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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Saque-aniversário do FGTS: corte de 5 para 3 parcelas que valeria no domingo (1º/11) é adiado para 31/3/2027 — o que muda na antecipação, quanto cai de verdade na conta a 1,8% ao mês, calendário até fevereiro e checklist

Atualizado em 30/10/2026 (20h, horário de Brasília). Fontes principais: Agência Brasil / Radioagência Nacional (29/10); Valor Econômico (29/10); Folha de S.Paulo (30/10); O Globo (30/10); calendário 2026 do saque-aniversário (Agência Brasil).

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de terno escuro e óculos, sentado num sofá branco em um gabinete em Brasília, sorrindo durante uma reunião, com texto sobre o adiamento para 31 de março de 2027 do corte na antecipação do saque-aniversário do FGTS

Luiz Marinho (à direita), ministro do Trabalho e presidente do Conselho Curador do FGTS, em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin em 2023 (foto de arquivo). Foto: Cadu Gomes/VPR (Vice-Presidência da República), via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

Quem tinha anotado na agenda que sábado, 31 de outubro, seria o último dia para antecipar cinco anos do saque-aniversário do FGTS pode riscar essa data. Na reunião desta quinta-feira (29/10), o Conselho Curador do FGTS aprovou o adiamento da regra que, a partir de domingo, 1º de novembro, reduziria de cinco para três o número de saques anuais que o trabalhador pode dar como garantia num empréstimo com o banco. Agora, a redução só entra em vigor em 31 de março de 2027 — e mesmo essa data ainda pode mudar, porque o governo diz que vai usar os próximos cinco meses para decidir se mantém as cinco parcelas ou se volta ao plano das três.

A votação terminou com oito votos a favor, dois contra e uma abstenção, segundo a Agência Brasil e o Valor Econômico. O presidente do conselho, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo precisa de mais tempo para conversar com o Congresso e com os bancos, e que cortar o limite agora para talvez voltar atrás depois seria ruim para esse tipo de produto. Segundo a Caixa, a redução para três parcelas atingiria 12,2 milhões de trabalhadores — 29% de quem aderiu ao saque-aniversário —, e 92% deles ganham até quatro salários mínimos.

Aqui no Cantinho, no guia de 12 de outubro sobre o saque-aniversário, nós avisamos que 31/10 seria o último dia para antecipar cinco anos. Essa informação estava correta pela regra vigente naquele momento (Resolução CCFGTS nº 1.130/2025), mas mudou com a decisão de ontem. Por isso este post: para explicar o que vale a partir de agora, o que ainda depende de publicação oficial, quanto dinheiro de verdade cai na sua conta quando você antecipa (a conta que quase ninguém faz), o calendário dos próximos saques e um checklist para decidir com calma — sem cair na pressa que os bancos e os golpistas adoram.

Resumo em 30 segundos

  • O que mudou: o corte de 5 para 3 parcelas na antecipação do saque-aniversário, previsto para 1º/11/2026, foi adiado para 31/3/2027.
  • O que vale agora: continua sendo possível antecipar até cinco saques anuais, cada um entre R$ 100 e R$ 500, com juros limitados a 1,8% ao mês.
  • Quem decidiu: Conselho Curador do FGTS, em 29/10, por 8 votos a 2 e 1 abstenção.
  • Ainda falta: a proposta foi votada fora da pauta e vai à Consultoria Jurídica do Ministério do Trabalho; a resolução só sai no Diário Oficial da União depois do parecer.
  • Em março de 2027: o conselho volta a discutir se mantém cinco parcelas ou reduz para três.
  • Não mudou: a tabela de alíquotas do saque anual, a carência de 90 dias após a adesão para antecipar e a regra da demissão (quem está no saque-aniversário só recebe a multa de 40%).
  • Calendário: nascidos em agosto têm até hoje (30/10) para sacar; nascidos em novembro têm o saque liberado a partir de 2/11, até 29/1/2027.
  • Conta que importa: antecipar 5 × R$ 500 não põe R$ 2.500 no seu bolso; numa simulação hipotética a 1,8% ao mês, o valor recebido fica perto de R$ 1.376 antes de IOF e tarifas.

O que o Conselho Curador decidiu, ponto a ponto

O Conselho Curador é o órgão que administra as regras do Fundo de Garantia. Ele reúne representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores e é presidido pelo ministro do Trabalho. Em outubro de 2025, o mesmo conselho aprovou a Resolução nº 1.130, que endureceu a antecipação do saque-aniversário. Até novembro de 2025, não havia limite para a quantidade de parcelas que podiam ser antecipadas: havia trabalhador que dava dez anos de saques futuros como garantia. A resolução criou uma regra de transição: primeiro, até cinco parcelas; depois, a partir de 1º de novembro de 2026, no máximo três.

Foi essa segunda etapa que ficou para depois. Pela decisão de 29/10, informada pela Agência Brasil, pelo Valor, pela Folha, pelo Estadão Conteúdo e pelo O Globo:

  • o trabalhador pode continuar antecipando até cinco saques anuais, um por ano, até 31 de março de 2027;
  • o valor de cada saque anual cedido ao banco segue entre R$ 100 (mínimo) e R$ 500 (máximo);
  • a taxa de juros continua limitada a 1,8% ao mês;
  • a redução para três parcelas não foi cancelada: ela “continua em análise”, nas palavras do ministro, e volta à mesa em março.

Marinho resumiu assim, segundo a Agência Brasil e a Folha: “Em março, a gente toma uma decisão: se mantém, se volta à normalidade e passa a ser três, ou se mantém cinco. Considerando todos os episódios, inclusive o fim das bets, e o resultado obtido pelas cinco operações no ano, se isso dá conta das nossas preocupações colocadas lá.”

Houve resistência. Representantes dos empregadores questionaram a urgência da proposta, que foi apresentada fora da pauta, sem parecer jurídico nem estudo de impacto. O conselheiro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Abelardo Campoy Diaz, votou contra: para ele, o limite poderia cair para três enquanto os estudos eram feitos, com revisão posterior se necessário. O secretário Carlos Augusto Simões, do Ministério do Trabalho, respondeu que o impacto para o fundo é neutro.

“Já está valendo?” — o detalhe do Diário Oficial

Este é o ponto que mais gera confusão, então vale ser direto. Como a proposta foi votada fora da pauta, ela segue para a Consultoria Jurídica do Ministério do Trabalho. A nova resolução só será publicada no Diário Oficial da União depois desse parecer, que também será apresentado aos conselheiros, de acordo com a Agência Brasil e a Folha.

Na prática, o que isso significa para você:

  • A decisão política está tomada e foi anunciada pelo próprio ministro, presidente do conselho.
  • O texto formal ainda não saiu até a publicação deste post (30/10, 20h). Não sabemos a data exata da publicação.
  • Os bancos e a Caixa precisam ajustar sistemas. É possível que, nos primeiros dias de novembro, algum aplicativo ainda mostre o limite de três anos, ou que a oferta de cinco anos demore a voltar em uma instituição específica.
  • Se o app do seu banco mostrar só três anos a partir de 1º/11, não entre em pânico nem corra para outro banco desconhecido: espere alguns dias, confira a publicação da resolução e compare as ofertas nos canais oficiais.

Em resumo: você não precisa correr para contratar até amanhã, como parecia antes. A pressa, que já era má conselheira em empréstimo, agora perdeu até a justificativa do prazo.

Como funciona a antecipação do saque-aniversário (em português claro)

O saque-aniversário, criado pela Lei 13.932/2019, é uma modalidade opcional do FGTS: em vez de sacar tudo quando é demitido sem justa causa (o chamado saque-rescisão, que é o padrão), o trabalhador passa a retirar, uma vez por ano, no mês do aniversário, uma parte do saldo. A contrapartida é pesada: quem está no saque-aniversário e é demitido sem justa causa recebe só a multa rescisória de 40%, e o saldo do FGTS fica retido.

A antecipação é outra coisa: é um empréstimo. Você autoriza um banco a consultar seu saldo e dá como garantia os saques-aniversário dos próximos anos. O banco libera o dinheiro hoje e, a cada ano, no seu mês de aniversário, a Caixa repassa o valor do saque diretamente ao banco até quitar a dívida. Você não paga parcela por boleto, mas também não recebe esses saques anuais enquanto o empréstimo estiver ativo.

As regras atuais, que seguem valendo com o adiamento, segundo O Globo e a Agência Brasil:

  • Valor por parcela: cada saque anual antecipado vale de R$ 100 a R$ 500.
  • Quantidade: até cinco saques anuais (até 31/3/2027). Pela conta simples, 5 × R$ 500 = até R$ 2.500 em saques cedidos. Com três parcelas, seria até R$ 1.500.
  • Carência: é preciso esperar 90 dias depois de aderir ao saque-aniversário para autorizar um banco a consultar os dados e contratar a antecipação.
  • Frequência: é permitida uma contratação por competência (por ano de saque), e uma nova operação só pode ser feita depois da quitação da antecipação vigente.
  • Juros: limitados a 1,8% ao mês.

Repare numa confusão muito comum: o valor do seu saque anual (calculado pela tabela de alíquotas sobre o saldo) não é o mesmo que o valor que o banco pode antecipar por ano (que fica entre R$ 100 e R$ 500). Quem tem saldo alto e saque anual de R$ 2.000, por exemplo, só consegue ceder até R$ 500 de cada ano ao banco. São duas contas diferentes.

Fachada de uma casa lotérica da Caixa em Curitiba, com letreiro azul escrito Lotérica e o símbolo das loterias, toldo cinza e pessoas de máscara entrando e saindo pela porta

Casa lotérica em Curitiba (foto de 2022): além do app FGTS, o saque-aniversário também pode ser retirado em lotéricas, agências da Caixa e correspondentes Caixa Aqui. Foto: Iyusi766, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

Por que o governo queria cortar — e os números do debate

A antecipação do saque-aniversário virou, nos últimos anos, uma das linhas de crédito mais vendidas do país — com anúncio em todo aplicativo de banco e em todo correspondente de esquina. Os números divulgados pelo Ministério do Trabalho ajudam a entender a preocupação:

  • Desde a criação da antecipação, foram movimentados R$ 242,5 bilhões. Desse total, R$ 94,2 bilhões (39%) foram para os trabalhadores e R$ 148,3 bilhões (61%) caíram na conta das instituições financeiras (Folha).
  • Antes do limite de cinco parcelas, a fatia que os trabalhadores sacavam diretamente era de 24%, contra 76% que ia para os bancos. Depois do limite, passou para 39% e 61% (Estadão Conteúdo/UOL).
  • O valor médio mensal contratado caiu de R$ 6,6 bilhões antes das restrições para R$ 1,4 bilhão por mês, uma queda de 78% na média registrada até setembro de 2026 (Valor).
  • Dois terços dos trabalhadores que fazem esse tipo de operação têm renda de até quatro salários mínimos (O Globo, citando o ministério).

Em outras palavras: o governo já conseguiu o efeito que buscava com a primeira etapa (menos dinheiro do fundo indo para os bancos) e agora pesa se a segunda etapa — o corte para três parcelas — prejudicaria mais a população de baixa renda, que usa a antecipação como crédito barato, do que ajudaria o fundo. Do outro lado, críticos lembram que os saques especiais reduzem o dinheiro do FGTS para habitação: na mesma reunião, o conselho aprovou o orçamento de R$ 144,5 bilhões para habitação em 2027, o mesmo valor deste ano, segundo o Jornal do Commercio.

O ministro também citou o “fim das bets” entre os episódios a considerar, sem detalhar no trecho divulgado como isso entra na conta.

Quanto você recebe de verdade: a conta que o anúncio não mostra

Aqui está o ponto mais importante para o seu bolso. Quando você antecipa cinco anos de saque, o banco não te entrega a soma dos cinco saques. Ele te entrega o valor presente desses saques, descontados os juros de cada ano até a data em que a Caixa vai repassar o dinheiro. Quanto mais longe o saque, mais juros são descontados.

Simulação hipotética do Cantinho (apenas para entender a ordem de grandeza): trabalhador que cede R$ 500 de cada um dos próximos cinco saques, com o primeiro saque daqui a 12 meses, à taxa máxima de 1,8% ao mês, sem considerar IOF, tarifas e seguros:

  • Saque do ano 1 (R$ 500, daqui a 12 meses): vale hoje cerca de R$ 403,64.
  • Saque do ano 2 (daqui a 24 meses): cerca de R$ 325,85.
  • Saque do ano 3 (36 meses): cerca de R$ 263,06.
  • Saque do ano 4 (48 meses): cerca de R$ 212,36.
  • Saque do ano 5 (60 meses): cerca de R$ 171,44.

Total recebido hoje: aproximadamente R$ 1.376. Total que sai do seu FGTS ao longo de cinco anos: R$ 2.500. A diferença — cerca de R$ 1.124 — são os juros. Na mesma simulação com três parcelas, você receberia cerca de R$ 993 hoje por R$ 1.500 cedidos (juros de cerca de R$ 507).

Ou seja: o quinto e o quarto anos são os mais caros. O saque do ano 5 rende só R$ 171 hoje por R$ 500 amanhã. É justamente essa “cauda” que a regra das três parcelas cortaria. O adiamento devolve a possibilidade de pegar mais dinheiro agora — mas é dinheiro caro.

Atenção: a simulação é hipotética. O valor real depende do seu mês de aniversário (se o próximo saque está a 2 meses ou a 11 meses de distância), da taxa efetivamente cobrada pelo banco (que pode ser menor que o teto de 1,8%), do IOF e das condições da instituição. Antes de assinar, peça o Custo Efetivo Total (CET) e compare o valor líquido que cai na conta com a soma dos saques que você está cedendo.

Calendário: as datas que importam até março de 2027

O saque-aniversário é liberado no primeiro dia útil do mês de aniversário e fica disponível até o último dia útil do segundo mês seguinte — cerca de 90 dias. Se o dinheiro não for retirado nesse prazo, volta para a conta do FGTS e só pode ser sacado no ano seguinte. Pelo calendário oficial divulgado pela Agência Brasil:

  • Hoje, sexta, 30/10/2026: último dia para os nascidos em agosto sacarem o saque-aniversário deste ano.
  • Sábado, 31/10: era o último dia para antecipar cinco anos pela regra antiga — deixou de ser prazo final com a decisão de 29/10.
  • Domingo, 1º/11: data em que o limite cairia para três parcelas — adiada.
  • Segunda, 2/11 (Finados): início da liberação para os nascidos em novembro, segundo o calendário oficial. Como é feriado nacional, agências e lotéricas fecham; o app FGTS funciona.
  • 30/11/2026: último dia para os nascidos em setembro.
  • 1º/12/2026: liberação para os nascidos em dezembro (até 26/2/2027).
  • 30/12/2026: último dia para os nascidos em outubro.
  • 29/1/2027: último dia para os nascidos em novembro.
  • 26/2/2027: último dia para os nascidos em dezembro.
  • 31/3/2027: nova data prevista para a redução para três parcelas — e data em que o conselho volta a discutir o tema.

Quem já antecipou o saque deste ano não recebe nada no mês de aniversário: o valor é repassado ao banco credor. É normal ver o saldo correspondente bloqueado no app.

Quadro com o que muda na antecipação do saque-aniversário do FGTS: regra antiga, regra adiada até 31 de março de 2027 e a de três parcelas, simulação hipotética de quanto o trabalhador recebe a 1,8% ao mês e calendário de saques de 30 de outubro de 2026 a 31 de março de 2027

O que muda, quanto se recebe numa simulação hipotética e as próximas datas. Quadro: Cantinho Verde Lar, cálculo próprio com regras divulgadas pela Agência Brasil, Valor, O Globo e Folha em 29 e 30/10/2026.

Tabela de alíquotas: quanto é o seu saque anual

A decisão do conselho não mexe na tabela que define o valor do saque anual. O cálculo soma o saldo de todas as contas do FGTS, aplica a alíquota da faixa e acrescenta a parcela adicional:

  • Até R$ 500: 50%, sem parcela adicional.
  • De R$ 500,01 a R$ 1.000: 40% + R$ 50.
  • De R$ 1.000,01 a R$ 5.000: 30% + R$ 150.
  • De R$ 5.000,01 a R$ 10.000: 20% + R$ 650.
  • De R$ 10.000,01 a R$ 15.000: 15% + R$ 1.150.
  • De R$ 15.000,01 a R$ 20.000: 10% + R$ 1.900.
  • Acima de R$ 20.000: 5% + R$ 2.900.

Exemplos de conta: saldo de R$ 1.000 → 40% (R$ 400) + R$ 50 = R$ 450; saldo de R$ 3.000 → 30% (R$ 900) + R$ 150 = R$ 1.050; saldo de R$ 12.000 → 15% (R$ 1.800) + R$ 1.150 = R$ 2.950. Quem tem saque anual menor que R$ 500 consegue antecipar menos por ano, porque o banco só pode ficar com o que você efetivamente teria a receber.

Exemplos (hipotéticos) para decidir

Exemplo 1 — Joana, 34 anos, nasceu em março, saldo de R$ 4.000. O saque anual dela é de 30% × R$ 4.000 + R$ 150 = R$ 1.350. Ela tem uma dívida no cartão de crédito rotativo, que cobra juros muito acima de 1,8% ao mês. Para Joana, trocar a dívida do rotativo por uma antecipação pode fazer sentido — desde que ela use o dinheiro para quitar o cartão, e não para gastar, e saiba que, se for demitida, não vai sacar o saldo. Com o adiamento, ela pode ceder até cinco anos; mas, se dois ou três anos já resolvem a dívida, não há motivo para ceder os anos mais caros.

Exemplo 2 — Paulo, 28 anos, nasceu em novembro, saldo de R$ 800. O saque anual dele é de 40% × R$ 800 + R$ 50 = R$ 370. Ele quer antecipar para comprar um celular. Paulo recebe o saque deste ano a partir de 2/11 e tem até 29/1/2027 para retirar. Antecipar cinco anos de R$ 370 para consumo vai custar caro e travar o FGTS dele por meia década. A alternativa mais barata é simplesmente sacar o valor deste ano, sem juros.

Exemplo 3 — Dona Rita, 52 anos, trabalha com carteira assinada numa empresa que está demitindo. Ela está no saque-rescisão. Um correspondente oferece “dinheiro rápido do FGTS” se ela mudar para o saque-aniversário. Se Rita mudar e for demitida, perde o direito de sacar o saldo integral — recebe só a multa de 40%. E a volta para o saque-rescisão só tem efeito depois de um prazo de carência (de 24 meses, pela regra do FGTS que vale para quem pede o retorno; confira no app). Para quem tem risco de demissão, a troca pode ser uma armadilha.

Esses três casos são ilustrativos e não substituem a simulação no app do FGTS e no banco.

Vale a pena antecipar agora?

Não existe resposta única, mas há critérios honestos:

  • Pode fazer sentido se você vai usar o dinheiro para quitar uma dívida mais cara (rotativo do cartão, cheque especial, empréstimo pessoal com juros acima de 1,8% ao mês) e tem certeza de que não vai voltar a se endividar nela.
  • Costuma não fazer sentido para consumo (celular, viagem, compras de fim de ano), para “sobrar dinheiro” ou para cobrir um mês apertado que vai se repetir no mês seguinte.
  • Cuidado redobrado se o seu emprego está instável: quem está no saque-aniversário não saca o saldo na demissão, e o saldo dado em garantia fica bloqueado.
  • Compare com outras linhas: o consignado, o crédito com garantia e até a renegociação direta da dívida podem sair mais baratos. Desde outubro, o Banco Central mudou regras de oferta de crédito para quem está endividado — vale ler o nosso resumo antes de assinar qualquer contrato.
  • Não ceda o máximo só porque pode. O adiamento aumenta o limite disponível, não a sua necessidade. Os anos 4 e 5 são os que mais perdem valor com os juros.

Uma vantagem prática do adiamento: a corrida de 31/10 acabou. Você pode simular com calma, comparar o CET de três ou quatro bancos e decidir em novembro, dezembro ou no começo de 2027, antes da nova data de 31/3/2027.

Passo a passo para simular e contratar com segurança

  1. Abra o aplicativo FGTS (oficial, gratuito, da Caixa). Confira o saldo de cada conta, a modalidade em que você está (saque-aniversário ou saque-rescisão) e o valor disponível.
  2. Verifique a carência: se você aderiu ao saque-aniversário há menos de 90 dias, ainda não pode antecipar.
  3. Veja se já existe antecipação ativa. Se houver, uma nova operação só é possível depois da quitação da vigente.
  4. Simule nos apps dos bancos em que você já é cliente. Anote, para cada um, o valor líquido que cai na conta, a quantidade de anos cedidos, a taxa mensal e o CET.
  5. Autorize a consulta só para o banco escolhido, dentro do app FGTS (opção de autorizar bancos a consultarem o saldo). Não autorize instituições que você não conhece.
  6. Leia o contrato antes de assinar e confirme se o valor e os anos batem com a simulação.
  7. Guarde comprovantes: contrato, print da simulação e do CET.
  8. Depois de contratar, acompanhe no app FGTS o bloqueio do saldo e os repasses anuais ao banco.

Golpes do “FGTS liberado”: como se proteger

Toda mudança de regra no FGTS vira isca. Nos próximos dias, é provável que circulem mensagens do tipo “última chance de antecipar 5 anos”, “FGTS liberado hoje” ou “regra nova: saque seu saldo inteiro”. Sinais de alerta:

  • Links por SMS, WhatsApp ou redes sociais pedindo para “atualizar o cadastro” ou “liberar o saque”. A Caixa não manda link para saque.
  • Pedido de pagamento antecipado (“taxa de liberação”, “seguro”, “imposto”) para receber o dinheiro. Antecipação legítima não cobra nada adiantado.
  • Pedido de senha, código do app ou foto do rosto por telefone ou mensagem.
  • Pressão de prazo (“só até hoje”). Com o adiamento, nenhum prazo de 31/10 vale mais para a antecipação.
  • Aplicativos fora das lojas oficiais ou com nome parecido com o do FGTS.

Na dúvida, use apenas o aplicativo oficial do FGTS, o site fgts.gov.br, o app do seu banco ou os canais oficiais de atendimento da Caixa. Se caiu num golpe via Pix, avise o banco imediatamente e registre boletim de ocorrência.

Quem deve prestar mais atenção

  • Quem estava se preparando para contratar até 31/10 para garantir cinco anos: não precisa mais correr.
  • Quem já tem antecipação ativa: nada muda no seu contrato atual; a nova regra afeta contratações futuras.
  • Quem nasceu em novembro: o saque de 2026 abre em 2/11; se você antecipou o saque deste ano, ele vai para o banco.
  • Quem nasceu em agosto e ainda não sacou: hoje (30/10) é o último dia.
  • Quem pensa em mudar do saque-rescisão para o saque-aniversário só para antecipar: pese o risco de demissão.
  • Trabalhadores de baixa renda (até quatro salários mínimos), que são a maioria dos afetados, segundo a Caixa.

Checklist: o que fazer agora

  • ☐ Abrir o app FGTS e conferir saldo, modalidade e valor do saque anual.
  • ☐ Se nasceu em agosto: sacar hoje (30/10), se ainda não sacou.
  • ☐ Se nasceu em novembro: anotar a liberação em 2/11 e o prazo até 29/1/2027.
  • ☐ Riscar da agenda o “último dia 31/10” para antecipar cinco anos.
  • ☐ Antes de antecipar, listar suas dívidas e os juros de cada uma.
  • ☐ Simular em pelo menos dois bancos e comparar o valor líquido e o CET.
  • ☐ Ceder só os anos necessários (os anos 4 e 5 são os mais caros).
  • ☐ Lembrar: no saque-aniversário, a demissão só libera a multa de 40%.
  • ☐ Acompanhar a publicação da nova resolução no Diário Oficial da União.
  • ☐ Marcar 31/3/2027 na agenda: nova decisão sobre três ou cinco parcelas.
  • ☐ Ignorar links e “taxas de liberação” recebidos por mensagem.

Perguntas frequentes

1. A regra das três parcelas foi cancelada?
Não. Ela foi adiada para 31/3/2027. Em março, o conselho decide se mantém cinco parcelas ou se reduz para três, segundo o ministro Luiz Marinho.

2. Posso antecipar cinco anos em novembro?
Pela decisão do Conselho Curador, sim, até 31/3/2027. Como a resolução ainda depende de parecer jurídico e publicação no Diário Oficial, alguns bancos podem levar alguns dias para ajustar os sistemas. Se o seu banco mostrar só três anos, aguarde e confira de novo.

3. Quanto posso antecipar, no máximo?
Cada saque anual cedido vale de R$ 100 a R$ 500. Com cinco anos, a soma cedida pode chegar a R$ 2.500 — mas o valor que cai na sua conta é menor, por causa dos juros (na simulação hipotética do Cantinho, cerca de R$ 1.376 a 1,8% ao mês, antes de IOF).

4. Os juros mudaram?
Não. O teto continua em 1,8% ao mês.

5. Quem já antecipou é afetado?
O contrato em vigor segue as condições já assinadas. A decisão vale para novas contratações.

6. A tabela de alíquotas mudou?
Não. O valor do saque anual continua calculado pela mesma tabela (de 50% a 5% do saldo, mais a parcela adicional).

7. Se eu for demitido, recebo o FGTS?
Quem está no saque-aniversário recebe só a multa rescisória de 40%; o saldo fica na conta. Se houver antecipação, a parte dada em garantia continua bloqueada.

8. Posso sacar o saque-aniversário de novembro no feriado de 2/11?
O calendário oficial marca a liberação a partir de 2/11. Pelo app FGTS, a transferência para a conta pode ser pedida; agências e lotéricas estão fechadas no feriado e reabrem em 3/11. Se o valor não aparecer no dia 2, confira de novo no primeiro dia útil.

9. Hoje (30/10) as agências estão abertas?
O Dia do Servidor Público é ponto facultativo no serviço público federal (as agências do INSS, por exemplo, não abrem hoje), mas não é feriado bancário. Para o FGTS, o app funciona normalmente.

10. O que fazer se receber mensagem dizendo que meu FGTS foi liberado?
Não clique. Consulte apenas o app oficial do FGTS ou o site fgts.gov.br.

O que observar nos próximos meses

Três sinais vão dizer o que acontece em março de 2027: a publicação da resolução no Diário Oficial (que formaliza o adiamento); os dados de contratação que o Ministério do Trabalho e a Caixa apresentarem ao conselho (se o volume voltar a subir muito, cresce a pressão pelas três parcelas); e o diálogo com o Congresso, citado pelo ministro como motivo para o adiamento. O Cantinho vai acompanhar e atualizar o calendário.

Enquanto isso, a melhor estratégia para a maioria das famílias continua sendo a mais simples: sacar o próprio saque anual no mês certo, sem juros, e usar a antecipação só quando ela substitui uma dívida mais cara. Quem decidir antecipar deve fazê-lo de olhos abertos — sabendo quanto entra, quanto sai e o que se perde na demissão.

Fontes

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Cadeira Aeron, da Herman Miller — modelo que aparece em lotes do leilão (foto ilustrativa, não é um item do lote). Foto: Cubicle Sherpa, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

O Banco Master virou sinônimo de escândalo financeiro, prisão de banqueiro e o maior socorro da história do Fundo Garantidor de Créditos. Agora, o que sobrou dos escritórios do banco e do Will Bank está à venda — e qualquer pessoa com CPF pode dar lance. A plataforma de leilões online Kwara abriu o evento “Grande Desativação de Sede de Banco” (K-3136), com mais de 440 lotes de móveis de grife, televisores de 98 polegadas, notebooks, cadeiras Herman Miller e peças de decoração. Os lances iniciais vão de R$ 21 (um lote de equipamentos de informática) a R$ 98 mil (cerca de 20 cadeiras Cosm, da Herman Miller), e o encerramento está marcado para segunda-feira, 9 de novembro, a partir das 9h30.

O assunto explodiu nas buscas do Google nesta sexta-feira (30/10) depois que g1 e CNN Brasil mostraram a lista de itens. A curiosidade é natural — quem não quer saber quanto custa a cadeira em que se sentava a diretoria de um banco liquidado? Mas, antes de clicar em “dar lance”, vale entender as regras: o preço que aparece não é o preço final, os bens são vendidos no estado em que se encontram, sem garantia e sem troca, a retirada é presencial em Taboão da Serra (SP) e a venda ainda pode ser recusada pelo vendedor depois do leilão. E, como todo assunto que viraliza, este também atrai golpistas com sites falsos de leilão.

Neste guia do Cantinho você encontra: o que está à venda, o calendário completo (lances, visita, habilitação, encerramento, pagamento e retirada), a conta do custo real com a comissão do leiloeiro, um passo a passo para participar com segurança, os sinais de golpe e — para quem tinha dinheiro aplicado no Master, no Will ou no Pleno — o que fazer para resgatar a garantia do FGC que ainda está parada.

Resumo em 30 segundos

  • O quê: leilão online de móveis, eletrônicos e decoração do Banco Master e da Will Financeira (Will Bank), evento K-3136 da Kwara.
  • Quantos lotes: mais de 440 (a CNN fala em “mais de 447 lotes”).
  • Preços iniciais: de R$ 21 a R$ 98 mil. TV LG de 98" a partir de R$ 10.990; notebooks a partir de R$ 672; sofá de linho a partir de R$ 700.
  • Encerramento: segunda, 9/11/2026, a partir das 9h30 (horário de Brasília); os lotes fecham em sequência — confira o cronômetro de cada um.
  • Custo extra: 5% de comissão do leiloeiro + despesa administrativa por lote (valor por faixa, no edital).
  • Visita: só com agendamento, no sábado 7/11, em horários fixos; não é permitido testar nem manusear os itens.
  • Retirada: em Taboão da Serra (SP), por conta do comprador, nos dias 12 e 13/11 (conforme a página dos lotes), com agendamento.
  • Atenção: o lance inicial não é necessariamente o preço mínimo; o vendedor tem até 5 dias úteis para aprovar ou recusar.
  • Golpes: desconfie de qualquer link que não seja kwara.com.br e de quem pede Pix para pessoa física.

Por que os móveis do Master estão indo a leilão

O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição operava sob risco por causa do alto custo de captação — vendia CDBs com juros muito acima do mercado — e da exposição a ativos arriscados. Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Em seguida vieram as liquidações de outras instituições ligadas ao grupo: o Will Bank, liquidado em janeiro de 2026, e o Banco Pleno (ex-Voiter), em fevereiro, que já não fazia parte do conglomerado quando foi liquidado.

O caso também saiu da esfera financeira: o dono do banco, Daniel Vorcaro, está preso desde março, a Polícia Federal investiga supostas fraudes, e o Congresso protocolou em fevereiro o pedido de uma CPMI para apurar o caso. No Supremo, o processo teve capítulos sobre sigilo e acesso a provas, que o Cantinho acompanhou em setembro.

Quando um banco é liquidado, ele deixa de funcionar e passa a ser administrado por um liquidante, cuja tarefa é vender o que existe para pagar, na ordem prevista em lei, as dívidas da instituição. Sedes desativadas significam escritórios cheios de mesas, cadeiras, televisores, computadores e objetos de decoração que perdem a função — e é isso que chega agora ao público. Segundo a CNN Brasil, o leilão foi colocado pelo Banco Master junto com a Will Financeira; a leiloeira oficial indicada é Alessandra Cavalcanti Antunes.

Uma observação importante: a venda dos móveis não muda nada para quem tinha dinheiro aplicado no banco e já recebeu (ou ainda vai receber) pelo FGC. A garantia do fundo é paga com recursos do próprio FGC, e o resgate continua sendo feito pelo aplicativo oficial. Falaremos disso mais abaixo.

O que está à venda (e por quanto, por enquanto)

A lista é grande e mistura peças de design conhecidas com itens bem comuns de escritório. Os destaques divulgados pelo g1, pela CNN Brasil e pela própria página do leilão:

  • Lote 001 – aproximadamente 20 cadeiras Cosm (média), da Herman Miller: lance inicial de R$ 98.000, o lote mais caro do evento. Até a tarde desta sexta, ainda sem lance.
  • Lote 002 – caixa bar Pietra, da Artefacto: inicial de R$ 12.600; já havia lances e o valor atual estava em R$ 12.660.
  • Lote 004 – cerca de 10 cadeiras Verus Interweave, da Herman Miller: valor atual de R$ 14.540 na consulta.
  • Lotes 005 e 011 – televisores LG de 98 polegadas (modelo UH5J): R$ 10.990 cada.
  • Lotes 006 e 014 – conjuntos de 4 cadeiras Sayl, da Herman Miller: valores atuais em torno de R$ 7.000.
  • Lote 013 – TV Samsung de 55 polegadas: R$ 1.925.
  • Lote 018 – 2 cadeiras Aeron, da Herman Miller: valor atual de R$ 9.060 na consulta.
  • Lote 019 – 4 cadeiras Brno, cor caramelo (desenho clássico de Mies van der Rohe): R$ 1.540.
  • Lotes 012, 015 e 017 – sofás com chaise Fernando Jaeger, desmontados: a partir de R$ 2.800.
  • Lote 283 – sofá de linho: a partir de R$ 700.
  • Lote 292 – cerca de 30 itens de decoração: a partir de R$ 6.230.
  • Lote 242 – equipamentos de informática: R$ 21, o mais barato da lista.
  • Notebooks em vários lotes, a partir de R$ 672; estações de trabalho para 4, 6, 8 e 10 pessoas; poltrona Tetê (Sergio Rodrigues) a R$ 5.600; Owl Labs Meeting Pro a R$ 546; congelador Philco a R$ 947.

Os valores acima são os que apareciam na página do evento e nas reportagens nesta sexta-feira (30/10). Eles mudam a cada lance e tendem a subir bastante nos últimos minutos — é assim em praticamente todo leilão online. O lote 010, por exemplo, já tinha 35 lances e mais de 3 mil visitas na tarde de hoje.

“Mobiliário milionário”: quanto essas peças custam novas

O g1 fez uma comparação que ajuda a entender o tamanho do mobiliário. Alguns lotes reúnem pelo menos 28 cadeiras Cosm, anunciadas no site oficial da Herman Miller por R$ 17.046 cada, sem desconto. Outros dois lotes têm cerca de 35 cadeiras Verus Interweave, anunciadas a R$ 6.455 a unidade. Somadas pelo preço de tabela atual, essas 63 cadeiras passariam de R$ 700 mil — o que não quer dizer que o banco pagou isso por elas.

Fazendo a conta por cadeira, o lote 001 (aprox. 20 Cosm por R$ 98 mil) sai a cerca de R$ 4.900 por unidade no lance inicial — ou R$ 5.145 com a comissão de 5%, antes da despesa administrativa. É menos de um terço do preço de tabela da peça nova. Mas lembre: são 20 cadeiras de uma vez, usadas, sem garantia, para retirar em Taboão da Serra. Para quem precisa de uma cadeira só, a conta não fecha; para uma empresa montando escritório, pode fechar.

Calendário: as datas que importam

QuandoO que aconteceO que você precisa fazer
Já (desde 30/10)Lances abertos na página K-3136 da KwaraCadastro no site com documento oficial com foto; ler o edital
Até qua. 4/11 (recomendado)Prazo prático para agendar a visitaA Kwara exige agendamento com no mínimo 48 horas úteis de antecedência
Sáb. 7/11Visitação em grupo (cerca de 45 min), em Taboão da SerraChegar no horário: 9h15, 10h45, 13h15 ou 14h45; não é permitido testar nem manusear
Até 1 hora antes do inícioFim do prazo de habilitaçãoPedir habilitação na página do leilão (sem ela, não dá para dar lance)
Seg. 9/11, a partir das 9h30Encerramento dos lotes, em sequênciaAcompanhar o cronômetro de cada lote ou deixar lance automático com teto
Até 5 dias úteis depois (até 16/11)Vendedores analisam as ofertasAguardar aprovação: a venda pode ser recusada se o lance ficar abaixo do mínimo
Até 1 dia útil após a cobrançaPagamentoPagar pela plataforma (Pix ou outras formas aceitas), lance + 5% + despesa
Qui. 12 e sex. 13/11Retirada (conforme a página dos lotes)Agendamento enviado pela Kwara; retirar todos os lotes de uma vez

Observação: as datas de visita e de retirada aparecem ao lado de cada lote e podem variar. Há uma aparente sobreposição entre o prazo de análise (até 5 dias úteis) e a retirada em 12–13/11 — na dúvida, confirme com a Kwara antes de dar lance. A página do evento acessada de fora do Brasil exibia “a partir das 12:30”, o que corresponde a 9h30 em Brasília (horário em UTC); o g1 informa 9h30.

Quanto custa de verdade: lance + 5% + despesa

Este é o ponto que mais pega quem nunca participou de leilão. Pelas regras da Kwara, em todos os leilões são cobradas duas taxas por lote, além do valor do lance:

  1. Comissão do leiloeiro: 5% sobre o valor de arremate, paga ao leiloeiro oficial.
  2. Despesa administrativa por lote: um valor que varia conforme a faixa de arrematação e está descrito no edital do leilão. Ou seja, quem arremata vários lotes paga a despesa em cada um deles.

Além disso, há custos que não aparecem na tela: frete (a retirada é responsabilidade do comprador), montagem (os sofás Fernando Jaeger, por exemplo, estão desmontados), eventual conserto e o seu tempo para ir até Taboão da Serra. Veja o efeito só da comissão nos preços iniciais divulgados:

Tabela com o custo real de lotes do leilão do Banco Master: lance inicial, comissão de 5% do leiloeiro e total antes da despesa administrativa, de R$ 21 a R$ 98 mil, com o calendário de visita em 7 de novembro, encerramento em 9 de novembro e retirada em 12 e 13 de novembro

Lance inicial + 5% de comissão, antes da despesa administrativa por lote (valor no edital) e do frete. Quadro: Cantinho Verde Lar, cálculo próprio com preços divulgados em 30/10/2026 pela Kwara, g1 e CNN Brasil.

Repare: na TV de 98", a comissão sozinha soma R$ 549,50 se o lance ficar no valor inicial. No lote das 20 cadeiras, são R$ 4.900 só de comissão. E, se a disputa empurrar o preço para cima, a comissão sobe junto, porque é percentual.

Dica prática: antes de dar qualquer lance, defina o seu teto total — quanto você aceita pagar com tudo incluído — e trabalhe de trás para frente. Se o máximo que você topa gastar numa TV, já com frete, é R$ 13.000, e o frete até sua casa sai R$ 400, sobram R$ 12.600 para lance + comissão + despesa. Desconte a despesa do edital e divida o resto por 1,05: esse é o seu lance máximo. Nunca dê lance pensando só no número da tela.

Compare com o preço do produto novo

Leilão só compensa se o desconto cobrir os riscos. Para eletrônicos, pesquise o mesmo modelo novo em lojas grandes e em sites de comparação. Um televisor novo vem com nota fiscal, garantia de fábrica de pelo menos 90 dias (garantia legal do Código de Defesa do Consumidor) e, em geral, entrega em casa. No leilão, não há garantia de funcionamento, não há troca e pode faltar controle remoto, cabo ou suporte. Se a diferença de preço for pequena, a compra nova costuma sair mais segura — ainda mais com a Black Friday chegando em 27/11.

Para móveis de grife, a comparação é diferente: o preço novo é muito alto e a peça dura décadas. Uma cadeira de escritório de alto padrão usada, em bom estado, pode ser um bom negócio — desde que você confira na visita se há rasgos na tela, rodízios quebrados ou pistão com defeito.

Passo a passo para participar com segurança

  1. Entre só pelo endereço oficial. Digite kwara.com.br no navegador e procure o evento K-3136 – “Grande Desativação de Sede de Banco – Móveis, Decoração e Eletrônicos”. Não clique em links recebidos por WhatsApp, SMS ou anúncio patrocinado.
  2. Faça o cadastro. A plataforma pede dados pessoais e envio de documento oficial com foto. O uso do site é gratuito; só paga quem arremata.
  3. Leia o edital inteiro. Lá estão a despesa administrativa por faixa de valor, as multas por desistência, as regras de pagamento e de retirada. Ao participar, você concorda com tudo isso.
  4. Peça habilitação no leilão com pelo menos uma hora de antecedência do início do evento. Sem habilitação, o botão de lance não funciona.
  5. Agende a visita se o lote for caro ou se o estado importar (eletrônicos, estofados). Na visita do dia 7/11 não se pode testar nem tocar, mas dá para ver arranhões, manchas, peças faltando e etiquetas de modelo.
  6. Defina seu teto e use o lance automático. A Kwara permite programar um valor máximo: o sistema cobre os lances dos concorrentes em incrementos (a CNN fala em lances que superem o atual em R$ 20) até atingir o seu limite. Isso evita a “febre do leilão” nos minutos finais.
  7. Acompanhe o horário de cada lote. Os lotes não fecham todos ao mesmo tempo. O horário aparece no mostruário de cada bem.
  8. Espere a aprovação. O lance inicial não é, necessariamente, o preço mínimo de venda. Os vendedores têm até cinco dias úteis para aceitar ou recusar a oferta.
  9. Pague só pela plataforma. Pelos termos de uso, todos os pagamentos são feitos pela própria plataforma. A CNN informa que o depósito deve ser feito em até um dia útil, por Pix ou outras formas aceitas.
  10. Organize a retirada. Leve transporte adequado (uma TV de 98" não cabe em carro de passeio), ajudantes e ferramentas. A Kwara exige que todos os lotes sejam retirados de uma única vez.
Grupo de deputados e senadores em pé atrás de um púlpito com microfones de emissoras no Congresso Nacional, em Brasília, durante entrevista coletiva sobre o pedido de abertura da CPMI do Banco Master, com parede de azulejos azuis e brancos ao fundo

Parlamentares anunciam o pedido de abertura da CPMI do Banco Master, no Congresso, em 3/2/2026. Foto: Senado Federal, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

As regras da retirada (leia antes de arrematar)

A parte logística é onde muita gente se arrepende. Segundo a página dos lotes na Kwara:

  • Local: Jardim Triângulo, em Taboão da Serra (SP), na Grande São Paulo. Não há entrega: buscar é responsabilidade do comprador.
  • Dias: apenas 12 e 13/11/2026, das 9h às 12h e das 13h às 16h, mediante agendamento prévio enviado pela equipe da Kwara.
  • Tudo de uma vez: todos os lotes arrematados devem ser retirados numa só ida. O atendimento é por ordem de chegada, mesmo com agendamento, e pode atrasar.
  • Almoço: o local fecha às 12h; quem chegar depois das 11h30 pode ter de esperar até as 13h.
  • Vestimenta e acesso: é proibida a entrada de menores de 18 anos, pets e pessoas com bolsas, mochilas, sacolas, bonés, regatas, shorts, chinelos, sapatos abertos ou camisas de times.
  • Só retira quem pagou tudo: pelos termos de uso, qualquer pendência — inclusive de outro lote do mesmo comprador — autoriza a plataforma a segurar a entrega.

Se você mora longe de São Paulo, some ao custo a viagem ou um frete contratado. Para uma TV de 98 polegadas ou um sofá com chaise, um carreto com seguro e dois ajudantes pode custar algumas centenas de reais — peça orçamento antes de dar o lance.

Os riscos de comprar “no estado em que se encontra”

O edital é claro: os itens podem ter sinais de uso, avarias, ausência de peças e componentes, além de senhas e códigos de bloqueio. Na prática, isso significa:

  • Notebooks e computadores podem vir com BIOS bloqueada, sem carregador, sem disco ou com gerenciamento corporativo ativo. Um notebook “barato” que não liga sem a senha da empresa pode virar sucata.
  • Televisores podem estar sem controle, sem pés ou suporte, com pixels mortos ou riscos na tela — e você não pode ligar para testar na visita.
  • Cadeiras podem ter tela rasgada, braço solto ou pistão cansado. Peças de reposição de marcas de grife são caras.
  • Sofás desmontados exigem montagem e podem chegar com parafusos faltando.
  • Sem troca, sem devolução, sem garantia. O Código de Defesa do Consumidor tem aplicação limitada em compras de bens usados em leilão vendidos “no estado”, e o direito de arrependimento das compras online não costuma valer nesse formato — leia o edital sobre desistência e multa.

E há a multa: pelos termos de uso da Kwara, deixar de pagar um arremate pode gerar multa, juros, correção e até inclusão do nome em cadastros como Serasa e SPC, além de bloqueio na plataforma. Lance em leilão é compromisso, não “reserva”.

Atenção aos golpes de falso leilão

Todo leilão que ganha manchete vira isca. Os golpes de “leilão falso” seguem padrões conhecidos — não são casos verificados ligados a este evento, mas valem como alerta:

  • Site clone com logotipo parecido e endereço levemente diferente (letras trocadas, “.net”, “.online”, hífens extras).
  • Anúncio patrocinado em rede social prometendo “TV de 98 polegadas do Banco Master por R$ 2.000 — últimas unidades”.
  • Contato por WhatsApp de um suposto “leiloeiro” dizendo que você ganhou e pedindo Pix para uma conta de pessoa física, ou uma “taxa de liberação”.
  • Boleto ou Pix com nome estranho no favorecido, que não bate com a plataforma.

Como se proteger: entre sempre digitando o endereço; confira se o leiloeiro oficial (Alessandra Cavalcanti Antunes) aparece no edital; pague apenas dentro da plataforma; nunca envie documento por WhatsApp para “agilizar”. A Kwara informa como canais oficiais o e-mail contato@kwara.com.br e o WhatsApp +55 (11) 5039-9339, com atendimento das 8h às 17h em dias úteis. Se cair num golpe, registre boletim de ocorrência, avise seu banco imediatamente e peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix.

E quem tinha dinheiro no Master, no Will ou no Pleno?

O leilão dos móveis é a parte curiosa da história. A parte que mexe de verdade com o bolso de milhões de brasileiros é a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os números mostram o tamanho do estrago:

  • Os pagamentos aos credores do Master, do Master de Investimento e do Letsbank começaram em 19 de janeiro de 2026, dois meses após a liquidação.
  • Até 10 de setembro, segundo o relatório do FGC noticiado pela Suno, o fundo já havia pago R$ 51,2 bilhões em garantias a cerca de 2,5 milhões de pessoas — R$ 40,2 bilhões só para o conglomerado Master; o restante para Will Bank, Banco Pleno e Simpala.
  • No balanço de meados de julho, o FGC informou que ainda havia cerca de R$ 1,2 bilhão a pagar a credores que não pediram ou não concluíram o resgate (o número inicial divulgado, R$ 1,8 bilhão, foi corrigido pelo próprio fundo).
  • Esse dinheiro parado não é corrigido pela inflação desde a liquidação: quanto mais demora, menor o poder de compra.

Quem tem direito e quanto

A garantia ordinária cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Entram aplicações como CDB, LCI, LCA, RDB, letras de câmbio, poupança e saldo em conta corrente. No caso do Will Bank, além da garantia do FGC, os clientes também receberam valores referentes aos depósitos em conta de pagamento, num processo à parte.

Como resgatar

  1. Baixe o aplicativo oficial do FGC na loja do seu celular (confira o desenvolvedor).
  2. Faça o cadastro com seus dados e a validação de identidade.
  3. Informe a conta para receber, em seu nome.
  4. Deixe as notificações ativadas: o FGC avisa quando precisa de informação adicional. Parte dos credores passa por verificações extras de segurança, o que pode atrasar.

O FGC não cobra taxa, não usa intermediários e não entra em contato por WhatsApp ou SMS. Qualquer mensagem oferecendo “liberar sua garantia do Master” mediante pagamento é golpe.

Exemplos (hipotéticos) para entender

Ana, 34 anos, home office em Osasco. Quer uma cadeira boa e se animou com o lote de 2 Aeron. O valor atual está em R$ 9.060, o que dá R$ 4.530 por cadeira, mais 5% e a despesa do lote. Ela mora a 15 minutos de Taboão da Serra, então o frete é barato. Mas precisa de uma cadeira só. Solução: combinar com uma colega, dividir o lote e retirar juntas — sabendo que o lote é arrematado em um único CPF e a responsabilidade pelo pagamento é dela.

Carlos, 52 anos, Recife. Viu um vídeo dizendo que dá para comprar uma TV de 98" “quase de graça”. Lance inicial de R$ 10.990, mais R$ 549,50 de comissão, mais despesa administrativa, mais ir a São Paulo buscar ou contratar frete interestadual para uma tela gigante, sem garantia de que liga. A conta dele chegou perto do preço de uma TV grande nova com entrega e garantia. Decidiu esperar a Black Friday.

Márcia, 41 anos, dona de uma pequena agência em São Paulo. Vai montar um escritório para 8 pessoas. As estações de trabalho para 8 lugares partiam de R$ 3.458, e as cadeiras Verus saem bem abaixo do preço de tabela. Para ela, que tem van e equipe, o leilão faz sentido. Ela visita no dia 7/11, define teto por lote e programa lances automáticos.

Seu José, 68 anos, aposentado. Tinha um CDB do Master e nunca entendeu como resgatar. O filho baixou o app do FGC, fez o cadastro e ativou as notificações. Antes, ele quase respondeu a um SMS que pedia “taxa de liberação” — golpe clássico.

Quem deve prestar mais atenção

  • Quem nunca participou de leilão: o modelo tem regras próprias (comissão, despesa, multa por desistência) que não existem numa loja.
  • Quem mora fora da Grande São Paulo: o frete pode anular o desconto.
  • Quem quer eletrônicos: sem teste e sem garantia, o risco é maior do que em móveis.
  • Pequenas empresas e escritórios: são o público para quem lotes grandes (20 cadeiras, estações de 10 lugares) fazem mais sentido.
  • Ex-clientes do Master, Will Bank ou Pleno: o mais importante não é o leilão, e sim conferir se a garantia do FGC já caiu.

Checklist: o que fazer agora

  • ☐ Acessar kwara.com.br digitando o endereço e localizar o evento K-3136.
  • ☐ Ler o edital: despesa administrativa por faixa, multa por desistência, pagamento e retirada.
  • ☐ Fazer o cadastro e enviar documento com foto com antecedência.
  • ☐ Escolher os lotes e anotar o horário de encerramento de cada um.
  • ☐ Pesquisar o preço do mesmo produto novo (e na Black Friday).
  • ☐ Pedir orçamento de frete/carreto até Taboão da Serra.
  • ☐ Calcular o teto total: lance + 5% + despesa + frete + montagem.
  • ☐ Agendar a visita de 7/11 (mínimo de 48 horas úteis antes).
  • ☐ Pedir habilitação no leilão até 1 hora antes do início.
  • ☐ Programar lance automático com o seu teto, sem passar dele.
  • ☐ Se arrematar: pagar só pela plataforma, no prazo, e guardar comprovantes.
  • ☐ Combinar a retirada em 12 ou 13/11, com transporte e ajudantes, levando todos os lotes de uma vez.
  • ☐ Tinha dinheiro no Master/Will/Pleno? Abrir o app do FGC e conferir o status do pedido.
  • ☐ Ignorar qualquer mensagem por WhatsApp/SMS sobre “liberação” de leilão ou garantia.

Perguntas frequentes

Qualquer pessoa pode participar do leilão do Banco Master?

Sim. Basta ser maior de idade, fazer cadastro na Kwara com documento oficial com foto e pedir habilitação no evento com pelo menos uma hora de antecedência do início.

Quando termina o leilão?

Na segunda-feira, 9 de novembro de 2026, a partir das 9h30 (horário de Brasília). Os lotes encerram em sequência; o horário de cada um aparece na página do lote.

O valor que aparece é o que eu pago?

Não. Somam-se 5% de comissão do leiloeiro e uma despesa administrativa por lote, definida no edital por faixa de valor. Frete e montagem ficam por sua conta.

Se eu der o maior lance, o item é meu?

Não automaticamente. O lance inicial não é necessariamente o preço mínimo, e os vendedores têm até cinco dias úteis para aprovar ou recusar a venda.

Posso testar a TV ou o notebook antes?

Não. A visita, com agendamento, permite apenas ver os itens; não é permitido testar nem manusear. Os bens são vendidos no estado em que se encontram, sem garantia de funcionamento.

A Kwara entrega em casa?

Não. A retirada é em Taboão da Serra (SP), por conta do comprador, nos dias informados na página do lote (12 e 13/11), com agendamento e todos os lotes de uma vez.

Posso desistir depois de arrematar?

Desistir ou não pagar pode gerar multa, juros, correção e até negativação do nome, conforme o edital e os termos de uso. Só dê lance se tiver certeza.

O dinheiro do leilão vai para quem tinha investimento no Master?

Em regra, o que se arrecada com a venda de bens de uma instituição em liquidação entra no processo de liquidação para pagar as dívidas na ordem legal. A garantia do FGC, porém, é paga à parte, pelo aplicativo do fundo, e não depende do leilão.

Ainda dá para resgatar a garantia do FGC?

Sim. Em julho o FGC informou que cerca de R$ 1,2 bilhão ainda aguardava credores que não pediram ou não concluíram o resgate. O pedido é feito pelo app oficial do FGC, sem custo.

Recebi mensagem dizendo que ganhei um item do Master. É verdade?

Desconfie. Confira diretamente na sua conta da Kwara, digitando o endereço no navegador. Nunca pague por link ou Pix enviado em mensagem.

Fontes

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13º salário 2026: 1ª parcela até 30/11, 2ª até 18/12 e, pela 1ª vez, sem IR para quem tem 13º de até R$ 5 mil — quanto cai em cada parcela, proporcional, comissões, doméstica, INSS, golpes + checklist

Atualizado em 30/10/2026 (15h, horário de Brasília). Fontes principais: Ministério do Trabalho e Emprego – regras e prazos do 13º; Receita Federal – redução do IR a partir de 2026 (inclusive no 13º); INSS – tabela de contribuição 2026; Valor Econômico (13/10/2026); Extra (22/10/2026).

Carteira de Trabalho e Previdência Social azul em primeiro plano, sobre uma pilha de carteiras, com uma pessoa preenchendo papéis ao fundo e texto sobre o 13º salário 2026: primeira parcela até 30 de novembro e segunda até 18 de dezembro

Carteiras de trabalho distribuídas em posto de atendimento ao trabalhador em Brasília (foto de arquivo, 2007). Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil, via Wikimedia Commons — CC BY 3.0 BR, adaptada com texto.

Novembro começa no domingo e, com ele, entra no mês do dinheiro extra mais esperado do ano: o 13º salário. Pela lei, a primeira parcela tem de cair até 30 de novembro — que em 2026 é uma segunda-feira — e a segunda, até 20 de dezembro, que este ano cai num domingo. Na prática, isso empurra o prazo da segunda parcela para sexta-feira, 18 de dezembro, porque a empresa não pode pagar depois do limite legal.

E 2026 tem uma novidade que mexe direto no bolso: é o primeiro 13º com a nova faixa de isenção do Imposto de Renda. A Lei 15.270/2025 zerou o IR de quem ganha até R$ 5 mil por mês, e a Receita Federal confirma que a redução também vale para o imposto cobrado no 13º. Para quem tem 13º de R$ 5 mil, isso significa R$ 312,89 a mais na segunda parcela em comparação com a regra antiga. Neste guia, o Cantinho mostra as datas, a conta de cada parcela, uma tabela com valores prontos, casos especiais (contratado no meio do ano, comissões, doméstica, aposentado do INSS), os golpes mais comuns desta época, um checklist e perguntas frequentes.

Resumo em 30 segundos

  • 1ª parcela: até segunda-feira, 30/11/2026. É, em regra, metade do salário do mês anterior, sem desconto de INSS ou de Imposto de Renda.
  • 2ª parcela: o prazo legal é 20/12, um domingo; por isso, deve sair até sexta-feira, 18/12/2026. É nela que saem o INSS e o IR do 13º inteiro — por isso ela é menor.
  • Novidade de 2026: 13º de até R$ 5.000 não paga IR; entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o imposto diminui; acima disso, nada muda.
  • Quem tem direito: empregado com carteira assinada (inclusive doméstico) que trabalhou pelo menos 15 dias no ano e não foi demitido por justa causa; também servidores, aposentados e pensionistas.
  • Proporcional: 1/12 por mês trabalhado; mês com 15 dias ou mais conta inteiro.
  • Comissões e horas extras: entram na conta pela média; o ajuste final vai até 10/1/2027.
  • Aposentados do INSS: a maioria já recebeu o 13º de 2026 em abril–junho; quem teve benefício concedido depois recebe a parte que falta no pagamento de novembro (24/11 a 7/12).
  • Golpe da época: mensagem com “consulte seu 13º” ou “libere seu 13º antecipado” é golpe. O 13º do trabalhador sai pela folha da empresa, sem cadastro em site nenhum.

Por que o 13º virou assunto agora

A última semana de outubro é quando o 13º começa a aparecer nas buscas e nos noticiários: a folha de novembro é fechada nos próximos dias, muitas empresas pagam a primeira parcela junto com o salário de outubro ou no começo de novembro, e o comércio já se organiza para a Black Friday, marcada para 27 de novembro — três dias antes do prazo final da primeira parcela. Jornais como Valor Econômico (13/10) e Extra (22/10) já publicaram guias de prazos, e calculadoras on-line ganharam atualizações para a nova regra do Imposto de Renda.

O peso do 13º na economia é enorme. A última estimativa do Dieese, para 2025, foi de cerca de R$ 369,4 bilhões pagos a 95,3 milhões de pessoas, com valor médio de R$ 3.512 — o equivalente a aproximadamente 2,9% do PIB. A estimativa para 2026 ainda não foi divulgada (o Dieese costuma publicá-la em novembro), então não vamos inventar um número; o que se pode dizer com segurança é que, com a isenção nova, parte do dinheiro que antes ia para o IR na segunda parcela agora fica com o trabalhador.

Hoje também é dia de fechar contas antes do feriadão: sexta-feira (30/10) é ponto facultativo do Dia do Servidor federal — agências do INSS fechadas, bancos abertos — e segunda (2/11) é Finados, com bancos fechados. É um bom momento para planejar o que fazer com o 13º antes que ele caia.

O que é o 13º e quem tem direito

O décimo terceiro salário — oficialmente, “gratificação natalina” — existe desde 1962 (Lei 4.090) e tem o pagamento em duas parcelas regulado pela Lei 4.749, de 1965. Hoje ele é um direito garantido pela Constituição. Como explica o Ministério do Trabalho e Emprego, todos os empregados formais têm direito, de forma integral ou proporcional ao tempo trabalhado no ano.

Têm direito:

  • Empregados com carteira assinada no setor privado, inclusive em contrato de experiência, temporário e intermitente (neste último, o 13º proporcional costuma ser pago a cada convocação).
  • Empregados domésticos com carteira assinada (diarista sem vínculo não entra).
  • Trabalhadores avulsos, servidores públicos (com regras próprias de cada ente), aposentados e pensionistas.
  • Quem é demitido sem justa causa ou pede demissão recebe o 13º proporcional na rescisão.

Não têm direito: quem foi demitido por justa causa (perde o 13º proporcional daquele ano), autônomos, MEIs e prestadores de serviço sem vínculo, estagiários (salvo se o contrato prever algo parecido) e beneficiários de programas como o Bolsa Família, que não tem 13º nacional em 2026.

Como funcionam as duas parcelas

1ª parcela: metade, sem descontos

A primeira parcela é um adiantamento. A empresa pode pagá-la em qualquer momento entre 1º de fevereiro e 30 de novembro. O valor corresponde, em regra, a metade do salário do mês anterior ao pagamento (se a empresa paga em novembro, é metade do salário de outubro). Não há desconto de INSS nem de Imposto de Renda — a exceção é pensão alimentícia, quando a ordem judicial inclui o 13º.

Quem pediu, por escrito e até janeiro, para receber o adiantamento junto com as férias, e saiu de férias antes de novembro, provavelmente já recebeu a primeira parcela e não terá outra agora. O valor já pago será abatido na segunda parcela.

2ª parcela: o resto, menos INSS e IR

A segunda parcela completa o 13º. O cálculo é feito sobre o valor total do 13º (o salário de dezembro, no caso de quem trabalhou o ano todo), e dele se descontam: o que já foi pago na primeira parcela, o INSS do 13º inteiro e, se houver, o Imposto de Renda do 13º inteiro. Por isso a segunda parcela é sempre menor que a primeira.

Dois detalhes importantes, ambos oficiais:

  • O INSS do 13º é calculado separado do salário do mês. O próprio INSS orienta que o 13º não deve ser somado à remuneração mensal para enquadramento na tabela; aplica-se a alíquota sobre o valor em separado.
  • O IR do 13º é retido exclusivamente na fonte, também separado do salário de dezembro. Ele não entra no cálculo de restituição da declaração anual: o que é retido no 13º é definitivo.

Se você teve aumento entre o pagamento da primeira parcela e dezembro, a diferença é acertada na segunda parcela.

A novidade de 2026: IR zerado para 13º de até R$ 5 mil

A Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025, criou um mecanismo de redução do Imposto de Renda a partir de janeiro de 2026. Na prática:

  • Rendimento mensal de até R$ 5.000: a redução (de até R$ 312,89) zera o imposto.
  • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350: a redução é parcial e diminui conforme a renda se aproxima de R$ 7.350. A fórmula da Receita é R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento).
  • Acima de R$ 7.350: segue a tabela progressiva normal (7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%).

O ponto que interessa aqui: em sua orientação oficial às fontes pagadoras, a Receita Federal escreveu, com todas as letras, que “a redução do imposto também será aplicada no cálculo do imposto cobrado exclusivamente na fonte no pagamento do décimo terceiro salário”. Ou seja: o redutor é aplicado sobre o valor do próprio 13º. Quem tem 13º de até R$ 5 mil não paga IR nele; quem tem entre R$ 5 mil e R$ 7.350 paga menos.

Exemplo da própria Receita: para um rendimento de R$ 6.000, o imposto pela tabela seria de R$ 574,29 (usando o desconto simplificado); o redutor é de R$ 179,75. No 13º, calculando com a dedução do INSS, o imposto cai de R$ 564,85 para R$ 385,10 — os mesmos R$ 179,75 a menos.

Atenção: a isenção é do Imposto de Renda. O INSS continua sendo descontado normalmente na segunda parcela, pela tabela progressiva de 2026.

A conta passo a passo (com a tabela do INSS 2026)

Desde janeiro de 2026, valem as faixas da Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026 para empregados, domésticos e avulsos:

  • até R$ 1.621,00: 7,5%;
  • de R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84: 9%;
  • de R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27: 12%;
  • de R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 (teto): 14%.

As alíquotas são progressivas: cada percentual incide só sobre a parte do valor que está dentro da faixa. Veja a conta para um 13º de R$ 4.000 (ano completo, salário fixo, sem dependentes):

  1. 1ª parcela: R$ 4.000 ÷ 2 = R$ 2.000,00, sem desconto, até 30/11.
  2. INSS sobre R$ 4.000: 7,5% de R$ 1.621 (R$ 121,58) + 9% de R$ 1.281,84 (R$ 115,37) + 12% de R$ 1.097,16 (R$ 131,66) = R$ 368,60.
  3. Base do IR: R$ 4.000 − R$ 368,60 = R$ 3.631,40. Pela tabela, o imposto seria R$ 114,76.
  4. Redutor da Lei 15.270: como o 13º é de até R$ 5 mil, o imposto zera.
  5. 2ª parcela: R$ 4.000 − R$ 2.000 − R$ 368,60 − R$ 0 = R$ 1.631,40, até 18/12.

Total líquido do 13º: R$ 3.631,40. Pela regra antiga, seriam R$ 3.516,64 — diferença de R$ 114,76.

Tabela do 13º salário 2026 com salários de R$ 1.621 a R$ 8.000: primeira parcela, desconto de INSS, imposto de renda sem a lei nova e em 2026, e valor da segunda parcela; com o calendário de pagamento até 30 de novembro e até 18 de dezembro

Quanto cai em cada parcela do 13º em 2026 (ano completo, salário fixo, sem dependentes). Quadro: Cantinho Verde Lar, cálculo próprio com a tabela do INSS (Portaria MPS/MF 13/2026), a tabela mensal do IR e o redutor da Lei 15.270/2025 divulgado pela Receita Federal.

Alguns destaques da tabela:

  • Salário mínimo (R$ 1.621): 1ª parcela de R$ 810,50 e 2ª de R$ 688,92 (só sai o INSS de R$ 121,58).
  • R$ 5.000: o maior ganho com a lei nova — R$ 312,89 a mais. A 2ª parcela fica em R$ 1.998,49.
  • R$ 6.000 e R$ 7.000: ainda pagam IR, mas menos (R$ 385,10 e R$ 754,75, contra R$ 564,85 e R$ 801,35).
  • R$ 8.000 ou mais: nada muda no IR em relação à regra anterior.

Esses valores são uma referência. Dependentes (R$ 189,59 de dedução cada), pensão alimentícia, comissões, adicionais, faltas e meses incompletos alteram a conta. Na dúvida, compare com o holerite e peça ao RH a memória de cálculo.

Casos especiais

Contratado no meio do ano

Recebe o 13º proporcional: 1/12 do salário para cada mês trabalhado, contando como mês inteiro aquele em que trabalhou 15 dias ou mais. O MTE dá o exemplo: quem foi admitido até 15 de janeiro tem 13º integral; quem foi contratado em 10 de maio recebe 8/12 avos.

Comissões, horas extras e adicionais

Horas extras habituais, comissões e adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade entram no cálculo. Para remuneração variável, segundo o MTE, a primeira parcela usa a média de janeiro a novembro, a segunda completa até 11/12 avos e o ajuste final é feito até 10 de janeiro do ano seguinte (em 2027), com a média dos 12 meses.

Afastado pelo INSS ou em licença-maternidade

Durante o salário-maternidade, o 13º do período costuma ser pago pela empresa e compensado com o INSS. Já no afastamento por incapacidade (auxílio-doença) acima de 15 dias, a empresa paga a parte do ano em que você trabalhou e o INSS paga o abono anual proporcional ao tempo de benefício. Situações com afastamento longo merecem conferência com o RH.

Empregada doméstica

Tem os mesmos prazos: 1ª parcela até 30/11 e 2ª até o dia útil anterior a 20/12. O empregador deve lançar o 13º no eSocial Doméstico, que gera as guias de INSS e FGTS do 13º. O FGTS (8%) também incide sobre o 13º.

Aposentados e pensionistas do INSS

Em 2026, o governo antecipou o abono anual de cerca de 35 milhões de segurados: a primeira parcela foi paga entre 24 de abril e 8 de maio e a segunda entre 25 de maio e 8 de junho, num total de R$ 78,2 bilhões. Quem já recebia o benefício no início do ano não terá 13º em novembro. Segundo o Extra, segurados com benefícios concedidos depois desse período recebem o 13º no pagamento de novembro, de 24/11 a 7/12, conforme o final do cartão. Confira no Meu INSS, em “Extrato de pagamento”.

Demitido ou pediu demissão

O 13º proporcional entra nas verbas rescisórias, junto com o saldo de salário e as férias. Só quem é demitido por justa causa perde esse direito.

Calendário: as datas que importam

  • Hoje, sexta (30/10): ponto facultativo federal; agências do INSS fechadas, bancos abertos. Último dia do saque-aniversário do FGTS para quem nasceu em agosto.
  • Segunda (2/11): Finados — bancos sem atendimento presencial; Pix funciona.
  • Início de novembro: muitas empresas pagam a 1ª parcela junto com o salário ou no começo do mês.
  • 27/11 (sexta): Black Friday — cuidado para não gastar a 1ª parcela por impulso.
  • 30/11 (segunda): prazo final da 1ª parcela.
  • 24/11 a 7/12: pagamento do INSS de novembro (inclui o 13º de quem teve benefício concedido depois da antecipação).
  • 18/12 (sexta): prazo prático da 2ª parcela (20/12 é domingo).
  • 10/1/2027: ajuste final de quem tem comissão ou horas extras em dezembro.
Vista do alto da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, lotada de pessoas fazendo compras entre prédios, guarda-sóis azuis de ambulantes e toldos amarelos de lojas, em dia de sol

Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, um dos endereços mais procurados nas compras de fim de ano (foto de arquivo, 2011). Foto: Peter Louiz, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 3.0.

O que fazer com o 13º: uma ordem que protege o bolso

Não existe resposta única, mas há uma ordem de prioridades que costuma fazer sentido:

  1. Dívidas com juros altos primeiro. Rotativo do cartão, cheque especial e empréstimos caros comem qualquer rendimento. Usar o 13º para quitar ou renegociar essas dívidas é, quase sempre, o “investimento” com maior retorno. Programas de renegociação, como o Desenrola, podem dar descontos grandes.
  2. Contas do começo do ano. IPVA, IPTU, material escolar e matrícula chegam em janeiro e fevereiro. Separar parte do 13º agora evita entrar no vermelho depois das festas.
  3. Reserva de emergência. Se não tem, comece. Um lugar com liquidez diária e rendimento acima da poupança ajuda.
  4. Compras planejadas. Se a ideia é aproveitar a Black Friday, faça a lista antes e acompanhe o histórico de preços. Comprar parcelado contando com a 2ª parcela pode apertar o orçamento de janeiro.
  5. Previdência e investimentos. Para quem faz a declaração completa do IR, aportes em PGBL até 31/12 podem reduzir o imposto do ano; veja se faz sentido no seu caso.

Exemplos (hipotéticos) para entender

Ana, vendedora, salário fixo de R$ 2.500. Trabalhou o ano todo. Recebe R$ 1.250 na 1ª parcela (até 30/11). Na 2ª parcela, sai o INSS de R$ 200,69 e não há IR: ficam R$ 1.049,31. Se ela também tem comissões, a média entra na conta e pode haver ajuste até 10/1/2027.

Bruno, analista, salário de R$ 5.000. Primeiro 13º com a isenção nova. 1ª parcela de R$ 2.500. Na 2ª, desconta INSS de R$ 501,51 e IR zero: R$ 1.998,49. Pela regra antiga, o IR seria de R$ 312,89 — dinheiro que agora fica com ele.

Carla, contratada em 10 de maio, salário de R$ 3.000. Tem direito a 8/12 avos: 13º de R$ 2.000. A 1ª parcela deve ser proporcional (cerca de R$ 1.000). Na 2ª, o INSS sobre R$ 2.000 é de R$ 155,69, sem IR: sobram R$ 844,31.

Dona Maria, aposentada desde 2020. Já recebeu as duas parcelas do 13º em abril–junho, com a antecipação do INSS. Em novembro, recebe só o benefício normal. Se chegar mensagem dizendo que ela tem “13º extra” para liberar, é golpe.

Edu, gerente, salário de R$ 9.000. Acima de R$ 7.350, nada muda no IR: o desconto segue a tabela progressiva. O INSS para no teto (R$ 8.475,55), com contribuição máxima de cerca de R$ 988,09.

Nomes e situações são fictícios; valores calculados com as tabelas oficiais de 2026, sem dependentes.

Quem deve prestar mais atenção

  • Quem ganha entre R$ 2.500 e R$ 7.350: é a faixa que mais sente a diferença do IR no 13º. Confira se a 2ª parcela veio sem IR (até R$ 5 mil) ou com IR menor.
  • Quem tem duas fontes pagadoras: cada empresa aplica a regra sobre o próprio pagamento. A Receita alerta que, no ajuste anual, pode haver diferença a pagar para quem soma rendimentos de mais de uma fonte.
  • Quem recebe comissão ou faz horas extras: confira a média usada e o ajuste de janeiro.
  • Empregadores domésticos: organizem o caixa para pagar as duas parcelas e as guias do eSocial no prazo.
  • Quem está endividado: o 13º é a melhor chance do ano de sair do rotativo.

E se a empresa não pagar?

Atrasar ou não pagar o 13º é infração trabalhista. A empresa fica sujeita a autuação e multa administrativa pela fiscalização do trabalho, além de o trabalhador poder cobrar os valores. O que fazer:

  1. Converse com o RH e peça a data prevista por escrito.
  2. Procure o sindicato da categoria — muitas convenções coletivas trazem regras e multas próprias.
  3. Registre denúncia nos canais oficiais do Ministério do Trabalho ou procure a Superintendência Regional do Trabalho mais próxima, como orienta o MTE.
  4. Se necessário, a cobrança pode ser feita na Justiça do Trabalho.

Atenção aos golpes

Todo fim de ano, criminosos usam o 13º como isca. Os padrões mais comuns (não são casos verificados hoje, mas golpes recorrentes) são:

  • “Consulte o valor do seu 13º” / “13º liberado”: links por SMS, WhatsApp ou e-mail que pedem CPF, senha do gov.br ou dados bancários. O 13º do trabalhador é pago pela empresa, na folha; não existe consulta pública nem cadastro.
  • Falso INSS: mensagens oferecendo “13º extra” ou “revisão do 13º” para aposentados, cobrando taxa. O INSS não cobra para pagar benefício e não liga pedindo senha. Confira só no Meu INSS ou pelo 135.
  • Empréstimo “antecipação do 13º” com depósito antecipado: se pedem para você pagar uma taxa antes de liberar o dinheiro, é golpe. Antecipação legítima é contratada no seu banco, pelo app ou agência, com juros informados no contrato.
  • Falsas promoções de Black Friday: lojas e perfis falsos aproveitam o dinheiro extra. Desconfie de preços muito abaixo do mercado e de pagamento só por Pix para pessoa física.

Caiu em golpe com Pix? Avise o banco imediatamente e peça o MED (Mecanismo Especial de Devolução), registre boletim de ocorrência e troque senhas.

Checklist: o que fazer agora

  • ☐ Confirme com o RH a data da 1ª parcela (prazo: 30/11) e da 2ª (prazo: 18/12).
  • ☐ Veja se você já recebeu adiantamento nas férias — se sim, não haverá 1ª parcela em novembro.
  • ☐ Calcule seu 13º: salário ÷ 12 × meses trabalhados (15 dias ou mais contam como mês).
  • ☐ Se o 13º for de até R$ 5.000, confira se a 2ª parcela veio sem IR.
  • ☐ Confira o INSS no holerite pela tabela de 2026.
  • ☐ Aposentado do INSS? Veja o extrato no Meu INSS; a maioria já recebeu o 13º em abril–junho.
  • ☐ Liste dívidas com juros altos e decida quanto do 13º vai para elas.
  • ☐ Separe dinheiro para IPVA, IPTU e material escolar.
  • ☐ Faça a lista da Black Friday antes de 27/11.
  • ☐ Ignore links de “consulta do 13º” e nunca informe senhas.

Perguntas frequentes

Qual é o prazo da primeira parcela do 13º em 2026?
Até segunda-feira, 30 de novembro de 2026. A empresa pode pagar antes, a partir de fevereiro.

E da segunda parcela?
O prazo legal é 20 de dezembro, que em 2026 é domingo. Por isso, o pagamento deve sair até sexta-feira, 18 de dezembro; pagar na segunda (21) já seria atraso.

A empresa pode pagar o 13º em parcela única?
Pode, desde que pague o valor integral até 30 de novembro. Pagar tudo só em dezembro não é permitido, porque a 1ª parcela tem prazo até 30/11.

A 1ª parcela tem desconto?
Não. INSS e IR são descontados de uma vez na 2ª parcela, calculados sobre o 13º inteiro. A exceção é pensão alimentícia determinada pela Justiça que abranja o 13º.

A isenção do IR até R$ 5 mil vale para o 13º?
Sim. A Receita Federal informa que a redução do imposto também é aplicada no IR retido exclusivamente na fonte sobre o 13º. Até R$ 5 mil, o imposto zera; até R$ 7.350, diminui.

Por que a 2ª parcela é menor?
Porque é nela que saem todos os descontos (INSS e, se houver, IR) do 13º inteiro.

Quem trabalhou só alguns meses recebe?
Sim, proporcionalmente: 1/12 por mês trabalhado, contando como mês inteiro o que tiver 15 dias ou mais.

Aposentado do INSS recebe 13º em novembro?
Em geral, não: em 2026 o 13º foi antecipado para abril–junho. Só quem teve benefício concedido depois recebe a parte devida em novembro. Confira no Meu INSS.

Bolsa Família tem 13º?
Não há 13º do Bolsa Família em 2026. Desconfie de mensagens que prometam esse pagamento.

MEI tem 13º?
O MEI, como dono do negócio, não. Mas o empregado contratado pelo MEI tem direito normalmente.

O 13º entra na declaração do IR?
Sim, mas em campo próprio de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva. O imposto retido nele não é restituído na declaração.

A empresa não pagou até 30/11. E agora?
Fale com o RH, procure o sindicato e, se não resolver, denuncie ao Ministério do Trabalho. O atraso sujeita a empresa a multa.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação do RH, de um contador ou dos órgãos oficiais. Os valores da tabela são cálculos próprios do Cantinho com as tabelas oficiais de 2026, para salário fixo e sem dependentes; o seu caso pode ser diferente. A estimativa do Dieese citada é a de 2025, porque a de 2026 ainda não foi publicada. Os exemplos com nomes são fictícios.

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Atualizado em 30/10/2026 (20h, horário de Brasília). Fontes principais: Agência Brasil / Radioagência Nacional (29/10) ; Valor Econômico (29...