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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Dólar dispara 8% e Bolsa cai 13,9% depois do 2º turno: o que muda no seu bolso — viagem, cartão com IOF de 3,5%, Tesouro Direto suspenso, preços no mercado e no posto, juros, golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (18h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – dólar e Ibovespa (26/10); InfoMoney – Tesouro Direto (26/10); Extra/O Globo (26/10); O Globo – Tesouro Direto suspenso. Lista completa no fim do texto.

Operadores sentados de costas diante de painéis luminosos com cotações vermelhas e verdes no antigo pregão da Bovespa, em São Paulo, com texto sobre a alta do dólar e a queda da Bolsa em 26 de outubro de 2026 e o que muda no bolso

Segunda-feira (26/10) de dólar a R$ 5,40 e Bolsa em queda de 13,88%. Foto de arquivo, para ilustrar: painéis de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2007. Rafael Matsunaga, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.

Se você abriu o aplicativo do banco nesta segunda-feira (26/10) e levou um susto, não foi impressão. No primeiro dia de negócios depois do segundo turno, o dólar fechou a R$ 5,4027, uma alta de 8,21% em um único dia, depois de chegar a R$ 5,6048 na máxima, segundo o g1. Na sexta-feira (23), antes da votação, a moeda tinha fechado a R$ 4,99. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e a B3 precisou acionar o circuit breaker, a pausa automática das negociações, pela primeira vez desde a pandemia, em 2020.

No Tesouro Direto, o programa do governo onde muita gente guarda a reserva e o dinheiro da aposentadoria, a plataforma abriu com quase três horas de atraso, os títulos prefixados tiveram a maior alta de taxas da série histórica, iniciada em 2005, e às 16h25 as negociações de prefixados e títulos atrelados à inflação foram suspensas, informou o InfoMoney. O Tesouro Selic seguiu disponível.

A reação veio depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo a apuração citada pelo g1, teve 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a maioria das pesquisas das últimas semanas apontava vantagem do adversário, parte dos investidores foi pega de surpresa e passou a recalcular o que espera para juros, câmbio e contas públicas. Este texto não é sobre política. É sobre o seu bolso: o que muda de verdade hoje para quem tem viagem marcada, compra em site estrangeiro, paga assinatura em dólar, tem dinheiro no Tesouro Direto ou em ações, vai ao supermercado e ao posto, e o que não muda, para você não tomar nenhuma decisão no susto.

No fim, você encontra um checklist para fazer ainda esta semana, as perguntas mais comuns e a lista completa de fontes.

Resumo rápido

  • Dólar: fechou a R$ 5,4027 (+8,21%), com máxima de R$ 5,6048. Na sexta, estava a R$ 4,99. O Banco Central injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de câmbio por meio de leilões de swap, segundo o Extra.
  • Bolsa: Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos. Ações ligadas ao consumo e ao mercado doméstico caíram mais; exportadoras como Suzano e Vale subiram (g1).
  • Tesouro Direto: abriu às 12h13, teve alta recorde de taxas e suspendeu prefixados e IPCA+ às 16h25. Tesouro Selic seguiu à venda e o Tesouro Reserva funcionou normalmente.
  • Cartão no exterior: a compra internacional é convertida pela cotação do dia da compra e paga IOF de 3,5%, a mesma alíquota do débito, do pré-pago, da conta global e do dinheiro em espécie.
  • Preços no Brasil: eletrônicos, combustíveis, trigo (pão, macarrão, biscoito), remédios e assinaturas em dólar são os mais sensíveis, mas o repasse não é automático e depende de quanto tempo o dólar ficar alto.
  • Juros: a Selic continua em 13,75% ao ano. A próxima decisão do Copom está prevista para 4 de novembro. Os juros futuros dispararam, o que pode encarecer crédito mais adiante se o movimento persistir.
  • Poupança, FGTS e benefícios: nada muda hoje. INSS, Bolsa Família e salário em reais seguem as datas normais.

O que aconteceu nesta segunda-feira, em números

Para entender o tamanho do movimento, vale olhar os números que os próprios veículos de economia registraram ao longo do dia:

IndicadorAntes (sexta, 23/10)Segunda (26/10)Fonte
Dólar comercialR$ 4,99R$ 5,4027 no fechamento (+8,21%); máxima de R$ 5,6048g1, Extra
Ibovespa—−13,88%, aos 176.608 pontos; chegou a cair 17% na reaberturag1
Tesouro Prefixado 203212,89% ao ano15,78% na abertura; 15,50% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro Prefixado 202912,76% ao ano15,40% na abertura; perto de 15% antes da suspensãoInfoMoney
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,42%IPCA + 7,64% na aberturaInfoMoney
Juro futuro para janeiro de 202912,595%15,03% (por volta das 10h)g1
Selic (taxa básica)13,75% ao ano13,75% ao ano (sem mudança)g1 / Boletim Focus

Cotações registradas em horários diferentes do pregão; o fechamento de cada mercado pode variar conforme a fonte.

Segundo o Extra, no auge da manhã a alta do dólar chegou a 12%, superando até a variação do dia 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou as bandas cambiais e o dólar médio (Ptax) subiu 11,10%. As negociações de câmbio também foram interrompidas, e a B3 ampliou o limite do circuit breaker do dólar para 12%.

Para tentar acalmar o mercado, o governo agiu em duas frentes. O Tesouro Nacional recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) e cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana, mantendo só a oferta de títulos ligados à Selic (LFT). O Banco Central fez leilões de swap cambial que, na prática, injetaram US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólar.

Analistas ouvidos pelos jornais dizem que, passado o choque dos primeiros dias, o rumo do dólar e da Bolsa deve depender dos anúncios sobre política fiscal e da escolha da equipe econômica. Ninguém sabe onde o dólar fecha esta semana. E é exatamente por isso que o melhor que você pode fazer é organizar as próprias contas, sem apostar num único dia.

1. Tem viagem marcada para o exterior? O que fazer agora

Quem vai viajar no fim do ano ou no começo de 2027 é quem sente primeiro. Hospedagem, passeios, comida e compras lá fora são cobrados em moeda estrangeira, e cada real a mais na cotação vira gasto extra. O euro e a libra também são cotados contra o real e costumam sentir o mesmo movimento.

Não decida no susto: compre em partes

A dica mais repetida pelos especialistas de viagem nesta segunda foi a mesma: em vez de tentar acertar o "dia certo", divida a compra da moeda em várias vezes até o embarque. Assim você paga um preço médio. O colunista Estevam pelo Mundo, do Estado de Minas, fez a conta com números redondos: quem gasta US$ 2.000 comprando tudo de uma vez a R$ 5,40 paga R$ 10.800, mais 3,5% de IOF, ou R$ 11.178. Dividindo em quatro compras de US$ 500 que saíssem a R$ 5,00, R$ 5,40, R$ 5,20 e R$ 5,10, o total cairia para R$ 10.712. Uma diferença de R$ 466, sem adivinhar nada. As cotações do exemplo são ilustrativas: o dólar pode subir ou cair nas próximas semanas.

Cartão, conta global ou dinheiro vivo: o imposto é o mesmo

Desde o decreto de junho de 2025, validado pelo STF em julho daquele ano, o IOF é de 3,5% no cartão de crédito, no débito, no cartão pré-pago, na conta global usada lá fora e também na compra de dinheiro em espécie. A redução gradual que estava prevista deixou de valer. Com a alíquota igual, o que muda de uma opção para outra é o spread (a margem que cada instituição coloca sobre o dólar) e o momento em que a cotação é travada.

  • Cartão pré-pago e conta em moeda estrangeira: você converte no dia em que carrega o saldo. Bom para quem quer comprar aos poucos e saber exatamente quanto pagou.
  • Cartão de crédito: a compra é convertida pela cotação do dia em que você passou o cartão, e não do dia em que a fatura vence. Útil para caução de hotel, aluguel de carro e emergências.
  • Dinheiro vivo: paga o mesmo IOF; leve pouco, por segurança.

Lá fora, recuse pagar "em reais"

Se a maquininha no exterior perguntar se você quer pagar em reais, recuse e escolha a moeda local. A conversão feita pela loja costuma sair mais cara do que a do seu banco.

Passagem ainda não comprada

Olhe o preço final em reais e não deixe a emissão para a última hora. Quem tem milhas acumuladas pode usá-las para o trecho internacional e reservar o dinheiro para os gastos lá fora, que são os que sentem o câmbio diretamente.

Passageiros puxando malas de rodinha pelo saguão de embarque do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, com placas amarelas indicando os portões 305 a 332 e pessoas aguardando sentadas perto das janelas

Para quem embarca no fim do ano, comprar a moeda em partes até a viagem ajuda a não pagar só o pior dia. Foto de arquivo, para ilustrar: área de embarque do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos (SP), em fevereiro de 2025. TomasVial, via Wikimedia Commons — CC0 (domínio público).

2. Compras em sites estrangeiros, apps e assinaturas em dólar

Não é só quem viaja que sente. Roupas e acessórios em lojas internacionais, jogos, aplicativos, programas de computador e serviços cobrados diretamente em dólar acompanham a cotação do momento da compra.

  • A cotação fica travada no dia da compra. Desde 2020, pela regra do Banco Central, o banco converte cada compra internacional no cartão pela cotação daquele dia. Quem compra num dia de dólar alto fica com o valor daquele dia.
  • Parcelar não protege. Numa compra internacional parcelada, a conversão é feita no dia da compra, e as parcelas seguem aquele valor em reais.
  • A fatura mostra tudo. Cada gasto aparece em dólar, com a taxa de conversão usada e o valor em reais. Confira.
  • Revise as assinaturas em dólar. Serviços que cobram em moeda estrangeira ficam mais caros automaticamente; os que têm preço fixado em reais não mudam sem aviso da empresa.
  • Black Friday chegando: com a data em 27/11, compare o preço final em reais, com frete e impostos, antes de fechar compra em site estrangeiro. Veja também as regras de tributação de compras internacionais que explicamos aqui no Cantinho.

Pela nossa conta: quanto o dólar pesa (exemplos hipotéticos)

Os exemplos abaixo são hipotéticos, servem só para ilustrar e não incluem o spread do banco, que deixa a conta um pouco mais alta. Usamos o dólar de sexta (R$ 4,99), o fechamento desta segunda (R$ 5,4027) e a máxima do dia (R$ 5,6048), com IOF de 3,5%:

CompraDólar a R$ 4,99Dólar a R$ 5,40Dólar a R$ 5,60
Assinatura de US$ 20 por mêsR$ 103,29R$ 111,84R$ 116,02
Compra online de US$ 100R$ 516,46R$ 559,18R$ 580,10
Tênis ou fone de US$ 300R$ 1.549,39R$ 1.677,54R$ 1.740,29
Viagem com gasto de US$ 1.500R$ 7.746,97R$ 8.387,69R$ 8.701,45

Exemplo 1 (hipotético): a Carla paga uma assinatura de US$ 20 por mês. Com o dólar de sexta, gastava cerca de R$ 103,29 por mês. Se o dólar ficasse no fechamento desta segunda, passaria a R$ 111,84, cerca de R$ 8,55 a mais por mês, ou uns R$ 102 em um ano. Se ela usa pouco o serviço, este é um bom momento para pausar ou cancelar.

Exemplo 2 (hipotético): o João e a esposa vão aos Estados Unidos em dezembro e calcularam gastar US$ 1.500 por lá. Se tivessem comprado tudo na sexta, pagariam cerca de R$ 7.747 com IOF; tudo nesta segunda, cerca de R$ 8.388. Em vez de correr para comprar ou de esperar parados, eles decidem comprar em quatro partes até o embarque, carregando um cartão pré-pago a cada semana. Não dá para saber se vão pagar mais ou menos que na sexta, mas evitam concentrar tudo num dia só.

3. Tem dinheiro no Tesouro Direto? Entenda antes de vender

Este foi um dos pontos que mais assustou quem investe pouco e entrou no Tesouro para fugir da poupança. O aplicativo mostrou queda no valor de vários títulos, e a plataforma ficou fora do ar por parte do dia. Calma: há uma diferença enorme entre o que aparece na tela e o que você recebe no fim.

Por que o Tesouro Direto suspendeu as negociações?

Segundo o Tesouro Nacional, ouvido pelo O Globo, a pausa é um procedimento previsto nas regras do programa para atualizar preços e taxas quando os juros mudam muito rápido. A ideia é evitar que o investidor compre um título mais caro ou venda mais barato do que o justo naquele momento. Nesta segunda, a plataforma só abriu às 12h13 e, às 16h25, suspendeu os títulos prefixados e os atrelados à inflação. O Tesouro Selic continuou disponível, e o Tesouro Reserva, que não tem marcação a mercado, funcionou normalmente.

Mesmo durante a suspensão, as regras permitem registrar pedidos de investimento e resgate na área do investidor. Eles são processados na reabertura, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro.

O que é a "marcação a mercado" e por que o saldo caiu

Nos títulos prefixados e nos IPCA+, quando as taxas de juros do mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos cai. É isso que o aplicativo mostra. Pelo cálculo do InfoMoney, na abertura desta segunda o preço do Tesouro IPCA+ 2050 caiu 23,6% em relação à sexta, o do Prefixado 2032 caiu 12,2% e o do IPCA+ 2032, 7,1%.

Mas a queda de preço só vira prejuízo para quem vende antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade que contratou no dia da compra. "Quem tem esse investimento visando o retorno até o vencimento, não muda muita coisa. Muda mais para quem se programou para vender antes do vencimento", disse ao O Globo o estrategista Gustavo Spinola, da Sincra Investimentos.

Exemplo 3 (hipotético): a Dona Lúcia tem R$ 10.000 aplicados no Tesouro IPCA+ 2050 para a aposentadoria. Se ela vendesse tudo no preço de abertura desta segunda, a queda de 23,6% na marcação significaria receber algo perto de R$ 7.640 sobre aquele valor de referência (conta simplificada, sem impostos e sem considerar quanto ela já tinha rendido). Se ela mantiver o título até 2050, como planejou, continua valendo a taxa que ela contratou. Vender no pior dia é transformar uma oscilação em perda real.

E quem quer investir agora?

As taxas mais altas deixam os títulos novos mais "baratos" e com rentabilidade contratada maior, mas também mostram que o risco aumentou. Antes de qualquer coisa, a ordem é a de sempre: reserva de emergência primeiro, em aplicação com liquidez diária (como o Tesouro Selic ou o Tesouro Reserva, que nesta segunda seguiram funcionando). Títulos longos só fazem sentido para dinheiro que você realmente pode deixar parado até o vencimento. Este texto não é recomendação de investimento: se tiver dúvida, converse com o seu banco ou com um profissional certificado, e desconfie de quem promete ganho garantido.

4. Ações, fundos e previdência: o que olhar

O Ibovespa caiu 13,88% no dia. Entre as maiores perdas, segundo o g1, estiveram Magazine Luiza (−58,23%), Vamos (−56,79%) e Hapvida (−54,93%), empresas ligadas ao consumo e ao mercado interno. Exportadoras como Suzano e Vale subiram, porque recebem em dólar. Ações brasileiras negociadas no exterior também caíram.

  • Tem ações ou fundos de ações? O valor da carteira cai no aplicativo, mas o prejuízo só se concretiza se você vender. Quedas fortes em um dia já aconteceram antes, em 1997, 1999, 2008 e 2020, lembra o g1; o que vem depois depende de cada empresa e do cenário.
  • Previdência privada (PGBL/VGBL) e fundos multimercado: podem oscilar conforme a parte aplicada em ações, câmbio e títulos longos. Veja o extrato e o perfil do seu plano antes de pensar em portabilidade ou resgate, que pode ter imposto e taxa.
  • Poupança: segue a regra de sempre. A fórmula de rendimento só muda quando a Selic chega a 8,5% ao ano ou menos, e hoje ela está em 13,75%.
  • FGTS: não é afetado pelo pregão. Saldos, saques e datas seguem as regras da Caixa.

5. Supermercado, posto e farmácia: os preços vão subir?

A resposta honesta é: pode acontecer, mas não é automático, nem imediato, nem na mesma proporção do dólar. O repasse depende de estoques, contratos, concorrência, margens das empresas e, principalmente, de quanto tempo o dólar ficar alto. Uma alta pontual de um dia não garante reajuste; uma alta que dure semanas aumenta o risco.

Os itens mais sensíveis, segundo as reportagens do dia, são:

  • Combustíveis: o petróleo é cotado em dólar. Nesta segunda, o Brent era negociado a US$ 117,12, segundo o g1, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Mas o preço na bomba também depende de tributos, da mistura de etanol e biodiesel, da política da Petrobras e das margens de distribuição e revenda. Para comparação, a Petrobras indicava preço médio nacional de R$ 6,53 o litro da gasolina comum na semana de 11 a 17 de outubro, ainda antes da disparada do câmbio (dado citado pelo CenárioMT).
  • Diesel e frete: se o diesel subir, o custo do transporte de mercadorias sobe junto e pode chegar, aos poucos, a vários produtos.
  • Trigo: o Brasil importa parte do trigo usado em farinha, pão, macarrão e biscoitos. Se o câmbio continuar alto, moinhos e indústrias podem ter custos maiores para repor estoques.
  • Eletrônicos: celulares, notebooks, videogames e peças usam componentes importados, mesmo quando montados no Brasil.
  • Carros, pneus e peças: veículos importados e componentes eletrônicos são cotados em dólar.
  • Remédios e fertilizantes: muitos princípios ativos e insumos agrícolas vêm de fora. O efeito sobre a farmácia e o preço da comida depende de estoques, contratos e regras de preço.

Dica prática: não saia estocando tudo por medo. Compras por impulso num dia de pânico costumam sair caras. Se você já ia trocar de celular ou de notebook nas próximas semanas, compare preços em várias lojas, guarde prints e acompanhe por alguns dias. No supermercado, a pesquisa de preço vale mais do que nunca, e marcas próprias costumam ser uma saída. Lembre que a prévia da inflação de outubro já mostrava alimentos como tomate, cebola e batata em alta, enquanto a conta de luz caiu.

Gráfico com três painéis: o dólar de 4,99 reais na sexta para máxima de 5,60 e fechamento de 5,40 na segunda; as taxas dos títulos Prefixado 2029, Prefixado 2032 e IPCA+ 2050 antes e depois da abertura; e o custo em reais de uma compra de 100 dólares com IOF de 3,5% em cada cotação

O dia em três números: dólar, taxas do Tesouro Direto e quanto custa uma compra de US$ 100 com IOF. Gráfico: Cantinho Verde Lar, com dados do g1, do Extra e do InfoMoney (26/10/2026); custo da compra calculado sem o spread do banco.

6. Juros, empréstimos e cartão: o que pode mudar

A Selic, a taxa básica que serve de referência para os juros do país, continua em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes em 2026. Ela só muda em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e a próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o Boletim Focus desta segunda (com projeções coletadas até sexta) apontava Selic de 13,25% no fim de 2026 e inflação de 5,19% neste ano. Parte dos analistas já revê esse cenário: a equipe da ASA, citada pelo InfoMoney, projeta só mais um corte em novembro, com a Selic terminando 2026 em 13,5%.

Já os juros futuros, que mostram o que o mercado espera para os próximos anos, dispararam. O contrato para janeiro de 2029 passou de 12,595% para 15,03% ao ano por volta das 10h, segundo o g1. Isso não aumenta imediatamente as taxas que o banco cobra de você, mas, se o movimento persistir, pode encarecer financiamentos, empréstimos e o crédito das empresas.

  • Vai pegar empréstimo ou financiamento? Se puder, compare o Custo Efetivo Total (CET) em mais de uma instituição antes de assinar e não feche no impulso. Contratos com taxa fixa já assinados não mudam.
  • Cartão de crédito: com o dólar alto, a fatura de quem fez compras internacionais pode vir maior. Não pague só o mínimo. O que sobra vai para o rotativo, um dos créditos mais caros do país.
  • Endividado? Priorize renegociar as dívidas mais caras (rotativo e cheque especial) e fuja de crédito novo que só empurra o problema. As novas regras do Banco Central contra o superendividamento, aprovadas na sexta (23), só entram em vigor em 2027.

7. O que NÃO muda no seu bolso hoje

Num dia de manchetes assustadoras, vale lembrar o que segue igual:

  • Salário em reais: o valor do seu salário não muda por causa do dólar.
  • INSS: o pagamento de outubro começou nesta segunda (26) para quem ganha até um salário mínimo com cartão de final 1 e vai até 9 de novembro, conforme o calendário oficial.
  • Bolsa Família: o pagamento de outubro segue até 30/10 pelo final do NIS.
  • Poupança e FGTS: seguem as regras de sempre.
  • Contratos com juros fixos: financiamento imobiliário, consignado e empréstimos já assinados com taxa prefixada não mudam.
  • Preços já pagos: o que você comprou no cartão antes desta segunda segue com a cotação do dia da compra.

8. Cuidado com golpes: momento de pânico é prato cheio para fraudador

Dias de notícia forte no mercado costumam vir acompanhados de mensagens falsas e "oportunidades" milagrosas. Fique atento a:

  • "Proteja seu dinheiro antes que o governo confisque": mensagens assim costumam aparecer em momentos de tensão para criar medo e induzir transferências. Não há qualquer anúncio oficial nesse sentido. Desconfie e não repasse.
  • Falso gerente ou falsa central do banco: ligam dizendo que é preciso "mover a aplicação" ou "proteger o saldo" por causa da crise e pedem senha, código ou Pix. Banco não pede senha nem transferência por telefone. Desligue e ligue você mesmo para o número do cartão.
  • Dólar barato demais: perfis em redes sociais e no WhatsApp oferecendo dólar abaixo da cotação para "aproveitar antes que suba". Compre moeda só em instituição autorizada pelo Banco Central.
  • Promessa de lucro garantido com a queda da Bolsa: robôs, grupos de "sinais" e "consultores" que garantem retorno rápido são sinal clássico de fraude. Investimento sério não tem ganho garantido.
  • Links falsos do Tesouro Direto: com a plataforma fora do ar por parte do dia, podem surgir sites e mensagens imitando o Tesouro. Acesse só pelo endereço oficial tesourodireto.com.br ou pelo aplicativo oficial, e nunca por link recebido.
  • Vídeos e áudios com rostos conhecidos: golpistas usam inteligência artificial para imitar economistas, apresentadores e autoridades recomendando aplicações. Confira sempre na fonte oficial.

Checklist: o que fazer esta semana

  1. Respire. Não venda investimento nem compre dólar no susto. Anote o que você tem e para quando precisa de cada dinheiro.
  2. Viagem marcada? Some quanto vai gastar lá fora e divida a compra da moeda em 3 ou 4 partes até o embarque.
  3. Escolha como pagar: o IOF é de 3,5% em todas as formas; compare o spread (a cotação final) entre seu cartão, conta global e pré-pago.
  4. Lá fora, pague na moeda local, nunca "em reais" na maquininha.
  5. Revise assinaturas em dólar e cancele as que você não usa.
  6. Compras internacionais e Black Friday: calcule o preço final em reais com IOF, frete e impostos antes de comprar.
  7. Tesouro Direto: lembre o vencimento de cada título. Se não precisa do dinheiro antes, a marcação a mercado não muda o que você vai receber no fim.
  8. Reserva de emergência: confirme que ela está em aplicação de liquidez diária (Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDB com liquidez).
  9. Fatura do cartão: pague o valor total. Nada de rotativo.
  10. Empréstimo novo: compare o CET em pelo menos três instituições antes de assinar.
  11. Mercado e posto: pesquise preço, evite estocar por medo e acompanhe os valores por alguns dias.
  12. Golpes: não clique em link de "proteção do saldo", não passe senha por telefone e compre moeda só em instituição autorizada.
  13. Datas fixas: anote a decisão do Copom (prevista para 4/11) e acompanhe as notícias sobre a equipe econômica, que devem guiar o dólar nas próximas semanas.

Perguntas frequentes

Por que o dólar subiu tanto nesta segunda?

Porque o resultado do segundo turno surpreendeu parte dos investidores, que esperavam outro vencedor, e eles passaram a recalcular as expectativas para juros, câmbio e contas públicas, segundo os analistas ouvidos pelo g1 e pelo Extra. Segundo analista ouvido pelo InfoMoney, a reeleição levou investidores, sobretudo estrangeiros, a retirar capital do país e a cobrar mais juros para financiar o Brasil.

O dólar vai continuar subindo?

Ninguém sabe. Parte dos analistas espera recuperação gradual depois do estresse inicial, citando os juros altos do Brasil; outros esperam volatilidade até que haja anúncios sobre a política fiscal e a equipe econômica. Por isso, a recomendação é comprar moeda em partes, e não apostar num único dia.

Qual o IOF da compra internacional no cartão em 2026?

3,5%. A mesma alíquota vale para cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global e compra de dinheiro em espécie.

Comprei no exterior na sexta. Vou pagar com o dólar de hoje?

Não. Desde 2020, a compra internacional no cartão é convertida pela cotação do dia em que foi feita. O que você comprou antes desta segunda segue com a cotação daquele dia (mais o spread do seu banco e o IOF).

Perdi dinheiro no Tesouro Direto?

Só se vender antes do vencimento. A queda que aparece no aplicativo é a marcação a mercado. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva sofrem pouca ou nenhuma oscilação desse tipo.

Posso resgatar enquanto o Tesouro Direto está suspenso?

Você pode registrar o pedido, mas ele só é processado quando a negociação reabre, com os novos preços e taxas divulgados pelo Tesouro, segundo as regras do programa explicadas ao O Globo.

A gasolina vai aumentar amanhã?

Não há anúncio de reajuste ligado à alta desta segunda nas fontes consultadas. O preço depende também do petróleo, dos tributos, da política da Petrobras e das margens de distribuidoras e postos. Uma alta duradoura do dólar aumenta a pressão, mas o repasse não é automático.

A Selic vai subir?

A Selic só muda nas reuniões do Copom. A próxima decisão está prevista para 4 de novembro. Antes da eleição, o mercado esperava novos cortes; depois desta segunda, parte dos analistas passou a prever menos cortes. Acompanhe a decisão oficial do Banco Central.

Meu benefício do INSS ou o Bolsa Família vão mudar?

Não. Os pagamentos de outubro seguem o calendário normal: INSS de 26/10 a 9/11, conforme o final do cartão, e Bolsa Família até 30/10, conforme o final do NIS.

É hora de comprar dólar para guardar?

Para quem tem gasto em dólar programado (viagem, curso, compra), comprar em partes reduz o risco. Comprar dólar "para investir" no meio de um dia de pânico é uma aposta. Se pensa em proteger parte do patrimônio, converse com um profissional certificado e use apenas instituições autorizadas.

Leia também no Cantinho

Fontes

Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento. As cotações citadas foram registradas em horários diferentes do pregão de 26/10/2026 e mudam a todo momento: confira a do momento no app do seu banco antes de comprar. Os exemplos com nomes são hipotéticos e servem só para ilustrar as contas, sem o spread cobrado por cada instituição. Regras do Tesouro Direto, do Banco Central e da Receita Federal prevalecem em caso de dúvida.

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Dólar dispara 8% e Bolsa cai 13,9% depois do 2º turno: o que muda no seu bolso — viagem, cartão com IOF de 3,5%, Tesouro Direto suspenso, preços no mercado e no posto, juros, golpes + checklist

Atualizado em 26/10/2026 (18h, horário de Brasília). Fontes principais: g1 – dólar e Ibovespa (26/10) ; InfoMoney – Tesouro Direto (26/10) ;...