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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Prévia da inflação de outubro: tomate sobe 24,5%, cebola 13,6% e batata 11%, mas a conta de luz cai — o que pesa no seu bolso, Copom em 4/11, IPCA em 12/11 e checklist da feira

Atualizado em 23/10/2026 (18h, horário de Brasília). Fontes: IBGE – IPCA-15 de outubro de 2026 (publicação completa); Agência de Notícias IBGE (23/10/2026); Agência Brasil (23/10/2026); g1 (23/10/2026). Lista completa no fim do texto.

Se você foi à feira ou ao mercado nas últimas semanas e saiu com a sensação de que o dinheiro rendeu menos, a estatística oficial confirma. A prévia da inflação de outubro (IPCA-15), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (23/10), ficou em 0,32%, menos da metade dos 0,70% de setembro. Parece boa notícia, e em parte é. Mas o alívio veio quase todo da conta de luz, que voltou à bandeira verde, e das passagens aéreas. No carrinho de compras aconteceu o contrário: a comida consumida em casa subiu 1,01%, com o tomate disparando 24,54%, a cebola 13,63%, a batata-inglesa 10,96% e o arroz 5,80% em um mês. E os combustíveis voltaram a pesar: diesel +3,70%, etanol +2,73% e gasolina +0,92%.

Neste guia, explicamos em linguagem simples o que subiu e o que caiu, quanto isso pode significar na sua conta do mês, como foi a inflação na sua cidade, por que o tomate está tão caro, o que esperar da conta de luz de novembro, da Selic (o Copom decide em 4 de novembro) e do IPCA cheio (sai em 12 de novembro), e um checklist prático para gastar menos na feira, no mercado e no posto ainda nesta semana.

Banca de feira vista de cima com tomates vermelhos e alaranjados à esquerda, dois repolhos verdes no centro e um monte de quiabos à direita sobre lona azul, com texto sobre a alta de 24,54% do tomate na prévia da inflação de outubro de 2026

Tomates, repolhos e quiabos na feira livre de Jacobina (BA), em maio de 2025. Na prévia da inflação de outubro, o tomate foi o item que mais pesou no bolso. Foto ilustrativa: RQL Santos (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons, recortada e adaptada com texto; a versão adaptada segue a mesma licença.

Resumo rápido

  • IPCA-15 de outubro: 0,32% (setembro: 0,70%; outubro de 2025: 0,18%). No ano, a prévia acumula 4,15%; em 12 meses, 4,62%, acima dos 4,47% de setembro e acima do teto da meta (4,5%).
  • Comida em casa subiu 1,01% (era 0,38% em setembro): tomate +24,54%, cebola +13,63%, batata-inglesa +10,96%, arroz +5,80%.
  • Caíram: cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%), café moído (-1,16%), passagens aéreas (-9,24%) e energia elétrica residencial (-0,89%, com a volta da bandeira verde).
  • Combustíveis dos veículos subiram 1,20%: diesel +3,70%, etanol +2,73%, gasolina +0,92%. O gás veicular caiu 0,18%. O gás de botijão subiu 1,28%.
  • Comer fora ficou mais caro: refeição +0,61% e lanche +0,66%.
  • Maior alta por cidade: Belém (0,76%). Única queda: Curitiba (-0,27%). Grande São Paulo: 0,34%.
  • Próximas datas: bandeira de novembro sai em 30/10; Copom decide a Selic (hoje em 13,75%) em 4/11; IPCA cheio de outubro sai em 12/11.

Os números da prévia, grupo por grupo

O IPCA-15 é calculado pelo IBGE com a mesma metodologia do IPCA, a inflação oficial do país. A diferença está no período de coleta e na abrangência. Nesta edição, os preços foram coletados de 16 de setembro a 14 de outubro de 2026 e comparados com os de 15 de agosto a 15 de setembro. A pesquisa considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos (hoje, o mínimo é R$ 1.621) e cobre 11 áreas: as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito subiram em outubro. Veja a variação de cada um, comparada com setembro:

GrupoSetembroOutubroImpacto em outubro
Índice geral0,70%0,32%0,32 p.p.
Alimentação e bebidas0,40%0,88%0,19 p.p.
Despesas pessoais0,96%0,55%0,06 p.p.
Vestuário0,41%0,53%0,02 p.p.
Comunicação0,54%0,43%0,02 p.p.
Artigos de residência0,55%0,28%0,01 p.p.
Saúde e cuidados pessoais0,13%0,15%0,02 p.p.
Educação0,03%0,09%0,01 p.p.
Transportes0,60%0,05%0,01 p.p.
Habitação2,07%-0,10%-0,02 p.p.

Fonte: IBGE, IPCA-15 de outubro de 2026 (Tabela 1). "Impacto" é quanto cada grupo contribuiu, em pontos percentuais, para o índice geral.

Repare em duas coisas. Primeiro, a alimentação respondeu sozinha por 0,19 ponto dos 0,32% do mês, ou seja, mais da metade da prévia (pela nossa conta, cerca de 59%). Segundo, a Habitação virou de uma alta de 2,07% em setembro para uma queda de 0,10% em outubro. Essa virada, puxada pela conta de luz, é o principal motivo de o índice geral ter caído pela metade. Ou seja: a inflação desacelerou, mas não porque a comida ficou mais barata.

O economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb) da Fipe, resumiu à Agência Brasil que não houve alívio disseminado dos preços e que a maior pressão veio dos alimentos. Em outra frase reproduzida pelo site Economia Real, ele disse que "ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou".

O que mais subiu no carrinho

A alimentação no domicílio, que é a comida comprada para preparar em casa, subiu 1,01% em outubro, quase o triplo dos 0,38% de setembro. Os vilões foram itens que quase toda família compra toda semana:

  • Tomate: +24,54%, o subitem que mais pressionou a prévia de todo o índice;
  • Cebola: +13,63%;
  • Batata-inglesa: +10,96%;
  • Arroz: +5,80%.

Quando o IBGE agrupa os produtos, o retrato fica ainda mais claro. O grupo tubérculos, raízes e legumes (onde entram batata, cebola, cenoura e parentes) subiu 12,92% só em outubro, acumula 57,53% no ano e 51,62% em 12 meses. O grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas (arroz, feijão e companhia) subiu 4,00% no mês e 10,94% no ano. Hortaliças e verduras subiram 2,92% no mês e acumulam 13,96% em 12 meses.

Outros itens de mercado que vale acompanhar, segundo as tabelas do IBGE:

  • Carnes: +0,48% no mês, mas +10,79% em 12 meses;
  • Leite e derivados: -0,01% no mês, mas +11,37% no ano e +7,42% em 12 meses;
  • Panificados (pão e afins): +0,82% no mês;
  • Óleos e gorduras: +1,44% no mês, mas ainda -5,03% no ano;
  • Sal e condimentos: +1,00% no mês; enlatados e conservas: +0,94%.

Por que o tomate ficou tão caro?

O tomate está num ano fora do padrão. Segundo a CNN Brasil, ele já tinha subido 37,76% no IPCA de setembro e agora subiu mais 24,54% na prévia de outubro. Tradicionalmente, o preço cai no segundo semestre, com a safra de inverno. Em 2026, não. O pesquisador João Paulo Deleo, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), explicou à CNN que temperaturas mais baixas retardam a maturação, e que os valores entre setembro e outubro atingiram picos mais altos até que os de maio. Dias chuvosos e nublados também prejudicaram as plantas e geraram frutos menores. E há menos tomate plantado: a estimativa do Cepea é de redução de 5,4% na área em 2026 e de 16,3% em dois anos, porque os produtores vinham tendo prejuízo nas safras anteriores.

No atacado, os números impressionam. Segundo levantamento com base em dados do Cepea publicado pelo site especializado Cropli em 20/10, a caixa de 20 kg do tomate longa vida 3A chegou a R$ 195 na Ceagesp (São Paulo) em 2 de outubro, o maior preço diário desde 2016, quando a série dessa classificação começou, e fechou em R$ 193,33 em 16 de outubro. Pela nossa conta, R$ 195 por 20 kg dá cerca de R$ 9,75 por quilo, ainda no atacado, antes do frete e da margem do varejo. O mesmo levantamento cita que, após um excesso de oferta em julho, produtores anteciparam colheitas com os preços em alta (a Conab alertou para isso em setembro), e que chuvas no início de outubro em todas as regiões monitoradas, somadas a uma desaceleração da colheita no período eleitoral, agravaram a falta do produto.

O efeito chega a outras regiões. A Ceasa Pernambuco informou que, entre 6 e 13 de outubro, o quilo do tomate no atacado de Recife passou de R$ 4,64 para R$ 6,43 (+38,58%), e a cebola-pêra, de R$ 5,00 para R$ 7,00 (+40%). O motivo: parte da produção regional foi desviada para atender o Sudeste, onde as chuvas reduziram a oferta. Em Belém, segundo o IBGE, o tomate subiu 17,55% na prévia.

O que esperar: nenhuma das fontes consultadas crava quando o preço vai cair. O levantamento do Cropli aponta previsão de chuva acima do normal e temperaturas abaixo da média em Mogi Guaçu (SP), região produtora, até o início de novembro, o que não ajuda a maturação. Por isso, o mais prudente é planejar as compras das próximas semanas contando com tomate ainda caro, e usar as substituições do checklist abaixo.

Caixa de feira cheia de tomates de vários tipos e cores, vermelhos, alaranjados, amarelos e alongados, vistos de cima

Tomates de várias variedades na feira orgânica da Redenção, em Porto Alegre (RS), em 2017. Tipos diferentes costumam ter preços diferentes: comparar o quilo do tomate italiano, do salada e do cereja na mesma banca é uma das formas de economizar. Foto: André Ganzarolli Martins (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons, recortada.

O que ficou mais barato (e onde dá para compensar)

Nem tudo subiu. A lista de quedas é útil porque mostra onde trocar um produto por outro sem perder qualidade na refeição:

  • Cenoura: -10,67% no mês. É uma boa base para refogados, sopas e saladas no lugar de parte do tomate e da batata.
  • Frutas: -1,37% no mês e -1,01% em 12 meses.
  • Café moído: -1,16%. O grupo bebidas e infusões caiu 0,50% no mês e acumula -4,20% em 12 meses.
  • Aves e ovos: +0,13% no mês, mas -3,77% no ano e -4,00% em 12 meses. Frango e ovo seguem como as proteínas que menos pesaram em 2026.
  • Óleos e gorduras: apesar da alta de 1,44% em outubro, ainda estão 5,03% mais baratos no ano.
  • Passagens aéreas: -9,24%, o item que mais puxou o índice para baixo (impacto de -0,08 ponto).
  • Transporte público: -2,10% no mês, embora ainda acumule +8,98% em 12 meses.
  • Eletrodomésticos e equipamentos: -0,44% no mês e -3,01% em 12 meses. Já TV, som e informática subiram 0,89% no mês e 10,17% em 12 meses.
  • Cama, mesa e banho: -0,77% no mês.

Um alerta: a variação do IBGE é uma média de 11 regiões e de muitas lojas. Na sua feira, o preço pode ter subido mais ou menos. Os números servem para indicar a direção, e não para garantir que o produto vai estar mais barato na sua banca.

Combustíveis e gás de botijão: a alta voltou

No grupo Transportes, a variação foi de só 0,05% porque a queda das passagens aéreas compensou o resto. Mas para quem tem carro ou moto, outubro foi de aumento: os combustíveis de veículos subiram 1,20%, contra 0,22% em setembro.

  • Óleo diesel: +3,70% (pesa no frete e, por tabela, no preço dos alimentos);
  • Etanol: +2,73%;
  • Gasolina: +0,92%;
  • Gás natural veicular (GNV): -0,18%.

As diferenças entre cidades foram grandes. Os combustíveis de veículos subiram 2,61% em Recife, 2,33% em Porto Alegre, 2,19% em Belo Horizonte, 1,93% em Salvador e 1,47% em São Paulo, enquanto caíram 0,55% em Curitiba e 0,05% no Rio de Janeiro, segundo as tabelas do IBGE.

Pela nossa conta, para dar uma ideia do efeito no orçamento: quem gasta R$ 300 por mês com gasolina passaria a gastar cerca de R$ 302,76 com a alta de 0,92%; com etanol, os mesmos R$ 300 virariam cerca de R$ 308,19 (+2,73%). Para um motorista de aplicativo ou entregador que gasta R$ 1.000 por mês com etanol, a diferença seria de cerca de R$ 27,30 por mês. São exemplos com a média nacional; o seu caso depende do posto e da cidade.

Em casa, o gás de botijão subiu 1,28% no mês. Se a sua família recebe o Gás do Povo, vale conferir a validade do vale de outubro (veja o nosso guia na lista de leituras abaixo). O aluguel residencial subiu 0,28%, e a taxa de água e esgoto caiu 0,89% na média, por causa de um desconto de 25% na tarifa mínima em Curitiba desde 1º de outubro.

Conta de luz: por que caiu e o que vem em novembro

A energia elétrica residencial foi a grande responsável pela desaceleração: passou de +7,42% em setembro para -0,89% em outubro. Em setembro, a conta tinha subido porque acabou o desconto do bônus de Itaipu concedido em agosto. Em outubro, a Aneel trocou a bandeira amarela, que cobrava R$ 1,885 a cada 100 kWh, pela verde, sem cobrança extra.

Houve casos locais fortes. Em Fortaleza, a energia caiu 4,00%, porque as tarifas foram reduzidas em 6,65% desde 26 de agosto, com recursos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP) aprovada pela Aneel. Em Belém, ao contrário, a energia subiu 3,71%, por causa de um reajuste tarifário de 6,63% desde 18 de setembro.

E novembro? Pelo calendário oficial da Aneel, a bandeira de novembro será anunciada em 30 de outubro de 2026 (sexta-feira que vem). Até a publicação deste texto, a cor ainda não tinha sido divulgada. Os valores de cada bandeira, segundo a Aneel, são:

BandeiraAcréscimo por kWh (Aneel)Conta de 150 kWh*Conta de 200 kWh*Conta de 300 kWh*
VerdeR$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00
AmarelaR$ 0,01885R$ 2,83R$ 3,77R$ 5,66
Vermelha patamar 1R$ 0,04463R$ 6,69R$ 8,93R$ 13,39
Vermelha patamar 2R$ 0,07877R$ 11,82R$ 15,75R$ 23,63

* Pela nossa conta: consumo × acréscimo por kWh, sem impostos (ICMS, PIS/Cofins) que incidem sobre a conta e variam por estado. Fonte dos valores: Aneel.

Quem tem direito à Tarifa Social de Energia Elétrica (famílias do CadÚnico, por exemplo) tem desconto na conta; confira o nosso guia da conta de luz de outubro na lista de leituras.

Como foi a inflação na sua cidade

Dez das onze áreas pesquisadas tiveram alta em outubro. Veja o ranking do IBGE, com o acumulado no ano e em 12 meses:

RegiãoOutubroNo ano12 mesesDestaque
Belém0,76%4,36%4,69%tomate +17,55%, energia +3,71%
Belo Horizonte0,59%4,19%4,40%tubérculos e legumes +16,76%
Goiânia0,44%4,76%5,38%alimentação +1,46%
Recife0,37%4,55%4,87%combustíveis +2,61%
Porto Alegre0,36%4,20%4,90%combustíveis +2,33%
Salvador0,34%3,86%4,33%combustíveis +1,93%
São Paulo0,34%4,31%4,90%hortaliças +6,61%
Brasília0,28%4,10%4,76%transporte público -8,02%
Rio de Janeiro0,22%4,57%4,87%alimentação +1,24%
Fortaleza0,19%4,66%5,27%energia -4,00%
Curitiba-0,27%2,27%2,43%passagens aéreas -11,58%, água e esgoto -8,05%
Brasil0,32%4,15%4,62%alimentação +0,88%

Fonte: IBGE, IPCA-15 de outubro de 2026 (Tabela 2 e tabelas de resultados por região).

Goiânia (5,38%) e Fortaleza (5,27%) têm os maiores acumulados em 12 meses; Curitiba, o menor (2,43%). A Grande São Paulo, que tem o maior peso no índice (33,45%), ficou em 0,34% no mês.

Comer fora, serviços e saúde

A alimentação fora de casa também acelerou: de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro. A refeição subiu 0,61% e o lanche, 0,66%. Em 12 meses, comer fora acumula 6,47%. No grupo Despesas pessoais (+0,55%), os destaques foram cinema, teatro e concertos (+4,30%), pacote turístico (+2,18%) e empregado doméstico (+0,62%). O plano de saúde subiu 0,42% no mês (5,63% em 12 meses), e os serviços médicos e dentários, 0,33% (8,19% em 12 meses). O cigarro (fumo) acumula 22,43% em 12 meses.

O que a prévia muda nos juros, na poupança e nas suas dívidas

A meta de inflação do Brasil é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo (ou seja, até 4,5%). Desde 2025, a meta é contínua, medida pelo IPCA acumulado em 12 meses; se ficar fora do intervalo por seis meses seguidos, considera-se que o Banco Central descumpriu a meta, segundo o Estadão. A prévia de 12 meses, em 4,62%, está 0,12 ponto acima do teto (pela nossa conta).

O mercado não espera melhora rápida. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 19/10 (com estimativas coletadas até 16/10) manteve em 5,22% a previsão para o IPCA de 2026 e elevou de 4,30% para 4,32% a de 2027. Para os próximos meses, os analistas projetam 0,32% em outubro (exatamente o que a prévia mostrou), 0,34% em novembro e 0,56% em dezembro. O próprio Banco Central projeta 5,2% para 2026, segundo o comunicado de setembro do Copom citado pelo Estadão.

Selic: a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano desde o corte de 16 de setembro, o quinto seguido de 0,25 ponto. A próxima reunião do Copom é em 3 e 4 de novembro, com a decisão divulgada no dia 4, a partir das 18h30, e a última de 2026 é em 8 e 9 de dezembro. A mediana do Focus para a Selic no fim de 2026 seguiu em 13,25%, e para o fim de 2027, em 12%. Pela nossa conta, chegar a 13,25% em dezembro equivale a dois cortes de 0,25 ponto, um em cada reunião que resta.

O que isso significa para você:

  • Poupança: pela Lei 12.703/2012, enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Com a Selic em 13,75%, a regra não muda com os cortes esperados. Pela nossa conta, 0,5% ao mês dá cerca de 6,17% ao ano, antes da TR, acima da inflação de 12 meses da prévia (4,62%).
  • Investimentos atrelados ao CDI (CDB, Tesouro Selic, contas remuneradas) rendem conforme a Selic: se ela cair, o rendimento novo cai junto. Ainda assim, pela nossa conta, com Selic de 13,75% e inflação de 4,62%, o juro real aproximado é de 8,7% ao ano.
  • Dívidas: juros altos e comida mais cara são uma combinação perigosa para o cartão de crédito e o cheque especial. Se a feira apertou, evite cobrir a diferença com o rotativo ou com o Pix parcelado, que é empréstimo (veja nosso guia). Priorize negociar dívidas caras antes de assumir novas.
  • Salário mínimo e benefícios: o reajuste do mínimo e dos benefícios do INSS acima do piso usa o INPC, e não o IPCA-15. A prévia só dá uma pista da direção; o número que vale é o INPC acumulado em 12 meses até novembro, divulgado em dezembro. Explicamos a regra no nosso guia sobre o IPCA de setembro.

Calendário: as próximas datas que mexem com o seu bolso

DataO que acontecePor que importa
Fim de semana (24 e 25/10)Feiras de sábado e domingo; 2º turno das eleições no domingoPrimeira chance de aplicar o checklist abaixo; compare preços entre bancas no fim da feira
Segunda (26/10)Novo Boletim Focus do Banco CentralMostra se o mercado mudou a aposta para inflação e Selic depois da prévia
Sexta (30/10)Aneel anuncia a bandeira tarifária de novembroDefine se a conta de luz de novembro terá cobrança extra
3 e 4/11Reunião do Copom; decisão no dia 4, a partir das 18h30Selic hoje em 13,75%; mercado espera cortes até 13,25% no fim do ano
12/11IBGE divulga o IPCA cheio de outubroConfirma (ou não) a desaceleração da prévia
8 e 9/12Última reunião do Copom em 2026Segundo corte esperado pelo mercado

Fontes: IBGE e Agência Brasil (IPCA em 12/11), Aneel (calendário das bandeiras 2026), Banco Central/Copom (calendário 2026, via Estadão e Patrimo), Agência Brasil (Focus semanal às segundas).

Quadro informativo com barras horizontais mostrando o que mais subiu e o que mais caiu na prévia da inflação de outubro de 2026: tomate mais 24,54 por cento, cebola mais 13,63, batata mais 10,96, arroz mais 5,80, diesel mais 3,70, etanol mais 2,73, gás de botijão mais 1,28, gasolina mais 0,92, energia menos 0,89, café menos 1,16, frutas menos 1,37, passagens aéreas menos 9,24 e cenoura menos 10,67, além do resumo do índice e das próximas datas

Quadro do Cantinho Verde Lar com base no IPCA-15 de outubro de 2026 (IBGE, 23/10/2026), no calendário de bandeiras da Aneel, no calendário do Copom e no Boletim Focus de 19/10/2026. Salve no celular.

Pela nossa conta: quanto a feira pode pesar a mais

Para ajudar a visualizar, fizemos uma simulação simples com uma cesta hipotética de quatro itens. Os valores de partida são exemplos, não preços reais de nenhuma cidade; aplicamos sobre eles as variações médias nacionais de outubro medidas pelo IBGE.

ItemGasto de exemplo antesVariação (IBGE)Gasto depois (pela nossa conta)
TomateR$ 30,00+24,54%R$ 37,36
CebolaR$ 15,00+13,63%R$ 17,04
Batata-inglesaR$ 20,00+10,96%R$ 22,19
ArrozR$ 25,00+5,80%R$ 26,45
TotalR$ 90,00+14,5%R$ 103,05

Nesse exemplo, a mesma compra ficaria cerca de R$ 13 mais cara por mês. Para comparar: o benefício médio do Bolsa Família em outubro foi de R$ 782,92, segundo a Agência Brasil; R$ 13 equivalem a cerca de 1,7% desse valor. Parece pouco, mas é dinheiro que some de outras despesas, e é por isso que as trocas inteligentes fazem diferença.

Checklist: como gastar menos nesta e na próxima semana

Na feira e no hortifrúti

  • ☐ Faça a lista antes de sair e defina um valor máximo para o tomate. Se passar do limite, compre menos e complete com outro legume.
  • ☐ Troque parte do tomate pela cenoura (-10,67% no mês) em refogados, molhos caseiros e saladas. Abóbora, chuchu e repolho também costumam render bem em sopas e refogados; confira o preço na sua banca.
  • ☐ Compare os tipos de tomate: italiano, salada, cereja e "de molho" costumam ter preços diferentes. Para molho, tomate mais maduro e com casca marcada costuma ser mais barato e serve igual.
  • ☐ Vá à feira no fim do horário: muitas bancas baixam o preço da "xepa" para não levar mercadoria de volta.
  • ☐ Pesquise em pelo menos três bancas antes de comprar. No atacado de Recife, por exemplo, o quilo do tomate subiu quase 39% em uma semana; no varejo, as diferenças entre bancas podem ser grandes.
  • ☐ Compre só o que vai usar na semana: tomate e batata estragam. Guarde o tomate maduro na geladeira e o verde fora dela, para amadurecer.
  • ☐ Use o molho de tomate pronto ou a passata como alternativa, comparando o preço por quilo com o do tomate fresco.
  • ☐ Aproveite as frutas da estação, que caíram 1,37% na média.

No mercado

  • ☐ Compare o preço por quilo (está na etiqueta da gôndola), não o preço da embalagem.
  • ☐ Arroz subiu 5,80%: se ainda tiver estoque, não compre por impulso. Se for comprar, compare marcas e o pacote de 5 kg com o de 1 kg.
  • ☐ Prefira frango e ovos como proteína em algumas refeições: aves e ovos estão 3,77% mais baratos no ano, enquanto as carnes subiram 10,79% em 12 meses.
  • ☐ Use o aplicativo do mercado e os cupons do dia; muitos têm preço diferente para quem se cadastra.
  • ☐ Leve marmita quando possível: refeição e lanche fora de casa subiram 0,61% e 0,66% no mês.

No posto e em casa

  • ☐ Faça a conta do etanol x gasolina com os preços do seu posto: o etanol subiu mais (2,73%) que a gasolina (0,92%) na média nacional.
  • ☐ Calibre os pneus e evite arrancadas: são formas simples de gastar menos combustível.
  • ☐ Gás de botijão subiu 1,28%: pesquise o preço entre revendas e confira se você tem direito ao Gás do Povo.
  • ☐ Na sexta (30/10), confira a bandeira de novembro. Se vier amarela ou vermelha, reduza o banho quente e o uso de ferro e secadora, que puxam o consumo.
  • ☐ Confira a conta de luz de outubro: ela deve vir sem a cobrança de bandeira, já que outubro teve bandeira verde.

No seu dinheiro

  • ☐ Não cubra a feira com o rotativo do cartão ou com o cheque especial; com a Selic em 13,75%, os juros dessas linhas são muito mais altos.
  • ☐ Reveja assinaturas e serviços que subiram (streaming, por exemplo) para abrir espaço no orçamento.
  • ☐ Deixe a reserva de emergência rendendo: poupança (0,5% ao mês + TR) ou aplicações atreladas ao CDI, que seguem acima da inflação.
  • ☐ Anote os gastos com comida deste mês e compare com o mês que vem, quando sair o IPCA cheio (12/11).

Para quem vende: feirantes, restaurantes e MEIs

Se você tem uma banca, um restaurante, uma lanchonete ou vende marmita, a alta do tomate, da cebola e da batata pesa no custo antes de chegar ao cliente. Algumas medidas práticas:

  • Recalcule a ficha técnica dos pratos que levam muito tomate e cebola. Pela nossa conta, se esses ingredientes representam R$ 2 do custo de uma marmita, uma alta média de cerca de 20% acrescentaria uns R$ 0,40 por unidade.
  • Negocie com mais de um fornecedor e acompanhe as cotações das Ceasas da sua região, que costumam publicar boletins semanais.
  • Antes de fechar compra com um fornecedor novo (atacadista, distribuidora ou produtor com CNPJ), confira se a empresa está ativa e qual é a atividade registrada. No Consultor CNPJ dá para consultar os dados públicos de qualquer CNPJ de graça, em poucos segundos.
  • Se for MEI, lembre que a regra de nota fiscal e de limite de faturamento está mudando. Explicamos as novidades de hoje no nosso guia sobre nanoempreendedor e DASN-Simei (link abaixo).

Perguntas frequentes

A inflação caiu, então os preços vão baixar?
Não necessariamente. Inflação menor significa que os preços subiram mais devagar, não que caíram. Em outubro, a média subiu 0,32%. Só a energia, algumas frutas, a cenoura, o café e as passagens aéreas ficaram de fato mais baratos.

Qual a diferença entre IPCA-15 e IPCA?
A metodologia é a mesma. O IPCA-15 coleta preços de meados de um mês a meados do outro (desta vez, de 16/9 a 14/10) e cobre 11 áreas, com 367 produtos e serviços. O IPCA cobre 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju) e o mês cheio. O IPCA de outubro sai em 12/11.

A prévia muda o salário mínimo de 2027?
Não diretamente. O reajuste usa o INPC acumulado em 12 meses até novembro. A prévia é só um sinal da direção dos preços.

Por que o tomate sobe tanto e cai tanto?
Porque a oferta depende muito do clima e do calendário de plantio. Em 2026, o frio atrasou a maturação, a chuva prejudicou a colheita e a área plantada encolheu, segundo o Cepea. Em julho, por exemplo, o tomate tinha caído 29,09% no IPCA; em setembro, subiu 37,76%, segundo a CNN Brasil.

A poupança está perdendo para a inflação?
Com a regra atual (0,5% ao mês + TR, enquanto a Selic estiver acima de 8,5%), a poupança rende cerca de 6,17% ao ano antes da TR, pela nossa conta, acima dos 4,62% de inflação em 12 meses da prévia. Aplicações atreladas ao CDI tendem a render mais enquanto a Selic estiver alta.

Quando sai a bandeira de novembro?
Em 30/10, segundo o calendário da Aneel. Outubro teve bandeira verde.

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Fontes

Este conteúdo é informativo e foi feito com base em dados oficiais e em reportagens publicados até 23/10/2026. As variações do IBGE são médias das áreas pesquisadas; os preços na sua cidade e na sua loja podem ser diferentes. As simulações marcadas como "pela nossa conta" são exemplos e não substituem a sua própria pesquisa de preços nem a orientação de um especialista financeiro.

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