O abono salarial vai acabar?

Não há proposta publicada para acabar com o abono. Ele já está ficando mais restrito por lei (teto de renda caindo até 1,5 salário mínimo), e a equipe econômica estuda regras contra sobreposição com o Bolsa Família.

Quando o pacote será anunciado?

Não há data oficial. Durigan disse que quer mudar a regra da meta fiscal “nesses dois meses que restam” de 2026. Em 2024, o pacote foi anunciado no fim de novembro. Qualquer data diferente disso é especulação.

LCI e LCA vão pagar Imposto de Renda?

Hoje, não. A isenção para pessoa física continua. A equipe econômica estuda uma nova tentativa de cobrar IR, mas não há texto. Em 2025, a MP com essa proposta perdeu a validade sem ser votada.

O salário mínimo de 2027 já está definido?

Não. O Orçamento estima R$ 1.741, mas o valor final é fixado por decreto no fim do ano, depois do INPC de novembro.

O que é “centro da meta”?

A meta fiscal tem um valor central (para 2027, superávit de 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões) e uma margem de tolerância de 0,25 ponto do PIB para mais ou para menos. Hoje, os bloqueios de despesa miram o limite de baixo da meta. Mirar o centro significa poder congelar mais gastos se a arrecadação vier fraca.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe. O governo e o Banco Central disseram que vão agir para dar “racionalidade” ao mercado, e o comportamento do câmbio deve depender dos sinais sobre a política fiscal e da escolha da nova equipe econômica.

Quem será o ministro da Fazenda?

Não foi anunciado. A Folha listou como cotados Gabriel Galípolo (atual presidente do BC), os senadores Camilo Santana e Renan Filho, o governador Rafael Fonteles e o próprio Durigan, cuja permanência é incerta.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento nem orientação jurídica. As medidas descritas como “em estudo” foram relatadas pela imprensa e não têm texto oficial; podem mudar, ser abandonadas ou ganhar regras de transição. O salário mínimo de R$ 1.741 é estimativa do projeto de Orçamento. O CDI de 13,65% e o cálculo do IR sobre LCI são aproximações do Cantinho, em cenário hipotético. Os exemplos com nomes são fictícios.

Leia também no Cantinho

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Fim da escala 6x1 em 51 dias (16/12): 2 folgas e 42h sem corte de salário — o que o governo ainda vai regulamentar depois da eleição, salário-hora com divisor 200, hora extra, 12x36, pequenas empresas, boatos, golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (20h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – datas da transição (16/10); O Globo – projetos que o governo deve enviar após a eleição (26/10); Extra/O Globo – decreto e divisor de 200 horas (22/10); Agência Câmara – EC 141 (16/10). Lista completa no fim do texto.

Painel eletrônico do Plenário do Senado mostrando o resultado da votação da Proposta de Emenda à Constituição 221 de 2019, com 75 votos sim e 1 não, com texto sobre o fim da escala 6x1 a partir de 16 de dezembro

O placar de 75 a 1 no Senado, em 14/10: a primeira etapa do fim da escala 6x1 vale a partir de 16/12/2026. Foto: Ton Molina/Agência Senado, via Wikimedia Commons (uso livre com atribuição), adaptada com texto.

Faltam 51 dias. A partir de quarta-feira, 16 de dezembro de 2026, quem trabalha com carteira assinada passa a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana e a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, sem redução de salário. Um ano depois, em 16 de dezembro de 2027, o limite chega a 40 horas. As datas são as que o g1 calculou a partir da publicação da Emenda Constitucional 141 no Diário Oficial, em 16 de outubro.

Nesta segunda-feira (26/10), um dia depois do segundo turno, o assunto voltou às buscas no Google: a expressão “governo Lula recua na escala 6x1” apareceu entre os termos em alta no Brasil. Até a publicação deste texto, não encontramos nenhum ato oficial que mude, adie ou cancele o fim da escala 6x1. O que existe, segundo O Globo e o Extra, é que a regulamentação (um decreto e um projeto de lei complementar para detalhar pontos em aberto) ficou para depois da eleição, e agora está na lista de prioridades do governo para as próximas semanas, ao lado de uma linha de crédito do BNDES para pequenas empresas.

Como a mudança está na Constituição, ela não depende desse decreto para valer. Mas o decreto e a lei complementar vão responder perguntas que mexem diretamente no seu bolso: como se calcula o valor da hora (o famoso divisor), como ficam as escalas especiais como a 12x36, o que muda para quem trabalha em micro e pequenas empresas e como sindicatos e patrões vão ajustar os acordos coletivos. Este texto não é sobre política: é um guia prático do que já está garantido, do que ainda depende de regra, de como conferir o seu contracheque e o seu horário em dezembro e de como não cair em boato nem em golpe.

No fim, você encontra um calendário, exemplos de cálculo, um checklist para fazer antes de 16/12, as perguntas mais comuns e a lista completa de fontes.

Resumo rápido

  • O que já é lei: a Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso em 16/10, acaba com a escala 6x1 como modelo regular e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, em duas etapas, sem corte de salário.
  • 16/12/2026: começam os dois dias de descanso remunerado por semana (um deles, de preferência, no domingo) e o teto cai para 42 horas.
  • 16/12/2027: o teto cai para 40 horas semanais.
  • “Recuo”? Não há ato oficial nesse sentido. O que ficou para depois da eleição foi a regulamentação: decreto sobre negociações coletivas e valor da hora e projeto de lei complementar para escalas especiais e pequenos negócios.
  • Valor da hora: o decreto deve fixar um divisor. Com 40 horas, o salário mensal seria dividido por 200 (hoje é 220). Com o mínimo de R$ 1.621, a hora não poderia ser menor que R$ 8,10, e a hora extra comum ficaria em R$ 12,15, segundo O Globo.
  • Folgas: não precisam ser seguidas nem no fim de semana. Podem ser, por exemplo, terça e quinta, desde que sejam dois períodos de 24 horas de descanso.
  • Hora extra e banco de horas continuam existindo, dentro dos novos limites.
  • Pequenas empresas: a regra de transição especial prevista na emenda ainda não existe. O governo deve anunciar uma linha de crédito do BNDES e criar um grupo de trabalho.
  • Boato desmentido: é falso que o fim da 6x1 aumente o desconto por falta injustificada, segundo o serviço de checagem da Câmara.

O que já está valendo e o que ainda vai mudar

A primeira coisa a entender é a diferença entre promulgação e vigência. A emenda foi promulgada pelo Congresso em 16 de outubro, em sessão solene no Senado, e publicada no Diário Oficial. Emendas à Constituição não passam por sanção do presidente: é a própria Mesa do Congresso que as promulga. A partir da publicação, começaram a correr os prazos de transição previstos no texto.

Segundo a Agência Câmara, a emenda estabelece até oito horas de trabalho por dia, com possibilidade de compensação de horários e de redução da jornada por acordo ou convenção coletiva. Em dois meses após a publicação, passam a valer os dois dias de descanso e o teto de 42 horas. Um ano depois disso, ou seja, 14 meses após a publicação, a jornada máxima passa a ser de 40 horas.

Durante esse ano de transição, convenções e acordos coletivos podem ampliar a jornada diária para além de oito horas para organizar as 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. A emenda também diz que cláusulas de acordos coletivos incompatíveis com as novas regras perdem a validade dois meses após a publicação, o que coincide com o 16 de dezembro.

Segundo o g1 e o Planalto, a emenda alcança empregados da CLT e de leis especiais, incluindo trabalhadores domésticos, comerciários, atletas, aeronautas e radialistas. De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego divulgado pelo Planalto, cerca de 14,9 milhões de pessoas trabalham hoje na escala 6x1. O g1 cita 14,8 milhões. A diferença vem de arredondamentos nas fontes.

Calendário do fim da escala 6x1

DataO que aconteceFonte
16/10/2026 (sexta)Congresso promulga a EC 141/2026; texto é publicado no Diário Oficial e os prazos começam a contarAgência Câmara, g1
22/10/2026Governo indica que decreto e projeto de lei complementar ficam para depois do 2º turnoO Globo/Extra
26/10/2026 (hoje)Regulamentação da 6x1 aparece entre as prioridades de curto prazo do governo; linha do BNDES para pequenas empresas deve ser anunciadaO Globo
Próximas semanas (sem data oficial)Decreto da Casa Civil com o Ministério do Trabalho (negociações coletivas, divisor do valor da hora) e projeto de lei complementar (escalas especiais, MEI, micro e pequenas empresas)O Globo, CBN
16/12/2026 (quarta)Dois dias de descanso remunerado por semana; teto de 42 horas semanais; cláusulas coletivas incompatíveis perdem validadeg1, Planalto
Até o 5º dia útil de janeiro de 2027Pagamento do salário de dezembro, o primeiro contracheque com dias trabalhados já na regra nova (regra geral da CLT para salário mensal)CLT
Até um ano após a publicaçãoPrazo para órgãos públicos ajustarem, por termo aditivo, os contratos de terceirizados. Sem acordo, a redução vale automaticamenteg1
16/12/2027 (quinta)Teto de 40 horas semanais, fim da transiçãog1

As datas de 16/12 foram calculadas pelo g1 com base na publicação em 16/10/2026. Se a regulamentação trouxer outra forma de contagem, o Cantinho atualiza este texto.

Afinal, o governo recuou?

A busca por “governo Lula recua na escala 6x1” cresceu nesta segunda-feira, mas o Google Trends não mostrou nenhuma notícia associada ao termo. Fomos atrás das reportagens dos últimos dias e do que foi publicado nos canais oficiais. Até as 20h de 26/10, o quadro era este:

  • O Planalto e a Agência Câmara continuam descrevendo a transição em duas etapas, com 42 horas e duas folgas em dois meses e 40 horas em 14 meses.
  • Em 22/10, O Globo e o Extra informaram que o governo deixou a regulamentação para depois do segundo turno. Isso é diferente de recuar: a emenda já está na Constituição e não depende de decreto para valer.
  • Em 26/10, O Globo listou a regulamentação da 6x1 entre os projetos que o governo deve enviar ao Congresso no curto prazo, junto com uma linha de crédito do BNDES para pequenas empresas na transição para a escala 5x2.
  • Segundo o g1, para mudar o que foi aprovado seria preciso outra emenda à Constituição, com apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos na Câmara e no Senado. Há uma proposta alternativa no Senado, a PEC 12/2026, chamada de “jornada flexível”, que, segundo o g1, deve voltar ao debate em 2027. Por enquanto, ela não muda nada.

Na prática: até que surja um ato oficial em sentido contrário, o 16 de dezembro continua de pé. Desconfie de vídeos e correntes que digam o contrário sem citar o Diário Oficial, o Planalto, o Ministério do Trabalho ou o Congresso.

Funcionária de supermercado de blusa rosa arrumando frutas no alto de uma grande banca de hortifrúti com melões, maçãs e laranjas, com prateleiras de frutas e verduras ao fundo

Comércio, supermercados e serviços concentram boa parte de quem ainda trabalha seis dias por semana. Foto de arquivo, para ilustrar: seção de hortifrúti de um supermercado em Planaltina (DF), em 2014. Edilson Rodrigues/Agência Senado, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0.

O que muda na sua semana a partir de 16/12

A mudança mais visível é a folga. Hoje, quem está na 6x1 trabalha seis dias e descansa um. A partir de 16/12, a regra passa a garantir dois dias de descanso remunerado por semana. Segundo o g1, esses dias não precisam ser seguidos nem cair no fim de semana: podem ser dois períodos de 24 horas em dias intercalados, como terça e quinta. Um deles deve ser, preferencialmente, no domingo.

A segunda mudança é o limite de horas. Veja como fica a conta para quem trabalha cinco dias por semana:

PeríodoTeto semanalEm 6 dias (como era na 6x1)Em 5 dias (5x2)
Até 15/12/202644 horas7h20 por dia8h48 por dia
De 16/12/2026 a 15/12/202742 horas— (não pode mais ser a escala regular)8h24 por dia
A partir de 16/12/202740 horas—8h por dia

Divisões feitas pelo Cantinho a partir do teto semanal. Na transição, acordo ou convenção coletiva pode ampliar a jornada diária acima de 8 horas, mantidas as duas folgas. Intervalos de almoço não entram na conta.

Repare que a mudança também alcança quem já trabalha de segunda a sexta. Muita gente cumpre hoje 8h48 por dia para completar 44 horas e folgar no sábado. Com o novo teto, essa jornada diária deve diminuir, sem redução de salário, como explicou o g1.

E quem já trabalha 40 horas ou menos, como bancários e operadores de telemarketing, não ganha uma nova redução nem um terceiro dia de folga, segundo o g1. O direito aos dois dias de descanso, porém, vale para todos.

O valor da sua hora: o divisor 200 e a hora extra

Aqui está a parte que mais pesa no bolso, e é justamente um dos pontos que o decreto do governo deve esclarecer. Se o salário mensal fica igual e você trabalha menos horas, cada hora vale mais. Isso importa para calcular hora extra, adicional noturno, faltas e o pagamento de quem recebe por hora, como o trabalhador intermitente.

Segundo o Extra e O Globo, o decreto vai fixar um divisor para o cálculo do valor da hora. No regime atual, de 44 horas, o salário é dividido por 220. Com as novas regras de 40 horas, a divisão passaria a ser por 200. Considerando o salário mínimo atual de R$ 1.621, a hora não poderá ser inferior a R$ 8,10 para o intermitente. A hora extra comum, com adicional de 50%, ficaria em R$ 12,15, e a hora extra aos domingos, com adicional de 100%, em R$ 16,20.

Salário mínimo de R$ 1.621DivisorValor da horaHora extra (+50%)Hora extra (+100%)
Regra atual (44h)220R$ 7,37R$ 11,05R$ 14,74
Transição (42h) — estimativa210*R$ 7,72R$ 11,58R$ 15,44
Regra final (40h)200R$ 8,10R$ 12,15R$ 16,20

Linha de 40h com os valores publicados por O Globo/Extra (22/10). Linhas de 44h e 42h calculadas pelo Cantinho. *O divisor 210 para a fase de 42 horas é só uma estimativa pela mesma lógica (horas semanais × 5) e não foi confirmado: quem define é o decreto.

Uma observação importante: o adicional de 100% aos domingos usado na reportagem é um exemplo. O percentual exato da hora extra em domingos e feriados depende da lei e da convenção coletiva da sua categoria. Confira a sua.

Quem tem regra diferente

A emenda vale para a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada, mas há situações específicas. Segundo o g1:

  • Serviços contínuos e essenciais (hospitais, emergência, segurança, transporte coletivo, limpeza urbana): podem manter escalas diferenciadas, como a 12x36, por acordo ou convenção coletiva, com regime de compensação que garanta, na média, dois dias de descanso por semana no mês, com pelo menos um dentro de cada semana de trabalho. A forma exata vai depender da lei complementar e das negociações de cada setor.
  • “Hipersuficientes”: quem tem diploma de curso superior e ganha mais de 2,5 vezes o teto do INSS (acima de cerca de R$ 21,1 mil por mês, segundo o g1) não fica obrigatoriamente sujeito ao limite de 40 horas nem ao controle formal de jornada. Os dois dias de descanso continuam garantidos.
  • PJ e autônomos: sem vínculo de emprego, não são alcançados diretamente. Vale o que estiver no contrato.
  • MEI: a rotina do próprio microempreendedor não muda. Mas se o MEI tem um empregado com carteira assinada, precisa cumprir as novas regras para esse empregado.
  • Terceirizados de órgãos públicos: dependem de um termo aditivo entre a empresa e o órgão, com prazo de até um ano. Se não houver acordo, a redução passa a valer automaticamente.
  • Petroleiros embarcados e aeroviários: foram citados pela líder do governo no Senado como exemplos de categorias com escalas próprias que o projeto de lei complementar deve tratar, segundo o Extra.

Pequenas empresas: a regra especial ainda não existe

Se você trabalha em uma padaria, um mercadinho de bairro, um salão ou uma loja pequena, ou se é dono de um desses negócios, preste atenção. Segundo O Globo, com dados do Ministério do Trabalho baseados na Rais de 2025, as micro e pequenas empresas empregam 15,7 milhões de trabalhadores, dos quais 5,5 milhões estão na escala 6x1. Nelas, 35% dos empregados cumprem 6x1, contra 32,9% nas empresas maiores.

A emenda prevê que uma lei complementar crie regras de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos empregos. Essa lei ainda não existe. Até ela sair, a regra geral de 16/12 vale para todos os portes, como apontou O Globo em 19/10.

O que o governo sinalizou até agora:

  • Uma linha de crédito do BNDES para apoiar pequenas empresas na transição para a 5x2, que deve ser anunciada no curto prazo (O Globo, 26/10). Valores e condições ainda não foram divulgados.
  • Um grupo de trabalho, com Sebrae, associações comerciais e sindicatos, para avaliar adaptações para empresas menores, segundo o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em 16/10 que o governo estuda linhas de crédito e programas de capacitação, sem detalhar valores.
  • Medidas já aprovadas para o MEI, como o teto de faturamento maior a partir de 2027 e a possibilidade de contratar até dois empregados, foram citadas pelo ministro como parte da ajuda. O Cantinho explicou essas mudanças em um guia próprio (link no fim).

Do lado das empresas, há estimativas de aumento de custo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a redução para 40 horas sem corte salarial pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e os preços ao consumidor em 6,2% em média. A Abrasel, de bares e restaurantes, fala em aumento próximo de 20% nos custos operacionais de quem abre seis dias por semana. Defensores da medida apontam ganhos de produtividade e de qualidade de vida. São estimativas de entidades e não previsões oficiais; o efeito real vai depender de como cada setor se organizar.

Passo a passo: o que fazer até 16 de dezembro

Se você é empregado CLT

  1. Descubra qual é a sua jornada no papel. Olhe o contrato de trabalho e a carteira digital. Anote quantas horas por semana estão registradas e qual é a escala.
  2. Pegue o seu último contracheque e veja como a hora extra é calculada (se aparece o valor da hora ou o divisor). Guarde esse holerite para comparar com o de dezembro.
  3. Procure o seu sindicato e pergunte se a convenção coletiva da categoria vai ser ajustada e quando. Cláusulas incompatíveis com a emenda perdem a validade em 16/12.
  4. Converse com o RH sobre como vai ficar a sua escala: quais serão os dois dias de folga, se um deles cai no domingo e como ficam os horários de entrada e saída.
  5. Peça a mudança por escrito (e-mail, comunicado, aditivo ou escala publicada). Isso ajuda a evitar mal-entendidos.
  6. Acompanhe o seu ponto. Tire foto do espelho de ponto todo mês. É a sua prova se houver diferença de horas.
  7. Confira o salário de dezembro, pago até o 5º dia útil de janeiro: o valor mensal não pode cair por causa da redução de jornada.
  8. Se algo estiver errado, fale primeiro com o RH e o sindicato. Persistindo, procure a Superintendência Regional do Trabalho, a Defensoria Pública ou um advogado trabalhista.

Se você tem uma pequena empresa ou é MEI com empregado

  1. Mapeie as escalas atuais: quem trabalha seis dias, quantas horas por semana, em que horários a loja precisa de gente.
  2. Monte duas ou três opções de escala 5x2 que cubram o horário de funcionamento com até 42 horas semanais por empregado.
  3. Converse com o contador sobre o custo de hora extra, de uma contratação ou de mudança de horário, com o divisor que o decreto vier a fixar.
  4. Consulte o sindicato patronal sobre a convenção coletiva e as possibilidades de compensação durante a transição.
  5. Acompanhe o anúncio da linha do BNDES e do grupo de trabalho para pequenos negócios. Só contrate crédito depois de comparar o Custo Efetivo Total (CET).
  6. Comunique a nova escala por escrito aos empregados, com antecedência.
Quadro com três partes: linha do tempo de 16 de outubro de 2026 a 16 de dezembro de 2027 com a contagem de 51 dias para a primeira etapa; barras com o valor da hora do salário mínimo de R$ 1.621 pelos divisores 220, 210 e 200; e cartões com as horas por dia em uma semana de cinco dias com 44, 42 e 40 horas

Calendário da transição, valor da hora do salário mínimo e horas por dia na semana de cinco dias. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados do g1, da Agência Câmara e de O Globo/Extra (16 a 26/10/2026); divisor 210 é estimativa não confirmada.

Exemplos (hipotéticos) para entender a conta

Os casos abaixo são inventados, servem só para ilustrar as regras e não substituem a análise do seu contrato e da sua convenção coletiva.

Ana, operadora de caixa em supermercado, escala 6x1

Ana ganha R$ 1.900 por mês e trabalha seis dias por semana, 7h20 por dia, total de 44 horas. Hoje, pelo divisor 220, a hora dela vale cerca de R$ 8,64, e a hora extra com 50%, R$ 12,95. A partir de 16/12, ela passa a ter duas folgas por semana e no máximo 42 horas. Se a empresa adotar cinco dias de 8h24, o salário continua R$ 1.900. Quando o teto chegar a 40 horas e se o divisor 200 for confirmado, a hora de Ana vai a R$ 9,50 e a hora extra com 50% a R$ 14,25. Se ela fizer 10 horas extras no mês, receberia R$ 142,50, contra R$ 129,50 na regra atual.

João, auxiliar administrativo, de segunda a sexta

João já folga sábado e domingo, mas trabalha 8h48 por dia para completar 44 horas. Ele não ganha folga extra, mas a jornada diária deve cair: para até 8h24 a partir de 16/12/2026 e 8h a partir de 16/12/2027, sem mudar o salário. Se a empresa mantiver o horário antigo depois de 16/12, as horas acima do novo limite precisam ser pagas como extras ou compensadas, conforme as regras do banco de horas.

Carla, técnica de enfermagem em hospital, escala 12x36

Carla trabalha em escala 12x36. O hospital é um serviço contínuo, e a emenda permite que acordo ou convenção coletiva mantenha escalas diferenciadas, desde que se garanta, na média, dois dias de descanso por semana dentro do mês. Para saber se a escala dela muda, Carla precisa acompanhar a negociação do sindicato da saúde e a lei complementar. Até lá, ela não deve aceitar redução de salário por causa da mudança, porque a emenda a proíbe.

Seu Pedro, dono de padaria com três funcionários

Seu Pedro abre de segunda a sábado, das 6h às 20h, e hoje cada funcionário trabalha 44 horas em seis dias. Em 16/12, todos passam a ter duas folgas e até 42 horas. Ele monta, com o contador, uma escala em que cada funcionário trabalha cinco dias e os dias de folga se revezam, e calcula quanto custaria cobrir o buraco com horas extras ou com um quarto contratado. Enquanto a lei complementar para pequenas empresas não sai, ele acompanha o anúncio da linha do BNDES, mas só pretende pegar crédito se a parcela couber no caixa.

Boatos e golpes: cuidado

Mudanças grandes atraem desinformação e golpistas. Veja o que já foi desmentido e o que vale como precaução:

  • Boato da falta injustificada: o serviço Comprove, da Câmara dos Deputados, checou em 20/10 e concluiu que é falso que o fim da escala 6x1 aumenta o desconto no salário de quem falta sem justificativa. A emenda trata só do limite de horas e dos dias de descanso.
  • “Recuo” sem fonte: até 26/10, nenhum ato oficial mudou a data de 16/12. Se receber um vídeo ou print dizendo o contrário, procure a notícia em veículos conhecidos e nos sites do Planalto, da Câmara, do Senado ou do Ministério do Trabalho.
  • “Cadastro para receber a folga” ou “indenização da 6x1”: não existe cadastro nem pagamento do governo para ter direito às duas folgas. A mudança vale direto no contrato de trabalho. Mensagens com link pedindo CPF, senha do gov.br, foto de documento ou Pix são golpe.
  • Falso advogado ou falso processo: desconfie de quem promete “ação coletiva” para cobrar valores atrasados da 6x1 mediante pagamento antecipado. As regras novas só começam em 16/12; não há atrasado a cobrar antes disso.
  • Clicou em link suspeito? Troque a senha do gov.br e do banco, ative a verificação em duas etapas e registre boletim de ocorrência. O Ministério da Justiça tem um roteiro para quem clicou em link de golpe.

Checklist antes de 16/12

  • ☐ Confirmei no contrato e na carteira digital qual é a minha jornada semanal e a minha escala.
  • ☐ Guardei o último contracheque (de outubro ou novembro) para comparar com o de dezembro.
  • ☐ Perguntei ao sindicato se a convenção coletiva da minha categoria vai mudar e quando.
  • ☐ Perguntei ao RH quais serão os meus dois dias de folga a partir de 16/12.
  • ☐ Recebi a nova escala por escrito.
  • ☐ Comecei a guardar foto do espelho de ponto todo mês.
  • ☐ Sei calcular o valor da minha hora (salário ÷ divisor) e vou conferir o divisor quando o decreto sair.
  • ☐ Se faço 12x36 ou outra escala especial, estou acompanhando a negociação da minha categoria.
  • ☐ Se tenho pequena empresa: mapeei as escalas, falei com o contador e acompanho a linha do BNDES.
  • ☐ Não cliquei em link de “cadastro da folga” nem passei senha do gov.br para ninguém.
  • ☐ Em janeiro, conferi se o salário de dezembro veio cheio, sem desconto por causa da redução de jornada.

Perguntas frequentes

O fim da escala 6x1 foi adiado?

Não há ato oficial adiando. O que ficou para depois da eleição foi a regulamentação (decreto e projeto de lei complementar). As datas de 16/12/2026 (42 horas e duas folgas) e 16/12/2027 (40 horas) seguem as divulgadas pelo g1 com base na publicação da emenda.

Preciso esperar o decreto para ter as duas folgas?

Não. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a regra constitucional tem aplicação direta e não depende de convenção ou acordo coletivo para valer. O decreto vai esclarecer pontos como as negociações coletivas e o divisor do valor da hora.

Meu salário pode diminuir?

Não por causa da redução de jornada. A emenda proíbe redução salarial, inclusive dos pisos das categorias.

As duas folgas têm que ser sábado e domingo?

Não. Podem ser em dias intercalados, desde que sejam dois períodos de 24 horas. Um deles deve ser, de preferência, no domingo.

A hora extra acaba?

Não. Hora extra e banco de horas continuam existindo, dentro dos novos limites e das regras da lei e dos acordos coletivos.

Quem trabalha em comércio aos domingos e feriados?

A emenda não proíbe o trabalho aos domingos. Ela diz que um dos dois dias de descanso deve ser preferencialmente no domingo. As regras de trabalho em feriados no comércio seguem a legislação e as convenções de cada categoria.

Sou doméstica. Vale para mim?

Sim. Segundo o Planalto, a emenda inclui trabalhadores domésticos.

Sou MEI e trabalho sozinho. Muda alguma coisa?

Para a sua própria rotina, não. Se você tem empregado com carteira assinada, as regras valem para ele. Uma lei complementar ainda vai tratar da transição para MEIs, micro e pequenas empresas.

Ganho mais de R$ 21 mil e tenho diploma. Tenho direito às folgas?

Sim. Para os chamados hipersuficientes, o limite de 40 horas e o controle de jornada podem ter tratamento diferente, mas os dois dias de descanso continuam garantidos, segundo o g1.

A empresa pode me demitir por causa da mudança?

A emenda não cria estabilidade. As regras de demissão continuam as mesmas da CLT. A regra de transição especial para pequenas empresas, quando sair, deve estar condicionada à manutenção dos empregos, segundo o texto da emenda descrito pelo Planalto.

Onde reclamar se a empresa não cumprir?

Primeiro, RH e sindicato. Depois, a Superintendência Regional do Trabalho (canais do Ministério do Trabalho), a Defensoria Pública ou um advogado trabalhista. Guarde escalas, holerites e espelhos de ponto.

Leia também no Cantinho

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica. As datas de 16/12/2026 e 16/12/2027 seguem o cálculo do g1 a partir da publicação da emenda; o decreto e a lei complementar ainda não foram publicados e podem detalhar regras, como o divisor do valor da hora. Os exemplos com nomes são hipotéticos. Convenções coletivas e decisões da Justiça do Trabalho podem trazer regras específicas para a sua categoria.

Dólar dispara 8% e Bolsa cai 13,9% depois do 2º turno: o que muda no seu bolso — viagem, cartão com IOF de 3,5%, Tesouro Direto suspenso, preços no mercado e no posto, juros, golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (18h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – dólar e Ibovespa (26/10); InfoMoney – Tesouro Direto (26/10); Extra/O Globo (26/10); O Globo – Tesouro Direto suspenso. Lista completa no fim do texto.

Operadores sentados de costas diante de painéis luminosos com cotações vermelhas e verdes no antigo pregão da Bovespa, em São Paulo, com texto sobre a alta do dólar e a queda da Bolsa em 26 de outubro de 2026 e o que muda no bolso

Segunda-feira (26/10) de dólar a R$ 5,40 e Bolsa em queda de 13,88%. Foto de arquivo, para ilustrar: painéis de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2007. Rafael Matsunaga, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

Se você abriu o aplicativo do banco nesta segunda-feira (26/10) e levou um susto, não foi impressão. No primeiro dia de negócios depois do segundo turno, o dólar fechou a R$ 5,4027, uma alta de 8,21% em um único dia, depois de chegar a R$ 5,6048 na máxima, segundo o g1. Na sexta-feira (23), antes da votação, a moeda tinha fechado a R$ 4,99. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e a B3 precisou acionar o circuit breaker, a pausa automática das negociações, pela primeira vez desde a pandemia, em 2020.

No Tesouro Direto, o programa do governo onde muita gente guarda a reserva e o dinheiro da aposentadoria, a plataforma abriu com quase três horas de atraso, os títulos prefixados tiveram a maior alta de taxas da série histórica, iniciada em 2005, e às 16h25 as negociações de prefixados e títulos atrelados à inflação foram suspensas, informou o InfoMoney. O Tesouro Selic seguiu disponível.

A reação veio depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo a apuração citada pelo g1, teve 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a maioria das pesquisas das últimas semanas apontava vantagem do adversário, parte dos investidores foi pega de surpresa e passou a recalcular o que espera para juros, câmbio e contas públicas. Este texto não é sobre política. É sobre o seu bolso: o que muda de verdade hoje para quem tem viagem marcada, compra em site estrangeiro, paga assinatura em dólar, tem dinheiro no Tesouro Direto ou em ações, vai ao supermercado e ao posto, e o que não muda, para você não tomar nenhuma decisão no susto.

No fim, você encontra um checklist para fazer ainda esta semana, as perguntas mais comuns e a lista completa de fontes.

Resumo rápido

  • Dólar: fechou a R$ 5,4027 (+8,21%), com máxima de R$ 5,6048. Na sexta, estava a R$ 4,99. O Banco Central injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de câmbio por meio de leilões de swap, segundo o Extra.
  • Bolsa: Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos. Ações ligadas ao consumo e ao mercado doméstico caíram mais; exportadoras como Suzano e Vale subiram (g1).
  • Tesouro Direto: abriu às 12h13, teve alta recorde de taxas e suspendeu prefixados e IPCA+ às 16h25. Tesouro Selic seguiu à venda e o Tesouro Reserva funcionou normalmente.
  • Cartão no exterior: a compra internacional é convertida pela cotação do dia da compra e paga IOF de 3,5%, a mesma alíquota do débito, do pré-pago, da conta global e do dinheiro em espécie.
  • Preços no Brasil: eletrônicos, combustíveis, trigo (pão, macarrão, biscoito), remédios e assinaturas em dólar são os mais sensíveis, mas o repasse não é automático e depende de quanto tempo o dólar ficar alto.
  • Juros: a Selic continua em 13,75% ao ano. A próxima decisão do Copom está prevista para 4 de novembro. Os juros futuros dispararam, o que pode encarecer crédito mais adiante se o movimento persistir.
  • Poupança, FGTS e benefícios: nada muda hoje. INSS, Bolsa Família e salário em reais seguem as datas normais.

O que aconteceu nesta segunda-feira, em números

Para entender o tamanho do movimento, vale olhar os números que os próprios veículos de economia registraram ao longo do dia:

IndicadorAntes (sexta, 23/10)Segunda (26/10)Fonte
Dólar comercialR$ 4,99R$ 5,4027 no fechamento (+8,21%); máxima de R$ 5,6048g1, Extra
Ibovespa—−13,88%, aos 176.608 pontos; chegou a cair 17% na reaberturag1
Tesouro Prefixado 203212,89% ao ano15,78% na abertura; 15,50% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro Prefixado 202912,76% ao ano15,40% na abertura; perto de 15% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,42%IPCA + 7,64% na aberturaInfoMoney
Juro futuro para janeiro de 202912,595%15,03% (por volta das 10h)g1
Selic (taxa básica)13,75% ao ano13,75% ao ano (sem mudança)g1 / Boletim Focus

Cotações registradas em horários diferentes do pregão; o fechamento de cada mercado pode variar conforme a fonte.

Segundo o Extra, no auge da manhã a alta do dólar chegou a 12%, superando até a variação do dia 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou as bandas cambiais e o dólar médio (Ptax) subiu 11,10%. As negociações de câmbio também foram interrompidas, e a B3 ampliou o limite do circuit breaker do dólar para 12%.

Para tentar acalmar o mercado, o governo agiu em duas frentes. O Tesouro Nacional recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) e cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana, mantendo só a oferta de títulos ligados à Selic (LFT). O Banco Central fez leilões de swap cambial que, na prática, injetaram US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólar.

Analistas ouvidos pelos jornais dizem que, passado o choque dos primeiros dias, o rumo do dólar e da Bolsa deve depender dos anúncios sobre política fiscal e da escolha da equipe econômica. Ninguém sabe onde o dólar fecha esta semana. E é exatamente por isso que o melhor que você pode fazer é organizar as próprias contas, sem apostar num único dia.

1. Tem viagem marcada para o exterior? O que fazer agora

Quem vai viajar no fim do ano ou no começo de 2027 é quem sente primeiro. Hospedagem, passeios, comida e compras lá fora são cobrados em moeda estrangeira, e cada real a mais na cotação vira gasto extra. O euro e a libra também são cotados contra o real e costumam sentir o mesmo movimento.

Não decida no susto: compre em partes

A dica mais repetida pelos especialistas de viagem nesta segunda foi a mesma: em vez de tentar acertar o "dia certo", divida a compra da moeda em várias vezes até o embarque. Assim você paga um preço médio. O colunista Estevam pelo Mundo, do Estado de Minas, fez a conta com números redondos: quem gasta US$ 2.000 comprando tudo de uma vez a R$ 5,40 paga R$ 10.800, mais 3,5% de IOF, ou R$ 11.178. Dividindo em quatro compras de US$ 500 que saíssem a R$ 5,00, R$ 5,40, R$ 5,20 e R$ 5,10, o total cairia para R$ 10.712. Uma diferença de R$ 466, sem adivinhar nada. As cotações do exemplo são ilustrativas: o dólar pode subir ou cair nas próximas semanas.

Cartão, conta global ou dinheiro vivo: o imposto é o mesmo

Desde o decreto de junho de 2025, validado pelo STF em julho daquele ano, o IOF é de 3,5% no cartão de crédito, no débito, no cartão pré-pago, na conta global usada lá fora e também na compra de dinheiro em espécie. A redução gradual que estava prevista deixou de valer. Com a alíquota igual, o que muda de uma opção para outra é o spread (a margem que cada instituição coloca sobre o dólar) e o momento em que a cotação é travada.

  • Cartão pré-pago e conta em moeda estrangeira: você converte no dia em que carrega o saldo. Bom para quem quer comprar aos poucos e saber exatamente quanto pagou.
  • Cartão de crédito: a compra é convertida pela cotação do dia em que você passou o cartão, e não do dia em que a fatura vence. Útil para caução de hotel, aluguel de carro e emergências.
  • Dinheiro vivo: paga o mesmo IOF; leve pouco, por segurança.

Lá fora, recuse pagar "em reais"

Se a maquininha no exterior perguntar se você quer pagar em reais, recuse e escolha a moeda local. A conversão feita pela loja costuma sair mais cara do que a do seu banco.

Passagem ainda não comprada

Olhe o preço final em reais e não deixe a emissão para a última hora. Quem tem milhas acumuladas pode usá-las para o trecho internacional e reservar o dinheiro para os gastos lá fora, que são os que sentem o câmbio diretamente.

Passageiros puxando malas de rodinha pelo saguão de embarque do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, com placas amarelas indicando os portões 305 a 332 e pessoas aguardando sentadas perto das janelas

Para quem embarca no fim do ano, comprar a moeda em partes até a viagem ajuda a não pagar só o pior dia. Foto de arquivo, para ilustrar: área de embarque do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos (SP), em fevereiro de 2025. TomasVial, via Wikimedia Commons — CC0 (domínio público).

2. Compras em sites estrangeiros, apps e assinaturas em dólar

Não é só quem viaja que sente. Roupas e acessórios em lojas internacionais, jogos, aplicativos, programas de computador e serviços cobrados diretamente em dólar acompanham a cotação do momento da compra.

  • A cotação fica travada no dia da compra. Desde 2020, pela regra do Banco Central, o banco converte cada compra internacional no cartão pela cotação daquele dia. Quem compra num dia de dólar alto fica com o valor daquele dia.
  • Parcelar não protege. Numa compra internacional parcelada, a conversão é feita no dia da compra, e as parcelas seguem aquele valor em reais.
  • A fatura mostra tudo. Cada gasto aparece em dólar, com a taxa de conversão usada e o valor em reais. Confira.
  • Revise as assinaturas em dólar. Serviços que cobram em moeda estrangeira ficam mais caros automaticamente; os que têm preço fixado em reais não mudam sem aviso da empresa.
  • Black Friday chegando: com a data em 27/11, compare o preço final em reais, com frete e impostos, antes de fechar compra em site estrangeiro. Veja também as regras de tributação de compras internacionais que explicamos aqui no Cantinho.

Pela nossa conta: quanto o dólar pesa (exemplos hipotéticos)

Os exemplos abaixo são hipotéticos, servem só para ilustrar e não incluem o spread do banco, que deixa a conta um pouco mais alta. Usamos o dólar de sexta (R$ 4,99), o fechamento desta segunda (R$ 5,4027) e a máxima do dia (R$ 5,6048), com IOF de 3,5%:

CompraDólar a R$ 4,99Dólar a R$ 5,40Dólar a R$ 5,60
Assinatura de US$ 20 por mêsR$ 103,29R$ 111,84R$ 116,02
Compra online de US$ 100R$ 516,46R$ 559,18R$ 580,10
Tênis ou fone de US$ 300R$ 1.549,39R$ 1.677,54R$ 1.740,29
Viagem com gasto de US$ 1.500R$ 7.746,97R$ 8.387,69R$ 8.701,45

Exemplo 1 (hipotético): a Carla paga uma assinatura de US$ 20 por mês. Com o dólar de sexta, gastava cerca de R$ 103,29 por mês. Se o dólar ficasse no fechamento desta segunda, passaria a R$ 111,84, cerca de R$ 8,55 a mais por mês, ou uns R$ 102 em um ano. Se ela usa pouco o serviço, este é um bom momento para pausar ou cancelar.

Exemplo 2 (hipotético): o João e a esposa vão aos Estados Unidos em dezembro e calcularam gastar US$ 1.500 por lá. Se tivessem comprado tudo na sexta, pagariam cerca de R$ 7.747 com IOF; tudo nesta segunda, cerca de R$ 8.388. Em vez de correr para comprar ou de esperar parados, eles decidem comprar em quatro partes até o embarque, carregando um cartão pré-pago a cada semana. Não dá para saber se vão pagar mais ou menos que na sexta, mas evitam concentrar tudo num dia só.

3. Tem dinheiro no Tesouro Direto? Entenda antes de vender

Este foi um dos pontos que mais assustou quem investe pouco e entrou no Tesouro para fugir da poupança. O aplicativo mostrou queda no valor de vários títulos, e a plataforma ficou fora do ar por parte do dia. Calma: há uma diferença enorme entre o que aparece na tela e o que você recebe no fim.

Por que o Tesouro Direto suspendeu as negociações?

Segundo o Tesouro Nacional, ouvido pelo O Globo, a pausa é um procedimento previsto nas regras do programa para atualizar preços e taxas quando os juros mudam muito rápido. A ideia é evitar que o investidor compre um título mais caro ou venda mais barato do que o justo naquele momento. Nesta segunda, a plataforma só abriu às 12h13 e, às 16h25, suspendeu os títulos prefixados e os atrelados à inflação. O Tesouro Selic continuou disponível, e o Tesouro Reserva, que não tem marcação a mercado, funcionou normalmente.

Mesmo durante a suspensão, as regras permitem registrar pedidos de investimento e resgate na área do investidor. Eles são processados na reabertura, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro.

O que é a "marcação a mercado" e por que o saldo caiu

Nos títulos prefixados e nos IPCA+, quando as taxas de juros do mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos cai. É isso que o aplicativo mostra. Pelo cálculo do InfoMoney, na abertura desta segunda o preço do Tesouro IPCA+ 2050 caiu 23,6% em relação à sexta, o do Prefixado 2032 caiu 12,2% e o do IPCA+ 2032, 7,1%.

Mas a queda de preço só vira prejuízo para quem vende antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade que contratou no dia da compra. "Quem tem esse investimento visando o retorno até o vencimento, não muda muita coisa. Muda mais para quem se programou para vender antes do vencimento", disse ao O Globo o estrategista Gustavo Spinola, da Sincra Investimentos.

Exemplo 3 (hipotético): a Dona Lúcia tem R$ 10.000 aplicados no Tesouro IPCA+ 2050 para a aposentadoria. Se ela vendesse tudo no preço de abertura desta segunda, a queda de 23,6% na marcação significaria receber algo perto de R$ 7.640 sobre aquele valor de referência (conta simplificada, sem impostos e sem considerar quanto ela já tinha rendido). Se ela mantiver o título até 2050, como planejou, continua valendo a taxa que ela contratou. Vender no pior dia é transformar uma oscilação em perda real.

E quem quer investir agora?

As taxas mais altas deixam os títulos novos mais "baratos" e com rentabilidade contratada maior, mas também mostram que o risco aumentou. Antes de qualquer coisa, a ordem é a de sempre: reserva de emergência primeiro, em aplicação com liquidez diária (como o Tesouro Selic ou o Tesouro Reserva, que nesta segunda seguiram funcionando). Títulos longos só fazem sentido para dinheiro que você realmente pode deixar parado até o vencimento. Este texto não é recomendação de investimento: se tiver dúvida, converse com o seu banco ou com um profissional certificado, e desconfie de quem promete ganho garantido.

4. Ações, fundos e previdência: o que olhar

O Ibovespa caiu 13,88% no dia. Entre as maiores perdas, segundo o g1, estiveram Magazine Luiza (−58,23%), Vamos (−56,79%) e Hapvida (−54,93%), empresas ligadas ao consumo e ao mercado interno. Exportadoras como Suzano e Vale subiram, porque recebem em dólar. Ações brasileiras negociadas no exterior também caíram.

  • Tem ações ou fundos de ações? O valor da carteira cai no aplicativo, mas o prejuízo só se concretiza se você vender. Quedas fortes em um dia já aconteceram antes, em 1997, 1999, 2008 e 2020, lembra o g1; o que vem depois depende de cada empresa e do cenário.
  • Previdência privada (PGBL/VGBL) e fundos multimercado: podem oscilar conforme a parte aplicada em ações, câmbio e títulos longos. Veja o extrato e o perfil do seu plano antes de pensar em portabilidade ou resgate, que pode ter imposto e taxa.
  • Poupança: segue a regra de sempre. A fórmula de rendimento só muda quando a Selic chega a 8,5% ao ano ou menos, e hoje ela está em 13,75%.
  • FGTS: não é afetado pelo pregão. Saldos, saques e datas seguem as regras da Caixa.

5. Supermercado, posto e farmácia: os preços vão subir?

A resposta honesta é: pode acontecer, mas não é automático, nem imediato, nem na mesma proporção do dólar. O repasse depende de estoques, contratos, concorrência, margens das empresas e, principalmente, de quanto tempo o dólar ficar alto. Uma alta pontual de um dia não garante reajuste; uma alta que dure semanas aumenta o risco.

Os itens mais sensíveis, segundo as reportagens do dia, são:

  • Combustíveis: o petróleo é cotado em dólar. Nesta segunda, o Brent era negociado a US$ 117,12, segundo o g1, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Mas o preço na bomba também depende de tributos, da mistura de etanol e biodiesel, da política da Petrobras e das margens de distribuição e revenda. Para comparação, a Petrobras indicava preço médio nacional de R$ 6,53 o litro da gasolina comum na semana de 11 a 17 de outubro, ainda antes da disparada do câmbio (dado citado pelo CenárioMT).
  • Diesel e frete: se o diesel subir, o custo do transporte de mercadorias sobe junto e pode chegar, aos poucos, a vários produtos.
  • Trigo: o Brasil importa parte do trigo usado em farinha, pão, macarrão e biscoitos. Se o câmbio continuar alto, moinhos e indústrias podem ter custos maiores para repor estoques.
  • Eletrônicos: celulares, notebooks, videogames e peças usam componentes importados, mesmo quando montados no Brasil.
  • Carros, pneus e peças: veículos importados e componentes eletrônicos são cotados em dólar.
  • Remédios e fertilizantes: muitos princípios ativos e insumos agrícolas vêm de fora. O efeito sobre a farmácia e o preço da comida depende de estoques, contratos e regras de preço.

Dica prática: não saia estocando tudo por medo. Compras por impulso num dia de pânico costumam sair caras. Se você já ia trocar de celular ou de notebook nas próximas semanas, compare preços em várias lojas, guarde prints e acompanhe por alguns dias. No supermercado, a pesquisa de preço vale mais do que nunca, e marcas próprias costumam ser uma saída. Lembre que a prévia da inflação de outubro já mostrava alimentos como tomate, cebola e batata em alta, enquanto a conta de luz caiu.

Gráfico com três painéis: o dólar de 4,99 reais na sexta para máxima de 5,60 e fechamento de 5,40 na segunda; as taxas dos títulos Prefixado 2029, Prefixado 2032 e IPCA+ 2050 antes e depois da abertura; e o custo em reais de uma compra de 100 dólares com IOF de 3,5% em cada cotação

O dia em três números: dólar, taxas do Tesouro Direto e quanto custa uma compra de US$ 100 com IOF. Gráfico: Cantinho Verde Lar, com dados do g1, do Extra e do InfoMoney (26/10/2026); custo da compra calculado sem o spread do banco.

6. Juros, empréstimos e cartão: o que pode mudar

A Selic, a taxa básica que serve de referência para os juros do país, continua em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes em 2026. Ela só muda em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e a próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o Boletim Focus desta segunda (com projeções coletadas até sexta) apontava Selic de 13,25% no fim de 2026 e inflação de 5,19% neste ano. Parte dos analistas já revê esse cenário: a equipe da ASA, citada pelo InfoMoney, projeta só mais um corte em novembro, com a Selic terminando 2026 em 13,5%.

Já os juros futuros, que mostram o que o mercado espera para os próximos anos, dispararam. O contrato para janeiro de 2029 passou de 12,595% para 15,03% ao ano por volta das 10h, segundo o g1. Isso não aumenta imediatamente as taxas que o banco cobra de você, mas, se o movimento persistir, pode encarecer financiamentos, empréstimos e o crédito das empresas.

  • Vai pegar empréstimo ou financiamento? Se puder, compare o Custo Efetivo Total (CET) em mais de uma instituição antes de assinar e não feche no impulso. Contratos com taxa fixa já assinados não mudam.
  • Cartão de crédito: com o dólar alto, a fatura de quem fez compras internacionais pode vir maior. Não pague só o mínimo. O que sobra vai para o rotativo, um dos créditos mais caros do país.
  • Endividado? Priorize renegociar as dívidas mais caras (rotativo e cheque especial) e fuja de crédito novo que só empurra o problema. As novas regras do Banco Central contra o superendividamento, aprovadas na sexta (23), só entram em vigor em 2027.

7. O que NÃO muda no seu bolso hoje

Num dia de manchetes assustadoras, vale lembrar o que segue igual:

  • Salário em reais: o valor do seu salário não muda por causa do dólar.
  • INSS: o pagamento de outubro começou nesta segunda (26) para quem ganha até um salário mínimo com cartão de final 1 e vai até 9 de novembro, conforme o calendário oficial.
  • Bolsa Família: o pagamento de outubro segue até 30/10 pelo final do NIS.
  • Poupança e FGTS: seguem as regras de sempre.
  • Contratos com juros fixos: financiamento imobiliário, consignado e empréstimos já assinados com taxa prefixada não mudam.
  • Preços já pagos: o que você comprou no cartão antes desta segunda segue com a cotação do dia da compra.

8. Cuidado com golpes: momento de pânico é prato cheio para fraudador

Dias de notícia forte no mercado costumam vir acompanhados de mensagens falsas e "oportunidades" milagrosas. Fique atento a:

  • "Proteja seu dinheiro antes que o governo confisque": mensagens assim costumam aparecer em momentos de tensão para criar medo e induzir transferências. Não há qualquer anúncio oficial nesse sentido. Desconfie e não repasse.
  • Falso gerente ou falsa central do banco: ligam dizendo que é preciso "mover a aplicação" ou "proteger o saldo" por causa da crise e pedem senha, código ou Pix. Banco não pede senha nem transferência por telefone. Desligue e ligue você mesmo para o número do cartão.
  • Dólar barato demais: perfis em redes sociais e no WhatsApp oferecendo dólar abaixo da cotação para "aproveitar antes que suba". Compre moeda só em instituição autorizada pelo Banco Central.
  • Promessa de lucro garantido com a queda da Bolsa: robôs, grupos de "sinais" e "consultores" que garantem retorno rápido são sinal clássico de fraude. Investimento sério não tem ganho garantido.
  • Links falsos do Tesouro Direto: com a plataforma fora do ar por parte do dia, podem surgir sites e mensagens imitando o Tesouro. Acesse só pelo endereço oficial tesourodireto.com.br ou pelo aplicativo oficial, e nunca por link recebido.
  • Vídeos e áudios com rostos conhecidos: golpistas usam inteligência artificial para imitar economistas, apresentadores e autoridades recomendando aplicações. Confira sempre na fonte oficial.

Checklist: o que fazer esta semana

  1. Respire. Não venda investimento nem compre dólar no susto. Anote o que você tem e para quando precisa de cada dinheiro.
  2. Viagem marcada? Some quanto vai gastar lá fora e divida a compra da moeda em 3 ou 4 partes até o embarque.
  3. Escolha como pagar: o IOF é de 3,5% em todas as formas; compare o spread (a cotação final) entre seu cartão, conta global e pré-pago.
  4. Lá fora, pague na moeda local, nunca "em reais" na maquininha.
  5. Revise assinaturas em dólar e cancele as que você não usa.
  6. Compras internacionais e Black Friday: calcule o preço final em reais com IOF, frete e impostos antes de comprar.
  7. Tesouro Direto: lembre o vencimento de cada título. Se não precisa do dinheiro antes, a marcação a mercado não muda o que você vai receber no fim.
  8. Reserva de emergência: confirme que ela está em aplicação de liquidez diária (Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDB com liquidez).
  9. Fatura do cartão: pague o valor total. Nada de rotativo.
  10. Empréstimo novo: compare o CET em pelo menos três instituições antes de assinar.
  11. Mercado e posto: pesquise preço, evite estocar por medo e acompanhe os valores por alguns dias.
  12. Golpes: não clique em link de "proteção do saldo", não passe senha por telefone e compre moeda só em instituição autorizada.
  13. Datas fixas: anote a decisão do Copom (prevista para 4/11) e acompanhe as notícias sobre a equipe econômica, que devem guiar o dólar nas próximas semanas.

Perguntas frequentes

Por que o dólar subiu tanto nesta segunda?

Porque o resultado do segundo turno surpreendeu parte dos investidores, que esperavam outro vencedor, e eles passaram a recalcular as expectativas para juros, câmbio e contas públicas, segundo os analistas ouvidos pelo g1 e pelo Extra. Segundo analista ouvido pelo InfoMoney, a reeleição levou investidores, sobretudo estrangeiros, a retirar capital do país e a cobrar mais juros para financiar o Brasil.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe. Parte dos analistas espera recuperação gradual depois do estresse inicial, citando os juros altos do Brasil; outros esperam volatilidade até que haja anúncios sobre a política fiscal e a equipe econômica. Por isso, a recomendação é comprar moeda em partes, e não apostar num único dia.

Qual o IOF da compra internacional no cartão em 2026?

3,5%. A mesma alíquota vale para cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global e compra de dinheiro em espécie.

Comprei no exterior na sexta. Vou pagar com o dólar de hoje?

Não. Desde 2020, a compra internacional no cartão é convertida pela cotação do dia em que foi feita. O que você comprou antes desta segunda segue com a cotação daquele dia (mais o spread do seu banco e o IOF).

Perdi dinheiro no Tesouro Direto?

Só se vender antes do vencimento. A queda que aparece no aplicativo é a marcação a mercado. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva sofrem pouca ou nenhuma oscilação desse tipo.

Posso resgatar enquanto o Tesouro Direto está suspenso?

Você pode registrar o pedido, mas ele só é processado quando a negociação reabre, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro, segundo as regras do programa explicadas ao O Globo.

A gasolina vai aumentar amanhã?

Não há anúncio de reajuste ligado à alta desta segunda nas fontes consultadas. O preço depende também do petróleo, dos tributos, da política da Petrobras e das margens de distribuidoras e postos. Uma alta duradoura do dólar aumenta a pressão, mas o repasse não é automático.

A Selic vai subir?

A Selic só muda nas reuniões do Copom. A próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o mercado esperava novos cortes; depois desta segunda, parte dos analistas passou a prever menos cortes. Acompanhe a decisão oficial do Banco Central.

Meu benefício do INSS ou o Bolsa Família vão mudar?

Não. Os pagamentos de outubro seguem o calendário normal: INSS de 26/10 a 9/11, conforme o final do cartão, e Bolsa Família até 30/10, conforme o final do NIS.

É hora de comprar dólar para guardar?

Para quem tem gasto em dólar programado (viagem, curso, compra), comprar em partes reduz o risco. Comprar dólar "para investir" no meio de um dia de pânico é uma aposta. Se pensa em proteger parte do patrimônio, converse com um profissional certificado e use apenas instituições autorizadas.

Leia também no Cantinho

Fontes

Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento. As cotações citadas foram registradas em horários diferentes do pregão de 26/10/2026 e mudam a todo momento: confira a do momento no app do seu banco antes de comprar. Os exemplos com nomes são hipotéticos e servem só para ilustrar as contas, sem o spread cobrado por cada instituição. Regras do Tesouro Direto, do Banco Central e da Receita Federal prevalecem em caso de dúvida.

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