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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lula vai cortar gastos? O que está na mesa do ajuste depois da eleição e o que muda (ou não) no seu bolso — Bolsa Família, abono, salário mínimo de R$ 1.741, LCI/LCA com IR, Copom em 4/11, calendário até a posse, golpes + checklist

Atualizado em 27/10/2026 (8h, horário de Brasília). Fontes principais: CNN Brasil – o tripé de medidas em estudo (26/10); Folha – PEC do centro da meta e menos crédito subsidiado (25–26/10); Estadão – entrevista de Dario Durigan (26/10); O Globo – a “caixa de ferramentas” da Fazenda (27/10); Ministério do Planejamento – Orçamento de 2027.

Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com os prédios dos ministérios enfileirados ao lado do Eixo Monumental, com texto sobre o que está na mesa do ajuste fiscal e o efeito no bolso

É na Esplanada dos Ministérios que o “cardápio” do ajuste está sendo montado — mas nada foi publicado ainda. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (2018), via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

“Lula vai cortar gastos?” virou uma das buscas mais feitas do Brasil nesta terça-feira (27/10), segundo o Google Trends. A pergunta faz sentido: dois dias depois da reeleição, o dólar subiu mais de 8% e a Bolsa caiu mais de 13% em um único pregão, o Tesouro precisou intervir no mercado de títulos e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, passou a segunda-feira dizendo que o governo vai “buscar o centro da meta”, rever despesas obrigatórias e cortar parte dos incentivos. Para quem depende de Bolsa Família, INSS, abono salarial, salário mínimo ou tem dinheiro aplicado em LCI e LCA, a dúvida é direta: o meu dinheiro está em risco?

A resposta curta, hoje, é: nenhuma medida de corte foi publicada, votada ou anunciada oficialmente. O que existe é um cardápio em estudo, relatado por CNN Brasil, Folha, Estadão e O Globo, que ainda precisa passar pelo presidente — e, em boa parte, pelo Congresso. Neste guia, o Cantinho separa com calma o que já está decidido, o que está só em estudo, o que não muda agora, o calendário das próximas semanas (Copom em 4/11, IPCA em 12/11, Bolsa Família em 16 a 18/11, posse em 5/1/2027), exemplos de quem pode sentir o quê, os golpes que costumam aparecer nesses momentos e um checklist prático.

Resumo em 30 segundos

  • Nada mudou no seu benefício hoje. Bolsa Família, INSS, BPC, abono e seguro-desemprego seguem com as regras e calendários atuais. Qualquer mudança precisa de lei, medida provisória, decreto ou emenda publicada no Diário Oficial.
  • O que está em estudo (segundo a imprensa): uma PEC ou lei para perseguir o centro da meta fiscal; revisão de gastos obrigatórios; “racionalização” de benefícios sociais para evitar sobreposição (o exemplo citado é o abono salarial para quem está saindo do Bolsa Família); nova tentativa de cobrar IR sobre LCI, LCA, CRI e CRA; mudança no cálculo dos pisos de saúde e educação; menos crédito subsidiado; limite a supersalários e “penduricalhos”.
  • O que já está decidido desde 2024 e segue valendo: o ganho real do salário mínimo fica entre 0,6% e 2,5% ao ano, e o teto de renda do abono vai encolhendo até 1,5 salário mínimo.
  • Salário mínimo de 2027: o Orçamento enviado em agosto prevê R$ 1.741 (hoje é R$ 1.621). O valor final sai por decreto no fim do ano, depois do INPC de novembro.
  • Juros: a Selic está em 13,75%. O Copom decide em 4/11, depois das 18h30. O estresse do mercado pode mexer com as apostas de corte.
  • Golpe à vista: mensagens de “recadastramento para não perder o benefício” vão circular. Governo não pede dados por SMS ou WhatsApp com link.

Por que “Lula vai cortar gastos” virou a busca do dia

A eleição de domingo (25/10) foi decidida a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a reação do mercado na segunda-feira (26/10) foi dura. Segundo O Globo, o dólar teve alta de mais de 8%, a Bolsa caiu mais de 13% — o maior recuo diário desde 2020 — e os juros dos títulos de médio e longo prazo subiram mais de dois pontos. O Estadão registrou que a B3 acionou o circuit breaker (a pausa automática nas negociações) pela primeira vez desde a pandemia. O Tesouro Nacional interveio duas vezes recomprando títulos; numa delas, foram R$ 7,1 bilhões, segundo entrevista de Durigan ao O Globo.

O que o mercado diz querer é um sinal claro de como as contas públicas vão fechar a partir de 2027. Antes da eleição, a Exame reportou que instituições financeiras estimavam a necessidade de um esforço fiscal de 3% a 4% do PIB (cerca de R$ 400 bilhões) para estabilizar a dívida — número que é estimativa desses analistas, não do governo, e que pode combinar corte de despesas, aumento de receita e revisão de benefícios tributários. Na mesma reportagem, Lula, em sabatina na TV Globo em 15/10, disse: “Eu estou propondo não cortar dinheiro do pobre”.

Depois do resultado, Durigan falou à imprensa. Ao Estadão/Broadcast, afirmou: “Nós vamos mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta”, e citou a revisão de “emenda parlamentar ou super salário, ou aposentadorias especiais” para abrir espaço fiscal. Na noite de segunda, segundo O Globo, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para começar a tratar do tema. Até a manhã desta terça, nenhum pacote havia sido anunciado.

O que está na mesa: medida por medida

A tabela abaixo reúne o que foi relatado pela imprensa entre 25 e 27/10. A coluna “status” é a parte mais importante: “em estudo” significa que não vale nada ainda.

MedidaO que éQuem pode sentirStatus (27/10)Fonte
Buscar o centro da meta fiscalMudar lei ou Constituição para permitir congelar mais despesas quando a arrecadação vier abaixo do previsto. A meta de 2027 é superávit de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB)Indiretamente, quem depende de gastos “não obrigatórios” (obras, programas, custeio). Benefícios obrigatórios não são congelados por contingenciamentoEm estudo; Durigan diz que quer mudar “ainda este ano”Folha, Estadão, O Globo
Revisão de gastos obrigatóriosRever regras de despesas que o governo é obrigado a pagarDepende do que for escolhido — ainda não detalhadoEm estudo, sem lista oficialFolha, O Globo
“Racionalizar” benefícios sociaisEvitar que a mesma pessoa receba dois benefícios sobrepostos. Exemplo citado: quem sai do Bolsa Família ao conseguir carteira assinada deixaria de receber o abono salarial durante o período de transiçãoFamílias em transição do Bolsa Família para o emprego formalEm estudoCNN Brasil
IR sobre LCI, LCA, CRI e CRANova tentativa de acabar com a isenção de Imposto de Renda dessas aplicaçõesQuem investe nesses títulos (pessoa física)Em estudo; em 2025 a MP 1.303 previa 5% e perdeu a validade sem votaçãoCNN Brasil, Agência Câmara
Pisos de saúde e educaçãoDuas ideias relatadas: contar dentro do piso gastos que hoje ficam fora (merenda, saneamento, algumas emendas) e/ou limitar a correção ao ritmo do arcabouço (inflação + até 2,5%)Indiretamente, usuários do SUS e da rede pública, conforme o desenhoEm estudo; não está claro se Lula vai encamparCNN Brasil, Folha
Menos crédito subsidiadoNão renovar linhas como a Move Brasil (veículos para motoristas de aplicativo e taxistas, motos para entregadores)Motoristas e entregadores que pretendiam usar a linhaEm estudoFolha
Supersalários e “penduricalhos”Projeto para limitar adicionais acima do teto, sobretudo no JudiciárioServidores que recebem acima do tetoEm estudoFolha, Estadão
Alíquotas da CBS e do Imposto SeletivoEnvio das alíquotas dos novos tributos da reforma tributáriaTodos os consumidores, a partir da transiçãoPrevisto no cardápio, sem dataFolha

Durante a campanha, também foram prometidas medidas que aumentam gastos ou renúncias, segundo a Folha: perdão de dívidas de microempreendedores, o “Pix de R$ 5.000” para MEIs, a ampliação do teto do MEI, o reajuste do Bolsa Família, tarifa zero no transporte urbano e a compra de dívidas antigas de pessoas físicas. O Ministério do Planejamento calculou em cerca de R$ 20 bilhões o remanejamento necessário no Orçamento de 2027 para acomodar parte delas, segundo a CNN Brasil; o Estadão calcula ao menos R$ 39,8 bilhões. A diferença entre os dois números vem de critérios diferentes — e mostra por que o debate do “onde cortar” vai esquentar.

O que NÃO mudou (e o que já estava decidido antes)

Muita gente confunde “o governo estuda” com “o governo cortou”. Veja o que segue valendo hoje:

  • Bolsa Família: o piso por família passou de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777, reajuste anunciado em setembro (dados citados pela CNN Brasil). O pagamento de novembro está marcado para 16, 17 e 18/11 (veja o calendário completo).
  • INSS: o pagamento de outubro começou em 26/10 e vai até 9/11, por final do cartão (calendário aqui). Nada no cardápio relatado mexe no valor das aposentadorias já concedidas.
  • Salário mínimo: a regra aprovada em dezembro de 2024 (Lei 15.077) limita o ganho real entre 0,6% e 2,5% ao ano até 2030, segundo a Agência Câmara e a Agência Senado. Para 2027, o projeto de Orçamento estima R$ 1.741 (INPC previsto de 4,93% + 2,3% de aumento real).
  • Abono salarial (PIS/Pasep): já está ficando mais restrito por lei. Pelas projeções do Ministério do Trabalho publicadas pelo g1, o teto de renda cai de 2 salários mínimos para cerca de 1,96 (2026), 1,89 (2027), 1,83 (2028), 1,79 (2029) e 1,77 (2030), até chegar a 1,5. Em 2027, 1,58 milhão de trabalhadores devem ficar de fora por essa regra.
  • BPC e CadÚnico: desde o pacote de 2024, o cadastro precisa ser atualizado a cada 24 meses e há exigência de biometria. Em dezembro de 2025, o Congresso manteve vetos a critérios mais duros para o BPC e para o reingresso no Bolsa Família, segundo a Agência Senado.
  • LCI e LCA: seguem isentas de IR para pessoa física. A MP 1.303/2025, que previa 5%, foi retirada de pauta e perdeu a validade em outubro de 2025, segundo a Agência Câmara.
Mulher sorridente de camiseta azul sentada em sua banca de artesanato, cercada de panos de crochê coloridos e uma boneca de pano, em feira de Novo Cruzeiro, Minas Gerais

Beneficiária do Bolsa Família em sua banca de artesanato em Novo Cruzeiro (MG). Foto de arquivo (2010), para ilustrar: quem depende de programas sociais deve acompanhar só os canais oficiais. Leonardo Lara/Aldeia (publicada no Flickr por Helio Costa15), via Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0, recortada.

Já vimos esse filme: o que aconteceu no pacote de 2024

Para entender o que pode vir, ajuda lembrar o último pacote. Em outubro de 2024, a equipe econômica também passou semanas “esperando o aval” do presidente; o anúncio só veio em 27 de novembro de 2024, com economia estimada em R$ 70 bilhões em dois anos, segundo o g1. O Congresso aprovou a versão final em dezembro. O que mudou na vida das pessoas:

  • o aumento real do salário mínimo passou a ter teto (2,5%) e piso (0,6%);
  • o abono salarial começou a encolher gradualmente;
  • o CadÚnico ficou mais exigente (atualização a cada 24 meses, biometria);
  • parte das propostas mais duras para o BPC foi vetada ou alterada.

A lição prática: entre o “estudo” e o efeito no bolso costuma haver semanas ou meses, com anúncio, texto publicado, votação no Congresso e regras de transição. Não há motivo para pânico hoje, mas há motivo para ficar atento às próximas datas.

Calendário: as datas que importam até a posse

DataO que acontecePor que importa para o seu bolso
27/10 (hoje)Mercado segue sob monitoramento; Fazenda diz que pode voltar a intervir com leilões do TesouroDólar e juros mais altos chegam ao cartão em moeda estrangeira, a viagens e, com o tempo, a preços
30/10 (sexta)Lote residual da restituição do IR cai na conta (detalhes)Dinheiro já garantido; não depende do ajuste
31/10 a 2/11Feriadão de Finados (o que abre e fecha)Bancos fechados na segunda (2/11); contas que vencem no dia podem ser pagas em 3/11
3 e 4/11Reunião do Copom; decisão sobre a Selic sai em 4/11, depois das 18h30Define o rumo dos juros do crédito, do CDB, do Tesouro Selic e da poupança
10/11Ata do Copom (8h)Mostra como o BC leu o estresse pós-eleição e o risco fiscal
12/11IBGE divulga o IPCA e o INPC de outubro (9h)O INPC acumulado entra na conta do salário mínimo de 2027
16, 17 e 18/11Bolsa Família de novembroCalendário mantido; nada do cardápio do ajuste muda este pagamento
Até 30/111ª parcela do 13º salário dos trabalhadores CLTDireito garantido em lei
8 e 9/12Última reunião do Copom de 2026Novo ajuste possível na Selic
DezembroIBGE divulga o INPC de novembro (data a confirmar no calendário do IBGE); governo publica o decreto do salário mínimo de 2027Fecha o valor do mínimo, das aposentadorias de um salário e do BPC
Novembro–dezembroPossível envio de PEC ou projeto de lei sobre a meta fiscal; votação do Orçamento de 2027 no CongressoQuando o “cardápio” vira texto oficial — ou não. Datas não confirmadas
5/1/2027Posse do presidente eleito (nova data fixada pela Emenda Constitucional 111)Início formal do novo mandato e da nova equipe econômica

Fontes do calendário: Banco Central (calendário do Copom de 2026), IBGE (calendário de divulgações), Agência Senado (posse em 5/1) e posts do Cantinho com os calendários de pagamento. As datas de envio de PEC e votação do Orçamento são expectativas, não compromissos oficiais.

Dólar, juros e Copom: o efeito que já chegou

Mesmo sem nenhuma medida publicada, a reação do mercado já tem efeito sobre o bolso — e é aqui que a maioria das famílias vai sentir primeiro:

  • Compras em dólar: fatura de cartão com compras internacionais, assinaturas cobradas em dólar e passagens ficam mais caras. Lembre que o IOF de compras no exterior no cartão é de 3,5%. Detalhamos isso no post Dólar dispara 8% e Bolsa cai 13,9%.
  • Preços: dólar alto, se durar, encarece combustíveis, trigo, eletrônicos e insumos — mas esse repasse leva semanas ou meses e não é automático.
  • Juros: a Selic está em 13,75% desde 17/9, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto. Antes da eleição, a mediana do boletim Focus apontava 13,25% no fim de 2026 (dado de 19/10). Esse número foi coletado antes do estresse de 26/10 e pode mudar nos próximos boletins (saem às segundas-feiras). Se o Copom pausar os cortes, crédito pessoal, cartão rotativo e financiamentos ficam caros por mais tempo; se cortar, CDB e Tesouro Selic rendem um pouco menos.
  • Aplicações: Tesouro Direto e fundos podem ter oscilação forte em dias de estresse. Quem não precisa do dinheiro agora não deve vender no susto; quem precisa deve verificar prazo de resgate e eventual marcação a mercado antes de mexer.
Quadro em três partes: o que já está decidido, com salário mínimo de 1.621 reais em 2026 e 1.741 previstos para 2027; barras com o teto de renda do abono salarial caindo de 2 para 1,77 salário mínimo entre 2025 e 2030; e uma linha do tempo com Copom em 4 de novembro, IPCA em 12 de novembro, Bolsa Família de 16 a 18 de novembro e posse em 5 de janeiro de 2027

O que já está decidido, o que encolhe por lei e as datas até a posse. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados do Ministério do Planejamento (PLOA 2027), do Ministério do Trabalho via g1 (abono) e do Banco Central/IBGE (calendários). R$ 1.741 é estimativa oficial, sujeita ao INPC de novembro.

Exemplos (hipotéticos) para entender a conta

Os nomes abaixo são fictícios. Os cálculos usam números oficiais quando existem e estimativas, quando indicado.

1) Dona Lúcia, aposentada do INSS com um salário mínimo

Hoje recebe R$ 1.621. Se o decreto confirmar os R$ 1.741 previstos no Orçamento, a aposentadoria sobe R$ 120 por mês a partir do pagamento de janeiro de 2027 (que cai entre o fim de janeiro e o início de fevereiro). Em 13 pagamentos (12 meses + 13º), seriam cerca de R$ 1.560 a mais no ano — estimativa: o valor final depende do INPC de novembro. Nada do cardápio relatado até agora mexe na regra de reajuste dela; mudar isso exigiria nova lei.

2) Família da Joana, no Bolsa Família, com o filho começando de carteira assinada

O filho de Joana conseguiu o primeiro emprego formal. Pela regra atual, a família pode ficar um período em transição no programa (a chamada regra de proteção), e o filho, se cumprir os requisitos, poderá receber o abono salarial no futuro. A ideia relatada pela CNN Brasil é justamente impedir essa sobreposição: quem está no “desmame” do Bolsa Família não teria direito ao abono ao mesmo tempo. Nada disso vale hoje. O que Joana deve fazer agora: manter o CadÚnico atualizado (inclusive informando o novo salário, o que é obrigatório) e acompanhar só os canais oficiais.

3) Marcos, que guarda R$ 20 mil numa LCI que paga 90% do CDI

Com a Selic em 13,75%, o CDI fica perto de 13,65% ao ano (aproximação). A 90% do CDI, o rendimento bruto é de cerca de 12,3% ao ano, ou R$ 2.457 em 12 meses. Hoje esse rendimento é isento. Se uma nova proposta repetisse os 5% da MP de 2025 — cenário hipotético, sem texto oficial —, o IR seria de cerca de R$ 123 por ano. Pela MP de 2025, títulos já emitidos manteriam a isenção; uma nova proposta pode ter outra regra. Conclusão: não faz sentido resgatar com pressa e perder rendimento por uma medida que nem existe; vale ler o texto se ele for publicado.

4) Rafael, entregador que planejava trocar a moto pela linha Move Brasil

Segundo a Folha, a equipe econômica não pretende renovar linhas de crédito subsidiado como a Move Brasil. Se Rafael já tem a operação aprovada, deve conferir com o banco os prazos e condições. Se ainda está pesquisando, vale comparar o CET (custo efetivo total) da linha com o de um financiamento comum e não assinar com pressa por medo de “a linha acabar amanhã” — confirme a data de encerramento no site oficial ou no banco.

5) Cláudia, com dívida no cartão e no cheque especial

Para ela, o ajuste fiscal pesa sobretudo pelos juros. Se o Copom interromper os cortes da Selic em 4/11, o crédito continua caro. A prioridade é trocar a dívida mais cara (rotativo e cheque especial) por uma mais barata, negociar pelos canais oficiais do banco e não aceitar ofertas de “limpa nome” por WhatsApp. Lembre que o Banco Central mudou regras de oferta de empréstimo (veja aqui).

Quem deve prestar mais atenção nas próximas semanas

  • Quem recebe abono salarial ou vai receber em 2027: é o benefício citado nominalmente como alvo de “racionalização”. Além disso, o teto de renda já está encolhendo por lei.
  • Famílias do Bolsa Família em transição para o emprego formal: pelo mesmo motivo.
  • Investidores de LCI, LCA, CRI e CRA: a isenção de IR é alvo de nova tentativa.
  • Motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores que contam com crédito subsidiado.
  • Servidores com adicionais acima do teto (os chamados penduricalhos).
  • Quem tem dívidas ou compras em dólar: pelo efeito de juros e câmbio, que independe de qualquer medida.

Também vale acompanhar o tema das aposentadorias especiais, citado por Durigan como um dos pontos de revisão. A fala não detalhou de quais regimes se trata. Se você trabalha exposto a agentes nocivos, veja nosso guia sobre a decisão do STF sobre aposentadoria especial — e não tome decisões com base em boatos.

Como saber se uma mudança é real (e não boato)

  1. Procure o ato oficial. Mudança em benefício precisa de lei, medida provisória, decreto, portaria ou emenda publicada no Diário Oficial da União.
  2. Confira nos sites do governo: gov.br/planalto, gov.br/fazenda, gov.br/mds (Bolsa Família) e gov.br/inss.
  3. Veja se foi votado. PEC precisa de dois turnos na Câmara e no Senado; projeto de lei precisa passar pelas duas Casas e pela sanção. As agências Câmara e Senado publicam cada etapa.
  4. Desconfie de datas “imediatas”. Mudanças em benefícios quase sempre têm regra de transição. Mensagem dizendo que “a partir de amanhã você perde” é sinal de golpe ou desinformação.
  5. Diferencie “estudo” de “anúncio”. Reportagens com “a equipe avalia”, “está no radar” ou “em estudo” descrevem possibilidades, não regras.

Atenção aos golpes

Momentos de incerteza sobre benefícios são os preferidos dos golpistas. Fique atento a:

  • “Recadastramento urgente para não perder o Bolsa Família/INSS” por SMS, WhatsApp ou e-mail com link. O governo não pede senha, código ou foto de documento por link.
  • “Taxa para garantir o benefício” ou “taxa de liberação”. Benefício social não cobra taxa.
  • Falsos atendentes que ligam dizendo ser do INSS, da Caixa ou do MDS e pedem para instalar aplicativo ou fazer Pix.
  • Páginas falsas imitando gov.br, com endereço parecido. Confira se o site termina em .gov.br.
  • Ofertas de investimento “à prova de crise” prometendo rendimento alto e garantido por causa do dólar. Desconfie de retorno garantido muito acima do CDI.

Canais oficiais: app Bolsa Família e Caixa Tem; Disque Social 121 (MDS); Meu INSS (app/site) e telefone 135; atendimento da Caixa 111 (opção para benefícios sociais). Se clicou em link suspeito, siga o passo a passo do Ministério da Justiça, troque senhas e avise seu banco.

Checklist: o que fazer agora

  • ☐ Não cancele, não resgate e não peça empréstimo com base em boato — espere o texto oficial.
  • ☐ Confira se seu CadÚnico está atualizado (menos de 24 meses) e com a renda correta.
  • ☐ Anote as datas: Copom em 4/11, IPCA em 12/11, Bolsa Família em 16 a 18/11, 1ª parcela do 13º até 30/11, posse em 5/1/2027.
  • ☐ Se recebe salário mínimo ou benefício de um salário, conte com a estimativa de R$ 1.741 em 2027 só depois do decreto de dezembro.
  • ☐ Se tem compras em dólar no cartão, reveja o orçamento da próxima fatura.
  • ☐ Se tem dívida cara, priorize quitar ou trocar o rotativo e o cheque especial.
  • ☐ Se investe em LCI/LCA, não resgate por medo: hoje a isenção continua. Acompanhe se surgir proposta.
  • ☐ Se vai usar crédito subsidiado (como a Move Brasil), confirme com o banco o prazo da linha.
  • ☐ Salve os canais oficiais (121, 135, 111) e ignore links recebidos por mensagem.
  • ☐ Acompanhe as agências Câmara e Senado para saber se alguma PEC ou projeto foi apresentado.

Perguntas frequentes

O Bolsa Família vai ser cortado?

Não há nenhuma medida publicada que corte o Bolsa Família. O que foi relatado é um estudo para evitar sobreposição entre benefícios — o exemplo citado é o abono salarial para quem está saindo do programa. O valor mínimo segue em R$ 691 e o pagamento de novembro está mantido para 16 a 18/11.

Minha aposentadoria do INSS vai diminuir?

Não há proposta conhecida para reduzir aposentadorias já concedidas. O reajuste de 2027 segue a regra atual: quem ganha um salário mínimo deve ir a cerca de R$ 1.741 (estimativa); quem ganha acima do mínimo é corrigido pelo INPC.

O abono salarial vai acabar?

Não há proposta publicada para acabar com o abono. Ele já está ficando mais restrito por lei (teto de renda caindo até 1,5 salário mínimo), e a equipe econômica estuda regras contra sobreposição com o Bolsa Família.

Quando o pacote será anunciado?

Não há data oficial. Durigan disse que quer mudar a regra da meta fiscal “nesses dois meses que restam” de 2026. Em 2024, o pacote foi anunciado no fim de novembro. Qualquer data diferente disso é especulação.

LCI e LCA vão pagar Imposto de Renda?

Hoje, não. A isenção para pessoa física continua. A equipe econômica estuda uma nova tentativa de cobrar IR, mas não há texto. Em 2025, a MP com essa proposta perdeu a validade sem ser votada.

O salário mínimo de 2027 já está definido?

Não. O Orçamento estima R$ 1.741, mas o valor final é fixado por decreto no fim do ano, depois do INPC de novembro.

O que é “centro da meta”?

A meta fiscal tem um valor central (para 2027, superávit de 0,5% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões) e uma margem de tolerância de 0,25 ponto do PIB para mais ou para menos. Hoje, os bloqueios de despesa miram o limite de baixo da meta. Mirar o centro significa poder congelar mais gastos se a arrecadação vier fraca.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe. O governo e o Banco Central disseram que vão agir para dar “racionalidade” ao mercado, e o comportamento do câmbio deve depender dos sinais sobre a política fiscal e da escolha da nova equipe econômica.

Quem será o ministro da Fazenda?

Não foi anunciado. A Folha listou como cotados Gabriel Galípolo (atual presidente do BC), os senadores Camilo Santana e Renan Filho, o governador Rafael Fonteles e o próprio Durigan, cuja permanência é incerta.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento nem orientação jurídica. As medidas descritas como “em estudo” foram relatadas pela imprensa e não têm texto oficial; podem mudar, ser abandonadas ou ganhar regras de transição. O salário mínimo de R$ 1.741 é estimativa do projeto de Orçamento. O CDI de 13,65% e o cálculo do IR sobre LCI são aproximações do Cantinho, em cenário hipotético. Os exemplos com nomes são fictícios.

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