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sábado, 17 de outubro de 2026

Dinheiro esquecido: R$ 5,79 bilhões esperam 23,9 milhões de pessoas — o que houve com os R$ 5,7 bi levados ao Desenrola, prazo do Congresso até 30/10, resgate via Pix em 12 dias úteis e checklist

Atualizado em 17/10/2026 (20h SP). Fontes: Agência Brasil, com dados do Banco Central (13/10/2026); Jornal Nacional/g1 (13/10/2026); g1 (27/05/2026); Medida Provisória nº 1.355/2026; Edital MF nº 1, de 21/05/2026 (DOU); Congresso Nacional – tramitação da MPV 1.355/2026; Agência Senado (08/09/2026); Lei nº 14.973/2024; gov.br – Consultar e solicitar a devolução de Valores a Receber. Conteúdo informativo, sem vínculo com o Banco Central ou com bancos. Não é orientação jurídica.

Tem dinheiro seu parado num banco, num consórcio que acabou ou numa cooperativa, e você nem sabe. Segundo o balanço mais recente do Banco Central, divulgado na terça-feira (13), ainda há R$ 5,79 bilhões esquecidos em instituições financeiras, à espera de 23,94 milhões de pessoas e 2,36 milhões de empresas. A consulta é grátis, leva um minuto e só precisa do CPF e da data de nascimento.

Mas há uma história por trás desse número que pouca gente acompanhou. Em março, o total esquecido era de R$ 10,6 bilhões. Em maio, uma medida provisória do governo mandou transferir boa parte desse dinheiro para um fundo que garante as renegociações do Novo Desenrola — e o Ministério da Fazenda informou que R$ 5,7 bilhões já tinham sido transferidos. Só que essa MP perdeu a validade em 31 de agosto, sem ser votada, e o Congresso tem até 30 de outubro para decidir, por decreto legislativo, como ficam as situações criadas enquanto ela valeu. Neste guia você vê quanto ainda está disponível, o que aconteceu com o dinheiro que saiu, o calendário, o passo a passo para resgatar (inclusive de quem já morreu e de empresa fechada), os golpes mais comuns e um checklist final.

Leitura rápida: ainda há R$ 5,79 bilhões no Sistema Valores a Receber (SVR), com dados até agosto de 2026: R$ 4,31 bilhões de pessoas físicas e R$ 1,48 bilhão de empresas. A consulta é feita só em valoresareceber.bcb.gov.br, com CPF e data de nascimento. Para pedir o dinheiro, é preciso conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas e uma chave Pix; o crédito sai em até 12 dias úteis. Os R$ 5,7 bilhões levados ao fundo do Desenrola eram valores informados até 31/12/2024; o prazo de 30 dias para pedi-los de volta, aberto por edital em 21/05, já acabou. A MP que permitiu a transferência está sem eficácia desde 31/08, e o prazo do Congresso para regular o assunto termina em 30/10. Ninguém do BC liga, manda link ou cobra taxa.

Mãos segurando cédulas de 20 e de 100 reais sobre a gaveta de um caixa, com texto sobre os 5,79 bilhões de reais esquecidos em bancos e o prazo do Congresso até 30 de outubro

Cédulas de real em foto de arquivo. A maior parte do dinheiro esquecido é de valores pequenos, mas 2,21% dos casos passam de R$ 1 mil. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR), adaptada com texto.

Resumo rápido

  • O que é: dinheiro que é seu (ou da sua empresa, ou de um parente que morreu) e ficou parado em bancos, consórcios, cooperativas, financeiras, corretoras e instituições de pagamento. O Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central, reúne tudo num só lugar.
  • Quanto há: R$ 5,79 bilhões (agosto/2026), alta de 2,6% sobre os R$ 5,65 bilhões do mês anterior, segundo o BC.
  • Quem tem: 23,94 milhões de pessoas físicas (R$ 4,31 bilhões) e 2,36 milhões de empresas (R$ 1,48 bilhão). Pela nossa conta, a média é de cerca de R$ 180 por pessoa e de R$ 627 por empresa — mas a maioria tem bem menos que isso.
  • Onde consultar: exclusivamente em valoresareceber.bcb.gov.br, que o Banco Central aponta como o único site para consultar e pedir a devolução.
  • Quanto demora: até 12 dias úteis depois do pedido, quando a devolução é por Pix.
  • Desenrola: R$ 5,7 bilhões foram transferidos ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) com base na MP 1.355/2026, que perdeu a eficácia em 31/08. O Congresso tem até 30/10 para editar decreto legislativo sobre os efeitos.

Os números do dinheiro esquecido em agosto de 2026

O Banco Central divulga o balanço do SVR todo mês, sempre com uma defasagem de cerca de dois meses. O de terça-feira (13/10) traz os dados até agosto. Veja onde o dinheiro está:

  • Bancos: R$ 2,46 bilhões — 42,4% do total.
  • Administradoras de consórcios: R$ 1,97 bilhão (cerca de 34%, pela nossa conta). É dinheiro de grupos de consórcio já encerrados, muitas vezes de quem desistiu no meio do caminho e nunca voltou para buscar.
  • Cooperativas de crédito: R$ 805,6 milhões (cerca de 14%), em geral cotas de capital e sobras de cooperados que saíram.
  • Instituições de pagamento: R$ 369,6 milhões — contas digitais e carteiras pré-pagas ou pós-pagas encerradas.
  • Financeiras: R$ 121 milhões. Corretoras e distribuidoras: R$ 68 milhões. Outras instituições: R$ 5 milhões.

Quanto há em cada valor

A maior parte é troco — mas não toda. Segundo o BC:

  • 69,4% dos valores a receber são de até R$ 10;
  • 18,95% ficam entre R$ 10,01 e R$ 100;
  • 9,39% vão de R$ 100,01 a R$ 1 mil;
  • 2,21% passam de R$ 1 mil.

Pode parecer pouco, mas a conta é simples: a consulta é de graça e leva um minuto. E quem teve consórcio, conta em cooperativa ou conta em banco digital que deixou de usar tem mais chance de cair na faixa dos valores maiores. O economista Felipe Leroy lembrou ao Jornal Nacional que muitos bancos aplicam o saldo automaticamente: você vê a conta zerada, mas há dinheiro numa aplicação ligada a ela.

De onde vem esse dinheiro

De acordo com o Banco Central, os casos mais comuns são:

  • contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo;
  • tarifas ou parcelas de empréstimos e financiamentos cobradas indevidamente;
  • recursos de grupos de consórcio encerrados;
  • contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas;
  • cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito;
  • saldos de contas encerradas em corretoras e distribuidoras.

Atenção para não confundir: o SVR é diferente do dinheiro esquecido do PIS/Pasep (cotas do antigo fundo, de quem trabalhou até 1988) e do saldo do FGTS, que têm regras e canais próprios. Se você trabalhou com carteira assinada, vale conferir os três.

De R$ 10,6 bilhões para R$ 5,79 bilhões: o que aconteceu

Em março, segundo o balanço do BC citado pelo g1, havia R$ 10,6 bilhões esquecidos: R$ 8,13 bilhões de 45,3 milhões de pessoas e R$ 2,43 bilhões de pouco mais de 5 milhões de empresas. Cinco meses depois, o número de pessoas com dinheiro a receber caiu quase pela metade. A explicação não é que todo mundo foi buscar o seu dinheiro.

Em 4 de maio, o governo editou a Medida Provisória nº 1.355/2026, que criou o Novo Desenrola Brasil. Pelo programa, segundo a Agência Senado, pessoas com renda mensal de até R$ 8.105 puderam refinanciar dívidas de até R$ 15 mil por banco, com juros de no máximo 1,99% ao mês. Para dar garantia a essas renegociações, o artigo 12 da MP mandou as instituições transferirem ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) os recursos que tinham sido informados ao SVR até 31 de dezembro de 2024, descontado o que fosse devolvido aos donos até a data da transferência. A MP também previa que um percentual, definido pelo ministro da Fazenda, ficasse reservado para atender pedidos de devolução — segundo o governo, 10% do saldo transferido, conforme a Agência Brasil.

Em 27 de maio, a Fazenda informou ao g1 que R$ 5,7 bilhões já tinham sido transferidos ao FGO. A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso de recursos em programas federais fora do Orçamento, segundo a Agência Brasil.

Depois disso, o saldo voltou a crescer, porque novos valores entram no sistema todo mês: de R$ 5,65 bilhões em julho para R$ 5,79 bilhões em agosto.

O edital de 30 dias (que já terminou)

A MP mandou o Ministério da Fazenda publicar um edital com prazo de 30 dias para que os donos pudessem contestar a transferência e pedir o dinheiro de volta. O Edital MF nº 1 saiu em 21 de maio de 2026 no Diário Oficial. Pelas regras dele:

  • o pedido era feito à instituição indicada no SVR, que conferia a identidade e a titularidade;
  • as instituições enviavam os pedidos ao FGO ao fim de 15 dias e ao fim dos 30 dias; o FGO devolvia o dinheiro à instituição em até 10 dias, e ela tinha mais 5 dias úteis para pagar o cliente;
  • o valor seria corrigido pelo IPCA-15, desde a transferência até a devolução;
  • para valores de consórcios, o prazo de 30 dias só começou a contar em 18 de junho;
  • passado o prazo, os valores não contestados ficariam “incorporados de forma definitiva” ao FGO.

Pela nossa conta, o prazo geral terminou por volta de 20 de junho, e o dos consórcios por volta de 18 de julho. Quem tinha valor transferido e não pediu nesse período já não consegue reavê-lo pelo caminho administrativo do edital.

A MP perdeu a validade. E agora?

Medida provisória vale assim que é publicada, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para virar lei. A MP 1.355 foi prorrogada por mais 60 dias, mas não foi votada. Segundo a página da matéria no Congresso Nacional, a vigência terminou em 31 de agosto de 2026, e o encerramento foi publicado em 8 de setembro no Diário Oficial. Hoje, o status oficial é “sem eficácia”.

O que isso muda para quem tinha dinheiro esquecido?

  • O que foi feito enquanto a MP valia continua valendo, por enquanto. Como explicou a Agência Senado, as relações jurídicas constituídas durante a vigência continuam regidas pela MP, a menos que o Congresso edite um decreto legislativo mudando isso. É a regra do artigo 62 da Constituição.
  • O prazo do Congresso vai até 30 de outubro. A página oficial da MP mostra o prazo aberto “01/09/2026 – 30/10/2026: Edição de Decreto Legislativo (60 dias)”. Pela nossa conta, faltam 13 dias. Até a publicação deste texto, nenhum decreto legislativo havia sido publicado na página da matéria.
  • Se nada for editado até lá, as transferências feitas e os prazos do edital continuam valendo nos termos da MP.
  • Os valores que estão hoje no SVR não foram afetados. O próprio governo disse ao g1, em maio, que ninguém precisava esperar edital para continuar consultando e pedindo os valores disponíveis no sistema. E o edital previa que, se o valor pedido não tivesse sido transferido ao FGO, a devolução seguiria as regras normais do SVR.

Em resumo: para a grande maioria das pessoas, o que importa é consultar hoje. Se aparecer valor, ele está disponível e pode ser pedido normalmente.

Calendário do dinheiro esquecido em 2026

QuandoO que aconteceu ou acontece
MarçoBC aponta R$ 10,6 bilhões esquecidos (R$ 8,13 bilhões de 45,3 milhões de pessoas).
4/5Publicada a MP 1.355/2026 (Novo Desenrola), que manda transferir ao FGO os valores informados ao SVR até 31/12/2024.
21/5Edital MF nº 1 abre 30 dias para os donos pedirem de volta o que foi transferido.
27/5Fazenda informa que R$ 5,7 bilhões já foram transferidos ao FGO.
18/6Começa a contar o prazo de 30 dias para valores de consórcios.
Por volta de 20/6 e de 18/7Fim dos prazos do edital (geral e consórcios), pela nossa conta.
31/8MP 1.355 perde a eficácia sem ser votada.
13/10BC divulga R$ 5,79 bilhões disponíveis no SVR (dados de agosto).
30/10 (sexta)Último dia para o Congresso editar decreto legislativo sobre os efeitos da MP.
Todo mêsNovo balanço do BC e novos valores entrando no sistema. Vale consultar de novo de tempos em tempos (ou ativar o pedido automático).
Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, um prédio alto de concreto e vidro escuro, visto do alto com árvores e o céu azul ao fundo

Sede do Banco Central, em Brasília. O BC administra o Sistema Valores a Receber, mas não guarda o dinheiro: quem devolve é a instituição onde ele ficou. E o BC não liga nem manda link para ninguém. Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0), recortada.

Passo a passo: como consultar e resgatar

  1. Entre no site certo. Digite você mesmo valoresareceber.bcb.gov.br no navegador. Não clique em link recebido por mensagem.
  2. Faça a consulta sem login. Pessoa física informa o CPF e a data de nascimento; empresa informa o CNPJ e a data de abertura. O sistema diz se há valores.
  3. Tem valor? Clique em “Acessar o SVR”. Para pedir o dinheiro, é preciso entrar com a conta gov.br nível prata ou ouro e com a verificação em duas etapas ativada. Se ainda não tem o app gov.br no celular, baixe-o antes: segundo o g1, é nele que você faz a validação facial que libera as duas etapas e gera o código de acesso pedido pelo sistema.
  4. Aceite o termo e confira o valor, a instituição e a origem.
  5. Escolha uma chave Pix e informe seus dados. Guarde o número de protocolo.
  6. Aguarde até 12 dias úteis. A instituição pode devolver por TED para a conta da chave escolhida e pode entrar em contato para confirmar sua identidade — mas nunca vai pedir senha.
  7. Sem chave Pix? Crie uma no seu banco e volte ao sistema, ou fale com a instituição pelo telefone ou e-mail indicado no SVR. Nesse caso, segundo o gov.br, ela não é obrigada a cumprir o prazo de 12 dias úteis.

Empresas acessam com certificado digital vinculado à conta gov.br (prata ou ouro, com duas etapas).

Pedido automático: para não precisar voltar todo mês

Desde maio de 2025, o BC permite ativar a solicitação automática de resgate, segundo o g1. Com ela, quando surgir um valor novo em seu nome, o pedido é feito sozinho e o dinheiro cai na conta. As regras:

  • é só para pessoa física;
  • exige chave Pix do tipo CPF;
  • exige conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas;
  • o BC não avisa quando o valor é devolvido: o crédito aparece direto no extrato;
  • instituições que não aderiram ao termo de devolução por Pix e valores de contas conjuntas continuam exigindo pedido manual.
Quadro com os números do dinheiro esquecido em agosto de 2026: valores por tipo de instituição, faixas de valor, a linha do tempo da transferência de 5,7 bilhões de reais ao Desenrola e os quatro passos para resgatar

O dinheiro esquecido em números: onde está, quanto há em cada valor, o caminho dos R$ 5,7 bilhões levados ao Desenrola e o resgate em quatro passos. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados do Banco Central (via Agência Brasil), g1, MP 1.355/2026, Edital MF nº 1/2026 e Congresso Nacional; média por pessoa pela nossa conta.

Dinheiro de quem já morreu

O SVR também mostra valores de pessoas falecidas — e é aí que costumam aparecer as quantias maiores, de contas que ninguém encerrou. Como funciona, segundo o gov.br:

  • só pode consultar quem é herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal;
  • entre no SVR com a sua conta gov.br, acesse “Valores a receber de pessoa falecida”, aceite o termo de responsabilidade e informe o CPF e a data de nascimento da pessoa;
  • não dá para pedir o valor direto pelo sistema: é preciso falar com a instituição e combinar a documentação;
  • não há prazo definido para essa devolução.

Se houver dívidas no nome de quem morreu, vale entender antes o que o espólio paga: veja nosso guia Herança com dívidas: herdeiro não paga com o próprio bolso.

Empresa encerrada e CNPJ

Empresas também têm dinheiro esquecido: são R$ 1,48 bilhão de 2,36 milhões de CNPJs. Pela nossa conta, cerca de R$ 627 por empresa, em média. Para empresa ativa, a consulta é com o CNPJ e a data de abertura. Para empresa encerrada, o SVR tem a aba “Valores a receber para empresas encerradas”: o representante legal aceita o termo, informa CNPJ e data de abertura e depois combina a devolução com a instituição, sem prazo definido.

Não lembra a data de abertura exata do CNPJ, ou não sabe se a empresa (ou um antigo MEI) ainda aparece como ativa? Dá para conferir a situação cadastral e os dados públicos do CNPJ de forma rápida no Consultor CNPJ antes de fazer a consulta no Banco Central.

Meu valor foi para o fundo do Desenrola. Ainda dá para recuperar?

Essa é a pergunta mais difícil, e a resposta honesta é: depende do que o Congresso fizer até 30/10 e, em alguns casos, da Justiça. O que se sabe:

  • Quem pediu dentro do prazo do edital deve ter o pedido analisado pela instituição e pago pelo FGO, com correção pelo IPCA-15. Se não recebeu, procure a instituição com o número do protocolo.
  • Quem não pediu no prazo, pelas regras da MP, teve o valor incorporado ao fundo. Mas o artigo 13 da MP diz que essa incorporação vale “sem prejuízo” do artigo 46 da Lei nº 14.973/2024, que dá 6 meses para pedir na Justiça o reconhecimento do direito aos depósitos, contados da publicação do edital. Se esse prazo for aplicado ao edital de 21/05/2026, ele terminaria por volta de 21 de novembro de 2026, pela nossa conta. Essa leitura não foi detalhada pelo governo e pode ser discutida; não há garantia de resultado.
  • Como saber se o seu valor foi transferido? Pela MP, só foram transferidos valores informados ao SVR até 31/12/2024. Se você se lembra de ter visto um valor no sistema antes de 2025 e ele sumiu sem que você o tenha pedido, procure a instituição que aparecia como responsável e peça, por escrito, a informação sobre o destino do valor.
  • Valor alto em jogo? Procure a Defensoria Pública (se você não pode pagar advogado) ou um advogado de confiança antes de novembro. Leve prints antigos do SVR, extratos e o protocolo, se tiver.

Para quem tem valores pequenos, o mais prático é consultar o SVR agora: o que aparece hoje está disponível pelas regras normais.

Cuidado com golpes

Dinheiro esquecido é isca antiga de golpista — e volta a circular sempre que o BC divulga um balanço novo. Segundo o Banco Central e o gov.br:

  • O serviço é 100% gratuito. Ninguém pode cobrar taxa, “adiantamento” ou porcentagem para liberar valores.
  • O único site é valoresareceber.bcb.gov.br. Desconfie de páginas parecidas, anúncios patrocinados e perfis em redes sociais.
  • O BC não envia links e não entra em contato por e-mail, SMS, WhatsApp, Telegram ou telefone para falar de valores a receber ou confirmar dados.
  • Só a instituição que aparece no SVR pode falar com você — e ela nunca pede senha. Na dúvida, desligue e ligue você mesmo para o número oficial da instituição.
  • Não passe códigos de verificação do gov.br nem do banco para ninguém. Com eles, o golpista entra na sua conta e escolhe a chave Pix dele.
  • Não existe “lista de nomes” nem “prazo final de hoje” para os valores que estão no SVR. Mensagem com pressa é sinal de golpe.

Golpes com perfis, vozes e vídeos falsos criados por inteligência artificial também estão usando esse tema. Veja como reconhecer no nosso guia sobre perfis, vídeos e vozes falsos criados por IA. E, já que vai escolher uma chave Pix, aproveite para fazer uma faxina nas chaves do seu CPF: veja como consultar e apagar as que você não usa.

Erros comuns que fazem perder dinheiro

  • Achar que não vale a pena. A consulta é grátis. E 2,21% dos valores passam de R$ 1 mil.
  • Consultar só uma vez. Novos valores entram todo mês: o saldo subiu R$ 140 milhões de julho para agosto, pela nossa conta (de R$ 5,65 bilhões para R$ 5,79 bilhões). Ative o pedido automático ou volte a consultar de vez em quando.
  • Esquecer dos parentes que morreram. Herdeiros podem consultar e, muitas vezes, encontram contas antigas.
  • Ignorar o CNPJ. Quem já teve MEI ou empresa deve consultar também o CNPJ, inclusive se a empresa foi fechada.
  • Deixar a conta gov.br no nível bronze. Sem prata ou ouro e sem verificação em duas etapas, você vê o valor, mas não consegue pedir.
  • Usar intermediário. Quem cobra para “resgatar” está cobrando por algo que você faz de graça em poucos minutos — quando não é golpe.

Perguntas frequentes

Preciso baixar algum aplicativo para consultar?
Não. A consulta é pelo site valoresareceber.bcb.gov.br. Você só vai usar o app gov.br para gerar o código da verificação em duas etapas na hora de pedir o dinheiro.

Em quanto tempo o dinheiro cai?
Em até 12 dias úteis, quando a devolução é por Pix. Sem chave Pix, você combina com a instituição, que não é obrigada a seguir esse prazo.

O valor que aparece hoje no SVR pode ir para o Desenrola?
A transferência prevista na MP 1.355 alcançou valores informados até 31/12/2024, e a MP está sem eficácia desde 31/08. Nas fontes oficiais que consultamos, não há nova regra mandando transferir os valores que estão hoje no sistema. Mesmo assim, não deixe para depois: peça o que for seu.

O que o Congresso pode decidir até 30/10?
Pode editar um decreto legislativo para disciplinar as situações criadas enquanto a MP valia — por exemplo, as transferências ao FGO. Se não editar, essas situações continuam regidas pela MP. Vamos atualizar este guia se houver novidade.

O dinheiro de consórcio que eu desisti aparece no SVR?
Recursos de grupos de consórcio encerrados estão entre as origens listadas pelo BC, e as administradoras de consórcio concentram R$ 1,97 bilhão. Consulte com o seu CPF.

Recebi um SMS dizendo que tenho valores a receber. É verdade?
O BC não manda mensagem. Não clique. Se quiser conferir, digite você mesmo o endereço do site oficial.

Tenho valor de pessoa falecida. Preciso de inventário?
O SVR mostra o valor para herdeiros, inventariantes, testamentários e representantes legais, mas a devolução é combinada com a instituição, que pode pedir documentos que comprovem o direito. Pergunte à instituição quais papéis ela aceita.

Aposentado também tem dinheiro esquecido?
Pode ter, como qualquer pessoa: tarifas cobradas a mais, conta antiga encerrada, consórcio. A consulta é a mesma, com CPF e data de nascimento.

Checklist: dinheiro esquecido

  • ☐ Consultei meu CPF em valoresareceber.bcb.gov.br (digitando o endereço, sem clicar em link).
  • ☐ Consultei também o CPF de pais, avós ou cônjuge que já faleceram (sou herdeiro ou inventariante).
  • ☐ Consultei o CNPJ da minha empresa ou do meu antigo MEI, inclusive se foi encerrado.
  • ☐ Minha conta gov.br está no nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada.
  • ☐ Tenho uma chave Pix ativa — de preferência a do tipo CPF, para usar o pedido automático.
  • ☐ Fiz o pedido, anotei o protocolo e marquei a data-limite de 12 dias úteis.
  • ☐ Ativei a solicitação automática para valores futuros.
  • ☐ Se tinha valor transferido ao FGO e não pedi no prazo do edital, juntei prints, extratos e protocolos e procurei a Defensoria ou um advogado antes de 21/11.
  • ☐ Vou acompanhar se o Congresso edita decreto legislativo até 30/10.
  • ☐ Não paguei taxa, não passei senha nem código a ninguém e ignorei mensagens com “prazo final de hoje”.

Encontrou um dinheirinho? Pode ser a hora de usá-lo para atacar uma dívida cara. Se você está com contas atrasadas, veja as regras do Desenrola Brasil 3.0 e o retrato do endividamento das famílias em 2026.

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Fontes

Cantinho Verde Lar — guia informativo para o trabalhador, o aposentado e a família. Não é orientação jurídica nem substitui a consulta ao site oficial do Banco Central, à instituição financeira, à Defensoria Pública ou a um advogado. Dados conforme o Banco Central, a MP 1.355/2026, o Edital MF nº 1/2026, o Congresso Nacional e as reportagens citadas até 17/10/2026; vamos atualizar se o Congresso editar decreto legislativo até 30/10.

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Atualizado em 17/10/2026 (20h SP). Fontes: Agência Brasil, com dados do Banco Central (13/10/2026) ; Jornal Nacional/g1 (13/10/2026) ; g1 (2...