Atualizado em 26/10/2026 (15h, horário de Brasília). Fontes principais: O Tempo (26/10); Itatiaia (26/10); g1 Minas (26/10); Cemig – Estou sem luz; Aneel – qualidade do fornecimento. Lista completa no fim do texto.

O temporal de domingo (25/10) deixou cerca de 640 mil clientes sem luz em Minas no pico, segundo a Cemig. Foto de arquivo, para ilustrar: raios sobre Belo Horizonte em dezembro de 2010. Marcin Wichary, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0, adaptada com texto.
Quem mora em Minas Gerais passou a noite de domingo para segunda no escuro, ou conhece alguém que passou. O temporal que caiu no domingo (25/10), dia do segundo turno, foi classificado pela própria Cemig como o evento climático de maior impacto sobre a sua rede de distribuição em 74 anos de história. No pico, por volta das 13h30 de domingo, cerca de 640 mil clientes ficaram sem energia no estado. Na tarde desta segunda-feira (26/10), ainda eram cerca de 231 mil, sendo 98 mil na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 45 mil na capital, segundo os balanços divulgados pela companhia a O Tempo, à Itatiaia e à Rede 98.
"Belo Horizonte" está entre os assuntos em alta no Google Trends Brasil nesta segunda, e as perguntas que mais aparecem são práticas: como avisar a Cemig que estou sem luz? A geladeira queimou quando a energia voltou, quem paga? Perdi a comida do freezer, tenho direito a alguma coisa? Vou ganhar desconto na conta pelas horas sem energia?
Este guia do Cantinho Verde Lar responde a cada uma delas, com as regras da Aneel e os canais oficiais da Cemig, os prazos que a distribuidora tem de cumprir, o que fazer se a água da Copasa também faltou, quando o FGTS pode entrar na história, os golpes mais comuns depois de um temporal e um checklist para você fazer ainda hoje. No fim, tem perguntas frequentes e a lista de fontes.
Resumo rápido
- O que houve: temporal com rajadas de 150 km/h em Patos de Minas, 105 km/h em Lavras e cerca de 90 km/h em Belo Horizonte, segundo a Cemig. A companhia contou cerca de 60 mil descargas atmosféricas, cerca de seis vezes o esperado para uma tempestade desse porte (g1 Minas).
- Quantos ainda sem luz: cerca de 231 mil clientes em Minas na tarde de 26/10 (98 mil na Grande BH, 45 mil em BH). A Cemig disse prever restabelecer "grande parte" até a noite de segunda, mas sem prazo fechado para todos, porque muitos reparos dependem da retirada de árvores caídas sobre a rede.
- Como avisar a Cemig: WhatsApp (31) 3506-1160 (digite "estou sem luz"), app Cemig Atende, Cemig Atende Web, Telegram @cemigbot, SMS 29810 ou telefone 116 (gratuito).
- Aparelho queimou: peça o ressarcimento à Cemig. Vistoria em até 1 dia útil se for geladeira, freezer ou aparelho que guarda remédio; até 10 dias para os demais. Pedido feito em até 90 dias tem resposta em até 15 dias. Prazo máximo para pedir: 5 anos.
- Horas no escuro: se a sua casa passou dos limites de interrupção da Aneel, a compensação é crédito na conta de luz em até dois meses após o período de apuração. Guarde o protocolo.
- Comida estragada: não entra no ressarcimento padrão de aparelhos, mas o Procon orienta pedir à distribuidora com provas e, se negar, reclamar no Procon ou no Juizado Especial.
- Água: a Copasa informou que a falta de energia afetou estações de tratamento e bombeamento na Grande BH; o abastecimento volta aos poucos depois que a luz é religada.
- Golpe: a Cemig não cobra para religar energia cortada por temporal nem para analisar ressarcimento. Desconfie de quem pedir Pix.
O que aconteceu: o balanço do temporal em Minas
A tempestade começou no Sul de Minas na madrugada e manhã de domingo, avançou para o Triângulo, o Oeste e a região da Mantiqueira e chegou com mais força à Região Metropolitana de Belo Horizonte no começo da tarde, contou o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Ernando Braga, em entrevista registrada por O Tempo. "Ontem, nós tivemos um evento climático severo, algo histórico na companhia. Os impactos para o sistema elétrico foram grandes", disse.
Os números divulgados pela companhia ao longo de segunda-feira (26/10):
| Área | No pico (domingo, 25/10) | Segunda à tarde (26/10) |
|---|---|---|
| Minas Gerais (toda a área da Cemig) | cerca de 640 mil clientes | cerca de 231 mil |
| Região Metropolitana de BH | cerca de 380 mil | cerca de 98 mil |
| Belo Horizonte | cerca de 221 mil | cerca de 45 mil |
Fonte: balanços da Cemig divulgados a O Tempo, Itatiaia, Estado de Minas e Rede 98 em 26/10/2026. Os números mudam ao longo do dia.
Segundo a Itatiaia, a Cemig recebeu cerca de 7,5 mil chamados no estado (a Rede 98 falou em 7,8 mil), 1,8 mil deles na Região Metropolitana. A empresa ampliou as equipes de 3 mil para cerca de 4 mil profissionais ainda no domingo e falou em 4,6 mil mobilizados na segunda, além de geradores para cargas mais importantes. O Tribunal Regional Eleitoral contou 349 locais de votação sem luz em Minas durante o domingo (g1).
Em Belo Horizonte, a Defesa Civil registrou 17 chamados de risco até as 8h de segunda: 8 destelhamentos, 4 desabamentos de muro, 3 danos a edificações e 2 desabamentos parciais, com mais casos nas regionais Oeste, Centro-Sul e Barreiro (Itatiaia). No Sul de Minas, o g1 relatou desabamento de casa e imóveis interditados em Jacutinga, lama dentro de casas em Poços de Caldas, muros caídos em Andradas e duas famílias retiradas de casa em Campestre.
E a chuva volta? O Inmet previa, para Belo Horizonte, pancadas de chuva e trovoadas isoladas na própria segunda-feira, com temperaturas entre 16°C e 26°C (Estado de Minas). Para o resto da semana, a previsão é de tempo instável. Em resumo: vale resolver hoje o que der para resolver, antes de um novo temporal.
Ficou sem luz? Primeiro, descarte o problema dentro de casa
A Cemig pede um teste simples antes de abrir o chamado, porque parte das faltas de energia está na instalação interna do imóvel:
- Desligue e religue os disjuntores do quadro interno (se tiver) e o disjuntor da caixa de medição (o "relógio").
- Se ouvir um ruído forte ou sentir cheiro de queimado, pare: o indicado é chamar um eletricista particular antes de acionar a Cemig.
- Se os vizinhos também estão sem luz, ou se você vê fio caído, poste quebrado ou árvore sobre a rede, o problema é da rede, e é aí que entra o chamado.
Fio caído na rua: não chegue perto, não tente afastar com galho ou vassoura e mantenha crianças e animais longe. Avise a Cemig (116) e, se houver risco imediato, o Corpo de Bombeiros (193). A Defesa Civil atende no 199.
Como avisar a Cemig (e por que vale avisar mesmo com o bairro todo apagado)
Abrir o chamado é o que coloca o seu endereço na fila de atendimento, e o número de protocolo é a sua prova de que ficou sem energia, de quando avisou e de quanto tempo esperou. É esse protocolo que você vai usar depois se precisar pedir ressarcimento, reclamar da compensação na conta ou levar o caso ao Procon. Os canais oficiais, segundo a página "Estou sem luz" da Cemig:
| Canal | Como usar |
|---|---|
| Salve o número (31) 3506-1160, digite "estou sem luz" e siga as instruções. Tenha o CPF (ou CNPJ) e o número da instalação. | |
| App Cemig Atende | Faça login e escolha "Estou sem luz" (Android e iOS). |
| Cemig Atende Web | No site da Cemig, login e opção "Estou sem luz". |
| Telegram | Procure @cemigbot e digite "estou sem luz". |
| SMS | Envie "estou sem luz" para 29810. |
| Telefone | 116, ligação gratuita, com atendente virtual. Pessoas com deficiência auditiva: 0800 723 8007. |
| Ouvidoria | 0800 728 3838 (quando o atendimento comum não resolveu). |
Em todos os canais, a Cemig pede que você confirme um celular válido, porque a equipe de campo pode ligar para fazer o atendimento. O número da instalação fica na conta de luz; se você não tem a conta impressa, ele aparece no app. Dica prática: tire hoje uma foto da última conta e deixe no celular.
Se a sua rua continua apagada depois de o resto do bairro voltar, abra um novo chamado: às vezes o defeito que derrubou a sua casa é outro (um ramal, um transformador) e não aparece no chamado coletivo.

Árvore sobre a fiação é o tipo de ocorrência que segura o religamento em muitos bairros: primeiro sai a árvore, depois a Cemig refaz a rede. Foto de arquivo, para ilustrar: avenida Francisco Deslandes, em Belo Horizonte, em 2009. Andrevruas, via Wikimedia Commons — CC BY 3.0.
Geladeira, TV ou computador queimou? O passo a passo do ressarcimento
É comum que aparelhos queimem não durante a queda, mas quando a energia volta, com o pico de tensão. A regra é da Resolução Normativa nº 1.000/2021 da Aneel: se houver relação entre o problema na rede e o dano, a distribuidora tem de ressarcir. Na Cemig, o direito vale para quem está no grupo B, que é a baixa tensão: residências, pequenos comércios e atividades rurais. Você pode pedir:
- o conserto do aparelho;
- a troca por outro igual ou equivalente; ou
- o valor em dinheiro para você mesmo consertar ou comprar outro.
Segundo a orientação do Procon da Assembleia Legislativa de Minas, a forma final do ressarcimento (dinheiro, conserto ou troca) fica a critério da empresa.
Passo a passo
- Não jogue o aparelho fora e não mande consertar antes da vistoria. A Cemig pode querer ver o equipamento; se você descartar, perde a prova.
- Faça o pedido pelo Cemig Atende Web, pelo telefone 116 ou numa agência ou posto de atendimento. Anote o protocolo.
- Junte o que tiver: nota fiscal ou qualquer comprovante de compra, fotos do aparelho e da etiqueta com modelo e número de série, e o protocolo da falta de energia.
- Aguarde a vistoria: até 1 dia útil para aparelho que conserva alimento ou remédio (geladeira, freezer); até 10 dias para os demais, conforme a Cemig.
- Resposta: pedido feito em até 90 dias do dano tem resposta em até 15 dias; depois de 90 dias, em até 30 dias. Os prazos contam da vistoria ou, se não houver vistoria, da data do pedido.
- Pagamento: aprovado o pedido, o ressarcimento deve sair em até 20 dias corridos após o laudo conclusivo, segundo o Procon da ALMG.
- Negaram ou atrasaram? Recorra à ouvidoria da Cemig (0800 728 3838), à Aneel (telefone 167) e ao Procon da sua cidade. Se preferir, o caso pode ir ao Juizado Especial Cível.
Prazo máximo para pedir: 5 anos a partir da data do dano. Mas não espere: quanto mais cedo, mais fácil provar que o defeito veio do temporal, e mais rápido sai a resposta.
Horas no escuro: tenho direito a desconto na conta de luz?
Existe, sim, uma compensação em dinheiro, mas ela tem regras que pouca gente conhece. A Aneel acompanha, para cada imóvel, indicadores individuais de continuidade do fornecimento:
- DIC: quanto tempo, no total, a sua unidade ficou sem energia no período;
- FIC: quantas vezes a energia caiu;
- DMIC: a maior interrupção contínua;
- DICRI: a duração de cada interrupção em dia crítico, que é o dia em que o número de ocorrências emergenciais fica muito acima da média, exatamente o que acontece num temporal como o de domingo.
Só entram na conta as interrupções de 3 minutos ou mais. Quando a sua casa passa do limite fixado pela Aneel, a distribuidora tem de pagar uma compensação automática, como crédito na fatura, em até dois meses após o período de apuração. Se o crédito for maior que a conta, ele pode ser dividido nas faturas seguintes ou pago em dinheiro. Os limites variam conforme o conjunto elétrico do seu bairro e aparecem na própria conta de luz, junto com os valores apurados.
O Procon da Assembleia Legislativa de Minas traz uma orientação mais conservadora: diz que quem ficar mais de 12 horas sem energia em dia crítico deve ser compensado e recomenda ligar de novo para a distribuidora depois das 12 horas para formalizar o pedido, "uma vez que não há informação precisa de que a compensação será feita automaticamente". Fazer isso não custa nada e deixa mais um protocolo registrado.
Um detalhe importante: a Aneel também tem um indicador para interrupções ocorridas em situação de emergência (o DISE), usado para acompanhar esses casos em contexto extraordinário. Se a Cemig enquadrar parte das ocorrências dessa forma, a conta da compensação pode ser diferente. Por isso, a recomendação é a mesma: guarde os protocolos e confira as contas de novembro e dezembro. Se o crédito não aparecer e você tiver ficado muitas horas sem luz, questione a Cemig e, depois, a Aneel (167).
Perdi a comida do freezer: e agora?
Alimento estragado não entra no ressarcimento padrão de aparelhos, que trata de equipamentos danificados. Mas isso não quer dizer que você não tenha nenhum caminho. O Código de Defesa do Consumidor prevê reparação de danos causados pela falha no serviço, e Procons de vários estados orientam o consumidor a:
- Fotografar o conteúdo da geladeira e do freezer antes de jogar fora;
- Fazer uma lista dos itens com quantidade e, se tiver, notas fiscais ou comprovantes do mercado;
- Pedir à Cemig, com o protocolo da falta de energia, e anotar o novo protocolo;
- Se a empresa negar, reclamar no Procon e, se não resolver, no Juizado Especial Cível (causas de até 20 salários mínimos podem ser apresentadas sem advogado).
Seja realista: a empresa costuma alegar caso fortuito em eventos climáticos extremos, e cada caso é analisado com as provas que você tiver. Para quem tem comércio (bar, açougue, sorveteria, padaria), as provas fazem ainda mais diferença: estoque com nota fiscal, controle de temperatura, fotos com data.
Falta de água: o que a Copasa disse
A queda de energia também atingiu o abastecimento. Segundo O Tempo, a Copasa informou ainda no domingo que a falta de eletricidade afetou o funcionamento de estações de tratamento e unidades de bombeamento, com problemas nas estações de Serra Azul (Juatuba), Rio das Velhas (Nova Lima) e Morro Redondo (BH). Bairros de Belo Horizonte, Contagem, Betim, Juatuba, Mateus Leme, Sabará, Ibirité, Santa Luzia, Vespasiano, Raposos, Ribeirão das Neves e Brumadinho podiam ser afetados. Na segunda, a Rede 98 informou uma manutenção emergencial com dezenas de bairros de BH, Contagem e Ibirité sem água e normalização prevista, de forma gradual, para a madrugada de terça-feira (27/10).
O que fazer: use a água da caixa com economia, não deixe torneiras abertas (quando a água volta, a casa pode alagar) e, se a falta passar do previsto, registre protocolo nos canais de atendimento da Copasa. Imóveis com caixa-d'água dimensionada para o consumo diário costumam sentir menos, segundo a companhia.
FGTS: o saque-calamidade vale para este temporal?
Ainda não, e talvez nunca, depende da sua cidade. O saque-calamidade do FGTS existe para desastres naturais como vendavais, tempestades, granizo, alagamentos e enxurradas, e libera até R$ 6.220 por conta, limitado ao saldo. Mas ele só abre quando quatro coisas acontecem, nesta ordem:
- A prefeitura decreta situação de emergência ou calamidade pública;
- O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconhece o decreto em portaria publicada no Diário Oficial da União;
- A prefeitura envia à Caixa a lista das áreas atingidas (municípios de até 50 mil habitantes são dispensados dessa documentação);
- A Caixa habilita o município, e só então o trabalhador pede pelo app FGTS ou numa agência.
Até a tarde desta segunda, não encontramos decreto de emergência por causa deste temporal nas cidades mais atingidas. (O decreto estadual divulgado em 23/10 trata da seca no Norte de Minas, não da tempestade.) Se a sua cidade for habilitada, o pedido pode ser feito até 90 dias depois da publicação da portaria, e você vai precisar de documento de identidade, comprovante de residência emitido nos 120 dias anteriores ao decreto (ou declaração da prefeitura, ou declaração própria) e uma selfie segurando o documento. Há um intervalo mínimo de 12 meses entre saques por calamidade. A lista oficial de municípios habilitados fica na página do Saque Calamidade, no site do FGTS. Explicamos o passo a passo completo neste guia do saque-calamidade.
Tem seguro? Acione agora
- Seguro residencial: muitas apólices têm cobertura para danos elétricos e para vendaval (telhado, vidros, muro). Ligue para a seguradora ou o corretor, informe a data do evento (25/10/2026) e peça a lista de documentos. Se a Cemig também for ressarcir o mesmo aparelho, avise a seguradora: não dá para receber duas vezes pelo mesmo prejuízo.
- Seguro do carro: árvore ou galho sobre o veículo costuma estar na cobertura compreensiva, mas confira a sua apólice. Fotografe antes de mexer.
- Condomínio: portão eletrônico, bombas e elevadores queimados são pedidos do síndico, em nome do condomínio, à Cemig e ao seguro do prédio.
Golpes que aparecem depois de um temporal
Situações de urgência são o ambiente preferido de golpista. Fique atento a estes padrões:
- Falso atendente da Cemig no WhatsApp pedindo Pix para "agilizar o religamento" ou pagar "taxa de vistoria". O número oficial de WhatsApp é (31) 3506-1160, e o ressarcimento não tem taxa.
- Link para "cadastro de indenização" por SMS. Ressarcimento se pede nos canais oficiais (Cemig Atende Web, app, 116 ou agência), nunca por link recebido.
- "Eletricista da Cemig" batendo na porta para consertar algo dentro da sua casa e cobrar na hora. Os funcionários da Cemig trabalham na rede, não na instalação interna do imóvel. Peça identificação e confirme no 116.
- Falso "saque calamidade" ou "auxílio do temporal" pedindo senha do gov.br ou do app FGTS. Nenhum órgão pede senha por telefone ou mensagem.
- Prestador que some com o sinal: telhadista, vidraceiro ou pequena construtora que pede metade adiantada e desaparece.
Antes de contratar o conserto: confira quem vai entrar na sua casa
Depois de um temporal, a procura por eletricista, telhadista e vidraceiro explode, e aparece todo tipo de oferta. Uma conferência rápida protege o seu dinheiro: se o prestador diz que tem empresa, peça o CNPJ e consulte no Consultor CNPJ, de graça, se o cadastro está ativo, desde quando a empresa existe e qual atividade está registrada. Isso também facilita a nota fiscal, que a seguradora costuma exigir para reembolsar. E se o prejuízo foi no seu comércio, o pedido de ressarcimento à Cemig é feito em nome da empresa, com o CNPJ e o número da instalação comercial.
Pela nossa conta: três situações do dia a dia
As situações abaixo são hipotéticas, com valores inventados só para ilustrar como as regras funcionam.
1. A geladeira que não ligou mais (hipotético). Dona Lúcia, de Contagem, ficou sem luz das 14h de domingo até a manhã de segunda. Quando a energia voltou, a geladeira não ligou. Ela abriu o pedido de ressarcimento na segunda-feira, guardou a geladeira e anexou a nota fiscal. Como é aparelho que conserva alimento, a vistoria tem de acontecer em até 1 dia útil. Pedido feito dentro de 90 dias: resposta em até 15 dias. Se aprovado, a Cemig escolhe entre consertar, trocar ou pagar, e o dinheiro sai em até 20 dias do laudo.
2. O freezer da lanchonete (hipotético). Seu Carlos tem uma lanchonete em BH e perdeu, pelas notas do fornecedor, R$ 1.800 em carne e laticínios. O freezer não queimou, então não há ressarcimento de aparelho. Ele fotografou o estoque, separou as notas, fez o pedido à Cemig com o protocolo da falta de luz e, se receber um "não", leva as provas ao Procon e, se for o caso, ao Juizado Especial. Sem as notas e as fotos, o pedido fica muito mais fraco.
3. Trinta horas no escuro (hipotético). Uma família da Região Metropolitana ficou cerca de 30 horas sem luz. Ela não precisa calcular nada: se o tempo passou do limite do seu conjunto elétrico, a compensação deve vir como crédito nas próximas contas, em até dois meses após a apuração. O que ela fez: anotou o protocolo do domingo, ligou de novo depois de 12 horas (como orienta o Procon da ALMG) e marcou na agenda para conferir as contas de novembro e dezembro.
Erros comuns que fazem perder dinheiro
- Jogar fora o aparelho queimado antes da vistoria.
- Mandar consertar por conta própria e só depois pedir ressarcimento, sem laudo e sem o aparelho para a Cemig ver.
- Não anotar o protocolo da falta de energia.
- Religar tudo de uma vez quando a luz volta: o ideal é deixar aparelhos sensíveis fora da tomada durante a falta e religar aos poucos.
- Esperar o temporal passar para pedir: o prazo de 5 anos existe, mas a resposta é mais rápida (15 dias) se o pedido sair em até 90 dias.
- Pagar "taxa" para qualquer pessoa que diga ser da Cemig.
- Não conferir a conta de luz nos próximos dois meses para ver se a compensação apareceu.

Quantos ficaram sem luz e os prazos que a Cemig tem de cumprir. Gráfico: Cantinho Verde Lar, com dados da Cemig, da Aneel e do Procon da ALMG (26/10/2026).
Calendário: as datas e os prazos que importam
| Quando | O quê |
|---|---|
| Dom. 25/10 | Temporal; pico de cerca de 640 mil clientes sem luz por volta das 13h30. |
| Seg. 26/10 | Cerca de 231 mil ainda sem luz à tarde; Cemig prevê religar "grande parte" até a noite. |
| Ter. 27/10 (madrugada) | Normalização gradual da água prevista pela Copasa em bairros de BH, Contagem e Ibirité (manutenção emergencial). |
| Até 1 dia útil após o pedido | Vistoria de geladeira, freezer ou aparelho que guarda remédio. |
| Até 10 dias após o pedido | Vistoria dos demais aparelhos. |
| Até 15 dias | Resposta da Cemig para pedido feito em até 90 dias do dano (30 dias se pedir depois). |
| Até 20 dias após o laudo | Pagamento, conserto ou troca do aparelho, se aprovado (Procon da ALMG). |
| Até 23/1/2027 (pela nossa conta) | Fim dos 90 dias para pedir com resposta em até 15 dias. |
| Até dois meses após a apuração | Crédito da compensação por interrupção na conta de luz, se o limite foi ultrapassado. Confira as contas de novembro e dezembro. |
| Até 25/10/2031 | Prazo máximo de 5 anos para pedir ressarcimento por dano deste temporal. |
Checklist: o que fazer hoje e nesta semana
- ☐ Testei os disjuntores internos e da caixa de medição.
- ☐ Avisei a Cemig (WhatsApp (31) 3506-1160, app, 116 ou SMS 29810) e anotei o protocolo.
- ☐ Se passou de 12 horas, liguei de novo e registrei mais um protocolo.
- ☐ Tirei os aparelhos sensíveis da tomada enquanto a energia não estabiliza.
- ☐ Testei geladeira, TV, computador, roteador, micro-ondas, portão e bomba d'água quando a luz voltou.
- ☐ Aparelho queimado? Pedi ressarcimento, guardei o aparelho e separei nota e fotos.
- ☐ Fotografei e listei alimentos perdidos, com notas fiscais se tiver.
- ☐ Acionei o seguro residencial ou do carro, se tiver.
- ☐ Conferi se a minha cidade decretou emergência (para o FGTS) e, se for habilitada, separei os documentos.
- ☐ Antes de contratar conserto, conferi o CNPJ do prestador e combinei nota fiscal.
- ☐ Marquei na agenda: conferir a compensação nas contas de novembro e dezembro.
Perguntas frequentes
A Cemig cobra alguma coisa para religar a energia depois do temporal?
Restabelecer a energia derrubada por problema na rede é obrigação da distribuidora, e o chamado é gratuito. A religação que tem pedido próprio é a de corte por falta de pagamento, que é outra situação. Se alguém pedir dinheiro em nome da Cemig, desconfie.
Moro de aluguel. Quem pede o ressarcimento?
O pedido costuma ser feito pelo titular da conta de luz. Se a conta está no nome do proprietário, combine com ele ou com a imobiliária, e junte comprovantes de que o aparelho é seu.
Não tenho a nota fiscal da TV. Perco o direito?
Não necessariamente. Fotos do aparelho, da etiqueta com modelo e número de série e qualquer comprovante (fatura do cartão, manual, caixa) ajudam. A vistoria serve justamente para verificar o equipamento.
O aparelho estava na garantia da loja. Uso a garantia ou peço à Cemig?
Dano por surto elétrico costuma ficar fora da garantia do fabricante, que cobre defeito de fabricação. Leia o termo de garantia; na dúvida, o caminho mais seguro é o pedido à Cemig ou o seguro.
A compensação por horas sem luz cai sozinha?
Pela regra da Aneel, sim, como crédito na fatura em até dois meses após o período de apuração, quando o limite da sua unidade é ultrapassado. O Procon da ALMG recomenda formalizar o pedido depois de 12 horas sem energia em dia crítico. Faça as duas coisas: registre e confira as próximas contas.
Minha empresa ficou fechada sem luz. Tenho direito a lucro cessante?
O ressarcimento padrão da Aneel cobre danos em equipamentos. Perdas como faturamento que deixou de entrar são discutidas caso a caso, no Procon ou na Justiça, com provas. Vale conversar com um advogado ou com o seu contador.
Para onde ligo se a Cemig não resolver?
Ouvidoria da Cemig (0800 728 3838), Aneel (167), Procon do seu município e, se quiser, o Juizado Especial Cível.
O INSS e o Bolsa Família atrasam por causa da falta de luz?
Não há anúncio de mudança. O INSS começou a pagar os benefícios de outubro nesta segunda (26/10); se a agência ou a lotérica do seu bairro estiver sem energia, o dinheiro continua na conta e pode ser sacado depois. Veja o calendário completo neste guia.
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Fontes
- O Tempo — Temporal deixa 231 mil clientes sem energia em MG (26/10/2026); Após temporal, 45 mil imóveis continuam sem energia em BH (26/10/2026); Falta de energia após temporal pode afetar abastecimento de água (25/10/2026).
- Rádio Itatiaia — Mais de 200 mil imóveis seguem sem energia em Minas (26/10/2026); Defesa Civil registra 17 ocorrências em BH (26/10/2026).
- g1 Minas — Mais de 230 mil imóveis continuam sem energia (26/10/2026); Chuva forte causa desabamentos no Sul de Minas (26/10/2026); Chuva em BH deixa locais de votação sem luz (25/10/2026).
- Estado de Minas — Temporal histórico deixa 230 mil clientes ainda sem energia (26/10/2026); Chuva volta a BH nesta segunda? (26/10/2026).
- Rede 98 — Cemig prevê restabelecer energia até a noite (26/10/2026); Manutenção da Copasa deixa bairros sem água (26/10/2026).
- Cemig — Estou sem luz; Como solicitar ressarcimento de danos em aparelhos elétricos; Qual o prazo máximo para solicitação do ressarcimento.
- Aneel — Qualidade do fornecimento de energia elétrica (DIC, FIC, DMIC, DICRI, DISE e compensação).
- Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais — Energia elétrica: falta de energia, compensação e aparelhos queimados.
- FGTS/Caixa — Saque Calamidade (regras, documentos e municípios habilitados, consultado em 26/10/2026).
- G1 Grande Minas — Seca: Governo de MG decreta situação de emergência em cidades do Norte (23/10/2026).
- Google Trends Brasil — assuntos em alta (26/10/2026).
Este conteúdo é informativo e não substitui as orientações oficiais da Cemig, da Aneel, da Copasa, da Defesa Civil e da Caixa, que prevalecem em caso de dúvida. Os números do temporal são os balanços divulgados até a tarde de 26/10/2026 e mudam ao longo do dia. As situações da seção "pela nossa conta" são hipotéticas e servem só para ilustrar as regras. Coberturas de seguro dependem de cada apólice: confira a sua com a seguradora ou o corretor.
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