Atualizado em 17/10/2026 (10h SP). Fontes: O Globo (16 e 17/10/2026); Veja (15/10/2026); CNN Brasil (15/10/2026); Agência Brasil – regras do MED do Pix (01/09/2026); Agência Brasil – nova jornada do MED em 2027; Agência Brasil – engenharia social (22/08/2026); Valor – dados da Polícia Federal (15/04/2026); Lei 14.155/2021. Conteúdo informativo, sem vínculo com bancos, plataformas ou órgãos públicos. Regras do Pix podem ser atualizadas pelo Banco Central; confirme sempre no app do seu banco.
A história correu o país nesta semana e entrou nas buscas mais quentes do Google neste sábado. O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, saiu de Imperatriz (MA) na sexta-feira (9/10) e chegou a Belo Horizonte no domingo (11/10), depois de mais de 2 mil quilômetros de estrada, para encontrar a mulher com quem acreditava estar começando um romance. A “Jéssica Fazendeira”, que prometia nos vídeos sustentá-lo numa fazenda em Minas, não existe: era uma personagem criada por inteligência artificial (IA).
Edimar ficou sem dinheiro para voltar e precisou da ajuda da Prefeitura de Belo Horizonte. O caso dele, até onde se sabe, não envolveu um pedido de Pix. Mas ele mostra, de um jeito doloroso, o que a IA já faz nas mãos de quem quer dinheiro: rostos, vozes e conversas que parecem reais. A Polícia Federal diz que 42,5% das fraudes bancárias no Brasil já usam IA. Neste guia, você vê como reconhecer perfis, vídeos e vozes falsos, os golpes com IA que mais aparecem e o que fazer, hora a hora, se cair em um. Inclui os 80 dias para pedir o dinheiro de volta pelo MED do Pix e o calendário das novas regras até março de 2027.
Leitura rápida: perfil que promete amor, dinheiro fácil ou “nunca mais trabalhar” e tem pressa é sinal de alerta, mesmo com vídeo e voz convincentes. Nunca faça Pix para quem você só conhece pela internet. Pedido urgente com a voz de um parente? Desligue e ligue de volta para o número que você já tem, e combine uma palavra de segurança com a família. Caiu? Abra a contestação do Pix (MED) no app do banco na hora: o prazo máximo é de 80 dias da transferência, mas cada minuto conta. Depois, junte prints e registre boletim de ocorrência.

Redes sociais no celular: é por elas que chegam a maioria dos perfis falsos, inclusive os criados por IA. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR), adaptada com texto.
Resumo rápido
- O caso: pedreiro de 49 anos viajou de Imperatriz (MA) a Belo Horizonte atrás de “Jéssica Fazendeira”, personagem de IA com mais de 300 mil seguidores. Ele voltou ao Tocantins com uma passagem dada pela prefeitura.
- O tamanho do problema: segundo a Polícia Federal, 42,5% das fraudes bancárias já usam IA, e o uso de deepfakes em fraudes cresceu 830% de 2024 para 2025.
- Onde o golpe chega: no celular (78% dos casos) e com o Pix como meio de pagamento (85%), segundo levantamento da Quod divulgado pela Agência Brasil.
- Sinal número 1: pressa. Pedido urgente de dinheiro, código, senha ou “decisão agora” é alerta, venha de quem vier.
- Caiu? O relógio corre: peça o MED no app do banco o quanto antes. O limite é de 80 dias da transação, e o banco tem até 11 dias para responder se aceitou a contestação.
- Nada é garantido: a devolução depende de haver saldo nas contas usadas pelo golpista. O MED 2.0 já rastreia o dinheiro além da primeira conta, desde fevereiro de 2026.
- A lei: golpe pela internet ou pelo telefone é fraude eletrônica, com pena de 4 a 8 anos de reclusão e multa, aumentada se a vítima for idosa ou vulnerável.
O caso da “Jéssica Fazendeira”: o que se sabe
Os fatos abaixo foram publicados por O Globo, Veja e CNN Brasil, com base no relato do pedreiro à Rádio Itatiaia e em informações da Prefeitura de Belo Horizonte e da Polícia Civil de Minas Gerais:
- A personagem: em vídeos no Kwai e no Facebook, “Jéssica” se apresentava como dona de uma fazenda em Minas e procurava um companheiro. “Eu quero muito sustentar você, quero que você venha para minha fazenda e nunca mais trabalhe na sua vida”, dizia em um deles. O perfil tinha mais de 300 mil seguidores, segundo a Veja.
- A viagem: Edimar, natural de Araguatins (TO), saiu de Imperatriz (MA) na sexta (9/10) e chegou à capital mineira no domingo (11/10). Ele contou que a solidão depois da morte da mãe pesou na decisão. “Tem coisa pior do que a solidão?”, disse a uma assistente social.
- A volta: sem encontrar ninguém e sem dinheiro, ele foi atendido pelo Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da prefeitura, que deu alimentação e uma passagem de ônibus. Na terça (13/10), embarcou de volta para o Tocantins.
- O perfil admitiu: depois da repercussão, um vídeo da própria personagem disse: “Sou feita de inteligência artificial. Nunca conversei com ninguém nesse perfil. O intuito foi ganhar engajamento para vendas.” O responsável, que não foi identificado, nega ter convidado o pedreiro. A conta foi excluída.
- A polícia: a Polícia Civil de Minas informou não ter registro de ocorrência e disse que, até agora, não é possível afirmar que houve crime. Criar personagem com IA não é ilegal por si só. Usar a tecnologia para enganar alguém e obter vantagem pode ser fraude, dependendo do caso.
O que ainda não está claro: as reportagens divergem sobre como eram as conversas. Segundo a CNN, as respostas que o pedreiro recebia eram automáticas. O perfil nega ter conversado com ele em particular. Também não há relato de que ele tenha feito qualquer pagamento. O ponto que interessa ao seu bolso é outro: o mesmo tipo de personagem que gera “engajamento para vendas” é a isca preferida de quem aplica golpe.

Passageiros à espera no terminal rodoviário de Belo Horizonte, capital aonde o pedreiro chegou em 11/10 depois de mais de 2 mil km de estrada. Imagem ilustrativa, de 2022. Foto: Tet/Wikimedia Commons (CC0).
Por que isso importa para o seu bolso: os números
A IA tornou o golpe mais barato e mais convincente. Os dados mais recentes mostram o tamanho do problema:
| Dado | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Fraudes bancárias que já usam IA | 42,5% | Polícia Federal, no Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (abril/2026), via Valor |
| Crescimento do uso de deepfakes em fraudes (2025 sobre 2024) | 830% | Polícia Federal, via Valor |
| Indícios de fraude no 1º semestre de 2026 | mais de 9 milhões (alta de 10,26% sobre o 2º semestre de 2025) | Quod, via Agência Brasil |
| Fraudes por engenharia social (manipulação da vítima) | 3,6 milhões, cerca de 40% do total | Quod, via Agência Brasil |
| Golpes que passaram pelo celular / pelo Pix | 78% / 85% | Quod, via Agência Brasil |
| Vítimas no 1º semestre de 2026 | 3,1 milhões; cerca de 799 mil caíram duas vezes ou mais | Quod, via Agência Brasil |
| Quem mais cai | jovens de 18 a 34 anos (49,06%); quem ganha até 2 salários mínimos (58%) | Quod, via Agência Brasil |
| Vítimas de golpe com Pix ou boleto (jul/2024 a jun/2025) | cerca de 24 milhões, prejuízo de quase R$ 29 bilhões | Fórum Brasileiro de Segurança Pública, via Rádio Senado |
Repare num detalhe: quase metade das vítimas é jovem. Não é só o idoso que cai. Golpe com IA mira a emoção (solidão, medo, pressa, vontade de ajudar um filho) e funciona com qualquer idade.
Os golpes com IA que mais aparecem (e o sinal de cada um)
1. Golpe do amor (estelionato sentimental)
Perfis com fotos e vídeos gerados por IA puxam conversa, criam intimidade por dias ou semanas e, um dia, aparece o pedido: dinheiro para uma passagem, um tratamento, uma taxa para “liberar” uma herança ou um presente parado na alfândega. A TV Brasil cita o chamado “golpe do Don Juan”, em que homens usam imagens falsas criadas por IA para se aproximar de mulheres. Funciona igual nos dois sentidos, como mostra o caso da “fazendeira”.
Sinal: a pessoa nunca pode fazer uma chamada de vídeo ao vivo de verdade, ou só aparece em vídeos prontos. Promete demais e cedo demais. E, mais cedo ou mais tarde, surge um problema que só o seu dinheiro resolve.
2. Voz clonada de filho, neto ou amigo
Golpistas pegam áudios publicados nas redes e geram uma voz parecida com a de um parente. A ligação ou o áudio de WhatsApp fala em acidente, sequestro ou “celular novo” e pede Pix urgente. A Radioagência Nacional recomenda combinar uma palavra de segurança com a família: “A IA imita voz, mas não inventa suas memórias”.
Sinal: urgência, número desconhecido e pedido para não contar a ninguém. Desligue e ligue de volta para o número que você já tem salvo.
3. Vídeo falso de famoso, influenciador ou autoridade
Segundo reportagem do Estadão sobre os dados da PF, criminosos criam vídeos de figuras públicas, influenciadores ou pessoas comuns para endossar produtos falsos, pedir doações e anunciar prêmios inexistentes, com o movimento dos lábios sincronizado à fala. O golpe dos falsos prêmios também aparece na lista da TV Brasil.
Sinal: “oportunidade” com lucro garantido, desconto absurdo ou prêmio que exige pagar taxa antes. Famoso de verdade não pede Pix para você em anúncio.
4. Falsa central do banco e falsa “operação policial”
É a engenharia social clássica, agora turbinada por IA. O criminoso diz ter visto uma transação suspeita e manda você “proteger a conta” transferindo o dinheiro, ou se passa por policial e exige movimentações. Segundo a Agência Brasil, os ataques podem combinar ligação, WhatsApp, SMS e e-mail durante dias antes da transferência, com voz clonada e documentos falsificados por IA.
Sinal: banco e polícia não pedem transferência para “conta segura”, senha, código por SMS nem instalação de aplicativo.
5. Documentos falsos e conta aberta no seu nome
A mesma reportagem do Estadão mostra o uso de IA para criar documentos falsos realistas, como CNH, comprovantes bancários e de residência, que facilitam abrir contas e pegar empréstimos em nome das vítimas. Essas contas viram “contas laranja” para receber o dinheiro de outros golpes.
Sinal: notificação de conta, cartão ou empréstimo que você não pediu. Ative o BC Protege+ e consulte o Registrato, como explicamos no guia Pix passa de 1 bilhão de chaves: veja quais estão no seu CPF.
6. O perfil “isca” que só quer seu clique
Nem todo personagem de IA pede dinheiro de cara. Muitos, como o da “fazendeira”, existem para ganhar seguidores e vender algo depois. O risco é o passo seguinte: o link do “produto”, o grupo “exclusivo”, o pedido de dados. Um especialista ouvido pela CNN resume: “O vídeo falso funciona como uma isca”.
Sinal: conteúdo feito para mexer com carência, medo ou ganância, sempre com um link ou um “chama no privado”.
Como reconhecer perfil, vídeo ou voz feitos por IA
A má notícia: a imagem já está boa demais para ser julgada só no olho. “O erro que a gente vê hoje é procurar defeitos na imagem, mas o deepfake de hoje é muito bom na imagem; o que ele é ruim é no contexto”, disse à CNN Brasil o cientista de dados Arnobio Morelix. Por isso, olhe primeiro para o contexto e depois para os detalhes:
- Contexto e pressa: por que essa pessoa está falando comigo? O que ela quer que eu faça agora? Pedido de senha, código, Pix ou “decisão urgente” é o maior sinal.
- Promessa grande demais: amor à primeira vista, “vou te sustentar”, lucro garantido, prêmio que você não disputou.
- Boca e voz: confira se o movimento dos lábios acompanha a fala, se a voz não soa “lisa” demais, sem respiração, e se a emoção combina com o que está sendo dito.
- Perfil sem vida real: só vídeos posados, nenhum amigo marcando, nenhuma foto antiga, comentários repetidos ou de contas recém-criadas.
- Busca reversa: salve a foto e pesquise a imagem no Google. Se ela aparece com outros nomes ou em bancos de imagem, desconfie.
- Prova fora do roteiro: peça uma chamada de vídeo ao vivo, uma pergunta que só a pessoa saberia responder ou, com parentes, a palavra de segurança combinada.
- Ferramentas ajudam, mas falham: detectores como SynthID, Hive AI e Reality Defender podem apontar indícios, e alguns conteúdos trazem a marca C2PA de origem. Mas, como lembra a CNN, nenhuma dessas ferramentas é infalível.
Regra de ouro: não importa se o vídeo parece real. Não faça Pix, não passe código e não informe senha para quem você só conhece pela internet ou por uma ligação que você não fez.
Caiu no golpe? O que fazer, na ordem certa
Se o dinheiro já saiu, o fator mais importante é a velocidade. Quanto antes o banco for avisado, maior a chance de ainda haver saldo para bloquear na conta do golpista.
Nas primeiras horas
- Abra a contestação no app do banco (MED). Desde outubro de 2025, os aplicativos têm o autoatendimento do MED: no Pix enviado, procure a opção de contestar ou de informar golpe. Se não achar, ligue para o número oficial que está no verso do cartão ou no próprio app.
- Pare de falar com o golpista e não envie mais nada, nem a “taxa para devolver”.
- Se passou senha ou código, troque as senhas do banco e do e-mail, encerre sessões abertas e avise o banco para bloquear o acesso.
- Se o pagamento foi no cartão, peça a contestação da compra ao emissor do cartão.
No mesmo dia
- Junte as provas: comprovante do Pix, prints das conversas, endereço (link) do perfil, áudios, número de telefone e anúncios. A Agência Brasil lista esses documentos como os que ajudam a comprovar a fraude.
- Registre boletim de ocorrência. Na maioria dos estados dá para fazer pela delegacia virtual. Pela Lei 14.155/2021, quando o estelionato é feito por depósito ou transferência, o caso corre no local do domicílio da vítima. Ou seja, você não precisa ir até a cidade do golpista.
- Denuncie o perfil na rede social ou no aplicativo de mensagens, para que ele seja derrubado antes de fazer outras vítimas.
Nos dias seguintes
- Acompanhe a resposta: o banco tem até 11 dias para informar se a contestação foi considerada procedente, segundo o Banco Central. No fluxo de fraude, as instituições têm até 7 dias para analisar os indícios.
- Entenda o limite: a devolução pode ser total ou parcial e depende de haver recursos nas contas envolvidas. Se o dinheiro já foi sacado ou espalhado, a recuperação fica mais difícil. Antes do MED 2.0, a recuperação era baixa: em 2025, até outubro, foram recuperados em média 9,3% do valor contestado, segundo apresentação do Banco Central de 14/10/2025. O rastreio por várias contas foi criado justamente para melhorar esse número.
- Cuidado com o “golpe da recuperação”: quem perdeu dinheiro costuma ser procurado por falsos advogados, falsos “hackers” ou falsos funcionários prometendo reaver tudo mediante pagamento adiantado. O MED é gratuito e feito pelo seu banco.
- Se o golpe virou dívida (rotativo, empréstimo, cheque especial), negocie o quanto antes. Veja as opções no nosso guia do Desenrola Brasil 3.0.
O MED 2.0 e os 80 dias: como funciona a devolução
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é a ferramenta do Pix para casos de fraude, golpe, crime ou falha operacional. Ele não serve para cancelar qualquer Pix nem para um simples desacordo comercial sem indício de fraude. Os pontos principais, segundo o Banco Central e a Agência Brasil:
| Regra | O que vale hoje |
|---|---|
| Prazo para a vítima pedir o MED | até 80 dias contados da transação |
| Exemplo pela nossa conta | Pix feito hoje (17/10/2026) pode ser contestado até 05/01/2027; mas não espere |
| Resposta do banco | até 11 dias para dizer se a contestação foi aceita |
| Rastreio do dinheiro | desde fevereiro de 2026 (MED 2.0), vai além da primeira conta que recebeu o Pix |
| Devolução | total ou parcial, só se houver saldo disponível nas contas envolvidas |
| Recebedor que teve devolução indevida | desde 01/09/2026, também tem 80 dias, a partir da devolução, para contestar (IN BCB 766) |
O Procon-SP reforça que o MED 2.0 vale também para falhas do próprio banco, mas não para erro do consumidor, como digitar a chave errada. E que todas as instituições são obrigadas a aderir.
Calendário: datas do Pix que mexem com você
| Data | O que acontece |
|---|---|
| Out/2025 | Botão de autoatendimento do MED passa a existir nos aplicativos dos bancos e fintechs. |
| Fev/2026 | Começa o MED 2.0, que rastreia o caminho do dinheiro por outras contas. |
| 01/09/2026 | Comerciante ou prestador que recebeu Pix legítimo e sofreu devolução fraudulenta ganha 80 dias (antes eram 30) para contestar. |
| Sáb, 17/10/2026 | Hoje. Um Pix feito hoje pode ser contestado até 05/01/2027 (80 dias, pela nossa conta). |
| Seg, 26/10/2026 | Entra uma etapa adicional de comunicação entre as instituições no MED 2.0, adiada de agosto. Segundo o BC, isso não muda o rastreamento que já funciona. |
| 01/03/2027 | Nova jornada de contestação nos apps (IN BCB 774): o usuário descreve o golpe em linguagem do dia a dia, pode anexar documentos e comprovantes e é orientado quando o caso não se encaixa no MED. Comprovantes do Pix ficam proibidos de ter propaganda, ofertas e links. |
E a lei? O que pode acontecer com quem aplica o golpe
- Fraude eletrônica: a Lei 14.155/2021 incluiu no Código Penal pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa quando a fraude usa informações dadas pela vítima, ou por terceiro enganado, por meio de redes sociais, telefone, e-mail falso ou meio parecido.
- Servidor no exterior: a pena aumenta de 1/3 a 2/3 se o crime usa servidor mantido fora do Brasil.
- Idoso ou vulnerável: a pena do estelionato aumenta de 1/3 até o dobro.
- Na Justiça cível: segundo advogado ouvido pela CNN, a vítima pode pedir ressarcimento do prejuízo, indenização por danos morais e a retirada do conteúdo, mesmo sem condenação criminal. “A pena acompanha o crime praticado, não o nome da tecnologia utilizada.”
- Personagem de IA, por si só: não é crime. O problema começa quando ela é usada para enganar e obter vantagem, como disse a Polícia Civil de Minas no caso do pedreiro.
Tem comércio ou é MEI? Dois cuidados extras
1. O golpe do “Pix por engano”. O golpista paga uma loja, diz que errou e pede a devolução por um novo Pix, muitas vezes para outra chave. Depois, aciona o MED alegando fraude no pagamento original. Resultado: o comerciante perde duas vezes. A orientação da Agência Brasil é usar sempre a função de devolução ligada à própria transação no app, nunca um Pix novo para a chave que a pessoa indicar. E, desde setembro, você tem 80 dias para contestar uma devolução indevida.
2. Fornecedor “bom demais” nas redes. Anúncio com vídeo de IA, preço muito abaixo do mercado e pagamento só por Pix para pessoa física? Antes de pagar, confira se o CNPJ do vendedor existe, está ativo e bate com o nome que aparece no Pix. O Consultor CNPJ ajuda nessa consulta. Se você é MEI, veja também as novidades do perdão de dívidas e do novo teto do MEI.

Sinais de golpe com IA, prazos do MED do Pix e o que fazer se você caiu. Quadro: Cantinho Verde Lar, com base no Banco Central/Agência Brasil, g1, Procon-SP, Polícia Federal (via Valor), Quod (via Agência Brasil), CNN Brasil e Lei 14.155/2021 (outubro de 2026).
Checklist: proteja você e a sua família hoje
- Combine uma palavra de segurança com filhos, pais e avós. Pedido de dinheiro sem a palavra? Desligue.
- Converse com quem mora sozinho ou está passando por luto. Solidão é a porta de entrada do golpe do amor.
- Feche o perfil ou limite quem vê seus vídeos e áudios. Eles podem ser usados para clonar sua voz.
- Nunca faça Pix para quem você só conhece pela internet, mesmo com vídeo e voz convincentes.
- Desconfie da pressa. Conte até cinco, saia da conversa e confirme por outro canal.
- Banco não liga pedindo transferência, senha, código ou instalação de aplicativo. Desligue e ligue você para o número oficial.
- Confira nome e banco do recebedor antes de confirmar qualquer Pix.
- Ative o BC Protege+ e consulte no Registrato as contas e chaves Pix no seu CPF.
- Ache hoje o botão de contestação do Pix no app do seu banco, para não perder tempo se precisar.
- Caiu? MED na hora, provas guardadas, boletim de ocorrência e denúncia do perfil.
- Ninguém cobra para devolver dinheiro de golpe. Quem cobra é outro golpista.
Perguntas frequentes
O pedreiro caiu em um golpe?
Até agora, a Polícia Civil de Minas diz não ter registro de ocorrência e que não é possível afirmar que houve crime. O responsável pelo perfil afirma que a personagem era para gerar engajamento e vendas e nega ter conversado com ele. O caso serve de alerta sobre o poder de convencimento da IA, que é exatamente o que os golpistas exploram.
Criar personagem com inteligência artificial é proibido?
Não, por si só. Mas usar a personagem para enganar pessoas e obter vantagem pode configurar fraude. Se houver prejuízo, a vítima pode buscar ressarcimento e indenização na Justiça.
Como sei se um vídeo foi feito por IA?
Não há garantia só olhando a imagem. Desconfie do contexto (pressa, promessa exagerada, pedido de dinheiro), observe a sincronia da boca e da voz, procure a foto em busca reversa e peça uma prova fora do roteiro, como uma chamada ao vivo. Ferramentas de detecção ajudam, mas não são infalíveis.
Recebi um áudio com a voz do meu filho pedindo Pix. O que faço?
Não pague. Desligue e ligue para o número que você já tem dele, ou para alguém próximo. Se a família tiver uma palavra de segurança, peça. Golpe com voz clonada usa urgência para você não pensar.
Quanto tempo tenho para pedir o dinheiro de volta?
Até 80 dias da transação para pedir o MED ao seu banco. Mas faça isso na hora: quanto mais rápido, maior a chance de o dinheiro ainda estar na conta do golpista.
O banco é obrigado a devolver?
Não automaticamente. O banco analisa o caso e a devolução depende de a fraude ser confirmada e de haver saldo nas contas que receberam o dinheiro. O MED 2.0 aumentou as chances, porque rastreia o dinheiro por mais de uma conta, mas não garante a devolução.
Preciso ir à delegacia da cidade do golpista?
Não. Na maioria dos estados o boletim pode ser feito pela internet. E, pela Lei 14.155/2021, quando o estelionato é feito por depósito ou transferência, o caso é conduzido no local do domicílio da vítima.
Lembrete final: cair em golpe não é sinal de burrice. A IA foi feita para parecer verdadeira e o golpista estuda a emoção da vítima. Quem caiu deve agir rápido e sem vergonha: avisar o banco, registrar a ocorrência e alertar a família.
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Fontes
- O Globo – Quem é Jéssica Fazendeira, personagem criada por IA que levou pedreiro a viajar 2,1 mil km (16/10, atualizado em 17/10/2026)
- Veja – O caso do pedreiro que cruzou o país para encontrar mulher criada por IA (15/10/2026)
- CNN Brasil – Como identificar vídeos feitos com IA e evitar golpes? (15/10/2026)
- Agência Brasil – Nova regra do Pix amplia prazo para contestar golpe (01/09/2026)
- Agência Brasil – BC proíbe publicidade em comprovantes do Pix a partir de março de 2027 (03/09/2026)
- g1 – Novas regras do Pix: BC amplia segurança e combate a fraudes (03/09/2026)
- Banco Central – Aprimoramentos no Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), Circuito Pix (14/10/2025)
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- TV Brasil – Como a IA tem sido usada para sofisticar golpes digitais (julho/2026)
- Radioagência Nacional – Kit de sobrevivência aos golpes digitais
- Planalto – Lei 14.155/2021 (fraude eletrônica e competência pelo domicílio da vítima)
- Consultor CNPJ
Cantinho Verde Lar — guia informativo para o trabalhador, o aposentado e a família. Não substitui orientação do seu banco, da polícia, do Procon ou de advogado. Informações conforme publicações oficiais e reportagens até 17/10/2026; o caso do pedreiro ainda pode ter novos desdobramentos.
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