
Foto ilustrativa de alagamento em Taboão da Serra (SP) — Jardiel Carvalho / CC BY 2.0 (Wikimedia Commons)
Resposta rápida: a Caixa liberou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, a partir do meio-dia, o saque-calamidade do FGTS para moradores de Caxias do Sul (RS) atingidos pelos temporais de setembro. Cada trabalhador pode retirar até R$ 6.220 por conta do FGTS, limitado ao saldo, e o pedido é feito pelo aplicativo FGTS até 3 de dezembro de 2026. Trabalhadores de Itaquaquecetuba (SP) também já podem pedir, com prazo até 24 de dezembro. Abaixo você confere quem tem direito, os documentos, o passo a passo no app, os prazos de outras cidades (inclusive as que vencem hoje) e os golpes mais comuns.
O que é o saque-calamidade e quanto dá para sacar
O saque-calamidade é uma modalidade prevista na lei do FGTS (Lei nº 8.036/1990) para quem teve a residência atingida por desastre natural reconhecido oficialmente: enchentes, enxurradas, alagamentos, vendavais, tempestades, granizo, tornados, entre outros. Não é um auxílio extra do governo: o trabalhador retira um dinheiro que já é dele, depositado na conta do Fundo de Garantia.
- Valor máximo: R$ 6.220,00 por conta vinculada (ativa ou inativa), sempre limitado ao saldo disponível.
- Intervalo: é preciso não ter feito outro saque pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses.
- Prazo geral: o pedido pode ser feito em até 90 dias após a publicação da portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional que reconhece a emergência ou calamidade.
- Condição-chave: o município precisa estar habilitado na Caixa. Se a cidade decretou emergência, mas ainda não aparece na lista, é preciso aguardar a prefeitura concluir a habilitação.
Exemplo: quem tem R$ 2.300 no FGTS saca R$ 2.300; quem tem duas contas com mais de R$ 6.220 cada pode sacar até R$ 6.220 de cada uma.
Caxias do Sul: o que muda a partir de hoje (7/10)
Os temporais que atingiram Caxias do Sul a partir de 21 de setembro despejaram mais de 175 milímetros de chuva em pouco tempo, deixaram quatro mortos e centenas de desabrigados, e a prefeitura decretou situação de emergência. Segundo a Defesa Civil municipal, a solicitação do saque fica disponível a partir do meio-dia desta quarta-feira (7). De acordo com a prefeitura, o morador precisa comprovar residência na cidade; a Caixa confere o endereço informado no pedido.
Outras cidades da Serra gaúcha atingidas pela mesma chuva também estão habilitadas. Confira os prazos publicados pela Caixa:
Tabela: prazos do saque-calamidade (cidades em destaque)
| Cidade (UF) | Pedir até |
|---|---|
| Caxias do Sul (RS) | 03/12/2026 |
| Itaquaquecetuba (SP) | 24/12/2026 |
| Flores da Cunha (RS) | 23/11/2026 |
| Dois Lajeados (RS) | 10/11/2026 |
| Paraí (RS) | 22/11/2026 |
| Nova Bassano (RS) – portaria mais recente | 30/12/2026 |
| Cotiporã e Santa Tereza (RS) – portaria mais recente | 31/12/2026 |
| São Francisco de Paula (RS) | 29/12/2026 |
| Bagé (RS) | 18/11/2026 |
| Braga e Vista Alegre (RS) | 28/12/2026 |
| Cerrito e Nova Santa Rita (RS) | 29/12/2026 |
| Ribeirão Preto e Dumont (SP) | 23/10/2026 |
Fonte: lista de municípios habilitados no site oficial do FGTS (fgts.gov.br), consultada em 07/10/2026. Algumas cidades têm mais de uma portaria; vale o prazo ligado ao evento que atingiu o seu endereço.
Atenção: prazos que terminam hoje ou nos próximos dias
Pela lista oficial, o prazo termina hoje, 07/10/2026, para: Gonçalves Dias (MA), Franciscópolis (MG), São Benedito do Sul (PE), Candói, Goioxim e Marquinho – Portaria 2248 (PR) e Bom Retiro (SC). Na sequência vêm Pedro do Rosário (MA) e Turvo (PR) em 12/10 e Reserva – Portaria 2304 e Rio Bonito do Iguaçu (PR), Sananduva – Portaria 2304 (RS), Ibicaré – Portaria 2304 e Major Vieira (SC) em 15/10. Se você mora em uma dessas cidades e tem direito, não deixe para depois: depois da data o município sai da lista do aplicativo.
Itaquaquecetuba (SP): só vale para endereços atingidos
Na Grande São Paulo, Itaquaquecetuba acumulou mais de 115 milímetros de chuva em dois dias em setembro, com inundações e mais de 40 pessoas fora de casa. O decreto de emergência foi assinado em 15 de setembro. Aqui há um detalhe importante: a liberação não vale automaticamente para toda a cidade. O saque é autorizado conforme os endereços identificados pela Defesa Civil e enviados pela prefeitura à Caixa. Se o seu CEP e número não estiverem na relação, o pedido tende a ser negado — nesse caso, procure a Defesa Civil municipal.

Foto ilustrativa: rastro de enchente em Taboão da Serra (SP) — Jardiel Carvalho / CC BY 2.0 (Wikimedia Commons)
Documentos necessários
- Documento de identidade com foto (RG, CNH ou passaporte, frente e verso) e CPF.
- Comprovante de residência em seu nome (conta de luz, água, telefone, gás, internet/TV, fatura de cartão, extrato bancário, carnê etc.) emitido nos 120 dias anteriores à decretação da emergência ou calamidade.
- Sem comprovante? Vale declaração da prefeitura (papel timbrado, com data, assinatura, nome completo, data de nascimento, endereço e CPF) ou declaração própria com nome, CPF, data de nascimento e endereço completo com CEP, que a Caixa confere em cadastros oficiais do governo federal (Decreto nº 12.019).
- Comprovante no nome do cônjuge ou companheiro(a)? Anexe certidão de casamento ou escritura de união estável.
- Selfie segurando o documento — o próprio app pede a foto.
- No atendimento presencial, leve também a carteira de trabalho (física ou digital) ou outro documento que comprove o vínculo.
Passo a passo no app FGTS (versão 4.x)
- Baixe ou atualize o aplicativo oficial FGTS (da Caixa) na Play Store ou App Store e entre com CPF e senha.
- Toque em “Solicitar seu saque 100% digital” ou, no menu inferior, em “Saques” > “Solicitar saque”.
- Escolha “Calamidade pública”, leia as condições e toque em “Solicitar saque”.
- Digite o nome do município e selecione-o na lista (só aparecem cidades habilitadas).
- Escolha o tipo de comprovante de endereço e informe CEP e número da casa.
- Indique como quer receber: crédito em conta de qualquer banco (inclusive Poupança Digital Caixa Tem), sem custo, ou saque presencial.
- Anexe identidade, comprovante de residência e a selfie com documento. Confira tudo e confirme.
- Acompanhe a análise pelo próprio app. Se estiver tudo certo, a Caixa credita o valor na conta indicada.
Na versão antiga do app (3.x), o caminho é “Meus Saques” > “Outras Situações de Saques” > “Calamidade pública”. Problemas com senha? A Caixa atende em 4004 0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0104 (demais regiões).
Checklist rápido antes de enviar o pedido
- ☐ Minha cidade aparece na lista oficial e o prazo ainda não venceu?
- ☐ Não fiz saque-calamidade nos últimos 12 meses?
- ☐ Conferi o saldo de cada conta no app (o limite é por conta)?
- ☐ Meu comprovante está no meu nome e foi emitido nos 120 dias antes do decreto?
- ☐ Se o comprovante está no nome do cônjuge, separei certidão de casamento/união estável?
- ☐ Fotos nítidas, sem reflexo, documento inteiro (frente e verso)?
- ☐ Dados da conta bancária para crédito conferidos (banco, agência, conta, CPF do titular)?
- ☐ Anotei o protocolo e ativei notificações do app para acompanhar?
Saque-aniversário, antecipação e outras dúvidas de dinheiro
Quem aderiu ao saque-aniversário também pode pedir o saque-calamidade. O ponto de atenção é quem fez antecipação do saque-aniversário (o “empréstimo” com o FGTS como garantia): a parte do saldo bloqueada pelo banco continua indisponível enquanto o contrato estiver ativo, então o valor liberado pode ser menor que o esperado. Antes de contar com o dinheiro, confira no app quanto está disponível, e não apenas o saldo total.
Dica: use o valor primeiro no essencial (reparos, colchões, remédios) e guarde as notas fiscais. Vale checar também se a prefeitura ou o estado abriram outras ajudas para atingidos.

Atendimento em unidade móvel da Caixa no Rio Grande do Sul — Cindy Vitali / SMHARF / Prefeitura de Porto Alegre (Wikimedia Commons, atribuição)
Golpes e alertas: cuidado redobrado
- Não existe taxa para liberar o saque-calamidade. Qualquer pedido de Pix, “taxa de desbloqueio” ou “seguro” é golpe.
- Desconfie de links por SMS, WhatsApp ou redes sociais prometendo “liberar seu FGTS”. O pedido é feito só no app oficial FGTS ou numa agência da Caixa.
- Nunca passe sua senha por telefone, e-mail ou mensagem — a Caixa não pede senha por esses canais.
- Selfie com documento é dado sensível: envie apenas dentro do aplicativo oficial, nunca para “atendentes” em conversas privadas.
- Cuidado com apps falsos com nomes parecidos. Confira se o desenvolvedor é a Caixa Econômica Federal.
Perguntas frequentes (FAQ)
Preciso ir a uma agência da Caixa?
Não. Todo o processo pode ser feito pelo aplicativo FGTS. O atendimento presencial continua como alternativa para quem não consegue usar o app.
Quem mora de aluguel tem direito?
Sim, desde que o endereço esteja na área atingida e você comprove residência. Sem conta no seu nome, use a declaração da prefeitura ou a declaração própria aceita pela Caixa.
Estou desempregado e com conta inativa. Posso sacar?
Sim. O saque vale para contas ativas e inativas, sempre até R$ 6.220 por conta e limitado ao saldo.
Minha cidade decretou emergência, mas não aparece no app. E agora?
A Caixa só mostra municípios habilitados. A prefeitura precisa enviar a documentação e a relação de áreas afetadas. Acompanhe os canais oficiais da prefeitura e da Defesa Civil.
Quanto tempo demora para cair?
A Caixa não divulga um prazo fixo: o valor é creditado depois da análise dos documentos. Pedidos com fotos legíveis e dados corretos costumam andar mais rápido; acompanhe pelo app.
Resumo
Se você mora em Caxias do Sul, Itaquaquecetuba ou outra cidade da lista e teve a casa atingida, separe identidade, comprovante de endereço e a selfie, abra o app FGTS e peça o saque-calamidade de até R$ 6.220 por conta. Não pague taxa a ninguém e fique de olho no prazo da sua cidade.
Fontes: FGTS / Caixa Econômica Federal (fgts.gov.br – página Saque Calamidade e lista de municípios habilitados); Prefeitura e Defesa Civil de Caxias do Sul; Pioneiro/GZH; g1 Mogi das Cruzes e Suzano; Jornal O Sul; Lei nº 8.036/1990 e Decreto nº 12.019. Informações conferidas em 07/10/2026; prazos podem ser atualizados pela Caixa.
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