Neste sábado (19 de setembro de 2026), os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) realizaram atos de campanha em Santa Catarina, estado historicamente bolsonarista. Em Florianópolis, Lula declarou que quer acabar com as bets. Em Joinville, Flávio acusou o petista de tentar comprar votos com o reajuste do Bolsa Família. O confronto de agendas no mesmo dia resume a polarização a poucos dias do primeiro turno.
Por que Santa Catarina pesa na disputa
Em 2022, no segundo turno, Jair Bolsonaro (PL) obteve 69% dos votos em Santa Catarina contra Lula. Na pesquisa Quaest estadual divulgada em 24 de agosto de 2026, Flávio aparecia com 45% das intenções de voto e Lula com 20%, em levantamento com 804 entrevistados entre 20 e 23 de agosto (margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%).
No cenário nacional, a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17) apontou Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno — empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. No segundo turno, segundo o mesmo instituto, Lula tinha 46% e Flávio 44%. Ou seja: a disputa nacional está apertada, e cada estado-chave ganha peso simbólico e eleitoral.
Lula em Florianópolis: “quero acabar com as bets”
O presidente fez em Florianópolis seu primeiro ato de campanha no estado em 2026. No discurso, criticou o manifesto de clubes de futebol que pedem a continuidade do mercado regulado de apostas e relacionou as bets ao endividamento das famílias.
Segundo o g1, Lula afirmou: “Tomei uma decisão. Se depender da minha vontade, vou conversar com meu pessoal [do Ministério da] Fazenda, meu pessoal do BC [Banco Central], mas a verdade é que eu quero acabar com as bets.”
Em reportagens do Estadão sobre o mesmo ato, o petista reforçou que discute há cerca de dois meses o papel da “jogatina eletrônica” e disse que as bets levam muita gente ao endividamento. Ele também rebateu o argumento de que proibir apostas acabaria com o futebol, lembrando que a seleção brasileira foi campeã sem esse modelo de patrocínio.
Lula criticou o adversário sem citá-lo pelo nome, dizendo que a ideia do outro seria ganhar a eleição para tirar o pai da cadeia, enquanto ele quer ganhar para mantê-lo preso. Participaram do ato Gelson Merisio (PSB), candidato ao governo, e Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT), candidatos ao Senado.
Flávio em Joinville: crítica ao reajuste do Bolsa Família
Pela manhã, Flávio Bolsonaro fez comício em Joinville, no norte catarinense. O senador afirmou que o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira (17), seria tentativa de comprar o voto dos mais pobres.
Em fala divulgada pelo g1, Flávio disse: “Ele [Lula] foi e tentou comprar o voto dos mais pobres, dando R$ 90 de reajuste para o Bolsa Família. Que vergonha, Lula, que vergonha. O Bolsonaro triplicou, deu mais R$ 420 do que era a média do Bolsa Família; você deu R$ 90.”
O decreto eleva o piso do programa de R$ 600 para R$ 691. Segundo o Ministério do Planejamento, o custo em 2026 seria de R$ 5,8 bilhões; para 2027, o impacto nas despesas chegaria a cerca de R$ 22,7 bilhões. O reajuste não vale para os pagamentos de setembro; o primeiro repasse com o novo valor está previsto para 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno, caso haja segunda rodada. O governo nega motivação eleitoral; o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que houve espaço fiscal para o ajuste.
Flávio também prometeu levar à Presidência a discussão sobre licenciamento ambiental, afirmando que a burocracia trava empreendimentos. No ato estiveram Carlos Bolsonaro (candidato ao Senado) e Jair Renan (candidato a deputado federal), além da chapa estadual com Jorginho Mello (governo) e Caroline de Toni (Senado). Na Quaest de agosto em SC, Jorginho Mello (PL) aparecia com 50% das intenções de voto ao governo.
Controvérsia jurídica em torno do reajuste
O anúncio do aumento, a 17 dias do primeiro turno, gerou questionamentos. Aliados de Flávio chegaram a acionar o TSE pedindo suspensão do reajuste até o fim das eleições, argumentando risco à igualdade de condições. Em caso citado pelo g1, o ministro André Mendonça rejeitou uma ação do deputado Zé Trovão (PL-SC) sem analisar o mérito, por falta de legitimidade do autor. Em 2024, o STF havia declarado inconstitucional aumento de benefícios sociais concedido por Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022 — precedente que volta ao debate sempre que há reajuste em ano eleitoral.
O que fica de radar até a urna
Os comícios simultâneos em um reduto bolsonarista reforçam a polarização. De um lado, Lula aposta em pauta social, no enfrentamento às apostas online e no contraste com a família Bolsonaro. De outro, Flávio ataca o timing do reajuste do Bolsa Família e tenta consolidar a base em Santa Catarina, onde ainda lidera com folga nas pesquisas estaduais mais recentes.
Para quem acompanha a campanha, os próximos dias devem misturar novas rodadas de pesquisa, decisões do TSE sobre atos e benefícios, e a disputa de narrativas sobre economia do dia a dia: endividamento, apostas e renda mínima.
Fontes: g1 (19/09/2026 e reportagens correlatas de 17–18/09), Estadão e dados de pesquisas Datafolha e Quaest citados pelas reportagens.
Cantinho Verde Lar — acompanhamento das Eleições 2026. Para CNPJ, certificado digital e orientação empresarial, visite Consultor CNPJ.



Nenhum comentário:
Postar um comentário