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sábado, 31 de outubro de 2026

PIS/Pasep esquecido: pedido feito até hoje (31/10) cai em 25/11 e quem pedir até 30/11 recebe em 28/12 — quem trabalhou de 1971 a 1988 tem média de R$ 2,8 mil, como consultar no Repis e no app FGTS, o que os herdeiros precisam levar, prazo até 2028, golpes + checklist

Atualizado em 31/10/2026 (20h, horário de Brasília). Fontes principais: FGTS/Caixa, página oficial do Ressarcimento de Cotas do PIS/Pasep; gov.br, Consultar saldo de cotas PIS/Pasep; Agência Brasil (25/09/2026); g1 (25/09/2026).

Fachada branca e azul de uma agência da Caixa Econômica Federal em São Miguel, no Rio Grande do Norte, com o letreiro CAIXA, porta de vidro, motos estacionadas na calçada e céu azul com nuvens, e o texto dinheiro esquecido do PIS/Pasep, pedido até 31/10 cai em 25/11

Agência da Caixa em São Miguel (RN). É a Caixa que recebe os pedidos e paga o ressarcimento das cotas do antigo fundo PIS/Pasep, sempre em conta da própria Caixa ou na poupança social digital do Caixa Tem. Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior, via Wikimedia Commons — CC0 (domínio público), adaptada com texto.

Se você, seu pai, sua mãe ou seus avós trabalharam com carteira assinada ou como servidores públicos entre 1971 e 1988, existe uma chance real de ter um dinheiro parado em nome da família há décadas. É o chamado "dinheiro esquecido" do PIS/Pasep: as cotas do antigo fundo PIS/Pasep, que nunca foram sacadas, passaram pelo FGTS e hoje estão guardadas no Tesouro Nacional esperando o dono (ou os herdeiros) pedir de volta.

E o calendário importa justamente agora. Pelo cronograma oficial publicado na página do FGTS, quem faz o pedido de ressarcimento até 31 de outubro de 2026 — ou seja, hoje — tem o crédito previsto para quarta-feira, 25 de novembro. Quem perder o corte de hoje não perde o direito: entra no lote seguinte, e quem pedir até 30 de novembro recebe em 28 de dezembro, uma segunda-feira, já perto do Natal. Pedidos feitos em dezembro ficam para janeiro de 2027.

Segundo o governo, o saldo médio é de R$ 2,8 mil a R$ 2,9 mil por pessoa, já corrigido pela inflação, de acordo com a Agência Brasil. Não é pouca coisa: para muita família, isso paga as compras de fim de ano, uma conta atrasada ou o material escolar de 2027. Neste guia do Cantinho você vai ver, sem enrolação, quem tem direito, como consultar em 15 minutos, como pedir pelo celular, o que os herdeiros precisam levar, qual é o prazo final (setembro de 2028) e os golpes que já rondam esse assunto.

Resumo em 30 segundos

  • Quem tem direito: quem trabalhou com carteira assinada ou como servidor público de 1971 a 1988 e não sacou as cotas do antigo fundo PIS/Pasep. Se o titular morreu, os herdeiros ou dependentes legais podem pedir.
  • Quanto: média de R$ 2,8 mil a R$ 2,9 mil por pessoa, segundo o governo. O valor varia com o tempo de trabalho e o salário da época.
  • Onde consultar: site Repis Cidadão (login gov.br prata ou ouro), aplicativo FGTS (só o titular) ou qualquer agência da Caixa.
  • Onde pedir: aplicativo FGTS ("Mais" > "Ressarcimento PIS/Pasep") ou agência da Caixa com documento oficial com foto.
  • Quando cai: pedido até 31/10 → 25/11; até 30/11 → 28/12; até 31/12 → janeiro de 2027.
  • Prazo final: setembro de 2028. Depois disso, o dinheiro fica de vez com o Tesouro.
  • Custo: zero. Ninguém precisa pagar despachante, "taxa de liberação" ou percentual para pedir.
  • Não confunda: isso não é o abono salarial anual do PIS/Pasep e também não é o Valores a Receber do Banco Central.

Por que esse assunto volta agora

O ressarcimento das cotas funciona com um calendário mensal fixo: o pedido feito até o último dia de um mês é pago no fim do mês seguinte, depois que a Caixa repassa a solicitação ao Ministério da Fazenda e o pedido é aprovado. O lote de outubro caiu na segunda-feira, 26/10, para quem pediu até 30 de setembro. A partir de hoje, a conta vira de novo: tudo o que entrar até 23h59 de 31/10 entra, em tese, no lote de 25/11.

Há um detalhe prático neste fim de semana. Hoje é sábado e segunda-feira (2/11) é feriado nacional de Finados, então as agências da Caixa só voltam a abrir na terça-feira (3/11). Para quem ainda quer tentar o lote de novembro, o único caminho realista é o aplicativo FGTS, e ele só funciona para o próprio titular. Herdeiros, que normalmente precisam ir à agência com papelada, já devem se planejar para o lote de dezembro, pedindo até 30/11.

Uma observação honesta: o calendário oficial fala em "solicitações realizadas até 31/10/2026". O site não detalha horário de corte nem diz o que acontece com pedidos que caem em exigência de documento. Por isso, trate a data de 25/11 como previsão, não como garantia. O que vale é o que aparecer no acompanhamento do pedido no app FGTS ou na agência.

Também pesa o fim do ano. Muita gente está montando o orçamento de novembro e dezembro, de olho no 13º salário, nas compras de Natal e nas contas de janeiro, como IPTU, IPVA e material escolar. Um crédito médio de quase R$ 3 mil cair em 25/11 ou em 28/12 pode mudar bastante o fôlego da casa, principalmente para aposentados e famílias de pessoas mais velhas.

Afinal, que dinheiro é esse?

O PIS (Programa de Integração Social) foi criado em 1970 para formar uma poupança para os trabalhadores do setor privado. Logo depois veio o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), com a mesma lógica para servidores civis e militares. Em 1975, os dois foram unificados num único fundo, o Fundo PIS-Pasep, que parou de receber novas cotas em 1988, quando a Constituição criou o modelo atual de abono salarial. Esse histórico está resumido pelo g1.

Funcionava parecido com o FGTS: as empresas e órgãos públicos depositavam, o dinheiro ficava rendendo e só podia ser sacado em situações especiais, como aposentadoria ou doença grave. Uma vez por ano, o trabalhador recebia os juros e a correção das cotas. Muita gente simplesmente não sabia que tinha esse saldo, mudou de cidade, perdeu documentos ou morreu sem que a família soubesse.

A história recente, contada pela Agência Brasil, ajuda a entender o tamanho da coisa:

  • 2017: o saque foi liberado para pessoas com mais de 60 anos; cerca de 4,8 milhões de cotistas resgataram R$ 6,6 bilhões.
  • 2018: a liberação foi ampliada e 23,8 milhões de pessoas passaram a poder sacar R$ 35,7 bilhões.
  • 2019: ainda restavam 10,8 milhões de trabalhadores com cotas do PIS e cerca de 30 mil com cotas do Pasep; as regras para herdeiros foram simplificadas.
  • 2020: uma medida provisória extinguiu o fundo e transferiu R$ 25,2 bilhões para contas do FGTS em nome dos trabalhadores.
  • Agosto de 2023: o que não foi sacado — R$ 26,3 bilhões de 10,5 milhões de trabalhadores e aposentados — foi transferido para a conta única do Tesouro Nacional, como previsto no artigo 121 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, incluído pela Emenda Constitucional da Transição.
  • 10 de março de 2025: o Ministério da Fazenda lançou o Repis Cidadão, a plataforma de consulta, e os primeiros ressarcimentos foram pagos no fim daquele mês.

Desde então, os pagamentos saem em lotes mensais. O governo não divulgou, nas fontes que consultamos, um balanço atualizado de quanto já foi devolvido desde 2025 nem de quantas pessoas ainda faltam. Então o número de 10,5 milhões é a "foto" de agosto de 2023; é provável que o grupo de quem ainda não pediu seja menor hoje, mas não há número oficial recente para dizer quanto.

Quem tem direito (e quem não tem)

A página oficial do FGTS resume assim: têm direito aos recursos quem trabalhou com carteira assinada ou como servidor público no período de 1971 a 1988 e ainda não realizou o saque, além dos beneficiários legais, em caso de falecimento do titular. Algumas reportagens, como a da Exame, detalham o marco final como 5 de outubro de 1988, data da Constituição.

Provavelmente tem algo a receber:

  • Quem teve carteira assinada em qualquer período entre 1971 e 1988, mesmo que por pouco tempo, e nunca foi atrás das cotas.
  • Servidores públicos (civis ou militares) do mesmo período que não sacaram o Pasep.
  • Filhos, cônjuges e outros herdeiros de pessoas que trabalharam nessa época e morreram sem sacar.
  • Quem morou fora da cidade de origem, perdeu a carteira de trabalho antiga ou nunca soube que o fundo existia.

Provavelmente não tem nada:

  • Quem começou a trabalhar depois de outubro de 1988. O fundo parou de receber cotas novas com a Constituição; daí em diante vale o abono salarial anual, que é outra coisa.
  • Quem já sacou as cotas nas liberações de 2017, 2018, 2019 ou pelo app do FGTS entre 2020 e 2023.
  • Quem sacou na época da aposentadoria, já que o saque por aposentadoria era uma das hipóteses previstas pelo fundo. Muita gente aposentada antes de 2017 já pode ter retirado o dinheiro — mas a consulta é grátis, então vale conferir mesmo assim.

Na dúvida, a regra é simples: consulte. Leva poucos minutos, não custa nada e o próprio sistema diz se há valor e como seguir.

Capa azul-marinho de uma Carteira de Trabalho e Previdência Social do Brasil, com o brasão da República em dourado no centro e os textos República Federativa do Brasil, Ministério do Trabalho e Carteira de Trabalho e Previdência Social em letras douradas

Capa de uma Carteira de Trabalho e Previdência Social (modelo de 2003). Para o antigo PIS/Pasep, o que conta é ter tido carteira assinada ou cargo público entre 1971 e 1988 — se a carteira antiga ainda estiver na gaveta, ela ajuda a achar o número do PIS. Foto: Governo do Brasil, via Wikimedia Commons — domínio público.

Passo a passo: como consultar se há dinheiro

Existem três caminhos oficiais. Use só eles.

1. Pelo site Repis Cidadão (o mais completo)

O Repis Cidadão é a plataforma do Ministério da Fazenda criada para o ressarcimento. Segundo o g1 e a página do serviço no gov.br, o caminho é:

  1. Acesse repiscidadao.fazenda.gov.br digitando o endereço no navegador (não clique em link de mensagem).
  2. Clique em "Entrar com gov.br" e faça login com CPF e senha. A conta precisa ser nível prata ou ouro.
  3. Autorize o acesso aos seus dados.
  4. Se a consulta for do seu próprio saldo, o valor a ser ressarcido aparece automaticamente após o login, segundo o gov.br. Se pedir, informe o número do PIS/Pasep ou NIS.
  5. Clique em "Pesquisar". O sistema informa se há valores e mostra as orientações para o pedido.

O gov.br estima até 15 minutos para essa etapa.

2. Pelo aplicativo FGTS (só para o titular)

O aplicativo oficial FGTS, da Caixa, está disponível na Play Store e na App Store. A página do FGTS deixa claro que, pelo app, a consulta é feita exclusivamente pelo titular. Entre com seu CPF e senha, vá em "Mais" e procure "Ressarcimento PIS/Pasep". Se houver saldo transferido ao Tesouro, a opção de pedido aparece ali mesmo.

3. Em qualquer agência da Caixa (titular ou herdeiro)

Na agência, tanto o titular quanto o beneficiário legal podem consultar. Leve documento oficial com foto e, se tiver, o número do PIS. Lembre: as agências estão fechadas neste sábado (31/10) e na segunda (2/11, Finados); reabrem na terça-feira (3/11).

Não sabe o número do PIS? Veja onde achar

O número do PIS e o do NIS são o mesmo: 11 dígitos gerados pela Caixa. A diferença é só a origem — o PIS nasce no primeiro emprego com carteira assinada e o NIS quando a pessoa entra em programas sociais. Segundo o g1, dá para encontrar em:

  • Extrato do FGTS: dentro de qualquer contrato de trabalho registrado no aplicativo.
  • Cartão Cidadão: o número fica logo abaixo do nome.
  • Meu INSS: aparece como NIT nos dados cadastrais. Também dá para pedir pelo telefone 135, de segunda a sábado, das 7h às 22h.
  • CadÚnico: no site ou no aplicativo, depois de preencher os dados pessoais.
  • Carteira de trabalho antiga: o número do PIS costuma estar anotado nas primeiras páginas da carteira de papel.

Para quem quer consultar o saldo de um familiar que já morreu, o número do PIS da pessoa é essencial. Vale olhar documentos antigos guardados em casa, a carta de concessão de pensão por morte ou pedir ajuda ao INSS.

Como pedir o dinheiro pelo app FGTS

Se a consulta mostrou saldo e você é o titular, o pedido pode ser feito pelo celular. O roteiro descrito pela Agência Brasil e pelo g1 é:

  1. Abra o aplicativo FGTS (baixe só pela loja oficial do celular) e faça login.
  2. Toque em "Mais".
  3. Escolha "Ressarcimento PIS/Pasep".
  4. Siga as orientações e anexe os documentos pedidos — para o titular, basta o documento oficial de identificação com foto.
  5. Confira os dados e confirme. Tire um print da tela final com a data do pedido.
  6. Acompanhe depois, pelo próprio aplicativo, se o pedido foi deferido (aprovado) ou indeferido.

Quem preferir pode fazer tudo na agência. Leve documento com foto e peça ao atendente o ressarcimento das cotas do PIS/Pasep.

Onde o dinheiro cai

Aqui não tem escolha de banco. Segundo a página do FGTS, o pagamento é feito exclusivamente em conta individual da Caixa:

  • se você já tem conta corrente, poupança ou conta digital na Caixa, o crédito vai para ela;
  • se não tem, a Caixa abre automaticamente uma Conta Poupança Social Digital, sem custo, movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

Pelo Caixa Tem dá para pagar boletos, fazer Pix, comprar no cartão de débito virtual ou sacar com código em lotérica, caixa eletrônico ou agência. No caso de herdeiros, a regra é a mesma: o crédito vai para conta individual da Caixa em nome de quem recebe. Na agência, pergunte como fica a divisão entre os sucessores no seu caso.

Herdeiros: como pedir o dinheiro de quem já morreu

Esse é o caso mais comum hoje. Muitos dos trabalhadores de 1971 a 1988 já faleceram, e o dinheiro passa para dependentes e sucessores. A consulta pode ser feita pelo Repis Cidadão: segundo o gov.br, o interessado entra com o próprio login gov.br, informa o número do PIS/Pasep da pessoa falecida e clica em "pesquisar". Não é preciso cadastrar a pessoa que morreu.

Para pedir, além do documento oficial de identificação de quem está pedindo, é necessário apresentar um destes documentos, conforme a lista publicada pelo g1 e pela Agência Brasil:

  • Certidão PIS/Pasep/FGTS emitida pela Previdência Social (INSS), com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte — ou a carta de concessão da pensão por morte com a relação de beneficiários;
  • Declaração de dependentes habilitados à pensão emitida pelo órgão pagador do benefício (caso típico de servidor público);
  • Autorização judicial (alvará); ou
  • Escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, se forem maiores, capazes e estiverem de acordo, autorizando o saque e declarando que não há outros dependentes ou sucessores conhecidos.

Na prática, o caminho mais tranquilo para herdeiros costuma ser a agência da Caixa, levando os documentos em mãos. Se já existe pensão por morte no INSS, a certidão de dependentes habilitados costuma resolver; se não existe pensão e há vários irmãos, a escritura pública em cartório (com todos de acordo) ou o alvará judicial são as opções. Converse com a família antes: o dinheiro é de todos os sucessores, e o processo anda mais rápido quando ninguém está brigando.

Como herdeiros dependem do horário de agência e de documentos, o realista é mirar no lote de 28 de dezembro (pedido até 30/11) ou no de janeiro de 2027.

Calendário oficial: quando o dinheiro cai

O crédito é feito no mês seguinte ao da solicitação, depois que o pedido é aprovado. Estas são as datas oficiais de 2026, publicadas pela Caixa/FGTS e repetidas no gov.br:

Pedido feito atéCrédito na conta CaixaSituação
31/08/202625/09/2026 (sexta)Já pago
30/09/202626/10/2026 (segunda)Já pago
31/10/2026 (hoje)25/11/2026 (quarta)Último dia para entrar neste lote
30/11/202628/12/2026 (segunda)Próximo lote
31/12/2026Janeiro de 2027Data exata ainda não divulgada
Setembro de 2028—Fim do prazo para pedir

Dois avisos que constam da página oficial e merecem atenção:

  • O pagamento depende do orçamento. Se não houver verba suficiente no ano da solicitação, o valor é pago no ano seguinte, com correção. Ou seja: o direito não se perde, mas a data pode escorregar, principalmente nos lotes do fim do ano.
  • A data só vale depois do deferimento. Pedido com documento faltando ou em análise pode ficar para um lote seguinte. Acompanhe pelo app FGTS ou na agência.
Quadro verde e branco com o guia do dinheiro esquecido do antigo PIS/Pasep: os números do fundo, o calendário de pagamento com pedido até 31 de outubro caindo em 25 de novembro e até 30 de novembro em 28 de dezembro, onde consultar e pedir, documentos para herdeiros e telefones oficiais da Caixa

Quadro-resumo do antigo PIS/Pasep: quem tem direito, onde consultar, calendário até janeiro de 2027 e o que os herdeiros precisam levar. Salve no celular ou mande no grupo da família. Arte: Cantinho Verde Lar, com dados da Caixa/FGTS, do gov.br, da Agência Brasil e do g1.

Quanto dinheiro pode estar em jogo

O governo fala em saldo médio de R$ 2,8 mil por pessoa (o g1 e a Exame citam esse número) ou de R$ 2,8 mil a R$ 2,9 mil (Agência Brasil, setembro de 2026), sempre corrigido pela inflação. Média é média: tem quem receba bem menos, porque trabalhou pouco tempo ou ganhava pouco, e tem quem receba bem mais.

Para ter uma ideia do conjunto, fizemos uma conta simples com os números de agosto de 2023: R$ 26,3 bilhões divididos por 10,5 milhões de pessoas dá cerca de R$ 2,5 mil por cotista naquela época. É uma estimativa nossa, só para mostrar a ordem de grandeza; com a correção desde então, chega-se perto da média de R$ 2,8 mil informada pelo governo.

O que mais pesa no valor de cada um, segundo as fontes oficiais, é o tempo de trabalho e o salário da época. Quem passou muitos anos com carteira assinada entre 1971 e 1988 tende a ter mais cotas. Mas não dá para calcular de cabeça: o único número confiável é o que aparece na consulta.

Exemplos práticos

Os casos abaixo são ilustrativos, com nomes e valores hipotéticos, só para mostrar como funciona o calendário.

  • Seu Antônio, 72 anos, trabalhou numa fábrica de 1974 a 1986 e nunca ouviu falar das cotas. A neta entra com ele no app FGTS ainda hoje (31/10), ele confirma o pedido com o documento de identidade e, se tudo for aprovado, o crédito está previsto para 25/11 numa poupança social digital aberta pela Caixa.
  • Dona Lúcia, 68 anos, foi servidora estadual de 1978 a 1988. Ela só consegue ir à agência na terça (3/11). O pedido entra no lote seguinte e a previsão de crédito passa para 28/12. O valor não diminui por isso.
  • Os três filhos do seu José, que morreu em 2019, descobrem pelo Repis que há saldo no PIS dele. A mãe recebe pensão por morte do INSS. Com a certidão de dependentes habilitados emitida pela Previdência, a viúva vai à agência em novembro. Se pedir até 30/11, a previsão é de crédito em 28/12.
  • Carla, 45 anos, teve o primeiro emprego em 1999. Ela não tem cotas do antigo fundo — mas pode ter direito ao abono salarial anual, que segue outras regras, e pode consultar o Valores a Receber do Banco Central.

Não confunda: três "dinheiros esquecidos" diferentes

Este é o ponto que mais gera confusão (e golpe). São três coisas separadas:

O quêPara quemOnde consultar
Cotas do antigo fundo PIS/Pasep (este guia)Quem trabalhou com carteira ou como servidor de 1971 a 1988, ou seus herdeirosRepis Cidadão, app FGTS, agência da Caixa
Abono salarial PIS/PasepQuem trabalhou com carteira no ano-base e cumpre os requisitos de renda e cadastro; pago todo ano, até um salário mínimoCarteira de Trabalho Digital, app Caixa Tem, Banco do Brasil (Pasep)
Valores a Receber (SVR) do Banco CentralQualquer pessoa ou empresa com saldo esquecido em banco, consórcio, tarifa cobrada a mais etc.Site oficial do Banco Central

Já explicamos aqui no Cantinho o lote extra do abono salarial PIS/Pasep e o dinheiro esquecido no Valores a Receber do Banco Central. Uma coisa não exclui a outra: dá para ter direito às três ao mesmo tempo.

E o FGTS comum, aquele das contas de emprego, também é outro assunto. Se você usa o saque-aniversário, vale ler o que mudou com o adiamento do corte de parcelas para 31/3/2027.

Guia por perfil: o que fazer agora

  • Sou o titular, tenho gov.br prata ou ouro e celular: consulte no Repis ou no app FGTS ainda hoje. Se houver saldo, faça o pedido pelo app e guarde o print. A previsão, se o pedido entrar no corte de 31/10, é 25/11.
  • Sou o titular, mas não tenho gov.br ou não me dou bem com o celular: peça ajuda a alguém de confiança da família para consultar com você, ao seu lado, sem passar a sua senha para terceiros. Se preferir, vá a uma agência da Caixa a partir de terça (3/11) com documento com foto. Pedido até 30/11 → previsão de 28/12.
  • Sou herdeiro: descubra o número do PIS do familiar, consulte no Repis com o seu próprio gov.br e reúna a documentação (certidão de dependentes do INSS, declaração do órgão pagador, alvará ou escritura). Mire no pedido até 30/11.
  • Já pedi e não caiu: confira no app FGTS ou na agência se o pedido foi deferido. Se houve exigência, complete a documentação. Se foi aprovado e não pago por falta de orçamento, o valor fica para o ano seguinte com correção.
  • Comecei a trabalhar depois de 1988: você não tem cotas do antigo fundo. Mas confira o abono salarial e o Valores a Receber, e veja se seus pais ou avós têm algo.

Golpes que usam o "dinheiro esquecido do PIS"

Sempre que um lote do PIS/Pasep volta ao noticiário, aparecem mensagens oferecendo "consulta rápida", "liberação imediata" ou "ajuda com a papelada". As orientações abaixo são gerais, de segurança, e valem para qualquer benefício pago pela Caixa:

  • O pedido é gratuito. Não existe "taxa de liberação", "taxa de cartório da Caixa" ou percentual para "destravar" o dinheiro. Quem cobra para fazer o pedido está fora do processo oficial.
  • Só existem três canais: Repis Cidadão (repiscidadao.fazenda.gov.br), aplicativo FGTS das lojas oficiais e agência da Caixa. Qualquer outro site de "consulta do PIS por CPF" é suspeito.
  • Não clique em link de SMS, WhatsApp ou e-mail dizendo que "seu PIS foi liberado" ou que "o prazo acaba hoje". Digite o endereço você mesmo ou abra o app que já está instalado.
  • Nunca passe senha do gov.br, do app FGTS ou do Caixa Tem para ninguém, nem para quem diz ser funcionário da Caixa. A Caixa não pede senha por telefone ou mensagem.
  • Desconfie de quem pede Pix "para adiantar" o valor ou para "pagar imposto" antes de receber. O dinheiro cai direto na conta Caixa de quem tem direito.
  • Cuidado com "escritórios" que procuram herdeiros oferecendo resolver tudo em troca de parte do valor. Se precisar de ajuda com inventário ou alvará, procure a Defensoria Pública, um advogado de confiança ou o cartório diretamente.
  • Atenção a ligações com voz ou vídeo de "atendente". Golpistas já usam inteligência artificial para imitar pessoas e marcas; vimos isso no caso do pedreiro que viajou 2,1 mil km atrás de uma "fazendeira" criada por IA.
  • Acompanhe o idoso da família. O público do antigo PIS/Pasep é, em sua maioria, gente com mais de 55 anos. Combine em casa: ninguém responde mensagem sobre PIS sem conversar antes com um filho ou neto.

Caiu em golpe? Avise o banco imediatamente pelos canais oficiais, registre boletim de ocorrência (dá para fazer pela internet na maioria dos estados) e, se fez Pix, peça a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) no seu banco o quanto antes.

Checklist: dinheiro do antigo PIS/Pasep

  1. ☐ Confirmei se eu (ou o familiar) trabalhou com carteira assinada ou como servidor entre 1971 e 1988.
  2. ☐ Achei o número do PIS/NIS (extrato do FGTS, Cartão Cidadão, Meu INSS/NIT, CadÚnico ou carteira antiga).
  3. ☐ Tenho conta gov.br nível prata ou ouro (ou vou à agência).
  4. ☐ Consultei no Repis Cidadão, no app FGTS ou na agência — só nos canais oficiais.
  5. ☐ Se há saldo e sou o titular: fiz o pedido no app FGTS e guardei o print com a data.
  6. ☐ Se sou herdeiro: separei documento com foto e um dos documentos de sucessão (certidão do INSS, declaração do órgão pagador, alvará ou escritura).
  7. ☐ Anotei a previsão de crédito: pedido até 31/10 → 25/11; até 30/11 → 28/12; até 31/12 → janeiro/2027.
  8. ☐ Instalei o Caixa Tem (se não tenho conta na Caixa) para movimentar a poupança social digital.
  9. ☐ Acompanhei se o pedido foi deferido ou se há exigência.
  10. ☐ Combinei com a família: ninguém paga taxa, ninguém passa senha, ninguém clica em link.
  11. ☐ Conferi também o abono salarial e o Valores a Receber do Banco Central.
  12. ☐ Planejei o uso do dinheiro: dívida cara primeiro, reserva depois, compras por último.

Perguntas frequentes

Ainda dá tempo de entrar no lote de 25 de novembro?
O calendário oficial vale para "solicitações realizadas até 31/10/2026". Como hoje é sábado e as agências só reabrem na terça (3/11), a única chance é o aplicativo FGTS, feito pelo próprio titular. Não há informação oficial sobre horário de corte, então trate como tentativa. Se não der, o pedido feito até 30/11 tem crédito previsto para 28/12.

Se eu pedir em novembro, recebo menos?
Não há nada nas fontes oficiais indicando redução por pedir depois. O valor é corrigido. O que muda é só a data.

Até quando posso pedir?
Até setembro de 2028, segundo a Agência Brasil e o g1. A página do FGTS explica que o direito de pedir o ressarcimento à União vale por até cinco anos. Depois disso, o dinheiro é incorporado de vez ao Tesouro.

Preciso ter conta na Caixa?
Não precisa ter antes. Se você não tiver, a Caixa abre automaticamente uma poupança social digital sem custo, que você usa pelo Caixa Tem. Mas o pagamento só sai em conta Caixa; não dá para escolher outro banco.

Meu gov.br é bronze. E agora?
O Repis Cidadão exige nível prata ou ouro. Você pode subir de nível no próprio app gov.br (por exemplo, com validação facial ou pelo banco, conforme as opções que aparecerem para você) ou consultar direto no app FGTS (se for o titular) ou na agência.

Isso tem a ver com o abono salarial que eu recebo todo ano?
Não. O abono é um pagamento anual, de até um salário mínimo, para quem trabalhou com carteira no ano-base e cumpre os requisitos. As cotas do antigo fundo são de quem trabalhou entre 1971 e 1988 e têm regras próprias.

Minha mãe morreu e não deixou pensão. Os filhos podem pedir?
Sim, como sucessores. Sem pensão por morte, os documentos possíveis são a autorização judicial (alvará) ou a escritura pública assinada por todos os sucessores capazes e de acordo, declarando que não há outros herdeiros conhecidos.

O pedido foi aprovado, mas o dinheiro não caiu na data. O que houve?
A página oficial avisa que o pagamento depende da disponibilidade de recursos no orçamento federal; se faltar verba no ano, o valor é pago no ano seguinte com correção. Confira a situação no app FGTS ou na agência e, se precisar, ligue para a Caixa.

Quais são os telefones oficiais?
Segundo a Agência Brasil: atendimento Caixa 0800-726-0207, SAC 0800-726-0101 e Ouvidoria 0800-725-7474. Para o número do PIS/NIT, o INSS atende no 135.

Tenho de declarar esse dinheiro no Imposto de Renda?
As fontes que consultamos não tratam desse ponto. Se você declara IR, guarde o comprovante do crédito e confira as instruções da Receita Federal na declaração de 2027 ou pergunte ao seu contador.

Como usar bem o dinheiro (sugestões, não regras)

Se cair um valor perto da média, de R$ 2,8 mil, a tentação é gastar tudo na Black Friday ou no Natal. Algumas ideias para o dinheiro render mais:

  • Quite primeiro a dívida mais cara, como rotativo do cartão e cheque especial. Os juros dessas linhas costumam ser muito maiores do que qualquer rendimento que você conseguiria guardando o dinheiro.
  • Separe uma reserva para as contas de janeiro (IPTU, IPVA, material escolar) — elas sempre chegam juntas.
  • Se for comprar na Black Friday, veja antes o nosso guia de como fugir da "metade do dobro".
  • Converse em família quando o dinheiro for de herança: combinar antes evita briga depois.

O que observar nas próximas semanas

  • 3/11 (terça): agências da Caixa reabrem depois do feriado de Finados.
  • 25/11 (quarta): crédito previsto para quem pediu até 31/10.
  • 30/11 (segunda): último dia para pedir e entrar no lote de dezembro.
  • 28/12 (segunda): crédito previsto para quem pediu até 30/11.
  • Janeiro de 2027: crédito de quem pedir em dezembro; a data exata e o calendário de 2027 ainda não foram divulgados.
  • Setembro de 2028: fim do prazo para pedir.

Vale também ficar de olho em um eventual balanço oficial do Ministério da Fazenda sobre quanto já foi devolvido desde 2025 — até agora, as fontes que consultamos não trazem esse número atualizado.

Fontes

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Este conteúdo é informativo e foi escrito com base nas fontes citadas, consultadas em 31/10/2026. Regras e datas podem mudar; confirme sempre no app FGTS, no Repis Cidadão, numa agência da Caixa ou pelo 0800-726-0207.

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