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sábado, 31 de outubro de 2026

Cadastro Único: prazo de 12/11 para não perder o Bolsa Família e a Tarifa Social — quem está na Revisão Cadastral 2026, calendário por grupo até 2027, documentos, BPC, como reverter o corte, golpes + checklist

Atualizado em 31/10/2026 (15h, horário de Brasília). Fontes principais: MDS, Instrução Normativa Conjunta nº 2/2026, Anexo I (edição de agosto/2026); Informe Cadastro Único nº 86; MDS, página da Revisão Cadastral; Mix Vale (20/10).

Mão de uma mulher segurando um cartão amarelo do Programa Bolsa Família em primeiro plano, com fundo desfocado, e o texto Cadastro Único vencido, Bolsa Família e Tarifa Social podem ser cancelados, prazo 12 de novembro

Cartão do Bolsa Família em foto de arquivo de 2014 (nome e número do cartão desfocados pelo Cantinho). Quem está com o Cadastro Único desatualizado há mais de dois anos precisa correr: o próximo prazo de corte é 12/11/2026. Foto: Senado Federal, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

Faltam 12 dias. Na quinta-feira, 12 de novembro de 2026, vence mais uma etapa da Revisão Cadastral 2026 do Cadastro Único, o pente-fino anual que o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) faz nos cadastros que estão há muito tempo sem atualização. Quem está na lista e não procurar o setor do Cadastro Único ou o CRAS da sua cidade até essa data pode ter o Bolsa Família cancelado e perder o desconto da Tarifa Social na conta de luz. Para outro grupo, o risco imediato é o bloqueio do dinheiro do Bolsa Família.

O tamanho da operação não é pequeno. Segundo o Informe Cadastro Único nº 86, do próprio MDS, 11.294.149 famílias foram convocadas na Ação de Qualificação Cadastral 2026, que junta a Revisão Cadastral (REV26) e a Averiguação Cadastral (AVE26). É gente que, em muitos casos, nem sabe que está na lista, porque a mensagem chegou só no aplicativo ou no extrato do pagamento.

A boa notícia é que resolver costuma ser simples: basta atualizar o cadastro, pessoalmente, com os documentos certos. E, se o corte já aconteceu, ainda existe caminho de volta. Neste guia do Cantinho você vai ver quem precisa correr até 12/11, como descobrir se a sua família foi convocada, quais documentos levar, a diferença entre bloqueio, cancelamento e exclusão, as regras da Tarifa Social e do BPC, o calendário completo até 2027, os golpes que já circulam e um checklist para imprimir ou salvar no celular.

Resumo em 30 segundos

  • O que é: a Revisão Cadastral 2026 convoca famílias que recebem Bolsa Família, BPC ou Tarifa Social de Energia Elétrica e que estão com o Cadastro Único sem atualização há mais de 24 meses.
  • Prazo de 12/11/2026: último dia para evitar o cancelamento do Bolsa Família e da Tarifa Social para quem teve a última atualização em dezembro de 2023 (Público 2) ou em março de 2024 (Público 5). Para quem atualizou pela última vez em junho de 2024 (Público 8), 12/11 é o prazo para evitar o bloqueio do Bolsa Família.
  • Próximo prazo: 10/12/2026, para cancelamento dos Públicos 3 e 6 (última atualização em janeiro e abril de 2024) e bloqueio do Público 9 (julho de 2024).
  • O que fazer: ir ao setor do Cadastro Único ou ao CRAS do município com o CPF e um documento com foto do responsável familiar, comprovante de residência (ou declaração) e o CPF de todos os moradores. Atualizações feitas a partir de 12/01/2026 já contam.
  • Se já foi cortado: o Bolsa Família cancelado pode ser revertido em até 6 meses, se a família regularizar o cadastro e continuar dentro das regras. A Tarifa Social cancelada precisa ser pedida de novo à distribuidora de energia.
  • Cuidado: ninguém do governo pede senha, código ou Pix para "liberar" atualização. O serviço é gratuito.

O que é a Revisão Cadastral 2026 e por que ela acontece

O Cadastro Único (CadÚnico) é a grande base de dados do governo federal sobre as famílias de baixa renda. É por ele que se decide quem recebe o Bolsa Família, quem tem direito à Tarifa Social na conta de luz, ao Gás do Povo, à isenção de taxa em concursos, ao Pé-de-Meia e a dezenas de outros programas. O BPC (Benefício de Prestação Continuada, pago pelo INSS a idosos de 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de baixa renda) também exige cadastro em dia.

Só que um cadastro é uma fotografia: mostra quem morava na casa, quanto a família ganhava e onde ela vivia no dia da entrevista. Com o tempo, a foto envelhece. Filho nasce, alguém consegue emprego, o casal se separa, a família muda de bairro. Por isso, a regra geral é que o cadastro seja atualizado pelo menos a cada dois anos (24 meses) ou sempre que houver mudança.

Todo ano o MDS cruza a base e separa quem passou do prazo. Em 2026, essa operação ganhou o nome oficial de Ação de Qualificação Cadastral 2026, regulada pela Instrução Normativa Conjunta nº 2/2026. Ela tem duas partes:

  • Revisão Cadastral (REV26): famílias que recebem Bolsa Família, BPC ou Tarifa Social e estão com o cadastro desatualizado. Elas foram divididas em 15 grupos (Públicos 1 a 15) conforme o mês da última atualização, de "até novembro de 2023" até "janeiro de 2025". Há ainda um Público 16, de famílias que não recebem nenhum desses benefícios e não atualizam desde dezembro de 2023 ou antes.
  • Averiguação Cadastral (AVE26): famílias que não recebem benefícios, mas cujo cadastro mostra divergência na composição familiar quando comparado com outros registros do governo, ou que tiveram pessoas excluídas depois do cruzamento com a renda do CNIS (o banco de dados de vínculos e salários usado pelo INSS). Nesse caso, a regularização exige entrevista no domicílio.

Para os Públicos 1 a 15 da Revisão, a data de referência é 09/01/2026. Na prática, isso significa que qualquer atualização feita a partir de 12/01/2026 já regulariza o cadastro. Se você atualizou em março, junho ou setembro deste ano, pode ficar tranquilo quanto à Revisão; o que vale conferir é se a atualização foi concluída e se não há outra pendência.

Quem precisa correr até 12 de novembro

O calendário da Revisão não é igual para todo mundo. Cada público tem duas datas: uma para evitar o bloqueio do Bolsa Família e outra, mais adiante, para evitar o cancelamento do Bolsa Família e da Tarifa Social. Segundo o Quadro 7 do Anexo I da IN Conjunta nº 2/2026, quem tem prazo em 12/11/2026 são estes três grupos:

  • Público 2 — última atualização em dezembro de 2023: o prazo para evitar o bloqueio já passou (06/08/2026). Agora, 12/11 é a data-limite para evitar o cancelamento do Bolsa Família e da Tarifa Social.
  • Público 5 — última atualização em março de 2024: mesma situação. O prazo do bloqueio foi 06/08/2026 e 12/11 é a data-limite contra o cancelamento.
  • Público 8 — última atualização em junho de 2024: aqui, 12/11 é o prazo para evitar o bloqueio do Bolsa Família. Se não atualizar, o próximo passo é o cancelamento, previsto para 11/02/2027 (data que o MDS avisa que ainda pode mudar no fim de 2026).

Quem é dos Públicos 1 e 4 (última atualização até novembro de 2023 ou em fevereiro de 2024) já passou pelo prazo de cancelamento em 08/10/2026. Se esse é o seu caso e o benefício foi cortado, leia a seção sobre reversão mais abaixo: ainda dá para recuperar.

O veículo especializado Mix Vale também noticiou, em 20/10, a data de 12 de novembro como limite para a revisão do Bolsa Família. Mas o documento que vale é a Instrução Normativa do MDS, e é por ela que montamos o calendário abaixo.

Calendário completo da Revisão Cadastral 2026

Ache o seu grupo pelo mês da última atualização do cadastro. As datas são as do Quadro 7 do Anexo I (edição de agosto de 2026). As marcadas com asterisco (*) são as que o próprio MDS diz que podem ser alteradas no fim de 2026.

PúblicoÚltima atualizaçãoEvitar bloqueio do Bolsa FamíliaEvitar cancelamento (Bolsa Família e Tarifa Social)
1até 30/11/202309/07/202608/10/2026
2dezembro/202306/08/202612/11/2026
3janeiro/202410/09/202610/12/2026
4fevereiro/202409/07/202608/10/2026
5março/202406/08/202612/11/2026
6abril/202410/09/202610/12/2026
7maio/202408/10/202607/01/2027*
8junho/202412/11/202611/02/2027*
9julho/202410/12/202611/03/2027*
10agosto/202407/01/2027*08/04/2027*
11setembro/202411/02/202706/05/2027
12outubro/202411/03/202710/06/2027
13novembro/202408/04/202708/07/2027
14dezembro/202406/05/202712/08/2027
15janeiro/202510/06/202709/09/2027
16até dezembro/2023 (não beneficiárias)não se aplicanão se aplica (risco é a exclusão do cadastro ao longo de 2027)

Fonte: MDS, IN Conjunta nº 2/2026, Anexo I, Quadro 7. Em vermelho, os grupos com prazo em 12/11/2026.

Repare num detalhe: quem ficou 48 meses (quatro anos) sem atualizar passa pela exclusão lógica do cadastro, que é a retirada do registro da base. Para os Públicos 1 a 15, essas datas vão de março de 2027 a janeiro de 2029, conforme o mês da última atualização. Para o Público 16, a exclusão acontece ao longo de 2027. Exclusão é o pior cenário, e a seção a seguir explica por quê.

Bloqueio, cancelamento e exclusão: qual a diferença

Essas três palavras aparecem nas mensagens do governo e confundem muita gente. Elas não são a mesma coisa, e a diferença mexe diretamente com o seu dinheiro.

Bloqueio

O benefício continua existindo, mas o dinheiro fica retido: a família não consegue sacar nem movimentar. Pela Instrução Normativa, quem não regulariza até a data-limite tem o Bolsa Família bloqueado por até três meses. Uma das perguntas frequentes do MDS sobre a ação descreve o processo de forma um pouco diferente, com dois meses de bloqueio e cancelamento no terceiro. Para você, o recado é o mesmo: o bloqueio é um aviso sério e é a hora de atualizar.

Atualizado o cadastro, o desbloqueio pode ser feito pela coordenação municipal do Bolsa Família, a qualquer momento, ou pelo próprio MDS, na rotina mensal. A IN avisa que os benefícios desbloqueados são reavaliados e podem ter novos valores. Se a renda ou a composição da família mudou, o valor pode subir ou cair.

Cancelamento

O benefício é encerrado. Mas ainda há saída: pela Portaria MDS nº 897/2023, citada na IN, o Bolsa Família cancelado nesta ação pode ter a reversão do cancelamento em até 6 meses, contados da data do cancelamento. Para isso, a família precisa regularizar o cadastro e continuar dentro do perfil do programa. A reversão é feita pela gestão municipal no sistema de benefícios (Sibec), e o MDS também pode fazê-la de forma complementar.

Exclusão do cadastro

É quando o registro da família sai do Cadastro Único. A IN é clara: a exclusão lógica cancela o Bolsa Família sem possibilidade de reversão. Para voltar, a família precisa fazer um cadastro novo e entrar outra vez na fila de habilitação, seleção e concessão, o que pode levar meses. Por isso, mesmo quem já perdeu o benefício por outro motivo deve atualizar o cadastro: ele é a porta de entrada para todos os outros programas.

Há ainda um efeito menos conhecido: enquanto não regularizam, as famílias convocadas ficam impedidas de entrar no processo de concessão do Bolsa Família, segundo a IN, com base no Decreto nº 12.064/2025. Ou seja, quem está fora do programa e espera ser selecionado também precisa estar com o cadastro em dia.

Como saber se a sua família foi convocada

O MDS e a Caixa usam vários canais para avisar. Segundo a seção 9 do Anexo I, as mensagens chegam por:

  • Aplicativo do Cadastro Único (Android e iPhone) ou pelo site cadunico.dataprev.gov.br: as mensagens ficam no ícone de envelope, no canto superior direito. No app também dá para ver a data da última atualização do cadastro.
  • Aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem, para quem recebe o benefício.
  • Extrato de pagamento do Bolsa Família, aquele papelzinho que sai no caixa eletrônico ou na lotérica, e mensagens de voz na Central de Atendimento da Caixa.
  • Fatura da conta de luz, no caso de quem tem Tarifa Social.
  • Dependendo do orçamento, o MDS também pode mandar carta, SMS, mensagem de voz ou WhatsApp.

O caminho mais rápido é abrir o app do Cadastro Único, entrar com a conta gov.br e conferir a data da última atualização. Se ela for anterior a 12/01/2026 e estiver entre dezembro de 2023 e janeiro de 2025, compare com a tabela acima. Se aparecer uma data de 2026 a partir de 12 de janeiro, a sua família já está regularizada para a Revisão.

Se não tiver acesso ao aplicativo, ligue para o Disque Social 121, a central do MDS (ligação gratuita), ou vá direto ao CRAS. A IN registra ainda que algumas famílias que atualizaram num mês podem receber a carta ou a mensagem no mês seguinte. Se você já atualizou e chegou aviso depois, não entre em pânico: peça ao atendimento do município para conferir a situação do cadastro.

Sala de atendimento do CRAS 1 de Formosa, em Goiás, com três guichês numerados 01, 02 e 03 em laranja, cadeiras laranja, pessoas sendo atendidas por assistentes sociais e uma servidora de crachá orientando uma usuária

Atendimento no CRAS 1 de Formosa (GO), em maio de 2014 (foto de arquivo). A atualização do Cadastro Único é presencial e gratuita, feita no CRAS ou no posto do Cadastro Único da sua cidade. Foto: Sergio Amaral/MDS, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0.

Passo a passo para atualizar o cadastro

A atualização é feita pela prefeitura, no setor do Cadastro Único, no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) ou em postos de atendimento definidos pelo município. Muitas cidades atendem por ordem de chegada; outras exigem agendamento por telefone, site ou aplicativo da prefeitura. Veja o roteiro:

  1. Descubra o local e o horário. Procure no site da prefeitura por "Cadastro Único" ou "CadÚnico", ligue para a Secretaria de Assistência Social ou pergunte no CRAS mais perto de casa. Faltando poucos dias para 12/11, é comum ter fila: vá cedo.
  2. Separe os documentos. Para o responsável familiar (a pessoa que responde pela família no cadastro, de preferência mulher, segundo a regra do programa): CPF, documento de identificação com foto e comprovante de residência. Se não tiver comprovante, o MDS tem um modelo de declaração de residência que pode ser assinado. Para todas as outras pessoas da casa, inclusive crianças, leve o CPF.
  3. Leve o que mais tiver. A IN orienta o entrevistador a registrar todos os documentos que a família apresentar, para deixar o cadastro completo. Certidão de nascimento ou casamento, título de eleitor, carteira de trabalho e cartão do SUS ajudam.
  4. Conte a verdade na entrevista. O entrevistador vai perguntar quem mora na casa, a renda de cada pessoa, gastos e condições do domicílio. Informe mudanças: nascimento, morte, separação, quem saiu ou entrou, emprego novo, aposentadoria.
  5. Confira os dados antes de assinar. Peça para conferir nomes, CPFs e endereço. Ao final, você assina o formulário.
  6. Guarde o comprovante. Peça o comprovante ou anote a data e o nome do atendente. Dias depois, abra o app do Cadastro Único e veja se a data da última atualização mudou.

Um alerta importante: só tire uma pessoa do cadastro se ela realmente não mora mais com a família, morreu ou deixou de dividir renda e despesas. A IN avisa que excluir alguém só porque essa pessoa está trabalhando ou recebendo benefício pode ser considerado irregularidade. Se ficar comprovada má-fé, a família pode ser excluída do cadastro, ter de devolver os valores recebidos e responder a processo cível e criminal. Não vale o risco.

Família de uma pessoa só: regra especial até junho de 2027

As famílias unipessoais, em que a pessoa mora sozinha ou se declara sozinha no cadastro, passaram a ser vigiadas de perto nos últimos anos por causa de fraudes em que famílias se dividiam no papel para receber mais de um benefício. Por isso, desde 2023, o cadastro de família unipessoal exige documento oficial com foto e um Termo de Responsabilidade assinado (há exceções para famílias indígenas, quilombolas e em situação de rua).

Até julho de 2026, a regularização das famílias unipessoais da Revisão exigia, além disso, entrevista em casa. Isso mudou com a Portaria MDS nº 1.199, de 15/07/2026: agora, a pessoa sozinha que recebe Bolsa Família ou BPC pode atualizar o cadastro no próprio posto de atendimento, e o município deve atendê-la a tempo de manter ou restabelecer o benefício. Essa flexibilização vale até 30/06/2027. A partir de 1º/07/2027, a visita domiciliar volta a ser obrigatória.

Ou seja: se você mora sozinho e está num dos grupos com prazo em 12/11, não espere a visita. Vá ao CRAS ou ao posto do Cadastro Único. A visita pode ser marcada depois, mas o atendimento presencial já resolve o prazo.

Tarifa Social: o desconto na conta de luz também pode cair

Muita família só descobre que estava na Revisão quando a conta de luz chega mais cara. A Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) depende do Cadastro Único, e a IN é direta: as famílias beneficiárias convocadas terão o desconto cancelado se não regularizarem o cadastro até a data-limite.

O passo a passo do corte é este: depois do prazo, o MDS manda para a Aneel a lista das famílias com pendência, e a agência coordena com as distribuidoras de energia o cancelamento do desconto. Também perde a Tarifa Social quem, depois de atualizar, passa a ter renda por pessoa acima de meio salário mínimo, ou quem tem o cadastro excluído.

E aqui mora a pegadinha: a Tarifa Social não volta sozinha na mesma hora. Quem teve o desconto cancelado e depois regularizou o cadastro precisa pedir o benefício de novo à distribuidora de energia do seu estado, ou esperar a concessão automática, que depende de cada empresa. Por isso, se a sua conta de luz trouxe mensagem sobre o Cadastro Único, trate como prioridade.

O desconto vale bastante dinheiro. Como mostramos no guia da conta de luz de novembro, famílias do CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa têm direito a até 80 kWh de consumo gratuito por mês. Perder isso pode significar uma conta várias dezenas de reais mais cara todo mês.

BPC: o INSS segue um roteiro próprio

Quem recebe o Benefício de Prestação Continuada também precisa estar com o Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses. Mas o BPC é pago pelo INSS, e o procedimento é outro. Pelo Anexo I da IN, funciona assim:

  1. Notificação: o INSS avisa o beneficiário ou o representante legal pelos canais oficiais: extrato bancário, aplicativo Meu INSS, telefone ou e-mail.
  2. 30 dias para dar ciência: a pessoa tem 30 dias para confirmar que recebeu o aviso.
  3. Bloqueio: sem confirmação, o valor é bloqueado. O dinheiro continua caindo na conta, mas fica indisponível para saque, débito ou transferência, por até dois pagamentos seguidos.
  4. Desbloqueio: basta confirmar a ciência pelo telefone 135, pelo Meu INSS ou numa agência. O desbloqueio vale mesmo que a atualização do cadastro ainda não tenha sido feita, e o dinheiro volta a ficar disponível em até 72 horas.
  5. Suspensão: se a pessoa não pede o desbloqueio ou não atualiza o cadastro, o BPC é suspenso e o pagamento para. A partir daí, há 45 dias para atualizar o CadÚnico em municípios de até 50 mil habitantes, ou 90 dias nos maiores.
  6. Cessação: sem atualização, o benefício é cessado, com 30 dias para recorrer ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Depois disso, só com um pedido novo de BPC e uma nova análise.

O BPC é um salário mínimo por mês. Ninguém quer perder isso por falta de um carimbo. Se em casa há um idoso ou uma pessoa com deficiência que recebe BPC, confira o Meu INSS e o Cadastro Único juntos. Os pagamentos do INSS de novembro, incluindo o BPC, vão de 24/11 a 7/12, segundo o calendário divulgado.

E o Bolsa Família de novembro?

O pagamento de novembro já tem data. Pela Portaria MDS nº 1.221, de 16/10/2026, o calendário foi concentrado em só três dias:

  • 16/11 (segunda): NIS com final 1;
  • 17/11 (terça): NIS com final 2;
  • 18/11 (quarta): NIS com finais 3 a 0.

Explicamos o motivo e o calendário inteiro do mês no post Bolsa Família de novembro sai em só 3 dias. O ponto aqui é outro: o efeito de um bloqueio ou de um cancelamento aparece justamente na folha de pagamento. A IN explica que desbloqueios e reversões só entram na folha do mês seguinte se forem feitos até a data-limite do calendário operacional do programa. Quem atualiza antes do prazo tem as condições para o desbloqueio ou a reversão no mês seguinte. Deixar para a última hora pode significar um mês sem receber, mesmo que tudo dê certo depois.

Quanto dinheiro está em jogo

Para ter uma ideia do tamanho do prejuízo, lembre os valores do Bolsa Família em vigor desde outubro, que usamos no guia de novembro: o programa garante um piso de R$ 691 por família, com R$ 164 por pessoa no cálculo básico, mais R$ 173 por criança de 0 a 6 anos e R$ 58 por gestante, nutriz ou criança e adolescente de 7 a 17 anos.

Veja três situações hipotéticas, só para ilustrar (o valor real depende do cadastro de cada família):

  • Família que recebe o piso: perder o benefício significa ficar R$ 691 por mês mais pobre. Em três meses sem receber, são R$ 2.073.
  • Família com uma criança de 3 anos: somando o piso e o adicional da primeira infância, são pelo menos R$ 864 por mês (R$ 691 + R$ 173) em risco.
  • Família que também tem Tarifa Social e Gás do Povo: além do Bolsa Família, pode perder o desconto na luz. E o Gás do Povo exige cadastro atualizado nos últimos 24 meses e fora da averiguação. Um cadastro vencido pode derrubar vários benefícios de uma vez.

Em resumo: uma manhã na fila do CRAS pode valer milhares de reais ao longo do ano.

Exemplos práticos

Maria, 34 anos, dois filhos, atualizou o cadastro em dezembro de 2023. Ela é do Público 2. O Bolsa Família dela pode ter sido bloqueado depois de 06/08/2026. Se ela atualizar até 12/11, evita o cancelamento, e o desbloqueio pode ser feito pela prefeitura ou pelo MDS. Se perder a data, o benefício é cancelado, mas ela ainda tem até 6 meses para pedir a reversão, desde que regularize o cadastro e continue no perfil.

João, 52 anos, mora sozinho e atualizou em junho de 2024. Ele é do Público 8 e família unipessoal. Até 12/11, precisa atualizar para evitar o bloqueio. Pela regra em vigor até 30/06/2027, pode ir direto ao posto, com documento com foto e CPF, sem esperar visita em casa. Vai assinar o Termo de Responsabilidade exigido para famílias unipessoais.

Dona Lúcia, 70 anos, recebe BPC e mora com a neta. A última atualização foi em março de 2024 (Público 5). Ela pode receber notificação do INSS e, se não der ciência em 30 dias, ter o BPC bloqueado. O caminho é duplo: confirmar a ciência pelo 135 ou pelo Meu INSS, o que libera o dinheiro em até 72 horas, e atualizar o Cadastro Único no CRAS antes da suspensão.

Família Souza, atualizou em fevereiro de 2026. Como a atualização foi depois de 12/01/2026, o cadastro já conta como regularizado. Se chegar uma mensagem antiga, basta conferir a data no aplicativo. Ainda assim, vale lembrar que qualquer mudança na família (nascimento, emprego, mudança de endereço) precisa ser informada, mesmo dentro dos dois anos.

Guia por perfil: o que fazer agora

  • Recebo Bolsa Família e não sei a data da minha última atualização: abra hoje o app do Cadastro Único ou ligue para o 121. Se for de dezembro de 2023, março de 2024 ou junho de 2024, vá ao CRAS antes de 12/11.
  • Atualizei em janeiro, abril ou julho de 2024: seu prazo é 10/12/2026 (cancelamento para quem atualizou em janeiro ou abril de 2024, bloqueio para quem atualizou em julho). Não deixe para dezembro, quando as filas costumam crescer.
  • Atualizei entre agosto de 2024 e janeiro de 2025: seus prazos ficam para 2027, mas atualizar agora evita correria e mantém outros benefícios funcionando.
  • Meu benefício já foi bloqueado: atualize o cadastro o quanto antes e peça ao setor do Bolsa Família do município para conferir o desbloqueio.
  • Meu benefício foi cancelado em outubro: você ainda está dentro dos 6 meses de reversão. Atualize e peça a reversão na prefeitura.
  • Perdi a Tarifa Social: atualize o CadÚnico e, depois, entre em contato com a distribuidora de energia para pedir o desconto de novo.
  • Recebo BPC: fique de olho no Meu INSS e no extrato. Confirme a ciência de qualquer notificação e atualize o CadÚnico.
  • Não recebo nenhum benefício, mas estou no CadÚnico: se o cadastro é de 2023 ou antes, você pode estar no Público 16 e ser excluído ao longo de 2027. Quem está na averiguação (AVE26) precisa de visita domiciliar. Manter o cadastro em dia garante acesso a isenções, ao Gás do Povo e a futuras seleções do Bolsa Família.
  • Moro em cidade em emergência ou calamidade: a IN prevê tratamento diferenciado e prazos ampliados para municípios com situação de emergência ou calamidade decretada. Pergunte na prefeitura.

Golpes que surfam na Revisão Cadastral

Todo prazo do governo vira isca para golpista. Fique atento a estes sinais:

  • Links por SMS ou WhatsApp com "atualize seu Bolsa Família aqui" ou "evite o bloqueio". A atualização do Cadastro Único é presencial, no município. Não existe atualização completa por link.
  • Pedido de taxa, Pix ou "boleto de regularização". O serviço é gratuito. Ninguém do CRAS ou do MDS cobra para atualizar o cadastro.
  • Pedido de senha do gov.br, do Caixa Tem ou código recebido por SMS. Nunca passe esses dados para ninguém, nem para quem diz ser servidor.
  • "Despachantes" na porta do CRAS prometendo furar a fila ou garantir o benefício. Desconfie.
  • Perfis falsos em redes sociais com nomes parecidos com os do governo. Os canais oficiais são o app do Cadastro Único, o app Bolsa Família, o Caixa Tem, o 121 do MDS e o 135 do INSS.
  • Notícias de "nova exigência" não confirmada, como documentos novos obrigatórios, que circulam para assustar e mandar a pessoa para sites falsos. Confira sempre no gov.br ou no CRAS. Sobre a biometria e a CIN, explicamos o que já está valendo no post sobre a biometria contra fraude.
Quadro verde e branco com o calendário da Revisão Cadastral 2026 por público, mostrando mês da última atualização, prazo para evitar bloqueio e prazo para evitar cancelamento, com os Públicos 2, 5 e 8 destacados em vermelho pelo prazo de 12 de novembro, as etapas do aviso ao corte e o dinheiro de novembro

Quadro-resumo da Revisão Cadastral 2026: ache o seu prazo pelo mês da última atualização. Salve no celular ou imprima. Arte: Cantinho Verde Lar, com dados do MDS (IN Conjunta nº 2/2026, Anexo I, Quadro 7; Informe Cadastro Único nº 86), do INSS e do MEC.

Checklist: Cadastro Único em dia antes de 12/11

  • ☐ Abri o app do Cadastro Único (ou liguei no 121) e anotei a data da última atualização.
  • ☐ Comparei com a tabela e descobri o meu público e o meu prazo.
  • ☐ Li as mensagens do envelope no app do Cadastro Único, do app Bolsa Família e do Caixa Tem.
  • ☐ Conferi o extrato do pagamento e a conta de luz em busca de avisos.
  • ☐ Descobri o endereço e o horário do CRAS ou do posto do Cadastro Único e se precisa de agendamento.
  • ☐ Separei CPF e documento com foto do responsável familiar.
  • ☐ Separei o CPF de todos os moradores, inclusive das crianças.
  • ☐ Peguei um comprovante de residência (ou vou assinar a declaração de residência).
  • ☐ Anotei as mudanças desde a última entrevista: renda, emprego, quem entrou ou saiu da casa, endereço.
  • ☐ Se moro sozinho: levei documento com foto e sei que vou assinar o Termo de Responsabilidade.
  • ☐ Se tenho BPC em casa: conferi o Meu INSS e confirmei ciência de qualquer notificação (135).
  • ☐ Conferi nomes, CPFs e endereço antes de assinar o formulário.
  • ☐ Guardei o comprovante ou anotei a data e o nome do atendente.
  • ☐ Uma semana depois, conferi no app se a data da última atualização mudou.
  • ☐ Se perdi a Tarifa Social: liguei para a distribuidora de energia para pedir de novo.
  • ☐ Não cliquei em link, não passei senha e não paguei nada a ninguém.

Perguntas frequentes

Atualizei o cadastro este ano. Preciso fazer de novo?

Para a Revisão Cadastral, não, se a atualização foi feita a partir de 12/01/2026. Esse é o marco definido pela IN para os Públicos 1 a 15. Mas confira no app se a data realmente mudou, porque às vezes o atendimento fica incompleto.

Dá para atualizar o Cadastro Único pelo celular?

O app do Cadastro Único serve para consultar os dados, ver mensagens e conferir a data da última atualização. A atualização da Revisão é feita pelo município, com entrevista presencial. Desconfie de qualquer site que prometa "atualização online" do Bolsa Família.

Perdi o prazo de 12/11. E agora?

Atualize assim que puder. Se o Bolsa Família for cancelado, a reversão pode ser feita em até 6 meses do cancelamento, desde que o cadastro seja regularizado e a família continue dentro das regras do programa. O que não tem volta é a exclusão do cadastro, que acontece depois de 48 meses sem atualização.

Meu benefício volta com o mesmo valor?

Não necessariamente. A IN diz que benefícios desbloqueados ou com cancelamento revertido são reavaliados e podem ter novos valores, de acordo com a renda e a composição da família informadas na atualização.

Quanto tempo dura o bloqueio?

A Instrução Normativa fala em bloqueio por até três meses antes do cancelamento. Uma das perguntas frequentes do MDS descreve dois meses de bloqueio e cancelamento no terceiro. Na dúvida, considere que o tempo é curto e não espere chegar ao fim.

O dinheiro bloqueado é perdido?

No Bolsa Família, o desbloqueio libera o benefício depois que o cadastro é regularizado, mas os prazos da folha mensal contam. No BPC, o valor bloqueado continua sendo creditado na conta, só que indisponível, e volta a ser liberado em até 72 horas após a confirmação de ciência no INSS.

Quem mora sozinho precisa receber visita em casa?

Para a Revisão Cadastral, até 30/06/2027, quem mora sozinho e recebe Bolsa Família ou BPC pode atualizar no posto de atendimento, segundo a Portaria MDS nº 1.199/2026. A partir de 1º/07/2027, a entrevista em casa volta a ser obrigatória. Na averiguação (AVE26), a visita domiciliar é exigida.

Preciso levar comprovante de residência?

Sim, ou a declaração de residência no modelo do MDS, se não tiver conta no seu nome. O essencial é CPF e documento com foto do responsável familiar e o CPF dos demais moradores.

A Tarifa Social volta sozinha depois que eu atualizar?

Não é garantido. A IN orienta a família a pedir novamente o desconto à distribuidora de energia, ou aguardar a concessão automática, que depende de cada empresa.

Recebo o Bolsa Família em 16, 17 ou 18/11. A atualização até 12/11 garante o pagamento?

Atualizar até a data-limite garante que você cumpriu o prazo da Revisão e evita o cancelamento ou o bloqueio daquela etapa. Se o benefício já estava bloqueado, o desbloqueio depende do processamento da prefeitura ou do MDS e do calendário operacional do programa, e pode aparecer só na folha seguinte.

Mudei de cidade. Onde atualizo?

No município onde você mora agora. A atualização transfere o cadastro para o novo endereço.

Para onde ligo em caso de dúvida?

121 (Disque Social, do MDS) para Cadastro Único e Bolsa Família; 135 para o INSS e o BPC; a central da sua distribuidora de energia para a Tarifa Social; e, claro, o CRAS da sua cidade.

O que observar nas próximas semanas

  • 12/11/2026: fim do prazo contra o cancelamento (Públicos 2 e 5) e contra o bloqueio (Público 8).
  • 16, 17 e 18/11: pagamento do Bolsa Família de novembro. É no extrato e nos apps que costumam aparecer os avisos de bloqueio.
  • 23 a 30/11: 8ª parcela do Pé-de-Meia, programa que também usa o Cadastro Único (R$ 200; R$ 225 na EJA).
  • 24/11 a 7/12: pagamentos do INSS e do BPC de novembro.
  • 10/12/2026: próximo prazo da Revisão (cancelamento para os Públicos 3 e 6; bloqueio para o Público 9).
  • Fim de 2026: o MDS pode revisar as datas marcadas com asterisco (de janeiro a abril de 2027). Vamos atualizar este guia se houver mudança.
  • 31/12/2026: fim da dispensa de biometria para Bolsa Família, seguro-desemprego e abono, tema do nosso post sobre a CIN.

O Cantinho vai acompanhar. A regra de ouro: cadastro em dia, dados verdadeiros e nenhum link suspeito. Se este guia ajudou, mande para aquela vizinha, mãe ou avó que recebe Bolsa Família ou BPC e talvez nem saiba que está na lista.

Fontes

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Atualizado em 31/10/2026 (15h, horário de Brasília). Fontes principais: MDS, Instrução Normativa Conjunta nº 2/2026, Anexo I (edição de agos...