Radio

domingo, 18 de outubro de 2026

Celular velho na gaveta? Correios recebem eletrônicos de graça em 6.868 agências desde 14/10 — antes de entregar, tire banco, Pix, gov.br e chip: passo a passo Android e iPhone, o que não é aceito e checklist

Atualizado em 18/10/2026 (15h SP). Fontes: Correios – Sala de Imprensa (14/10/2026); Correios – Sala de Imprensa (15/10/2026); Agência Brasil (14/10/2026); g1 (15/10/2026); Ministério das Comunicações (15/10/2026); Circulare; Decreto nº 10.240/2020; Lei nº 12.305/2010. Conteúdo informativo, sem vínculo com os Correios, bancos, fabricantes ou governo.

Quase toda casa brasileira tem uma gaveta assim: o celular que parou de carregar, o antigo que ficou depois da troca, o tablet das crianças com a tela trincada, um emaranhado de cabos e carregadores que ninguém sabe se ainda servem. Desde a quarta-feira, 14 de outubro de 2026, Dia Internacional do Lixo Eletrônico, essa gaveta tem um destino fácil: os Correios passaram a receber de graça eletrônicos usados nas 6.868 agências que têm o serviço Balcão do Cidadão, segundo a Agência Brasil. Não precisa agendar, e cabe até 30 quilos por caixa.

Só que um celular velho não é só plástico e metal. Ele pode ainda guardar o aplicativo do banco com a sessão aberta, a carteira digital com o cartão cadastrado, o e-mail que recupera todas as suas senhas, o aplicativo do gov.br que dá acesso ao Meu INSS e ao FGTS, além de fotos de documentos e conversas do WhatsApp. E a lei é clara: apagar esses dados antes de entregar o aparelho é obrigação de quem descarta. Depois da entrega, o aparelho deixa de ser seu e não volta.

Este guia do Cantinho Verde Lar explica como funciona o novo serviço dos Correios, o que é aceito e o que não é, onde levar pilhas, lâmpadas e a geladeira velha, e principalmente o passo a passo para limpar o celular no Android e no iPhone sem deixar porta aberta para o seu dinheiro. No fim, um checklist para separar tudo hoje, domingo, e entregar na próxima ida à agência.

Mesa com dezenas de celulares antigos desmontados, carcaças cinza e placas verdes separadas em caixas plásticas e bandejas para reciclagem, com texto sobre o descarte gratuito de eletrônicos nos Correios

Celulares antigos desmontados e separados para reciclagem. Na rede de logística reversa, os aparelhos entregues nos Correios desde 14/10 seguem para recicladores homologados, que fazem esse tipo de separação. Foto: victorgrigas (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons, recortada e adaptada com texto; a versão adaptada segue a mesma licença.

Resumo rápido

  • O que mudou: desde 14/10/2026, as agências dos Correios com Balcão do Cidadão recebem eletroeletrônicos usados de graça, em parceria com a empresa Circular Brain, que opera a rede de logística reversa Circulare.
  • Quantas agências: 6.868, segundo a Agência Brasil. Os Correios falam em “mais de 6 mil” das suas mais de 10 mil agências.
  • Custo: nenhum. O serviço é gratuito e não exige agendamento prévio, segundo os Correios.
  • Limite: até 30 kg por volume, numa caixa aberta de até 1 metro cúbico. O atendente confere o conteúdo e fecha a caixa na hora.
  • Aceita: celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletrônicos de pequeno porte.
  • Não aceita: pilhas, baterias e lâmpadas. Elas têm pontos de coleta próprios (veja abaixo).
  • Na agência: você informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone e recebe um comprovante de envio. O material é rastreado até o reciclador.
  • Antes de entregar: backup, saída dos apps de banco e do gov.br, exclusão do aparelho da lista de “dispositivos autorizados”, restauração de fábrica e retirada do chip e do cartão de memória.
  • Atenção: pelo Decreto nº 10.240/2020, quem entrega o aparelho perde a propriedade na hora e não recebe nada por ele. Se ainda funciona, vender ou doar pode valer mais.

O que começou em 14 de outubro nos Correios

O anúncio foi feito pelos Correios na própria quarta-feira (14), data em que se celebra o Dia Internacional do Lixo Eletrônico. A estatal informou que passou a oferecer, gratuitamente, a coleta de eletroeletrônicos pós-consumo nas agências que contam com o Balcão do Cidadão. A iniciativa é uma parceria com a Circular Brain, empresa que opera a Rede Circulare, e “não gera custos para o consumidor”, nas palavras do comunicado.

Segundo a Agência Brasil, todas as 6.868 agências com Balcão do Cidadão aderiram a partir desse dia. Os pontos dos Correios passaram a integrar o Sistema de Logística Reversa Circulare, que já fazia a coleta gratuita de grandes eletrodomésticos e eletroeletrônicos pelo país. Os Correios lembram que estão presentes em todos os municípios brasileiros, com mais de 10 mil agências, mas o novo serviço começa pelas unidades com Balcão do Cidadão.

A justificativa é simples. Como disse ao comunicado Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain, muita gente guarda esses pequenos eletrônicos em casa por não saber o que fazer com eles, ou porque a cidade não tem um ponto de entrega voluntária. “Agora, é só juntar os aparelhos numa caixa e passar no Correio mais próximo quando for resolver outra questão”, afirmou.

A Circular Brain diz ter mais de 17 mil pontos de coleta em mais de 5.500 municípios e parceria com mais de 65 recicladores cadastrados. Em 2025, segundo o comunicado dos Correios, a Rede Circulare processou 83 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos.

Como funciona a entrega na agência, passo a passo

  1. Confira se a agência participa. O serviço vale nas agências com Balcão do Cidadão. Os próprios Correios indicam o site circulare.com.br para consultar o ponto de entrega mais próximo. O site da Circulare também orienta a fazer o processo pela página de descarte, escolhendo o ponto. Vale fazer isso antes, para não perder a viagem.
  2. Separe os aparelhos. Junte celulares, tablets, notebooks, fones, cabos e carregadores. Retire pilhas, baterias soltas e lâmpadas, que não são aceitas.
  3. Limpe os dados. Esta é a parte mais importante e está explicada em detalhe mais abaixo.
  4. Desligue tudo. O Decreto nº 10.240/2020 pede que os produtos sejam descartados desligados.
  5. Coloque numa caixa aberta. Até 30 kg no total e até 1 metro cúbico, segundo a Agência Brasil. O site da Circulare fala em caixa de até 100 cm x 100 cm para os pontos dos Correios. A caixa vai aberta porque o atendente precisa conferir o conteúdo.
  6. Na agência, informe seus dados. Nome, CPF, endereço, e-mail e telefone. O atendente fecha a embalagem no local.
  7. Guarde o comprovante. Você recebe um comprovante de envio. O material segue para a Rede Circulare, que manda cada remessa ao reciclador homologado mais próximo, com rastreamento até a destinação final.

Um detalhe que pouca gente lê: ao usar o sistema, o consumidor aceita os termos de uso. A Circulare explica, nas perguntas frequentes, que quem devolve o eletrônico não pode mais reavê-lo. Se você está na dúvida se aquele aparelho ainda tem conserto ou valor, decida antes de ir à agência.

O que pode e o que não pode entregar

ItemCorreios aceitam?Para onde levar
Celular, smartphone, celular “tijolão”SimAgência com Balcão do Cidadão
Notebook, tablet, leitor digitalSimAgência com Balcão do Cidadão
Fones de ouvido, cabos, carregadoresSimAgência com Balcão do Cidadão
Outros eletrônicos pequenos (até 30 kg na caixa)SimAgência com Balcão do Cidadão
Pilhas e baterias portáteis soltasNãoColetores da Green Eletron (localizador no site greeneletron.org.br)
Lâmpadas fluorescentes e outrasNãoColetores da Reciclus (lista no site reciclus.org.br)
Bateria de carro (chumbo-ácido)NãoPontos do Instituto Brasileiro de Energia Reciclável (IBER)
Geladeira, máquina de lavar e outros acima de 30 kgNão (não cabem na caixa)Coleta domiciliar gratuita pela Circulare
Computador que ainda funcionaSim, mas talvez não valhaConsidere doar a um Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC)

As informações de pilhas, lâmpadas e baterias de carro vêm das perguntas frequentes da Green Eletron, entidade gestora da logística reversa de eletroeletrônicos e pilhas. A organização avisa que não é recomendado descartar baterias de lítio soltas por causa do risco de explosão, e que só aceita baterias de lítio que estejam dentro de aparelhos e não possam ser removidas. A Reciclus informa que qualquer pessoa física pode depositar lâmpadas nos coletores, sem precisar ser cliente da loja, respeitando a quantidade máxima por estabelecimento.

E a geladeira velha? Existe coleta em casa

Quem trocou de geladeira, fogão ou máquina de lavar costuma ter o problema maior: o aparelho velho ocupa a área de serviço por meses. A Circulare oferece coleta domiciliar gratuita para produtos de grande porte, acima de 30 quilos, como geladeiras e máquinas de lavar. O pedido é feito pelo site.

Segundo reportagem da Agência Brasil de junho de 2026, o consumidor informa o CEP, os dados do produto e escolhe uma data de preferência. A empresa entra em contato por WhatsApp para confirmar a retirada em até dez dias úteis. Em 2025, foram mais de 12 mil visitas a casas e empresas, segundo a mesma reportagem.

A Green Eletron também tem uma modalidade de “Coleta em Casa”, com data e horário agendados, que pode ser gratuita dependendo da região, segundo o site da entidade. Antes de pagar alguém para tirar o eletrodoméstico, vale pesquisar essas duas opções.

Se o aparelho queimou por causa de temporal ou oscilação de energia, não descarte antes de ver se tem direito a ressarcimento da distribuidora. O Cantinho explicou os prazos neste guia sobre geladeira e TV queimadas.

Fachada de uma unidade dos Correios em Belo Horizonte, com placa amarela e azul da empresa, uma van amarela do Sedex estacionada na frente, um senhor de camisa lilás caminhando e motos paradas na calçada

Unidade dos Correios na avenida Amazonas, em Belo Horizonte (MG), em 2011. O descarte gratuito vale nas agências com Balcão do Cidadão; consulte no site da Circulare qual é a mais próxima antes de sair de casa. Foto: Andrevruas (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons, redimensionada.

Por que o celular velho é um risco para o seu dinheiro

O Decreto nº 10.240/2020, que regulamenta a logística reversa de eletroeletrônicos de uso doméstico, tem um capítulo inteiro sobre o papel do consumidor. O artigo 31 diz que são obrigações de quem descarta:

  • separar e guardar os eletrônicos longe do lixo comum, para manter a integridade física deles;
  • remover, antes do descarte, as informações, os dados privados e os programas armazenados nos aparelhos, discos rígidos, cartões de memória e estruturas parecidas;
  • descartar os produtos desligados, nos pontos de recebimento do sistema.

O parágrafo 1º desse artigo é o que mais importa para o seu bolso: se o consumidor não apagar os dados, não haverá responsabilidade das empresas, das entidades gestoras ou de outros participantes do sistema pelos dados que ficaram no aparelho. O parágrafo 2º diz que, em caso de uso indevido, o consumidor deve fazer denúncia às autoridades, que vão apurar e responsabilizar o infrator individualmente.

O artigo 32 completa: o descarte implica a perda imediata da propriedade, de forma irrevogável, e a ciência de que os dados no aparelho são irrecuperáveis e de que nenhuma indenização será devida. E o artigo 11 diz que não haverá pagamento ao consumidor pela entrega, salvo incentivos que as empresas decidam oferecer.

As entidades do setor dizem cuidar disso também. A Green Eletron, por exemplo, afirma que os aparelhos recolhidos nos coletores dela vão para operadores auditados, onde são “descaracterizados” antes da reciclagem. Mas a regra legal coloca a primeira linha de defesa na sua mão. Na prática, o risco não está tanto na reciclagem, mas no caminho: o aparelho que fica meses numa caixa, passa de mão em mão em casa ou é entregue com o chip dentro.

O que pode estar no seu celular antigo, mesmo que você não use mais:

  • apps de banco e de carteira digital com sessão aberta ou com o aparelho cadastrado como “confiável”;
  • o e-mail principal, que serve para recuperar a senha de quase tudo;
  • o aplicativo gov.br, porta de entrada do Meu INSS, do aplicativo FGTS, da Carteira de Trabalho Digital e de outros serviços públicos;
  • fotos de RG, CNH, comprovantes de residência e boletos;
  • o WhatsApp, com conversas e, às vezes, códigos de verificação recebidos;
  • o chip, que recebe códigos por SMS para redefinir senhas.

Passo a passo para limpar o celular antes de entregar

Siga a ordem abaixo. Ela foi montada a partir das orientações do Ministério das Comunicações, dos fabricantes (Google e Apple), do gov.br e de bancos. Reserve cerca de uma hora: só a restauração de fábrica de um Android pode levar até uma hora, segundo o Google.

1. Faça o backup do que você quer guardar

Salve fotos, contatos, documentos e conversas que você quer manter, na nuvem ou num computador. O Ministério das Comunicações coloca isso como primeiro passo. Depois da restauração de fábrica, o que não estiver salvo some.

2. Tire o banco e as carteiras do aparelho

Abra cada aplicativo de banco, de cartão e de carteira digital. Procure a opção de sair ou de encerrar a sessão. Depois, nas configurações de segurança, procure algo como “Gerenciar dispositivos” ou “Dispositivos autorizados” e remova aquele aparelho. A orientação aparece no checklist de segurança de troca de celular do Mercado Pago, que também lembra de revisar o número cadastrado para receber SMS de verificação e de transferir o app autenticador, se você usa um.

Outro alerta do mesmo guia: o backup automático do celular, em geral, não restaura as configurações de segurança dos bancos. No aparelho novo, você vai ter de cadastrar de novo login, biometria e autenticação em dois fatores em cada aplicativo. Faça isso com calma, baixando os apps só pelas lojas oficiais.

Aproveite para revisar as suas chaves Pix. O Cantinho mostrou como ver todas as chaves ligadas ao seu CPF e apagar as que você não usa.

3. Tire o aparelho da sua conta gov.br

Se você ativou a verificação em duas etapas do gov.br (disponível para contas prata e ouro), o próprio aplicativo gov.br gera o código de acesso. O site do Governo Digital explica que, em Segurança da conta > Verificação em duas etapas > Dispositivos autorizados, dá para ver os dispositivos autorizados, excluí-los e consultar o histórico de acessos à conta.

Instale e ative o gov.br no celular novo antes de apagar o antigo, porque o código da verificação em duas etapas não é enviado por SMS: ele só sai pelo aplicativo. Se você perder o acesso ao app, o Governo Digital indica um formulário de atendimento para pedir a desativação da verificação. Lembre que, ao desvincular a conta do aplicativo, todos os dispositivos autorizados são excluídos.

4. Saia do e-mail e das redes

O e-mail é a chave-mestra: é por ele que se pede a troca de senha em bancos, lojas e redes sociais. Encerre a sessão do e-mail principal no aparelho antigo antes de formatar. Faça o mesmo com redes sociais e aplicativos de compras que guardam cartão.

5. No Android: confira a Conta do Google e restaure

Antes de restaurar, o Google recomenda verificar qual Conta do Google está no aparelho (em Configurações > Contas) e confirmar que você sabe a senha, fazendo login em outro dispositivo. Você também precisa saber o PIN, padrão ou senha da tela. Se trocou a senha da Conta do Google há pouco, o Google pede para esperar 24 horas antes de restaurar.

Carregue o aparelho até pelo menos 70% de bateria, conecte ao Wi-Fi ou à rede móvel e faça a redefinição para a configuração original pelo app Configurações. Em celulares com Android 15 ou mais recentes, se a sua carteira digital usar backup de cartões de transporte com saldo, o sistema avisa antes de apagar. O nome exato do menu muda conforme o fabricante.

6. No iPhone: finalize a sessão e apague

A Apple orienta, em resumo: faça backup; se tiver um Apple Watch emparelhado, desemparelhe; abra Ajustes, toque no seu nome e em Finalizar Sessão (no iOS 26 ou posterior, há a opção “Apagar este [dispositivo]”; no iOS 18 ou anterior, é preciso digitar a senha da Conta Apple e tocar em Desativar). Depois, em Ajustes > Geral > Transferir ou Redefinir, toque em Apagar Conteúdo e Ajustes. Se você está mudando para um celular que não é da Apple, cancele o registro do iMessage. Remova o aparelho antigo da sua lista de dispositivos confiáveis.

Se você usava o Apple Pay, a Apple também lembra de remover cartões e passes do app Carteira.

7. Tire o chip e o cartão de memória

Tanto o Ministério das Comunicações quanto a Green Eletron pedem para retirar o chip (SIM) e o cartão de memória antes de entregar o aparelho. Com o chip dentro, quem pegar o celular pode receber SMS de recuperação de senha no seu número. Se o seu celular usa eSIM, fale com a operadora para transferir a linha.

8. Desligue e embale

Desligue o aparelho, coloque na caixa com os outros itens e deixe a caixa aberta. Pronto para a agência.

E se o celular nem liga mais?

É o caso mais comum na gaveta: o aparelho que morreu e nunca foi formatado. Não dá para restaurar, mas dá para fechar as portas por fora:

  • Retire o chip e o cartão de memória mesmo assim. Eles saem sem o aparelho ligar.
  • Remova o aparelho das suas contas a partir de outro celular ou computador: na Conta do Google, na Conta Apple (lista de dispositivos confiáveis) e nos aplicativos de banco que mostram a lista de dispositivos.
  • Troque as senhas do e-mail, do banco e do gov.br, se o aparelho ficou muito tempo sem controle.
  • No iPhone, a Apple orienta mudar a senha da Conta Apple e ativar a autenticação de dois fatores quando você já não tem o aparelho.
  • Se houver dados sensíveis num computador que não liga, o Ministério das Comunicações recomenda procurar orientação técnica para eliminar as informações antes de doar ou encaminhar o equipamento.

Celular roubado ou perdido é outra história, e não é descarte. A Febraban orienta apagar os dados à distância (android.com/find ou icloud.com), avisar o banco para bloquear contas e cartões e usar o aplicativo Celular Seguro, do Ministério da Justiça, criado em parceria com a Febraban e a Anatel para bloquear aparelhos em caso de perda, furto ou roubo. Alguns telefones das centrais publicados pela Febraban: Caixa 0800 726 0101; Banco do Brasil 4004 0001 (capitais) ou 0800 729 0001; Itaú 4004 4828 ou 0800 970 4828; Bradesco 4002 0022 ou 0800 570 0022; Santander 4004 3535 ou 0800 702 3535.

Quadro com o que os Correios aceitam e não aceitam no descarte gratuito de eletrônicos, os dez passos para limpar o celular antes de entregar e os artigos do Decreto 10.240 que tratam dos dados e da propriedade do aparelho

O que levar, o que não levar e os dez passos de segurança antes da entrega, num só quadro. Quadro: Cantinho Verde Lar, com dados dos Correios (14 e 15/10/2026), Agência Brasil, Ministério das Comunicações, Circulare, Green Eletron, Apple, Google, gov.br, Febraban e Decreto nº 10.240/2020.

Vender, doar ou descartar: qual dá mais retorno?

Se o aparelho ainda liga e funciona, o descarte gratuito é o fim da linha, e não paga nada: o artigo 11 do Decreto nº 10.240/2020 diz que não haverá remuneração ao consumidor que entrega o produto nos pontos de recebimento. Antes de levar aos Correios, vale pensar em três caminhos:

  • Vender ou usar como parte do pagamento. Alguns fabricantes e lojas têm programas de troca, em que o aparelho velho vira desconto no novo. A Apple, por exemplo, tem a opção de trocar ou reciclar iPhone e iPad. Nesse caso, a limpeza dos dados é a mesma.
  • Doar. Computadores que ainda podem ser usados ou recondicionados podem ir para os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs) do programa Computadores para Inclusão, do Ministério das Comunicações. O ministério pede para confirmar antes, com a unidade, se ela recebe doações de pessoas físicas e quais itens aceita.
  • Passar para alguém da família. Também exige restauração de fábrica e retirada das suas contas. O novo dono deve cadastrar a própria Conta do Google ou Apple.

Se for vender pela internet, cuidado com golpes. Desconfie de comprador que manda “comprovante” de Pix antes de o dinheiro aparecer na sua conta, que pede para você clicar em link ou que tem pressa demais. O Cantinho reuniu os golpes mais comuns neste guia sobre perfis, vídeos e vozes falsos.

O tamanho do problema do lixo eletrônico no Brasil

O Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, e apenas cerca de 3% desse volume é coletado formalmente, segundo a Global E-waste Statistics Partnership, iniciativa da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), com dados de 2022, citados pelos Correios e pelo g1.

Pela nossa conta, 3% de 2,4 milhões de toneladas são cerca de 72 mil toneladas coletadas formalmente; o restante, perto de 2,33 milhões de toneladas, fica em casa, vai para o lixo comum ou segue caminhos informais. É um cálculo de ordem de grandeza, só para dar a dimensão.

Na entrevista à Agência Brasil, Marcus Oliveira lembrou que, além de contaminar o solo e a água, o descarte inadequado desperdiça matéria-prima: quando o aparelho fica parado em casa, deixa de ser reciclado, e a indústria perde metais e plásticos que poderiam voltar à produção. A Green Eletron chama isso de “mineração urbana”: tirar de produtos usados ferro, cobre, alumínio, ouro, prata, plástico e vidro, em vez de extrair da natureza.

O que a lei diz sobre a logística reversa

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), no artigo 33, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de pilhas e baterias, de lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, e de produtos eletroeletrônicos e seus componentes (entre outros itens) a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, ou seja, o retorno dos produtos depois do uso, de forma independente do serviço público de limpeza urbana.

O Decreto nº 10.240/2020 regulamenta essa obrigação para os eletroeletrônicos de uso doméstico. Ele exclui do seu alcance, por exemplo, as pilhas, baterias e lâmpadas removíveis, que têm sistemas próprios. É por isso que os Correios não aceitam esses itens e eles vão para coletores específicos. O decreto também proíbe vender, doar ou repassar os aparelhos descartados nos pontos de recebimento a quem não participa do sistema (artigo 10).

Já o artigo 35 da lei diz que, onde houver coleta seletiva, os consumidores são obrigados a acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos e a disponibilizá-los para coleta ou devolução.

Tem loja, assistência técnica ou é MEI do ramo?

Quem vende eletrônicos, pilhas ou baterias, mesmo pequeno, entra no grupo dos “comerciantes” da lei. A Green Eletron lembra que a lei prevê multas e outras penalidades para quem descumpre as obrigações de logística reversa, conforme os Decretos nº 10.936/2022 e nº 6.514/2008, e que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes podem se associar à entidade ou se tornar ponto de entrega voluntária. Para quem tem uma loja de celulares ou uma assistência técnica, virar ponto de coleta também traz cliente para dentro da porta.

Antes de fechar parceria ou responder a uma fiscalização, confira se o CNPJ está ativo e se a atividade cadastrada (o CNAE) corresponde ao que você faz de verdade. Dá para fazer essa consulta gratuita no Consultor CNPJ. Se você é MEI, veja também o que muda com o perdão de dívidas e o novo teto do MEI.

Golpes e cuidados: o que desconfiar

  • O descarte nos Correios é gratuito. Se alguém cobrar taxa, pedir Pix ou mandar link para “agendar” o descarte, desconfie e confira nos canais oficiais dos Correios e da Circulare.
  • Ninguém da reciclagem precisa da sua senha. Na agência, você informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone. Não é preciso informar senha do celular, do banco ou do gov.br.
  • Não entregue o aparelho desbloqueado “para o atendente apagar”. A limpeza é obrigação sua, pelo artigo 31 do decreto.
  • Cuidado com quem “compra celular quebrado” na porta de casa ou pelas redes sem dizer o que vai fazer com ele. Um aparelho com dados vale mais para o golpista do que como sucata.
  • Baixe apps de banco só nas lojas oficiais no celular novo, e confira se o desenvolvedor é a própria instituição.

Se algo der errado com um banco ou um serviço, o novo SAC, que vale a partir de 2/11, garante atendimento humano e prazos para resolver cobrança indevida.

Erros que mais custam caro

  1. Entregar com o chip dentro. É a porta para receber códigos de recuperação de senha no seu número.
  2. Formatar sem saber a senha da Conta do Google. Depois da restauração, o Android pede as informações de segurança da conta para comprovar que foi você, ou alguém de confiança, quem formatou. Sem elas, o aparelho pode ficar travado, inclusive para quem for usá-lo depois.
  3. Apagar o gov.br do celular antigo antes de instalar no novo. Como o código da verificação em duas etapas só sai pelo aplicativo, você pode ficar sem acesso ao Meu INSS e ao FGTS até pedir o desbloqueio.
  4. Esquecer o cartão de memória. Fotos de documentos costumam estar ali.
  5. Levar pilhas e baterias soltas na caixa. Os Correios não aceitam, e baterias de lítio soltas oferecem risco.
  6. Descartar aparelho queimado por raio ou queda de energia antes de pedir ressarcimento à distribuidora.
  7. Jogar no lixo comum. Além do dano ambiental, o aparelho com dados pode parar em mãos erradas.

Calendário do dinheiro da semana (19 a 30/10)

Já que você vai mexer no celular e nos apps de banco, aproveite para conferir o que cai e o que vence nos próximos dias:

  • Segunda (19/10): começa o Bolsa Família de outubro, com NIS final 1, já com piso de R$ 691. O calendário segue até 30/10 (final 0), segundo o MDS. Começa também a 7ª parcela do Pé-de-Meia (R$ 200; R$ 225 na EJA), de 19 a 26/10 conforme o mês de nascimento. Veja o que abre e fecha na segunda.
  • Terça (20/10): Bolsa Família NIS 2. Termina o prazo de envio das cartas da malha fina pela Receita, segundo o guia do Cantinho. A Mega-Sena acumulou e pode pagar até R$ 185 milhões nesse dia, segundo a Agência Brasil.
  • Quarta a sexta (21 a 23/10): Bolsa Família NIS 3, 4 e 5.
  • Domingo (25/10): 2º turno das eleições. Veja horário e direitos.
  • Segunda (26/10): INSS de outubro começa para quem ganha até um salário mínimo, final 1, segundo o g1. Bolsa Família NIS 6. Último dia do Desenrola Adimplentes.
  • Quinta (29/10): lances do leilão de imóveis da Caixa até as 10h.
  • Sexta (30/10): Bolsa Família NIS 0 e último dia para os nascidos em agosto fazerem o saque-aniversário do FGTS.

Checklist para fazer hoje (domingo, 18/10)

  • ☐ Abrir a gaveta e separar celulares, tablets, notebooks, fones, cabos e carregadores.
  • ☐ Tirar pilhas, baterias soltas e lâmpadas da pilha (vão para outros coletores).
  • ☐ Ver se algum aparelho ainda funciona e vale vender, trocar ou doar.
  • ☐ Fazer backup de fotos, contatos e documentos.
  • ☐ Em cada app de banco e carteira: sair e excluir o aparelho dos dispositivos autorizados.
  • ☐ Instalar e ativar o gov.br no celular novo; depois, excluir o antigo em Segurança da conta.
  • ☐ Sair do e-mail e das redes sociais no aparelho antigo.
  • ☐ Android: confirmar a senha da Conta do Google; carregar acima de 70% e restaurar.
  • ☐ iPhone: Finalizar Sessão, tirar cartões da Carteira e Apagar Conteúdo e Ajustes.
  • ☐ Retirar chip e cartão de memória de todos os aparelhos, inclusive dos que não ligam.
  • ☐ Desligar tudo e montar a caixa aberta (até 30 kg).
  • ☐ Consultar no site da Circulare a agência participante mais próxima e o horário de funcionamento.
  • ☐ Na agência: levar documento com CPF e guardar o comprovante de envio.
  • ☐ Geladeira ou máquina velha? Pedir a coleta domiciliar gratuita pelo site da Circulare.

Perguntas frequentes

Preciso agendar para levar os eletrônicos aos Correios?
Os Correios dizem que o serviço pode ser usado sem agendamento prévio. O site da Circulare, que opera a rede, orienta a escolher o ponto pela página de descarte. Na dúvida, consulte o site antes, para ter certeza de que a agência participa.

É pago?
Não. O serviço é gratuito e não gera custos para o consumidor, segundo os Correios.

Qualquer agência dos Correios recebe?
Não. Só as agências com Balcão do Cidadão: 6.868, segundo a Agência Brasil, de mais de 10 mil agências da empresa.

Quanto posso levar?
Até 30 kg por volume, numa caixa aberta de até 1 metro cúbico. Itens maiores, acima de 30 kg, como geladeiras, têm coleta domiciliar pela Circulare.

Posso levar pilhas e baterias junto?
Não. Pilhas, baterias e lâmpadas não são aceitas nessa modalidade. Pilhas e baterias portáteis vão para coletores da Green Eletron; lâmpadas, para a Reciclus; baterias de carro, para a rede do IBER.

Recebo algum dinheiro pelo aparelho?
Não. O Decreto nº 10.240/2020 diz que não haverá remuneração ao consumidor que entrega o produto, salvo incentivos que as empresas decidam criar. Se o aparelho funciona, vender, trocar ou doar pode ser melhor.

Se eu me arrepender, posso pegar de volta?
Não. Pelo artigo 32 do decreto, o descarte implica a perda imediata e irrevogável da propriedade. A Circulare também informa que quem devolve o eletrônico não pode reavê-lo.

Os Correios apagam meus dados?
Apagar os dados é obrigação de quem descarta, pelo artigo 31 do decreto. Entidades como a Green Eletron dizem que os aparelhos são descaracterizados antes da reciclagem, mas, se você deixar dados, as empresas do sistema não respondem por eles.

Meu celular não liga. Ainda dá para descartar com segurança?
Sim. Retire chip e cartão de memória, remova o aparelho das suas contas do Google ou da Apple e dos apps de banco a partir de outro dispositivo, e troque as senhas mais importantes.

Preciso levar documento?
Você informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone para a emissão do comprovante. Leve um documento com o CPF para facilitar.

E o computador da empresa?
O Decreto nº 10.240/2020 trata de eletroeletrônicos de uso doméstico; produtos de uso corporativo ficam fora dele. Empresas devem procurar soluções de descarte corporativo. A Green Eletron, por exemplo, informa que não emite certificado de descarte para pessoa jurídica.

Leia também no Cantinho

Fontes

Cantinho Verde Lar — guia informativo para a família e o consumidor. Não substitui o atendimento dos Correios, do seu banco, da operadora ou do fabricante do aparelho. Regras e números conforme os comunicados e as páginas oficiais consultados em 18/10/2026; os Correios e a Circulare podem mudar as condições do serviço. Os menus do Android variam conforme o fabricante. A conta sobre o volume coletado é do Cantinho Verde Lar e serve só como referência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Detergente Ypê com lote final 1: Anvisa libera os fabricados a partir de 1º/11/2025 — veja quais seguem suspensos, como ler o lote, pedir troca ou reembolso por Pix e não cair no golpe da falsa indenização

Atualizado em 18/10/2026 (18h SP). Fontes: Anvisa (16/10/2026) ; Anvisa (22/06/2026) ; Anvisa (07/05/2026) ; g1 ; CNN Brasil ; Ypê ; Código ...