Atualizado em 22/09/2026 (ciclo 12h, horário de São Paulo) com base na cobertura do g1 sobre o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. Texto informativo do Cantinho Verde Lar — não substitui a íntegra oficial do pronunciamento nem orientação diplomática ou jurídica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (22 de setembro de 2026) o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e usou a tribuna para defender soberania, multilateralismo e cooperação contra o crime organizado. Segundo o g1, Lula afirmou que o Brasil "não subestima o desafio representado pelo crime organizado", mas que não pretende "terceirizar a responsabilidade" de proteger cidadãos e fronteiras — em meio a tensões com o governo dos Estados Unidos sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho.
Abaixo, o Cantinho Verde Lar organiza o que já é público na cobertura do g1 — sem inventar números, trechos literais extras ou avaliações que a fonte não traz.
O que Lula disse sobre crime organizado
De acordo com o g1 (Kellen Barreto e equipe, 22/09/2026 11h11), Lula declarou:
- "O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades."
- Citou impactos concretos: "Trabalhadores são roubados. Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência."
- Em seguida: "Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime."
O presidente citou ainda uma proposta entregue pessoalmente ao presidente Donald Trump: "Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior." Também mencionou acordos com países vizinhos e a parceria mantida com os Estados Unidos, com troca de informações, compartilhamento de inteligência e atuação conjunta das forças de segurança.
Por que o tema PCC e CV está na mesa
A cobertura situa o discurso no impasse diplomático recente: o governo Trump tem afirmado que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) e chegou a enquadrá-los como organizações terroristas internacionais. O governo brasileiro contesta esse enquadramento.
Para Brasília, segundo o g1, PCC e CV são organizações criminosas voltadas sobretudo ao lucro (tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e controle de regiões), e não se enquadram na definição de terrorismo da legislação brasileira. A Lei Antiterrorismo brasileira considera terrorismo a prática de determinados atos por razões como xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado. É com base nessa diferença de motivação que o governo sustenta o combate como crime organizado, e não como terrorismo.
Ao mesmo tempo, o governo afirma defender endurecimento das ações: retomada de comunidades sob domínio do crime, reforço de segurança e fiscalização nas fronteiras e maior integração entre as forças de segurança.
Soberania: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém"
Em reportagem paralela do g1 (22/09/2026 11h07), Lula reforçou a linha de soberania e não interferência. Frases destacadas pela cobertura:
- "Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação."
- "O Brasil não cabe no quintal de ninguém" e precisa de parceiros com agenda positiva de desenvolvimento.
- "A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais."
- "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano."
O contexto eleitoral é explícito nas reportagens: o primeiro turno está marcado para 4 de outubro; Lula disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que em maio foi recebido por Trump na Casa Branca. O governo brasileiro tem demonstrado preocupação com eventual interferência externa no pleito.
Tarifas, PIX, IA e meio ambiente
Outros pontos do discurso, conforme o g1:
- Tarifas e comércio: Lula afirmou que a OMC "respira por aparelhos" e criticou o uso de tarifas como "armas de coerção e chantagem"; disse que, apesar do tarifaço, o Brasil deve bater novo recorde de exportações neste ano.
- PIX: "Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX."
- Inteligência artificial: criticou "tecno-oligarcas" e uma corrida digital "sem freios éticos à revelia da ONU", defendendo regulamentação das plataformas.
- Amazônia: destacou a queda do desmatamento ao menor nível em 11 anos e repetiu que "a floresta vale mais em pé do que destruída", ao mesmo tempo em que falou em explorar recursos como terras raras e a Margem Equatorial com geração de valor e transferência de tecnologia em território nacional.
Ministério da Segurança e PEC
No front doméstico ligado ao tema, Lula defende a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação da PEC da Segurança, que amplia a participação da União no enfrentamento ao crime e a integração com estados e municípios, além de mudanças nas atribuições da PF e da PRF. Segundo o g1, a proposta foi aprovada pela CCJ do Senado no início deste mês, mas ainda precisa passar pelo plenário.
O que observar nas próximas horas
- Divulgação da íntegra oficial do discurso (o g1 indica link para a íntegra).
- Reação do governo dos EUA e de Trump, que falou na sequência na Assembleia.
- Desdobramentos da proposta de cooperação contra lavagem de dinheiro citada por Lula.
- Tramitação da PEC da Segurança no plenário do Senado.
- Impacto da fala na campanha eleitoral a menos de duas semanas do 1º turno.
Para empresas e investidores que acompanham risco geopolítico, comércio exterior e ambiente de negócios — inclusive leitores do Consultor CNPJ (https://consultorcnpj.com.br/) e da página ORbite 360 — o discurso desta terça reforça que soberania, tarifas e cooperação em segurança seguem no centro da agenda Brasil–EUA.
Resumo rápido
- Quando/onde: 22/09/2026, abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, Nova York.
- Crime organizado: Lula diz que o Brasil não subestima o desafio, mas não vai "terceirizar" a defesa das fronteiras; pede cooperação contra fluxo de armas e dinheiro; cita proposta entregue a Trump sobre lavagem de dinheiro.
- PCC/CV: governo brasileiro contesta classificação como terrorismo e insiste em combate como organizações criminosas.
- Soberania: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém"; rejeição a ingerência em eleições; democracia "pertence aos brasileiros".
- Outros eixos: críticas a tarifas/OMC, defesa do PIX, regulamentação de IA, Amazônia e exploração com valor no território.
- Fontes: g1 — Kellen Barreto, Ana Flávia Castro, Mariana Laboissière, Gustavo Garcia (22/09/2026).
Fontes
- g1 — "Na ONU, Lula diz que país não vai 'terceirizar responsabilidade' sobre crime organizado..." (22/09/2026 11h11): https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/na-onu-lula-defende-cooperacao-contra-crime-organizado-em-meio-a-divergencia-com-eua-sobre-pcc-e-cv.ghtml
- g1 — "Lula na ONU: Presidente defende soberania e critica interferência" (22/09/2026 11h07): https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/22/na-onu-lula-defende-soberania-em-meio-a-eleicao-no-brasil-e-tensao-com-governo-trump.ghtml
Conteúdo informativo do Cantinho Verde Lar. Este post resume cobertura jornalística e não substitui a íntegra oficial do discurso nem orientação diplomática.
Nenhum comentário:
Postar um comentário