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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Dólar abaixo de R$ 5 após o 1º turno: o que muda no seu bolso — viagem, cartão (IOF 3,5%), juros e poupança + checklist

Atualizado em 05/10/2026 (12h SP). Fontes: UOL (05/10/2026); Folha (05/10/2026); Exame – Ibovespa (05/10/2026); Exame – dólar (05/10/2026); Agência Brasil – Boletim Focus (05/10/2026); Agência Brasil – Copom (16/09/2026); Comunicado BC nº 45.963 (Selic e próxima reunião); Valor Investe (23/09/2026); g1 – IOF em viagens; BC – Circular 3.918 (cartão internacional); BC – Instrução Normativa 256/2022; BC – Cartilha de Câmbio; Lei 12.703/2012 (poupança); Estadão E-Investidor. Conteúdo informativo, sem vínculo com o Banco Central ou qualquer órgão oficial. Cotações mudam a todo minuto: confira sempre no seu banco.

Mãos contando notas de 50 e 20 dólares americanos, simbolizando a queda do dólar abaixo de R$ 5 após o 1º turno

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

A segunda-feira (5) começou com uma notícia que muita gente esperava ver há meses: o dólar caiu abaixo de R$ 5. Logo depois do resultado do 1º turno das Eleições 2026, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 4,994 por volta das 10h, queda de 4,3% em relação ao fechamento anterior, de R$ 5,22, segundo o UOL. A Folha registrou mínima de R$ 4,973 pela manhã. Pelo levantamento do UOL, a última vez que o dólar tinha fechado abaixo de R$ 5 foi em 18 de maio deste ano.

A Bolsa disparou: o Ibovespa passou dos 200 mil pontos pela primeira vez e chegou a 207.437 pontos na máxima da manhã. E os juros futuros caíram com força. Analistas atribuem o movimento ao resultado do 1º turno, em que, segundo a Exame, Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). Os dois disputam o 2º turno no dia 25 de outubro.

Aqui a gente fala do seu bolso: vale comprar moeda para a viagem? A fatura do cartão em dólar fica mais barata? E os juros e a poupança? Veja as respostas, os números do dia, um checklist e um alerta de golpe.

Os números do dia (e o que eles significam)

Indicador Antes Segunda (5/10), manhã
Dólar comercialR$ 5,22 (fechamento anterior)R$ 4,994 às 10h (−4,3%); mínima de R$ 4,973
Ibovespa192.114 pontos (sexta, 2/10)máxima de 207.437 pontos; 206.346 pontos às 11h33 (+7,29%)
Juros futuros (DI jan/2028)13,509%12,735% às 9h37
Selic (hoje)14% até 16/0913,75% ao ano desde 17/09
IPCA 2026 (projeção Focus)4,99%5,01% (3ª alta seguida)
Dólar no fim de 2026 (Focus)R$ 5,20R$ 5,20 (mantido)

Dados de mercado: UOL, Folha e Exame, com horários indicados. Focus e Selic: Agência Brasil e Banco Central. Os valores de fechamento do dia podem ser diferentes.

Repare num detalhe da tabela: mesmo depois da queda de hoje, a projeção do Boletim Focus para o dólar no fim do ano continua em R$ 5,20. Ou seja, o mercado ainda não trata o "dólar abaixo de R$ 5" como algo garantido até dezembro. A Exame cita, por outro lado, projeção do JP Morgan de que a cotação pode testar R$ 5,00 e avançar para R$ 4,95 ou até R$ 4,80 nas próximas semanas. Ou seja: ninguém sabe, e o 2º turno ainda pode mexer com o câmbio.

Vai viajar? O que muda (e o que não muda)

Para quem tem viagem marcada, cada dólar custa menos reais. Mas o câmbio é só uma parte da conta.

O IOF continua em 3,5%

Desde julho de 2025, quando o STF restabeleceu o decreto do governo, o IOF é de 3,5% nas compras internacionais com cartão de crédito, débito, pré-pago ou multimoedas e também na compra de dinheiro em espécie, como explicou o g1. A diferença está no momento da cobrança: no cartão de crédito, o imposto incide no dia de cada compra; no pré-pago ou multimoedas, na hora em que você carrega o cartão.

Comprar tudo hoje ou aos poucos?

A recomendação que aparece de forma quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo Estadão E-Investidor é não tentar acertar o "dia perfeito". O caminho mais seguro é comprar a moeda aos poucos, formando um preço médio. A própria Cartilha de Câmbio do Banco Central lembra: você não precisa comprar de uma vez só todo o valor em moeda estrangeira de que vai precisar.

Compare o VET, não só a cotação

A taxa do cartaz não é o que você paga no final. O Banco Central criou o VET (Valor Efetivo Total), que soma a taxa de câmbio, o imposto e as tarifas da operação. É esse número que você deve comparar entre um lugar e outro. Pelo aplicativo Câmbio Legal, do Banco Central, dá para encontrar pontos de câmbio autorizados e consultar o VET.

Saguão de check-in do Aeroporto Internacional de Guarulhos com passageiros, filas organizadas e placa de embarque internacional

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

Cartão de crédito em dólar: a fatura fica mais barata?

Depende da data da compra. Pela regra do Banco Central para cartões de uso internacional emitidos no Brasil, o banco é obrigado a oferecer o pagamento da fatura pelo valor em reais convertido na data de cada gasto. A conversão pelo dólar do dia do pagamento da fatura só pode ser usada se o banco oferecer essa opção e você aceitar expressamente.

Na prática:

  • Compras feitas antes de hoje (uma assinatura, um app, uma compra em site estrangeiro) já foram convertidas pela taxa daquele dia. A queda de hoje não muda esse valor — a não ser que o seu cartão use o sistema de conversão no dia do pagamento.
  • Compras feitas a partir de agora serão convertidas pela taxa do dia em que acontecerem. Se o dólar seguir mais baixo, elas sairão mais baratas em reais.
  • A fatura precisa mostrar, para cada gasto, a data, a moeda, o valor em dólar, a taxa de conversão usada e o valor final em reais. Vale conferir.

Outro direito pouco conhecido: o emissor do cartão deve divulgar, até as 10h (horário de Brasília), a taxa de conversão usada no dia anterior, e manter um histórico dessas taxas. Pela Instrução Normativa BCB 256/2022, essa consulta tem que estar nos canais remotos, com quatro casas decimais, histórico de pelo menos 180 dias e sem precisar de login. Dá para consultar antes de comprar.

Saque no exterior pelo cartão de crédito? Segundo a Cartilha de Câmbio do BC, funciona como empréstimo e pode ter juros.

E os juros do empréstimo, do financiamento e a poupança?

Aqui é preciso separar duas coisas: Selic e juros futuros.

A Selic, taxa básica da economia, está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro, quando o Copom fez um corte de 0,25 ponto, o quinto seguido, segundo a Agência Brasil. Ela não mudou hoje e só pode mudar na próxima reunião do Copom, marcada para 3 e 4 de novembro, com decisão na tarde do dia 4. O mercado está dividido: na pesquisa Pré-Copom divulgada pelo BC e citada pelo Valor Investe, 60 instituições esperavam que o corte fosse interrompido em novembro, contra 53 que previam nova redução de 0,25 ponto. O Focus de hoje projeta a Selic em 13,5% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027.

Já os juros futuros (as taxas de DI negociadas na B3) caíram forte nesta segunda: o contrato para janeiro de 2028 saiu de 13,509% para 12,735% no começo da manhã, segundo o UOL. Se a queda se mantiver, ela pode, com o tempo, aliviar taxas de crédito prefixado — mas isso não acontece da noite para o dia e depende de cada banco.

Fachada do prédio do Banco Central do Brasil em Brasília, com o letreiro Banco Central do Brasil sobre a entrada

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O que fazer com as suas dívidas

  • Cartão rotativo e cheque especial continuam entre os créditos mais caros. Nenhuma mudança de um dia no mercado resolve isso: se você está nessas linhas, a prioridade segue sendo sair delas.
  • Vai contratar crédito prefixado (consignado, pessoal, financiamento)? Vale pedir simulação em mais de um banco e comparar o Custo Efetivo Total (CET), não só a taxa de juros anunciada.

A poupança muda?

Não. Pela Lei 12.703/2012, enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Com a Selic em 13,75%, essa regra continua valendo — e só mudaria se a Selic caísse para 8,5% ou menos.

E a inflação no supermercado?

Dólar mais barato pode ajudar em produtos importados, mas o efeito não é imediato nem garantido. E a projeção do mercado para a inflação de 2026 subiu pela terceira semana seguida, para 5,01%, acima do teto da meta, de 4,5%, segundo o Boletim Focus. Ou seja: o orçamento de casa ainda pede cuidado.

⚠️ Alerta de golpe: "dólar barato" fora do lugar certo

Movimentos fortes no câmbio atraem golpistas. Fique atento a:

  • Ofertas de dólar abaixo da cotação por WhatsApp, redes sociais ou "conhecidos de conhecidos". A Cartilha de Câmbio do BC é clara: nunca use o mercado paralelo. Não há garantia de que as notas sejam verdadeiras e você fica sem recibo para comprovar a origem do dinheiro.
  • Empresas sem autorização: só bancos, corretoras e outras instituições autorizadas pelo Banco Central (ou correspondentes contratados por elas) podem vender moeda estrangeira. Confira pelo app Câmbio Legal.
  • Promessas de "travar a cotação de hoje" pagando agora e recebendo os dólares só lá na frente, com desconto. Desconfie e confirme se a empresa é autorizada antes de transferir qualquer valor.

Checklist do bolso para esta semana

  • ✅ Tenho viagem marcada? Anotei quanto preciso em dólar e vou comprar em etapas, não tudo de uma vez.
  • ✅ Comparei o VET (taxa + IOF de 3,5% + tarifas) em pelo menos dois lugares autorizados.
  • ✅ Conferi no app do banco a taxa de conversão do cartão (divulgada até as 10h) antes de comprar em dólar.
  • ✅ Verifiquei na fatura se o meu cartão converte pela data do gasto ou pela data do pagamento.
  • ✅ Não vou sacar dinheiro no exterior com o cartão de crédito (pode ter juros).
  • ✅ Vou pedir simulação e comparar o CET antes de contratar qualquer empréstimo.
  • ✅ Anotei as datas: 2º turno em 25/10 e decisão do Copom em 4/11.
  • ✅ Não vou comprar dólar "barato" de vendedor informal nem clicar em promessa de lucro garantido.

Datas que podem mexer com o seu dinheiro

Data O quê Por que importa
Toda segunda-feiraBoletim Focus (Banco Central)Mostra o que o mercado espera para inflação, Selic e dólar
25/10/20262º turno das eleiçõesO resultado pode provocar nova oscilação forte no câmbio e na Bolsa
3 e 4/11/2026Reunião do Copom (decisão no dia 4)Define se a Selic fica em 13,75% ou cai de novo

Perguntas frequentes

Paguei uma compra em dólar semana passada. Vou pagar menos?

Na regra padrão do Banco Central, não: a compra é convertida pela taxa da data do gasto. Só muda se o seu cartão usa a conversão pela data do pagamento da fatura, opção que precisa ter sido aceita por você.

A Selic caiu hoje?

Não. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro e só pode mudar na reunião do Copom de 3 e 4 de novembro. O que caiu hoje foram os juros futuros negociados no mercado.

Vale tirar o dinheiro da poupança para comprar dólar ou ações?

Depende do objetivo. Dólar faz sentido para quem tem gasto em moeda estrangeira, como uma viagem. Reserva de emergência pede segurança e liquidez, e ninguém garante lucro com câmbio ou Bolsa.

Resumo

Dólar abaixo de R$ 5 e Ibovespa acima de 200 mil pontos após o 1º turno. Para o seu bolso: quem vai viajar pode aproveitar comprando aos poucos e comparando o VET; o IOF segue em 3,5%; no cartão, vale a taxa da data de cada compra; a Selic continua em 13,75% até o Copom de 4/11; e a poupança não muda. Fique de olho no 2º turno, dia 25/10, e fuja de dólar "barato" vendido fora dos canais autorizados.

Gostou do guia? Salve este post e mande para aquele amigo que está planejando viajar. Aqui no Cantinho Verde Lar a gente traz, todo dia, o que mexe com o seu bolso e os seus direitos.

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Dólar abaixo de R$ 5 após o 1º turno: o que muda no seu bolso — viagem, cartão (IOF 3,5%), juros e poupança + checklist

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